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Problemas respiratórios estão entre as principais causas de atendimento médico na infância, especialmente em períodos do ano com maior circulação de vírus. Entre as condições que mais geram dúvidas entre pais e responsáveis estão a bronquiolite e a asma, que podem apresentar sintomas semelhantes, como tosse, chiado no peito e dificuldade para respirar.¹,²

Apesar das semelhanças, essas doenças possuem causas, evolução e tratamentos diferentes, o que torna fundamental compreender suas particularidades para garantir diagnóstico correto e cuidado adequado.¹,²

Segundo a otorrinolaringologista Dra. Maura Neves (CRM-SP 97446/ RQE: 63161), compreender o tipo de inflamação das vias aéreas é um passo essencial para estabelecer a conduta médica de forma segura. “A identificação correta do quadro permite reduzir riscos de agravamento e melhora o controle dos sintomas”, explica. “Isso também evita intervenções desnecessárias ou ineficazes.”

O que são bronquiolite e asma?

A bronquiolite é uma infecção respiratória que provoca inflamação dos bronquíolos, pequenas estruturas responsáveis por levar o ar até os pulmões. A doença ocorre principalmente em bebês e crianças menores de dois anos e geralmente está associada a vírus respiratórios, especialmente o vírus sincicial respiratório (VSR).1

A asma, por sua vez, é uma doença inflamatória crônica caracterizada por inflamação e estreitamento das vias aéreas, dificultando a passagem do ar. Os sintomas podem variar ao longo do tempo e costumam ser mais intensos à noite ou nas primeiras horas da manhã.²

Como diferenciar os sintomas na prática

Embora compartilhem alguns sinais, como chiado no peito e respiração rápida, cada doença apresenta características específicas. ¹³

Sintomas mais comuns da bronquiolite:¹

  • Tosse
  • Cansaço
  • Espirros
  • Coriza
  • Febre leve
  • Dificuldade para mamar ou se alimentar (em quadros mais graves)

Sintomas mais comuns da asma: ²

  • Falta de ar
  • Tosse seca
  • Sensação de aperto no peito
  • Ansiedade

Na bronquiolite, os sintomas iniciais geralmente são iguais aos de um resfriado comum, evoluindo ao longo de alguns dias.1 Já na asma, os sintomas tendem a aparecer de forma recorrente, podendo variar de intensidade ao longo do tempo.²

Segundo a Dra. Maura, observar a frequência e o contexto em que os sintomas aparecem pode ajudar na diferenciação dos quadros. A especialista afirma que “episódios repetidos de chiado no peito podem indicar inflamação crônica das vias aéreas, o que exige acompanhamento médico.”

Gatilhos e fatores de risco

Diversos fatores podem desencadear ou agravar sintomas respiratórios, principalmente no caso da asma.1-2-3

Entre os principais gatilhos estão:²

  • poeira
  • ácaros
  • pólen
  • pelos de animais
  • mofo e fungos
  • poluição ambiental
  • fumaça de cigarro
  • infecções virais
  • mudanças climáticas
  • exercícios físicos intensos
  • estresse emocional
  • alguns medicamentos

O histórico familiar de alergias ou doenças respiratórias também pode aumentar o risco de desenvolvimento da doença. O sobrepeso é outro fator associado, pois contribui para processos inflamatórios no organismo.²

No caso da bronquiolite, o principal fator de risco é a exposição a vírus respiratórios, especialmente em ambientes fechados e com grande circulação de pessoas.¹

Por que o diagnóstico correto faz diferença no tratamento?

O diagnóstico correto permite indicar o tratamento mais adequado e reduzir complicações respiratórias. Na asma, o tratamento pode incluir medicamentos de alívio rápido e medicamentos de controle da inflamação, que ajudam a reduzir a frequência das crises e melhorar a qualidade de vida do paciente.²

Entre as possíveis complicações da asma estão hospitalizações, necessidade de suporte respiratório, alterações permanentes na função pulmonar e até a morte, especialmente quando não há controle adequado da doença.²

O diagnóstico da asma é realizado a partir da avaliação clínica e pode ser confirmado por exames de função pulmonar. Em crianças menores de cinco anos, o diagnóstico costuma ser baseado principalmente nos sintomas, devido à dificuldade de realização de exames complementares nessa faixa etária.²

A Dra. Maura ressalta que confundir doenças respiratórias pode atrasar o início do tratamento adequado. “Quanto antes identificar a causa da dificuldade respiratória, maiores são as chances de controle eficaz dos sintomas.”

E as bombinhas, quando são indicadas?

O termo bombinha é popularmente utilizado para se referir aos medicamentos inalatórios usados no tratamento da asma. O nome surgiu devido ao formato dos primeiros dispositivos desenvolvidos para administrar o medicamento diretamente nas vias aéreas.³

Esses medicamentos podem ser encontrados em diferentes opções: ⁴

  • soluções para nebulização
  • aerossol pressurizado de dose medida (spray)
  • inalador de pó seco

Os aerossóis pressurizados estão entre os mais utilizados e permitem a administração mais precisa da dose do medicamento. De todo modo, a escolha do dispositivo deve considerar fatores como idade e adaptação do paciente, facilidade de uso e acesso ao medicamento.⁴

Como prevenir crises respiratórias

Algumas medidas ajudam a reduzir o risco de inflamações das vias aéreas:1-2-3

  • Não fumar
  • Evitar exposição à fumaça
  • Evitar cheiros fortes e produtos químicos
  • Manter boa hidratação
  • Tomar a vacina da gripe anualmente e manter a caderneta de vacinação em dia.

Cuidados importantes para asma:²

  • Manter o ambiente limpo
  • Evitar acúmulo de poeira
  • Manter alimentação equilibrada
  • Manter peso adequado
  • Praticar atividade física regularmente
  • Evitar contato com alérgenos
  • Proteger-se do frio

Cuidados importantes para bronquiolite:¹

  • Lavar as mãos com frequência
  • Evitar contato com pessoas gripadas
  • Evitar ambientes fechados e pouco ventilados

Sinais de alerta: quando procurar atendimento médico

De acordo com a médica, os pais devem procurar atendimento médico quando a criança apresentar:

  • Dificuldade intensa para respirar
  • Chiado persistente no peito
  • Respiração muito rápida
  • Dificuldade para se alimentar
  • Coloração arroxeada nos lábios
  • Febre persistente
  • Piora progressiva dos sintomas
  • Cansaço excessivo

O que os pais precisam saber

Bronquiolite e asma são doenças respiratórias diferentes, embora possam apresentar sintomas semelhantes. O diagnóstico correto permite indicar o tratamento adequado e reduzir o risco de complicações.5

O acompanhamento médico é fundamental para avaliar a evolução dos sintomas e orientar o cuidado adequado ao longo do tempo. A informação confiável ajuda pais e responsáveis a tomar decisões mais seguras e contribui para a saúde respiratória das crianças.5

Conteúdo elaborado em maio/2026

Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do profissional de saúde entrevistado

Texto: Juliana Stern, jornalista pós-graduada em Jornalismo Científico pelo Labjor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com experiência em reportagens de saúde, especialmente nos setores de oncologia, cardiologia e odontologia, além de passagens pela National Geographic Brasil e UOL.

Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Bronquiolite [Internet]. [Acesso em 31 Mar 2026]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/b/bronquiolite
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Asma [Internet]. [Acesso em 30 Mar 2026]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/asma
  3. Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde. Asma [Internet]. [Acesso em 30 Mar 2026]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/asma/
  4. Brasil. Ministério da Saúde. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC). Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas da Asma: relatório de recomendação – Consulta Pública nº 39/2021 [Internet]. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2021. [Acesso em 30 Mar 2026]. Disponível em: https://www.gov.br/conitec/pt- br/midias/consultas/relatorios/2021/20210526_pcdt_relatorio_asma_cp_39.pdf
  5. Herter EC, Xavier LF, Barros PB, Azevedo SPC, Lumertz MS, Pinto LA. Manejo da bronquiolite e da sibilância recorrente em pré-escolares. J Bras Pneumol. 2023;49(5):e20230298.