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Publicado em: 28 de agosto de 2026
Se você já teve sinusite deve conhecer bem os sinais: nariz entupido, escorrendo e com bastante muco, além de dores de cabeça e pressão no rosto¹.
Mas nem sempre os sintomas são os mesmos. Apesar de ser o sinal mais comum, a sinusite pode aparecer sem que a secreção seja espessa o suficiente para gastar rolos de papel higiênico². “Muitos pacientes acreditam que se não têm um nariz escorrendo então não pode ser nada relacionado à região dos seios nasais. Não só pode acontecer, como acaba evitando que pacientes busquem o atendimento necessário e em tempo oportuno”, afirma a otorrinolaringologista Dra. Maura Neves (CRM 97446).
A sinusite é um dos problemas de saúde mais frequentes². A doença pode ocorrer em qualquer um dos quatro grupos de seios paranasais. Essas cavidades ocas, localizadas nos ossos ao redor do nariz e acima das sobrancelhas, têm papel importante na respiração e na produção de muco¹.
Quase sempre, a sinusite aparece junto com a inflamação dos canais nasais (rinite) e, por isso, alguns médicos preferem o termo rinossinusite. Ela pode ser aguda (de curta duração) ou crônica (de longa duração), e está relacionada à inflamação dos seios paranasais, geralmente resultante de infecções virais, bacterianas, fúngicas ou reações alérgicas. 1,2
Os sintomas mais típicos da sinusite são bem conhecidos. Entre eles1,2:
Em alguns casos, a pessoa também pode sentir mal-estar, dor de cabeça e febre .Outros sintomas possíveis incluem1,2:
Também podem surgir: fadiga, dor nos dentes e até uma sensação de plenitude na face. Esses sinais ajudam a identificar quando há inflamação ativa nos seios paranasais².
Quase sempre. A sinusite geralmente surge quando o epitélio dos seios paranasais — o tecido que reveste essas cavidades — sofre algum tipo de agressão, seja por infecção, alergia ou irritantes. Essa agressão provoca produção excessiva de muco e inflamação, dificultando que o muco seja eliminado normalmente. Como resultado, ele se acumula dentro das cavidades, reduzindo a entrada de oxigênio e provocando uma condição chamada hipóxia sinusal, que significa baixa oxigenação local³.
“É isso que causa a sensação de nariz ‘entupido’ e faz com que o muco só seja retirado assoando o nariz ou com a desinflamação dos seios nasais, seja com medicamentos ou pela própria ação do sistema imune do corpo”, explica a Dra. Neves.
Quando a inflamação se torna crônica, ou seja, dura por muito tempo, a situação evolui para um inchaço intenso nos seios da face e uma produção excessiva de muco. Enquanto isso, os sistemas internos que deveriam controlar a inflamação e ajudar na limpeza ficam desregulados. Com isso, as secreções se acumulam, o muco não é drenado adequadamente e a congestão persiste³.
Mesmo assim, nem todos os sintomas da sinusite aparecem acompanhados de secreção, diz a Dr. Maura. De acordo com a médica, “muitos pacientes procuram atendimento médico por sentirem dores de cabeça e pressão nos seios da face, sintomas claros de sinusite, principalmente se já tiveram a doença antes. Mas, sem secreção, outras causas também devem ser consideradas.”
A chamada sinusite seca — quando há dor de cabeça ou pressão facial sem secreção — pode, na verdade, não ser sinusite. Por exemplo, o quadro pode ser causado por enxaquecas ou casos de bronquite seca, quando há ausência de secreção abundante3,4.
A confusão é comum porque a enxaqueca pode irritar o nervo trigêmeo, que possui ramificações na testa, bochechas e mandíbula. Isso provoca dor e até sintomas nasais que lembram sinusite4.
“Sinusite” é uma palavra que muitos pacientes usam para descrever qualquer dor na região dos seios da face, mas estudos mostram que mais de 80% dos casos diagnosticados como dor de cabeça sinusal são, na verdade, enxaquecas ou cefaleias tensionais, e apenas 3% a 5% correspondem a sinusite real4.
Sintomas semelhantes entre sinusite e enxaqueca incluem4:
Para diferenciar, a presença de muco e secreção é chave. A sinusite verdadeira costuma vir acompanhada de secreção espessa e amarelada ou esverdeada, enquanto a sinusite seca ou dor facial sem muco provavelmente está ligada a enxaqueca ou outro tipo de cefaleia4.
Fatores ambientais também podem causar desconforto nos seios da face e dor de cabeça5.
Mudanças bruscas de temperatura, ambientes secos, com poeira, abafados ou com variação de pressão atmosférica podem desencadear dores de cabeça e irritações nasais confundidas com sinusite5.
Fumaça, odores fortes e poluição também irritam a mucosa nasal e podem provocar inflamações5.
Além disso, “o tabagismo pode piorar as crises tanto de sinusite quanto de enxaqueca por alterar a circulação sanguínea e favorecer inflamações”, acrescenta a médica.
De acordo com a Dra. Maura, o primeiro passo para tratar qualquer tipo de sinusite é uma visita ao médico. “O profissional poderá avaliar a intensidade dos sintomas, possíveis causas e recomendar os melhores tratamentos para cada paciente.”No geral, segundo a médica, o tratamento visa desobstruir as vias nasais, facilitando a drenagem e reduzindo a inflamação.
Entre as opções mais indicadas, de acordo com a Dr. Maura, estão:
Em qualquer caso, é fundamental seguir a orientação de um profissional de saúde. “O uso inadequado de medicamentos, especialmente descongestionantes, podem agravar o problema, causando o chamado ‘efeito rebote’ e piorando a inflamação”, alerta a médica que ressalta a importância de investigar a causa da sinusite ao invés de tratar apenas os sintomas.
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Conteúdo elaborado em novembro/2025
Texto: Juliana Stern, jornalista pós-graduada em Jornalismo Científico pelo Labjor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com experiência em reportagens de saúde, especialmente nos setores de oncologia, cardiologia e odontologia, além de passagens pela National Geographic Brasil e UOL.
Médica consultora: Dra. Maura Neves (CRM-SP 97446/ RQE: 63161), médica otorrinolaringologista formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), onde realizou residência médica em Otorrinolaringologia e obteve doutorado e fellowship em Cirurgia Endoscópica Nasal. Atualmente é médica assistente do Hospital Universitário da USP e integra a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial e a Academia Brasileira de Rinologia.
1. Ministério da Saúde BV em S. Sinusite [Internet]. 2011 [cited 2025 Dec 17]. Available from: https://bvsms.saude.gov.br/sinusite/
2. DeBoer DL, Kwon E. Acute sinusitis [Internet]. PubMed. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2023 [cited 2025 Dec 17]. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK547701/
3. Hedayat KM, Jean-Claude Lapraz. Infectious diseases of the ear, nose, throat, and bronchus. The Theory of Endobiogeny [Internet]. 2019 Jan 1 [cited 2024 Oct 11];2:129–43. Available from: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/B9780128169087000098
4. American Academy of Otolaryngology–Head and Neck Surgery. Sinus Headaches [Internet]. ENT Health. 2018 [cited 2025 Dec 17]. Available from: https://www.enthealth.org/conditions/sinus-headaches/
5. Kim J, Waugh DW, Zaitchik BF, Luong A, Bergmark R, Lam K, et al. Climate change, the environment, and rhinologic disease. International Forum of Allergy & Rhinology. 2023 Jan 16;13(5):865–76.
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