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O que é depressão persistente? Conheça os principais sintomas

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Não é de hoje que os transtornos depressivos são um problema de saúde pública. E o problema continua a crescer: em 2022, de acordo com dados da pesquisa Covitel, houve aumento de 41% no diagnóstico de depressão no país.

Assim, é necessário pensar não apenas no sofrimento individual gerado por essa doença, como também no impacto em toda a sociedade. Nesse contexto, deve-se levar em conta de que forma a depressão persistente afeta quem lida com ela. Tudo leva a crer que esse tipo de manifestação da depressão é mais comum do que se imagina.

Assim, é provável que dezenas de milhares de pessoas vejam sua qualidade de vida, seus relacionamentos e sua atuação profissional prejudicados por um problema que pode ser tratado, com boas chances de sucesso. Confira mais informações importantes a seguir!

O que é uma depressão persistente?

O transtorno depressivo persistente é uma manifestação depressiva caracterizada pela presença por, ao menos, dois anos de sintomas depressivos sem remissão.1

Na prática, as características de um transtorno depressivo persistente combinam os sintomas e sinais diagnósticos do que era antes conhecido como depressão crônica ou distimia (equivalente ao Transtorno depressivo persistente).1,5

Não é raro que alguém com uma depressão persistente apresente os primeiros sintomas logo na adolescência e conviva com a doença por toda a vida adulta. Além disso, é comum que as manifestações estejam abaixo daquelas necessárias para confirmar um diagnóstico de um transtorno depressivo maior (o que seria uma “depressão clássica”).1

Tudo isso, claro, pode dificultar a abordagem, o diagnóstico ou mesmo a adoção do tratamento adequado.

Quais os principais sintomas de um quadro depressivo?

Normalmente, um paciente com depressão persistente está de forma frequente melancólico, pessimista ou sem senso de humor. Além disso, ele pode ter um exacerbado senso de autocrítica, ao mesmo tempo, em que é letárgico (apático, indiferente) e passivo.1

Todavia, para confirmar a presença do transtorno depressivo persistente, o médico deve indicar 2 mais sintomas, além do humor deprimido, que é um sintoma obrigatório, que persistam por 2 anos ou mais, sem outra explicação, excluindo outra doença ou o uso de substâncias plausíveis de afetar o humor.

Entre os sintomas mais comuns estão:2

  • Obrigatório para o diagnóstico ter humor deprimido na maior parte do tempo, indicado por relato subjetivo ou pela observação de outras pessoas;
  • apetite alterado (para mais ou para menos);
  • sonolência ou insônia;
  • baixa energia ou fadiga;
  • autoestima deficiente;
  • dificuldade para se concentrar ou tomar decisões;
  • sentimento de desesperança.

Uma pessoa que desenvolve uma depressão persistente pode também apresentar maior probabilidade de desenvolver transtornos de ansiedade e transtornos por uso de substâncias.2

O grau de comprometimento gerado por essa forma de depressão varia caso a caso. Porém, eles podem ser iguais ou mesmo maiores daqueles relatados em quadros de transtorno depressivo maior.1

O que faz um quadro de depressão se tornar persistente?

O que é depressão persistente? Conheça os principais sintomas

Assim como não sabemos exatamente o que causa a depressão, não é possível apontar que fatores contribuem para que um quadro de depressão se torne crônico. Atualmente, acredita-se que um transtorno depressivo é resultado da interação complexa entre aspectos biológicos, psicológicos e sociais.3

Além disso, alguns fatores associados ao risco de desenvolver um quadro de depressão “convencional” podem explicar também como alguns indivíduos são mais suscetíveis à depressão persistente.

Entre eles, estariam o maior neuroticismo (nível crônico de desajustamento e instabilidade emocional), experiências traumáticas, adversas ou estressantes ao longo da vida, bem como fatores hereditários.2

Quando procurar ajuda e de que forma é feito o tratamento?

Não existe uma regra para qual a melhor hora de procurar ajuda. Além disso, não existe um exame para confirmar o diagnóstico da depressão. No mais, o sofrimento imposto pela doença é em boa parte, subjetivo. Nessas horas, amigos e familiares podem auxiliar na busca por ajuda profissional, sobretudo quando percebem a mudança de comportamento.

Seja como for, o suporte de um médico psiquiatra e de um psicólogo é essencial sempre que os sintomas estiverem comprometendo as atividades diárias — principalmente ao considerar o período prolongado da manifestação de um quadro de depressão persistente.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por um psiquiatra, mediante análise clínica, em busca de outras explicações para os problemas relatados. Exames que investigam possíveis causas orgânicas devem ser solicitados, de acordo com a DSM-5, para excluir outras causas, como hipotiroidismo.5

Tratamento

Confirmado o quadro de um transtorno depressivo persistente, o tratamento segue a mesma linha daquele adotado nos diagnósticos de transtorno depressivo maior: a combinação de psicoterapia e medicamentos antidepressivos tendem a oferecer os melhores resultados.1

Que hábitos podem contribuir para reduzir os sintomas depressivos?

O tratamento de qualquer quadro de depressão pode (e deve) ir além das intervenções farmacológicas e psicoterapêuticas. Com isso, uma série de medidas contribui para alcançar melhoras significativas, incluindo nos quadros persistentes, com sintomas que duram anos.

O suporte familiar, por exemplo, contribui bastante para isso. Ao mesmo tempo que parentes mais próximos podem se assustar com a ideia de alguém com transtorno mental na família, é preciso reforçar que a depressão não é resultado de uma falha de caráter ou qualquer outro tipo de desvio.3

Vencer os estigmas relacionados à saúde mental é o primeiro passo para o tratamento e melhoria de vida dessas pessoas. Além disso, investir na prática de atividades físicas pode oferecer bons resultados. Uma revisão de literatura publicada em 2022 mostrou que mexer o corpo, mesmo abaixo das recomendações mínimas para a prática esportiva, costuma contribuir para o incremento da saúde mental.4

Superar uma depressão persistente não é fácil, claro. Assim como diversos transtornos mentais, o caminho até o diagnóstico adequado e a adoção do tratamento eficaz pode demorar. Entretanto, é possível procurar ajuda e se recuperar — com um passo de cada vez!

Aproveite e conheça agora 8 mitos e verdade sobre a depressão que são bastante comuns.

Referências:

  1. Coryell, W. (2021, August 5). Transtornos depressivos. Manuais MSD (Versão para profissionais de saúde). Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/transtornos-psiqui%C3%A1tricos/transtornos-do-humor/transtornos-depressivos#v1028061_pt. Acesso em: 3/3/2023.
  2. A. P. A. (2014a). DSM-5: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Artmed Editora. Disponível em: http://www.institutopebioetica.com.br/documentos/manual-diagnostico-e-estatistico-de-transtornos-mentais-dsm-5.pdf. Acesso em: 3/3/2023.
  3. Patel, R. K., & Rose, G. M. (2022, June 27). Persistent depressive disorder. NCBI Bookshelf. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK541052/. Acesso em: 3/3/2023.
  4. Pearce, M.; Garcia, L.; Abbas, A.; Strain, T.; Schuch, F. B.; Golubic, R.; Kelly, P.; Khan, S.; Utukuri, M.; Laird, Y.; Mok, A.; Smith, A.; Tainio, M.; Brage, S.; & Woodcock, J. (2022). Association between physical activity and risk of depression. JAMA Psychiatry, 79(6), 550. https://doi.org/10.1001/jamapsychiatry.2022.0609. Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jamapsychiatry/fullarticle/2790780. Acesso em: 3/3/2023.
  5. Instituto Pebiótica. MANUAL DIAGNÓSTICO E ESTATÍSTICO DE TRANSTORNOS MENTAIS. 5° edição. Disponível em https://www.institutopebioetica.com.br/documentos/manual-diagnostico-e-estatistico-de-transtornos-mentais-dsm-5.pdf. Acesso em 14 de novembro de 2023.