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Tumores de peritônio: quais os tipos e como identificar?

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Maior membrana do corpo humano, o peritônio reveste os músculos abdominais anteriores, o assoalho pélvico e os diafragmas. O câncer peritoneal surge quando ele é afetado por tumores malignos originados nele próprio ou em outro órgão, por metástase.1

A função dessa membrana é servir de barreira contra infecções nos órgãos da cavidade abdominal, como intestino, estômago, bexiga, ovários, útero, entre outros. Por essa razão, apresenta duas camadas: a parietal (que cobre a parede abdominal) e a visceral (que reveste os órgãos internos).1

Ainda que raro, o principal tipo de tumor primário de peritônio é o mesotelioma peritoneal maligno, que também pode se iniciar em outras membranas serosas, como a pleura e o pericárdio, as quais revestem os pulmões e o coração, respectivamente.2

Pensando na relevância do tema, elaboramos este artigo para explicar como acontece o câncer peritoneal, as causas, os sintomas, as chances de cura, os estágios dos tumores de peritônio e outros pontos-chave. Continue a leitura!

Como acontece o câncer de peritônio?

A maioria dos tumores primários de peritônio se desenvolve na região da pelve, a porção mais inferior do abdômen. Em muitos desses casos, eles se comportam de forma parecida com o carcinoma seroso ovariano (câncer de ovário).1

Inclusive, vale mencionar que 75% das mulheres com câncer de ovário podem se deparar com metástases peritoneais já no momento do diagnóstico.1,3 O cenário é considerado mais frequente do que um carcinoma primário do peritônio.1

O mesotelioma peritoneal maligno, principal tipo de tumor primário do peritônio, é caracterizado pela agressividade e presença de múltiplos nódulos tumorais metastáticos disseminados originados do peritônio. Pode ser classificado, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, em três subtipos: epitelioide, sarcomatoide e bifásico/misto. Mas existem também formas consideradas borderline, como o mesotelioma peritoneal multicístico e o mesotelioma peritoneal papilar bem diferenciado.2,4

Já a carcinomatose peritoneal secundária ou metastática surge comumente de neoplasias malignas primitivas, as quais envolvem estruturas gastrointestinais e ginecológicas.3

A metástase ocorre por meio das mucosas, do sangue e da linfa (líquido que circula no sistema linfático). Ela foi descrita pela primeira vez em 1931 como uma “disseminação local do câncer de ovário”.3

Quais são as principais causas desse tipo de câncer?

As principais causas ligadas ao desenvolvimento primário dessas neoplasias abrangem mutação no gene BRCA1, também associado aos cânceres de ovário, de mama e de pâncreas. Então, o histórico familiar de câncer peritoneal é um importante fator de risco da doença.1

Outros aspectos que podem contribuir são: a exposição ao asbesto, também conhecido como amianto, utilizado antigamente na construção civil; e a exposição prévia à radiação ionizante na região abdominal.4,5

Quais são os sintomas do câncer peritoneal?

O surgimento de tumores de peritônio, normalmente, passa por um longo período assintomático. Quando sintomático, o paciente tende a apresentar o que chamamos de “manifestações inespecíficas”, que também são comuns a outros quadros clínicos.1

Alguns exemplos são dor e distensão abdominal, náusea, perda de peso, diarreia ou constipação intestinal, aumento da frequência urinária, entre outras.1

Ou seja, assim como as causas, os sintomas e sinais de alerta potencialmente ligados ao surgimento de tumores de peritônio são genéricos. Portanto, o ideal é procurar a orientação de um profissional de saúde ao perceber quaisquer alterações no organismo.1

Quais são os estágios dos tumores de peritônio?

Tumores de peritônio: quais os tipos e como identificar?

A carcinogênese dos cânceres peritoneais pode ser explicada pela “teoria da semente e do solo”, de Stephen Paget. Ele descreve como um tumor maligno libera células (sementes) que viajam em todas as direções, mas só podem sobreviver e se multiplicar em locais que aceitam o tumor (solo).3

É por isso que as células malignas do câncer colorretal, de ovário e gástrico atingem frequentemente o peritônio. Metástases específicas de órgãos são decorrentes da interação molecular e da compatibilidade entre receptores em células tumorais e ligantes em células hospedeiras.3

As células malignas se desprendem do tumor, juntam-se ao líquido peritoneal e migram pelo sangue, pela linfa ou pelas mucosas para locais específicos distantes, crescendo durante o transporte. Então, segue o processo de metástase, incluindo adesão, degradação, migração, angiogênese e evasão imunológica.3

O câncer peritoneal primário é normalmente classificado como estágio III ou IV, enquanto a metástase é categorizada como estágio IV. A presença de sintomas clínicos vagos é responsável pelo diagnóstico tardio e pela diminuição global da sobrevida dos pacientes.3

Além disso, o mesotelioma peritoneal se apresenta normalmente com vários pontos de acometimento. Nesse caso, é utilizado o índice de carcinomatose peritoneal, que analisa 13 locais da cavidade do peritônio e os tamanhos dos nódulos para avaliar a extensão e a gravidade da doença. A soma do escore vai até 39 pontos.1

O câncer de peritônio tem cura?

Por causa do longo período assintomático do câncer peritoneal, o diagnóstico costuma acontecer já em estágios avançados. Outro agravante é que os tumores de peritônio tendem a se espalhar rapidamente, pois essa membrana é rica em linfa e sangue.6

Felizmente, graças aos aprimoramentos nas cirurgias oncológicas e nos tratamentos quimioterápicos, as chances de cura são bem maiores do que até pouco tempo. Porém, como em qualquer quadro de câncer, quanto antes a doença for detectada e o paciente começar o tratamento, melhor será o prognóstico.6

Portanto, diante de qualquer suspeita ou da confirmação de tumores de peritônio, a recomendação é realizar acompanhamento com uma equipe multiprofissional, que pode incluir um cirurgião do aparelho digestivo, cirurgião oncológico e oncologista clínico.6

Como funciona o tratamento dos tumores de peritônio?

A ressecção cirúrgica e a quimioterapia intraperitoneal são marcos para erradicar a doença. No entanto, com uma melhor compreensão da fisiologia do peritônio e das vias de disseminação dos tumores, além do avanço das tecnologias, foram desenvolvidas terapias de tratamento eficazes.3

Na ausência de um alto grau de metástase, o controle loco-regional da neoplasia pode desempenhar um papel promissor no tratamento desse câncer em estágio avançado.3

Basicamente, a abordagem de tratamento varia de acordo com o estadiamento do tumor (tipo, localização e estágio de desenvolvimento), além da idade e das condições gerais de saúde do paciente.3

A principal estratégia para tratar os tumores de peritônio é a cirurgia. Nesse procedimento, toda a lesão visível é removida, o que pode levar à retirada de tecidos e órgãos, como útero, trompas de Falópio, ovários, entre outros.6

Dependendo do tamanho da lesão, a chamada cirurgia citorredutora pode durar até 12 horas. Quanto mais perto da ressecção completa, melhor o prognóstico para o paciente.7 Vale ressaltar também que alguns dos procedimentos utilizados foram incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS).8

O tratamento cirúrgico, muitas vezes, também é combinado com a quimioterapia. Esta pode ser administrada:6

  • por injeção venosa (sistêmica), com ciclos realizados em ambiente ambulatorial;
  • de maneira intraperitoneal, por um cateter posicionado na região da cirurgia;6
  • via quimioterapia intraperitoneal hipertérmica (HIPEC), em que o peritônio recebe a medicação aquecida na hora do procedimento cirúrgico.

Como visto, reconhecer os sinais de tumores de peritônio é crucial para evitar maiores complicações. Lembrando que a avaliação de um especialista e o diagnóstico precoce são determinantes para aumentar as chances de um tratamento eficaz e de recuperação. A prontidão na busca por ajuda médica pode salvar vidas!

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Referências:

1. Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO). Câncer de peritônio: o que é, sintomas e causas. Rio de Janeiro, 08 jun. 2023. [Internet]. Disponível em: https://sbco.org.br/cancer-de-peritonio-o-que-e-sintomas-e-causas/. Acesso em: 09 maio 2024.

2. Kim J, Bhagwandin S, Labow DM. Malignant peritoneal mesothelioma: a review. Ann Transl Med. 2017 Jun;5(11):236.

3. Anwar A, Kasi A. Peritoneal Cancer. [atualizado em 30 de abril de 2024]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2024 Jan- Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK562138/.

4. Kusamura S, Kepenekian V, Villeneuve L, et al. Peritoneal mesothelioma: PSOGI/EURACAN clinical practice guidelines for diagnosis, treatment and follow-up. Eur J Surg Oncol. 2021;47(1):36-59.

5. Jain SV, Wallen JM. Malignant Mesothelioma. [Updated 2023 Jul 4]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2024 Jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK519530/.

6. Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO). Como é feito o diagnóstico de tumores do peritônio? Rio de Janeiro, 14 jun. 2023. [Internet]. Disponível em: https://sbco.org.br/como-e-feito-o-diagnostico-de-tumores-do-peritonio/. Acesso em: 09 maio 2024.

7. Brasil. Ministério da Saúde.  Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Realizada 1ª cirurgia para tratamento de câncer no peritônio. Ceará, 07 ago. 2015. [Internet]. Disponível em: https://www.gov.br/ebserh/pt-br/hospitais-universitarios/regiao-nordeste/ch-ufc/comunicacao/noticias/realizada-1-cirurgia-para-tratamento-de-cancer-no-peritonio. Acesso em: 09 maio 2024.

8. Brasil. Ministério da Saúde. Ministério da Saúde amplia tratamentos oncológicos no SUS. [Internet]. 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/maio/ministerio-da-saude-amplia-tratamentos-oncologicos-no-sus. Acesso em: 09 maio. 2024.