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Publicado em: 10 de abril de 2026
A saúde mental se constrói a partir de uma série de fatores interligados. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde mental como um estado de bem-estar que permite à pessoa desenvolver suas capacidades, trabalhar de maneira produtiva, enfrentar os desafios do dia a dia e participar ativamente da comunidade¹.
Esse equilíbrio vai além das emoções e pensamentos. Depende de aspectos como saúde física, rede de apoio e qualidade de vida. O contexto social, ambiental e econômico em que vivemos também exerce influência direta sobre o bem-estar mental¹.
“Vida financeira, relações afetivas, objetivos pessoais, dinâmica familiar, tudo isso contribui para o que entendemos como saúde mental. Mas além do que diz respeito ao indivíduo, fatores socioeconômicos também pesam, principalmente quando falamos de mulheres”, diz o psiquiatra Dr. Rogério Onofre (CRM-SP: 192.427 | RQE: 109.401).
Os papéis de gênero, enquanto construções sociais, moldam crenças e atitudes que influenciam diferentes áreas da vida, incluindo expectativas sobre maternidade e comportamento feminino. Essas percepções, transmitidas pela cultura e pela sociedade, afetam diretamente o bem-estar mental².
Essa é uma das principais explicações do porquê de mulheres apresentarem taxas mais altas de problemas de saúde mental em comparação aos homens, padrão observado em diversas faixas etárias e regiões do mundo².
O psiquiatra relembra ainda que, historicamente, emoções e comportamentos femininos foram patologizados de forma sistemática, isto é, transformados em problemas clínicos. Mulheres eram frequentemente rotuladas como “loucas” quando seus comportamentos contrariavam as normas sociais estabelecidas. “Até relativamente pouco tempo atrás, queixas de saúde mental ou simples transgressões de papéis de gênero e sexualidade eram o suficiente para taxar mulheres como ‘histéricas’ ou ‘loucas’. Esse estigma ainda nos acompanha enquanto sociedade, afastando muitas mulheres da busca por um tratamento psicológico adequado”, diz o Dr. Rogério.
Diferentes fatores contribuem para o adoecimento mental feminino. Raça, idade dos filhos, escolaridade, estrutura familiar e atitudes em relação aos papéis de gênero e maternidade formam um conjunto de determinantes que moldam a experiência de cada mulher².
No dia a dia, mulheres frequentemente enfrentam condições adversas que vão desde violência de gênero até discriminação no ambiente de trabalho. Esses fatores contribuem diretamente para a deterioração da saúde mental. As estruturas de gênero ainda forçam às mulheres papéis de cuidadoras, levando à repressão de suas próprias necessidades e à internalização de padrões de comportamento limitantes.
Para o Dr. Rogério, os problemas de saúde mental feminina não surgem, portanto, isoladamente. “Estão intimamente ligados aos contextos sociais e culturais em que as mulheres estão inseridas.”
Mesmo assim, o médico afirma que a biologia também exerce alguma influência, principalmente quando se considera o papel dos hormônios no desenvolvimento físico da mulher. Vejamos alguns exemplos dessa relação complexa.
Ao longo da vida da mulher, as transições hormonais moldam o cérebro de forma profunda. Cada fase traz mudanças neurobiológicas próprias e vulnerabilidades específicas.3
Durante a adolescência, as variações dos hormônios e os processos do corpo que iniciam a puberdade começam antes mesmo que a maturação do corpo se torne visível.3
O ritmo e o momento dessas mudanças hormonais ativam circuitos cerebrais envolvidos na regulação emocional e na saúde mental, fazendo com que seja uma fase de maior risco para o desenvolvimento de transtornos mentais, como depressão, experiências psicóticas e outras formas de doenças mentais.3
O psiquiatra reforça, no entanto, que é preciso cuidado para avaliar esse risco. “A ‘sopa de hormônios’ que toma conta dos adolescentes nessa época faz com que o controle emocional fique mais difícil e pode aumentar a influência de contexto socioemocional desafiador, levando a transtornos mentais, como ansiedade e depressão. Mas a puberdade nunca deve ser apontada como única causa disso por ser um processo de maturidade natural que todos passamos.”
À medida que a vida avança, uma revisão de literatura publicada no British Journal of Psychiatry indica que há uma frequente coocorrência de sintomas pré-menstruais com transtornos de humor. O cenário mais preocupante se dá em mulheres que enfrentam o transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM), uma forma mais acentuada da Tensão Pré-Menstrual (TPM), que pode ser desencadeado como resposta à exposição a eventos estressantes da vida.3
Da mesma forma, mulheres com a síndrome do ovário policístico, tipicamente vista como condição endócrina, podem experienciar o transtorno com implicações psiquiátricas, influenciando o humor e a vulnerabilidade a problemas de saúde mental.3
Gravidez e pós-parto representam outras janelas críticas de vulnerabilidade. A mesma revisão de literatura do jornal britânico traz que pesquisas apontam que mulheres com sensibilidade de humor pré-menstrual, ou seja, que experienciam sintomas acentuados de TPM ou TDPM, podem apresentar sintomas depressivos durante o período perinatal.3
Na maternidade, o Dr. Rogério menciona ainda o risco de depressão pós-parto, caracterizada por predomínio de tristeza e perda de interesse em atividades comuns durante o primeiro ano após o nascimento do bebê.
Ele informa que mulheres que já enfrentaram quadros de depressão são mais propensas à depressão pós-parto, mas o risco também aumenta diante de situações que causam estresse mental, como problemas no relacionamento, dificuldades financeiras, ausência de parceiro, falta de suporte familiar ou complicações relacionadas à gravidez, como parto prematuro. “A depressão pós-parto é uma condição multifatorial ligada a estressores que vão além da flutuação hormonal de uma gravidez e não deve ser ignorada, achando que ‘vai passar’ ou é ‘normal’. Nenhum sofrimento deve ser normalizado”, alerta.
O médico recomenda buscar atendimento se a mulher continuar a se sentir triste e com dificuldade de realizar atividades normais por mais de duas semanas ou se tiver pensamentos sobre machucar a si própria ou o bebê.
Por fim, a transição da menopausa também pode significar desafios de saúde mental para mulheres. A menopausa, que acontece, em média, por volta dos 47 anos, consiste em alterações no ciclo menstrual até que, eventualmente, ela cesse definitivamente.4
Em muitos países, há uma tradição de associar sofrimento psicológico diretamente à menopausa. A preocupação com um possível aumento do risco de ansiedade e depressão pode, inclusive, influenciar a forma como a mulher vivencia essa fase da vida.4
No entanto, evidências científicas mostram que as mulheres não apresentam, de forma universal ou uniforme, maior risco de sintomas depressivos durante a transição da menopausa. Apenas uma parcela delas desenvolve sintomas, mas esses quadros são mais frequentes em quem já teve episódio prévio de depressão, é o que diz um estudo publicado na revista Lancet, intitulado “Promoting good mental health over the menopause transition”.4
Alguns fatores, porém, podem elevar a vulnerabilidade. Sintomas vasomotores (comumente conhecidos como fogachos ou ondas de calor) intensos e prolongados, distúrbios crônicos do sono e eventos estressantes importantes estão entre os principais riscos para sintomas depressivos nessa fase.4
Além disso, a transição da menopausa costuma coincidir com mudanças relevantes de papéis sociais, condições de saúde e situações de estresse, que também contribuem para a vulnerabilidade à depressão.4
Por isso, o estudo reforça que sintomas psicológicos durante a menopausa não devem ser automaticamente atribuídos às alterações hormonais. Essa suposição pode ser prejudicial, pois reforça estereótipos negativos sobre envelhecimento e menopausa.4
Reconhecer o momento de procurar apoio profissional é parte essencial do cuidado com a saúde mental da mulher. Segundo o Dr. Rogério, algumas situações funcionam como sinais de alerta claros.
Por fim, o psiquiatra reforça que não é necessário esperar o agravamento dos sintomas. “Buscar apoio psicológico não exige a presença de um grande sofrimento. Muitas mulheres procuram atendimento para se conhecer melhor e desenvolver habilidades para lidar com os desafios da vida.”
Conteúdo elaborado em março/2026
Informações não referenciadas correspondem à opinião e/ou prática clínica do profissional de saúde entrevistado.
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