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Saiba mais sobre endometriose.

A endometriose é uma doença caracterizada pela implantação do endométrio (tecido que reveste a cavidade uterina) fora do útero, como por exemplo ovários ou intestino. Esse endométrio fora do útero provoca reação inflamatória local podendo levar a quadros intensos de dor e/ou infertilidade1.

O que você precisa saber sobre a endometriose:

Qual a frequência da endometriose na mulher em idade fértil?

A endometriose acomete cerca de 10% dessas mulheres. Isso é ainda mais impactante nas pacientes com dificuldade de engravidar (infertilidade). Nesse grupo em específico, cerca de metade das pacientes apresentam o diagnóstico de endometriose2.

Qual o impacto na qualidade de vida?

A doença pode piorar a qualidade de vida, especialmente no período perimenstrual3 e pode afetar a capacidade laborativa (perda de até 10 horas semanais de trabalho por ciclo menstrual nos casos mais intensos).4

Os hábitos de vida podem influenciar na endometriose?

O estresse pode ser fator de risco para o surgimento da doença. Paralelamente, sabe-se que atividades físicas regulares apresentam benefícios para as pacientes com queixa de dor pélvica devido à endometriose. Dessa forma, o apoio psicoterápico e estímulo ao estilo de vida saudável são importantes nesses casos.5

Como é feito o tratamento da endometriose?

O tratamento pode ser clínico (medicamentoso) ou cirúrgico, dependendo do grau da doença. Nos casos em fase inicial, o uso de pílulas anticoncepcionais costuma ter um ótimo resultado na melhoria dos sintomas. Por outro lado, nos casos de doença avançada, o tratamento cirúrgico tem papel importante no reestabelecimento da fertilidade e na melhoria dos sintomas de dor pélvica.5,6

Qual é o impacto das pílulas anticoncepcionais nos casos de endometriose leve?

Os contraceptivos orais combinados (COCs) diminuem as cólicas menstruais já nos primeiros de uso. São opções interessantes para aliviar os sintomas, principalmente nos casos de endometriose peritoneal superficial.7

A pílula anticoncepcional pode ser usada de forma contínua na endometriose? Qual o benefício?

Sete em cada 10 brasileiras desejam reduzir a frequência menstrual.8 Por esse motivo, COCs de uso contínuo têm sido cada vez mais procurados a fim de aviltar os sintomas relacionados ao ciclo menstrual.9 Isso é particularmente mais importante para os casos de endometriose.10

Qual é a taxa de sucesso que a pílula contínua tem para suprimir a menstruação?

A taxa de supressão menstrual varia conforme a composição de cada pílula. Vale ressaltar que determinados COCs atingem a taxa de 81% de supressão menstrual no sexto mês de uso.11

Referências bibliográficas:
  1. ESKENAZI, Brenda; WARNER, Marcella L. Epidemiology of endometriosis. Obstetrics and gynecology clinics of North America, v. 24, n. 2, p. 235-258, 1997.
  2. HOUSTON, Diana E. et al. The epidemiology of pelvic endometriosis. Clinical Obstetrics and gynecology, v. 31, n. 4, p. 787-800, 1988.
  3. DUNSELMAN, G. A. J. et al. ESHRE guideline: management of women with endometriosis. Human reproduction, v. 29, n. 3, p. 400-412, 2014.
  4. NNOAHAM, Kelechi E. et al. Impact of endometriosis on quality of life and work productivity: a multicenter study across ten countries. Fertility and sterility, v. 96, n. 2, p. 366-373. e8, 2011.
  5. Podgaec S. Coleção Febrasgo: endometriose. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.
  6. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas. Endometriose. Portaria SAS/MS no 144, de 31 de março de 2010. (Retificada em 27.08.10).
  7. Disponível em http://guidelines.endometriosis.org/concise-pain.html
  8. Pompei, L. M., Fernandes, C. E., Steiner, M. L., Strufaldi, R., & Melo, N. R. D. (2013). Attitudes, knowledge and prescribing habits of Brazilian gynecologists regarding extended-cycle oral contraceptives. Gynecological Endocrinology, 29(12), 1071-1074.
  9. Szarewski, A., von Stenglin, A., & Rybowski, S. (2012). Women’s attitudes towards monthly bleeding: results of a global population-based survey. The European Journal of Contraception & Reproductive Health Care, 17(4), 270-283.
  10. Collinet, Pierre, et al. “Management of endometriosis: CNGOF/HAS clinical practice guidelines–Short version.” Journal of gynecology obstetrics and human reproduction 47.7 (2018): 265-274
  11. Machado, R. B., Fabrini, P., Cruz, A. M., Maia, E., & da Cunha Bastos, Á. (2004). Clinical and metabolic aspects of the continuous use of a contraceptive association of ethinyl estradiol (30 μg) and gestodene (75 μg). Contraception, 70(5), 365-370.