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Publicado em: 13 de dezembro de 2021
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Durante esses tempos de pandemia, com o isolamento social e mudanças bruscas de rotina, manter a saúde mental está sendo um desafio para todos. Pois imagine que, para quem tem transtornos mentais, essas dificuldades os acompanham o tempo todo, em uma proporção muito maior de grau e de tempo.
Sofrendo com alterações emocionais e de comportamento que fogem ao seu controle, essas pessoas convivem, adicionalmente, com o estigma social. São tratadas como incapazes, preguiçosas e, muitas vezes, excluídas das oportunidades. Não é fácil admitir, mas poucos de nós estamos imunes a essa atitude. Por medo, por desconhecimento, por uma vontade de ajudar sem saber como, acabamos manifestando esse preconceito de várias formas que tornam a vida dessas pessoas ainda mais difícil. Veja como isso acontece:
Tiramos conclusões precipitadas e estigmatizamos. Questionamos a capacidade de formar vínculos saudáveis, de tomar decisões para a própria vida, de trabalhar ou de assumir responsabilidades.
Trazemos supostas soluções: “vai tomar um sol”, “vai fazer um exercício”, “vai meditar”. São coisas que ajudam? Claro. Mas não é tão simples. “Está aí uma ideia de que não há doença mental, de que a pessoa está só estressada. É a mesma coisa que você falar para alguém prestes a ter um infarto que, se ele não comer comida gordurosa, ele vai melhorar. Isso é obrigatório, mas não vai resolver. Ele vai precisar se tratar”, comparar Dr. Fiks.
É atribuir um comportamento difícil ao caráter e não a um transtorno: “É chato”, “não aguenta o tranco”, “chora por tudo”, “muito cheio de mimimi’”. “Tem pessoas que são assim? É lógico. Mas outras vezes são patologias”, explica Dr. Fiks.
“O familiar ou amigo diz ‘você tem que reagir’, ‘você só fica pensando coisa negativa’, ‘você não pode ser assim’, como se a dificuldade de fazer alguma coisa já não fosse parte do problema.”, diz a psiquiatra Dra. Maria Antônia Simões Rego.
Dizemos à pessoa que tudo não passa de uma criatividade reprimida, que ela não precisa de tratamento, que o medicamento é uma camisa de força química. “Esse é um preconceito que vem da contracultura dos anos 1960, que começou com a maior das boas intenções, com uma ideia de liberdade, mas que acabou fazendo com que as pessoas chegassem atrasadas ao tratamento”, diz o psiquiatra Dr. José Paulo Fiks.
Não toleramos o diferente.Não sabemos lidar com o comportamentoinesperado ou bizarro e somos tomados pelo sentimento de impotência. Não aceitamosquem não tem a saúde mental “perfeita” e não damos espaço para as vulnerabilidades e peculiaridades humanas.
Adotamos ideias fixas sobre o que não conhecemos. Tiramos conclusões precipitadas e estigmatizamos. Questionamos a capacidade de formar vínculos saudáveis, de tomar decisões para a própria vida, de trabalhar ou de assumir responsabilidades.
A pessoa se esconde ou finge estar sempre bem para ser aceita. “A pessoa não tem o direito de dizer que não está bem”, diz Dra. Alexandrina. Assim como não damos espaço para as emoções normais de qualquer ser humano. Quando alguém está irritado, dizemos “ih, já tomou seu remedinho hoje?”. Ou, para quem está em tratamento: “não tem que aumentar a dose, não?”. “Essas falas invalidam o que a pessoa está sentindo”, diz Dra. Maria Antônia.
Reduzimos a pessoa ao seu transtorno mental e a afastamos, excluímos, oprimimos, discriminamos e reduzimos seu espectro de oportunidades sociais e profissionais.
“Se é algo que se manifesta na infância, é comum o casal se separar e a mãe ficar com a criança. O pai não suporta conviver com o estigma e se afasta, se não recebe ajudar para ficar junto. Em casais, se é um dos dois que tem o transtorno, é comum o divórcio”, conta Dra. Alexandrina.
Em muitos ambientes profissionais, o transtorno mental ainda impede avanços de carreira ou mesmo oportunidades de emprego. “Quando o caso é mais extremo, pode ser que o transtorno passe desapercebido por muito tempo, mas, quando um comportamento fica mais evidente e acontece de perceberem, aí a pessoa perde totalmente a credibilidade”, conta Dra. Maria Antônia.
Não nos organizamos, como sociedade, para incluir e aceitar o diferente enquanto pessoas igualmente úteis. “Tentar fazer de conta que as diferenças não existem também é preconceito”, diz a psiquiatra Dra. Giuliana Cividanes. “O fato de pessoas não serem iguais não significa que umas são inferiores às outras.” Assim, é preconceito quando não nos preparamos para aproveitar o melhor de cada um.
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