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Publicado em: 15 de setembro de 2025
Assuntos abordados
Nem sempre a tristeza tem uma causa clara. Nem sempre o medo passa com o tempo. Em muitas situações, os sentimentos se acumulam, os sintomas se sobrepõem, e o que era para ser momentâneo se torna constante.
Ainda que flutuações de humor e respostas emocionais aos desafios da vida sejam normais, quando essas oscilações são intensas e duram mais do que deveriam, pode ser que o problema tenha outro nome: depressão.1
A depressão é um transtorno comum. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que mais de 300 milhões de pessoas no mundo todo convivam com ela.1
Depressão é um transtorno multifatorial, que pode vir acompanhado de outras condições de saúde mental.1 Uma das mais recorrentes é a ansiedade. Até 60% dos pacientes com depressão também apresentam sintomas ansiosos.2
Nesses casos, o tratamento também precisa ser integrado, com estratégias para ambos os transtornos.3 Mas antes de entendermos quais abordagens são mais eficazes para a depressão com ansiedade, vale a pena conhecer melhor cada um das doenças.
A depressão, também chamada de transtorno depressivo maior, é mais do que sentir-se triste por alguns dias. Trata-se de um transtorno psicológico que muda a forma como sentimos e pensamos, comprometendo atividades corriqueiras como dormir, comer e trabalhar.4
Pode acometer qualquer pessoa, independentemente de idade, condição social ou histórico familiar. Suas causas são as mais variadas. Pesquisas indicam que fatores genéticos, biológicos, ambientais e psicológicos contribuem para o seu desenvolvimento – daí seu caráter multifatorial.4
A depressão não se manifesta da mesma forma para todos, sendo classificada em diferentes tipos.5
O transtorno depressivo maior é o tipo mais comum, marcado por sintomas como tristeza profunda, exaustão, falta de motivação, distúrbios do sono e mudanças de apetite. Este transtorno pode ser classificado como leve, moderado ou grave, e apresentar curso único ou recorrente.5
Outro tipo comum é o chamado de transtorno depressivo persistente, também conhecido como distimia. É uma forma crônica de transtorno depressivo, com sintomas menos intensos, porém persistentes.5
Quem sofre com esse transtorno pode se sentir constantemente desanimado, com baixa autoestima e dificuldade de concentração, sem apresentações tão agudas quanto no transtorno depressivo maior, mas com impacto significativo na qualidade de vida, até porque quadros de distimia duram dois anos ou mais.5
Há também a depressão sazonal, ou transtorno afetivo sazonal (TAS), que ocorre especialmente nos meses de outono e inverno, quando a exposição à luz solar é reduzida. Os sintomas incluem tristeza, letargia, aumento ou perda de sono e ganho de peso. O tratamento pode envolver fototerapia, além de psicoterapia e, a depender do caso, medicação.6
A depressão também pode ocorrer no transtorno bipolar, condição marcada por oscilações extremas de humor. O quadro alterna episódios depressivos com fases de mania ou hipomania, durante as quais predominam humor eufórico/irritado aumento de energia física e mental, impulsividade, redução da necessidade de sono, fala e pensamentos acelerados.5
Outros tipos incluem a depressão pós-parto (que pode comprometer o vínculo entre mãe e bebê) e o transtorno disfórico pré-menstrual (TPM com sintomas depressivos intensos).5
Ansiedade faz parte da vida. Em níveis saudáveis, é uma resposta natural do corpo a situações de desafio. O ato de imaginar, projetar e se preparar para situações futuras é uma conquista da evolução, que tornou o ser humano mais alerta em casos de perigo e capaz de reagir mais rapidamente. 3
O problema surge quando a ansiedade se torna excessiva. Nesses casos, o corpo não sabe mais diferenciar uma situação realmente perigosa de uma simples reunião de trabalho. Com isso, ele passa a produzir uma resposta exagerada, até debilitante, a qualquer compromisso cotidiano. 3
“A ansiedade crônica pode ser descrita como uma preocupação constante e antecipatória, o que torna a pessoa mais isolada, mais tristonha e com as emoções à flor da pele”, detalha o psiquiatra Dr. Rogério Onofre (CRM-SP 192.427).
A ansiedade passa a ser patológica – isto é, passa a ser considerada como uma doença – quando interfere na vida cotidiana e gera sofrimento. Entre seus sintomas estão tremores, taquicardia, boca seca e distúrbios do sono.3
O adoecimento é gradual e, muitas vezes, só se torna evidente para o paciente com o surgimento das crises de ansiedade.3
Conforme dito anteriormente, não é nada raro que depressão e ansiedade andem juntas. Esse quadro é chamado de depressão ansiosa.7
As pesquisas sugerem que esse quadro não é apenas a soma de dois transtornos, mas um fenótipo específico, com aspectos neurobiológicos distintos.10 Esse subtipo pode estar relacionado com sintomas como inquietação intensa, preocupação excessiva, tensão muscular e dificuldade para relaxar, além dos sinais mais típicos da depressão, como tristeza, falta de energia, distúrbios do sono e redução do apetite.7-8
Estudos mostram também que sintomas como “preocupação constante” funcionam como pontes entre depressão e ansiedade, intensificando o ciclo.8
Quando depressão e ansiedade coexistem, o tratamento precisa levar em conta todos os sintomas, muitas vezes combinando medicamentos (como antidepressivos com ação ansiolítica) e psicoterapia. 2 O Dr. Onofre pontua que, “em alguns casos, será preciso ajustar doses, trocar medicações ou complementar a terapêutica com estratégias como a terapia cognitivo-comportamental (TCC).”
A psicoterapia é uma das abordagens mais utilizadas, com foco em identificar padrões de pensamento e comportamento, enfrentar situações difíceis e fortalecer habilidades emocionais.2
Já os antidepressivos buscam restabelecer o balanço de neurotransmissores, contribuindo para o alívio dos sintomas da doença. Além disso, podem estimular a formação de novas conexões entre neurônios.9 É importante lembrar que os efeitos positivos nem sempre são imediatos e podem levar algumas semanas para aparecer. A escolha da medicação deve ser feita por um médico psiquiatra, considerando o perfil de cada paciente.8
Durante o uso, é fundamental seguir as orientações médicas, não interromper o tratamento por conta própria, além de relatar qualquer efeito colateral.10
Tratar a depressão ansiosa também inclui mudar o estilo de vida. Manter um sono regular, adotar uma alimentação equilibrada, praticar atividade física, abandonar hábitos prejudiciais como o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, além de reduzir a ingestão de substâncias psicoativas, como a cafeína, podem fazer uma diferença gigantesca.10
Além disso, é importante lembrar que tratar transtornos mentais não se resume às consultas com profissionais da saúde e ao uso de medicamentos. Práticas integrativas, como meditação, yoga e mindfulness, podem contribuir para reduzir o estresse e a ansiedade.11
Ainda que existam lacunas na ciência sobre como tratar comorbidades da depressão ansiosa de forma ideal, os avanços clínicos têm demonstrado que uma abordagem combinada e humanizada pode melhorar significativamente a qualidade de vida e reduz o risco de novas crises.2
Para quem sofre de depressão com sintomas de ansiedade, buscar ajuda médica especializada é um passo importante, mas não é o único. O envolvimento da família e/ou de uma rede de apoio influenciam diretamente nos resultados.12
Grupos de apoio, presenciais ou online, são espaços seguros onde é possível compartilhar experiências e ouvir outras pessoas que estão passando por algo semelhante.A Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (ABRATA), por exemplo, oferece grupos com esse foco em que facilitadores voluntários que também vivem ou já viveram com transtornos de humor conduzem os encontros.12
“Ouvir relatos semelhantes, conhecer exemplos de pessoas que superaram fases difíceis e trocar experiências são estratégias que ajudam quem enfrenta a depressão a perceber caminhos para a recuperação e a reduzir a sensação de isolamento”, explica o Dr. Onofre.
Outra rede importante é o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional 24h por telefone (188), chat ou e-mail.13
Falar sobre os sintomas, buscar ajuda, construir um plano de cuidado que funcione para você e manter uma rede de apoio são ações que podem transformar sua saúde mental. E, com isso, transformar sua qualidade de vida.
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