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Publicado em: 25 de maio de 2023
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Certamente, você já ouviu alguém dizer que “dormir é tão bom que nem dá para acreditar que é de graça”. Além de ser uma atividade apreciada por muitos, dormir é fundamental para a saúde do organismo — tanto do ponto de vista físico e mental.
Porém, atingir a qualidade do sono ideal pode ser um desafio, ainda mais em um contexto em que temos rotinas cada vez mais agitadas e estímulos frequentes para não cumprir as horas necessárias de recuperação e descanso.
Por isso, preparamos este guia completo para que você entenda tudo o que se passa pela sua cabeça (e corpo) enquanto repousa. Também vai ver qual a importância fisiológica de diversos processos que acontecem durante o sono e de que forma uma série de hábitos interfere no efeito reparador do descanso.
Para terminar, verá dicas essenciais para fortalecer a chamada higiene do sono, bem como conhecerá os sinais de alerta de alguns dos distúrbios do sono mais comuns. Boa leitura e bons sonhos!
Existem algumas hipóteses com base em evidências razoáveis de que o sono seria responsável por, entre outras tarefas:
Aprofundando um pouco mais: você já parou para pensar o que humanos, aves e abelhas tem em comum? Todas essas espécies precisam, em maior ou menor quantidade, dormir. Poucos comportamentos são tão disseminados entre os animais quanto o hábito de fechar os olhos, atingir um nível rebaixado de consciência e dormir.
De qualquer forma, é possível colocar em dúvida a necessidade real desse hábito, uma vez que o período dedicado ao sono poderia ser usado para outras tarefas, seja qual for a espécie animal. Ainda que apresentem padrões de sono (incluindo o tempo médio de repouso) bastante diversificados, todas precisam dormir.
Os cientistas pesquisam com bastante afinco questões relativas ao sono, mas certos mistérios ainda permanecem em debate. Um deles é de por que nós (e outros animais, claro) precisamos dormir. Diante da magnitude dos processos fisiológicos envolvidos no processo de fechar os olhos e descansar, existem diversas perguntas sem respostas consensuais.1
Por muito tempo, acreditou-se que o sono fosse resultado de uma interrupção praticamente completa da atividade fisiológica do nosso organismo, incluindo nisso o cerébro.2 Ou seja, pensava-se que era só um período em que o corpo ficava “desligado”.
Porém, com o tempo, foi-se descobrindo que, apesar de não responder a estímulos externos e permanecer imóvel, muita coisa acontece no organismo enquanto dormimos.
Uma das principais descobertas nesse sentido envolve a existência do chamado sono REM (sigla em inglês para movimento rápido de olhos).2 Como o próprio nome indica, esse estágio do sono é caracterizado pela movimentação dos olhos, resultado de uma série de processos que ocorrem no cérebro nesse intervalo.
Contudo, para chegar a esse estágio, o organismo passa por uma série de alterações bioquímicas que nos levam do estado de vigília (que é quando estamos acordados) para o sono em si.
Tal dinâmica é regulada pela interação do cérebro e por diversos marcadores bioquímicos, mediados pelo chamado ciclo circadiano.3 Tal ciclo diz respeito ao ajuste do nosso relógio interno biológico em relação às atividades do dia a dia e à percepção da passagem do dia para a noite e vice-versa.
A partir disso, o sono pode ser dividido em 5 fases: período desperto, sono leve (estágio 1), sono profundo (estágio 2), sono profundo não REM (estágio 3) e sono REM.
Cada fase provoca alterações nos padrões de onda cerebrais, de movimentação dos olhos e de mobilidade do corpo e dos músculos durante o período de repouso.3 Como curiosidade, vale ressaltar que é durante o sono REM que acontece a atividade relacionada aos sonhos3, mesmo que, em muitos casos, lembremos deles só depois, próximo ao despertar.
Em geral, a trajetória do estágio 1 (do sono leve) até o sono REM durante entre 90 e 120 minutos e se repete várias vezes durante a noite. Além disso, cerca de 45% desse tempo é dedicado ao sono profundo, enquanto o sono REM em si ocupa por volta de 25% desse tempo — mais ou menos o mesmo período do sono profundo não REM.3 Já o sono leve é responsável por cerca de 5% do tempo de uma noite de sono.3
Se uma noite de sono maldormida já acaba com o dia de qualquer um, gerando sinais de desconforto que vão do mau humor até a dificuldade de se concentrar nas tarefas do dia a dia, é preciso considerar os impactos que isso pode ter no longo prazo.
Não priorizar a qualidade do sono e não reservar tempo adequado para que o corpo se recupere todas as noites certamente compromete o bem-estar físico e mental. Por isso, é sempre importante reforçar como isso prejudica a saúde e pode gerar uma série de problemas.
Logo de cara, a falta de sono desregula a atuação de uma série de hormônios dentro do organismo. Um dos principais deles é o cortisol:4 entre outras funções, ele ajuda o corpo a regular respostas ao stress e contribui para modular a resposta do sistema imune.
Assim, a elevação do cortisol pode desregular uma série de funções do corpo, levando à elevação do nível de açúcar no sangue, aumento da hipertensão arterial, alteração no apetite e outras disfunções responsáveis, por exemplo, pelo ganho de peso.4
Além disso, a falta de sono adequado pode contribuir para o desenvolvimento e/ou o agravamento de quadros como:4
É importante reforçar que muito das consequências da falta de sono adequado retroalimentam os prejuízos à qualidade do repouso,4 ou seja, há um efeito “bola de neve”.
Exemplo disso é o fato de que o ganho de peso, por exemplo, está associado ao desenvolvimento de quadros de apneia do sono. Além disso, muitos dos quadros psiquiátricos atrelados ao sono inadequado têm como sintomas dificuldades para dormir, diante do estresse psicológico gerado por tais condições.
Diante disso, muito se fala sobre a importância da qualidade do sono, e com razão. Mas o que define uma boa noite de sono?
Como não poderia deixar de ser, esse parâmetro sofreu alterações com o passar do tempo, recebendo diferentes abordagens, principalmente à medida que se foi tendo uma compreensão diferente do papel e dos mecanismos do sono.
Apesar disso, a qualidade do sono pode ser definida como a percepção de satisfação individual com todos os aspectos da experiência de dormir, incluindo o período de repouso, o tempo necessário para cair no sono e a inércia do sono percebida após o despertar.5 Além disso, é preciso considerar a presença ou não dos chamados distúrbios do sono, associados a uma pior qualidade do repouso.5
Nunca é demais lembrar que o tempo de sono em si pode variar de uma pessoa para outra e sofre influência da faixa etária. Assim, é esperado que algumas pessoas precisem de mais ou menos sono conforme aspectos individuais e idade.
Em média, os períodos de sono necessários variam da seguinte forma:6
A quantidade de sono é fundamental, mas nem sempre ela, sozinha, é suficiente para garantir a qualidade do repouso, já que uma série de outros fatores interfere nisso.
Entre os sintomas que podem indicar que as noites de sono não estão sendo reparadoras devido à falta de qualidade no descanso estão:
É sempre importante não confundir sintomas de determinados distúrbios do sono (como a insônia) com a privação do sono provocada por imposições da rotina.
Em geral, pessoas com insônia tem problemas para dormir mesmo quando tem tempo suficiente para tal.7 Ou seja, a pessoa tenta dormir e não consegue, seja por dificuldade em cair no sono, seja por despertares precoces.
No sentido oposto, a privação do sono tende a ser provocada por fatores como a jornada de trabalho que exige com que a pessoa troque o dia pela noite, acorde muito cedo ou vá dormir muito tarde.
Um exemplo simples que pode ajudar na diferenciação privação de sono e da insônia em si é perceber se a pessoa que não consegue dormir de forma adequada devido à rotina consegue fazer isso nos dias de folga. Sem a imposição de ter que se manter acordado ou acordar cedo demais, a pessoa sem o distúrbio consegue alcançar a quantidade de sono adequada.6
Seja como for, vale sempre ficar de olho na forma como diferentes hábitos contribuem para que você tenha um sono de pior qualidade, sendo o autoconhecimento a chave aqui.
A partir disso, é possível implementar medidas para fortalecer a chamada higiene do sono ou ainda procurar ajuda especializada para que sejam feito o diagnóstico e o tratamento adequados de um eventual distúrbio do sono.
Diante da necessidade de sono regular e satisfatória para manutenção da qualidade de vida, é fundamental conhecer de que forma problemas e hábitos relativamente comuns afetar a obtenção do repouso adequado. Confira detalhes a seguir.
Estresse e sono estão fortemente relacionados. De um lado, é comum que o estresse (e todos os sintomas associados, como a ansiedade) levem a uma perda da qualidade do sono. Do outro, o acúmulo de noite maldormidas leva ao desenvolvimento de estresse e ansiedade.7
Seja como for, é comum que uma série de fatos e acontecimentos na vida levem a problemas que afetam a qualidade do sono. Entre alguns deles, estão:7
Normalmente, problemas para dormir gerados pelo estresse, incluindo quadros de insônia de curto prazo, costumam se resolver a partir do momento em que a questão que gera a condição é resolvida.
Todavia, quando isso não acontece, é fundamental acompanhar a evolução para um possível distúrbio do sono (como a insônia),7 ou ainda outras condições envolvendo problemas de saúde mental, com quadros de depressão, ansiedade, ou mesmo síndrome de Burnout.
O uso de dispositivos eletrônicos nos momentos antes de dormir, inclusive quando a pessoa já está na cama, pode afetar a qualidade do sono — desde o período necessário para adormecer até a qualidade do descanso em si.8 Isso se dá pela luz azul presente na tela de aparelhos como smartphones, tablets e computadores.
Em certa medida, a exposição a esse tipo de luz imita o que acontece na presença da luz solar da manhã,8 o que pode confundir o organismo e postergar o início do processo de adormecimento. Dessa forma, é esperado que o uso desregulado desses equipamentos afete a qualidade do sono.
Embora a cafeína seja uma substância amplamente utilizada para garantir maior desempenho durante o dia (por meio de bebidas e alimentos, como o café e o chocolate, ou por meio de suplementos), seu consumo exagerado também prejudica o sono. Ele posterga o adormecimento e contribui para um sono mais curto e menos satisfatório.9
Isso ocorre devido ao efeito estimulante da substância. É preciso sempre ter em mente que, por mais contribua para melhorar o desempenho cognitivo, a cafeína não substitui o descanso adequado.9
No sentido oposto, o álcool está associado à ampliação da sensação de relaxamento e entorpecimento que induz o sono. Contudo, tal substância resulta em um sono de pior qualidade.10 Além disso, pessoas que experimentam quadro de uso abusivo de álcool podem conviver com sintomas de insônia, em diferentes graus.10
Desse modo, apesar de ser considerado seguro se feito de forma consciente, o consumo desse tipo de substância deve levar em conta os impactos no sono.
Uma série de alterações na rotina é capaz de prejudicar a qualidade do sono. Isso vai desde o horário em que se dorme até o local de repouso. Por isso, dentro do possível, é fundamental manter hábitos para garantir que o corpo se prepare todos os dias adequadamente para o descanso.11
Muitos desses aspectos relativos à construção de uma rotina apropriada para dormir estão associados com práticas de higiene do sono, que vamos ver agora.
Em geral, quando não há um distúrbio que exija um tratamento apropriado, a adoção de técnicas de higiene do sono melhora a qualidade do repouso e garante o descanso apropriado. O conceito de higiene do sono leva em conta que manter hábitos é uma parte fundamental da promoção do sono de qualidade.12
Logo, construir um ambiente favorável ao sono, bem como ter uma série de rotinas, impacta de forma positiva a qualidade de vida. Muitos desses hábitos dizem respeito não apenas ao que se faz antes de dormir, mas ao longo de todo o dia.
Assim, vale tomar nota de algumas medidas para implementar o quanto antes:12
Embora valiosas, as dicas de higiene do sono podem não ser suficientes para melhorar a qualidade do descanso, principalmente quando os problemas para dormir estão relacionados a algum distúrbio. Em geral, distúrbios do sono envolvem:13
Dessa forma, entre os diagnósticos mais comuns para explicar uma série de problemas para dormir estão quadros como:13
Cada um desses problemas apresenta sintomas próprios, que afetam o indivíduo na hora de dormir, durante o sono ou ao longo do dia. Além disso, alguns deles são relativamente comuns (como a insônia) e outros mais raros (como a síndrome das pernas inquietas).
Seja como for, diante de qualquer sintoma ou comportamento persistente capaz de prejudicar a qualidade do sono (e, por consequência, o bem-estar), é indispensável procurar ajuda médica assim que possível. O profissional de saúde será responsável por investigar o que está causando o problema e oferecer opções de tratamento adequadas.
Em muitos casos, a adoção de hábitos que favorecem uma rotina de sono mais adequada já é o suficiente para a melhoria do quadro. Porém, mediante uma avaliação cuidadosa, o médico pode prescrever medicações (como ansiolíticos e hipnóticos) para ajudar o paciente a recuperar a qualidade do sono.
O uso desse tipo de substância deve ser sempre supervisionado pelo profissional de saúde, então, jamais se automedique. Ele tende a indicar medicação durante o menor período possível, sob risco do surgimento de sintomas de dependência e outros efeitos colaterais.
No mais, em quadros de apneia do sono, certos utensílios contribuem para garantir a respiração adequada ao longo da noite, permitindo ao paciente dormir melhor.
Garantir a qualidade do sono é fundamental, mas nem sempre fácil — ainda mais diante da rotina agitada mantida por todos nós. Contudo, reforçar o cuidado e priorizar o descanso dentro da margem indicada certamente faz toda a diferença no bem-estar e na saúde. No caso de persistência dos sintomas, procure um profissional de saúde para verificar a existência de algum distúrbio do sono que demande tratamentos mais específicos.
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Referências:
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