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Publicado em: 27 de novembro de 2024
Assuntos abordados
Nem todo mundo sabe, mas depressão e Alzheimer são duas doenças que podem acontecer ao mesmo tempo. Inclusive, é muito comum a ocorrência de quadros depressivos em pessoas que apresentam essa condição neurológica.¹
Isso pode acontecer, em especial, quando o Alzheimer ainda está em suas fases iniciais ou intermediárias.¹ Existem vários fatores que podem contribuir para a depressão na demência, e ela também pode estar relacionada com a solidão.²
No entanto, diagnosticar a depressão nesses pacientes é um desafio porque o Alzheimer pode causar sintomas que já são comuns em quadros depressivos.¹ Sendo assim, é muito importante ter atenção para identificar os possíveis sinais, pois dessa forma conseguimos oferecer suporte emocional, além dos cuidados adequados para promover mais qualidade de vida para essas pessoas.
Esse é um tema importante e que precisa ser mais divulgado. Então, preparamos este conteúdo para você se informar sobre o assunto. Continue lendo para entender melhor a relação entre depressão e Alzheimer.
A doença de Alzheimer é classificada como um transtorno neurodegenerativo progressivo.³ Trata-se de uma condição física que provoca danos no cérebro da pessoa,4 levando à deterioração cognitiva e à perda da memória,³ sendo que os sintomas tendem a se agravar com o passar do tempo.4
Por isso, o avanço da doença de Alzheimer faz com que a pessoa não consiga realizar as atividades da vida cotidiana.³ Então, conforme a doença progride, o paciente precisa de um suporte cada vez maior.4
Além das alterações cognitivas, a doença de Alzheimer causa sintomas neuropsiquiátricos, que se caracterizam por alterações no comportamento, como agitação, apatia, agressividades, dentre outros. Isso acontece porque algumas proteínas do sistema nervoso central são processadas de maneira errada, gerando toxicidade para o cérebro.³
Como consequência, há uma perda progressiva de neurônios em algumas regiões cerebrais, fundamentais para a memória, o raciocínio, a linguagem e o reconhecimento dos estímulos sensoriais. Por isso existe essa evolução lenta e inevitável da doença de Alzheimer.³
Ela vai desde o estágio 1, em sua forma inicial, até o estágio 4, que é a forma avançada. O Alzheimer é visto como a forma mais frequente de demência neurodegenerativa em idosos, sendo responsável por mais de metade dos casos de demência nesse grupo.³
Até o momento, não existe uma cura para o Alzheimer. No entanto, é possível adotar medidas e tratamentos para melhorar os sintomas e desacelerar a progressão da doença, além de promover mais qualidade de vida para a pessoa e todo o suporte que ela precisa para conviver com o diagnóstico da melhor forma possível.
A depressão é um transtorno mental comum e debilitante, caracterizado por tristeza persistente, perda de interesse ou prazer nas atividades diárias e uma variedade de sintomas emocionais, cognitivos e físicos que afetam a capacidade funcional do indivíduo.5
De acordo com o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), os critérios diagnósticos para um episódio depressivo maior incluem, além do humor deprimido, alterações no sono, apetite e energia, dificuldades de concentração, sentimentos de inutilidade ou culpa e, em casos graves, pensamentos de morte ou suicídio.5
Essa condição pode ter causas multifatoriais, envolvendo aspectos genéticos, bioquímicos e psicossociais, sendo fundamental uma abordagem de tratamento que inclua tanto intervenções psicoterápicas quanto medicamentosas, dependendo da gravidade dos sintomas e das características individuais do paciente.6
A prevalência da depressão é maior em mulheres do que em homens, e existem diferentes subtipos dessa doença.7 De toda forma, esse transtorno interfere na vida diária da pessoa, comprometendo os estudos, o trabalho e até mesmo aspectos básicos, como dormir e comer.8
A estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) é de que 300 milhões de pessoas ao redor do mundo sofram com essa doença. Além de todos os prejuízos que provoca, ela também pode levar ao suicídio.8
Como você viu na introdução, é bastante comum que o diagnóstico de Alzheimer e depressão aconteça de maneira simultânea. Alguns especialistas acreditam que de 40% a 50% das pessoas com doença de Alzheimer também apresentam sintomas depressivos.¹
Embora já se conheça a associação entre essas duas condições, ainda não se sabe exatamente qual é a relação exata entre elas. Ou seja, se a doença de Alzheimer leva ao desenvolvimento da depressão ou se são os quadros depressivos que podem favorecer a demência nos indivíduos, aumentando o risco de ter esse problema.9
Uma das possíveis justificativas para a manifestação dos sintomas de depressão no Alzheimer é o reconhecimento pelo próprio paciente dos prejuízos cognitivos quando a doença está em seu estágio inicial. Ou seja, a pessoa começa a perceber o Alzheimer e isso leva a manifestações ansiosas e depressivas de intensidade leve ou moderada. Mas nem sempre é possível observar esse tipo de relação.1
De toda forma, são apontadas diversas possíveis causas de depressão em pessoas que apresentam demência. Inclusive o fato de que conviver com a doença causa sentimentos de tristeza profunda e desesperança.²
Sem falar que o Alzheimer e outras doenças que causam a demência atingem partes do cérebro que estão relacionadas ao comportamento e às emoções. Seja como for, o que pode causar a depressão em quadros como esse são fatores como:²
Também existe uma probabilidade maior de pessoas com demência terem depressão se já tiverem apresentado essa doença no passado.²
O processo natural de envelhecimento do ser humano pode reduzir a qualidade de vida da pessoa e o convívio social. Isso também tem trazido consequências psicológicas negativas, aumentando o sentimento de solidão nos idosos e os episódios de depressão na terceira idade.10
Diversos estudos mostraram que as pessoas com mais idade tendem a se sentir solitárias por diferentes motivos, como a falta de suporte social, o luto e a viuvez. De toda forma, houve uma relação significativa entre esse sentimento de solidão e os diagnósticos de depressão ou os sintomas depressivos, inclusive mais graves.10
Isso também pode ter um impacto nos pacientes com Alzheimer: as pessoas diagnosticadas com Alzheimer podem ter prejuízos em sua linguagem, comunicação e convívio social. A realidade em que elas vivem pode fazer com que se sintam muito solitárias, e a solidão, por sua vez, favorece os eventos depressivos ou um diagnóstico de depressão.
Vale ressaltar que o isolamento, a falta de apoio social ou não encontrar atividades significativas para fazer podem ser algumas das causas de depressão em pessoas com demência também.²
A solidão é um dos fatores de risco para o desenvolvimento de depressão.11 Ao mesmo tempo em que a solidão pode levar aos quadros depressivos, pessoas que já estão deprimidas tendem a se sentir solitárias e isoladas. Logo, pode haver um agravamento dos sintomas.
Não é à toa que uma das recomendações para tratar a depressão em pessoas com demência é justamente trabalhar problemas que podem estar contribuindo para o quadro, o que inclui a solidão em pacientes com Alzheimer.²
Mas os desafios relacionados à depressão vão muito além do impacto da solidão no Alzheimer. Afinal, o diagnóstico do quadro depressivo é desafiador em casos de demência porque essa condição, por si mesma, causa sintomas que são comuns em pessoas deprimidas. Por exemplo:¹
O desafio também está no fato de que pacientes com Alzheimer não conseguem expressar com clareza seus sintomas. Isso acontece devido ao comprometimento cognitivo causado pela doença, que pode levar a interpretações falsas.¹
Por isso, o diagnóstico precisa da avaliação feita por um médico especializado, utilizando instrumentos para rastreio. A avaliação para identificar a doença pode incluir entrevista clínica com o cuidador e o paciente, testes cognitivos e registro das observações do examinador.¹
Mesmo diante dessas dificuldades, identificar a doença é fundamental para oferecer apoio para pacientes com Alzheimer que estejam deprimidos. Além de iniciar o tratamento o quanto antes.
Realizar o tratamento correto da depressão em pacientes com Alzheimer é essencial para a melhoria da qualidade de vida. A abordagem integrada envolve a combinação de diferentes fatores, entre abordagens medicamentosas e não medicamentosas.12
O suporte psicossocial e a terapia ocupacional são duas alternativas que contribuem para melhorar o bem-estar emocional do paciente. Assim como combater o isolamento, proporcionar suporte social e aumentar a participação da pessoa em atividades significativas.12
Terapias não medicamentosas como essas auxiliam na redução dos sintomas da depressão, mas o uso de medicamentos também é uma prática muito comum, em especial no caso de depressão em pacientes com Alzheimer em estágio avançado.12
Como existem diferentes tipos de antidepressivo, é preciso escolher com cuidado o medicamento mais adequado. Devem ser levados em consideração os efeitos colaterais, o quadro clínico e as possíveis interações com os medicamentos utilizados no tratamento da doença de Alzheimer.12
Em ambas as abordagens, o paciente precisa ser monitorado de forma contínua para que o tratamento seja ajustado, a fim de aumentar a eficácia. Dessa forma, é possível fazer a avaliação dos sintomas depressivos e da progressão da doença de Alzheimer para adaptar as terapias e abordagens conforme a necessidade individual.12
Depressão e Alzheimer são duas doenças que, de forma isolada, são um desafio para quem convive com elas. Por isso, quando estão associadas, é importante atenção e cuidado ainda maiores para que a pessoa consiga encontrar apoio emocional e possa realizar o tratamento adequado para ter mais qualidade de vida.
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* Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.
Conteúdo criado em 11/09/2024
Referências:
1. Forlenza OV. Transtornos depressivos na doença de Alzheimer: diagnóstico e tratamento. Revista Brasileira de Psiquiatria. 2000 Jun;22(2):87–95.
2. Alzheimer’s Society. Depression and dementia [Internet]. Alzheimer’s Society. 2021. Available from: https://www.alzheimers.org.uk/about-dementia/symptoms-and-diagnosis/depression-dementia
3. Brasil. Ministério da Saúde. Doença de Alzheimer [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/alzheimer. Acesso em: 11 de out. 2024.
4. Alzheimer’s Society. Alzheimer’s disease [Internet]. London: Alzheimer’s Society. Disponível em: https://www.alzheimers.org.uk/about-dementia/types-dementia/alzheimers-disease. Acesso em: 11 de out. 2024.
5. American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Texto revisado. DSM-5-TR. 5. ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.
6. Lam RW, Kennedy SH, Adams C, Bahji A, Beaulieu S, Bhat V, et al. Canadian Network for Mood and Anxiety Treatments (CANMAT) 2023 Update on Clinical Guidelines for Management of Major Depressive Disorder in Adults. Can J Psychiatry. 2024 Sep;69(9):641-687.
7. Brasil. Ministério da Saúde. Depressão [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/depressao. Acesso em: 11 de out. 2024.
8. Organização Pan-Americana da Saúde. Organização Mundial da Saúde. Depressão [Internet]. OPAS/OMS. Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/depressao. Acesso em: 11 de out. 2024.
9. Sáiz-Vázquez O, Gracia-García P, Ubillos-Landa S, Puente-Martínez A, Casado-Yusta S, Olaya B, et al. Depression as a Risk Factor for Alzheimer’s Disease: A Systematic Review of Longitudinal Meta-Analyses. Journal of Clinical Medicine. 2021 Apr 21;10(9):1809.
10. de Oliveira LM, de Abrantes GG, Ribeiro GS, Cunha NM, Pontes MLF, Vasconcelos SC. Loneliness in senescence and its relationship with depressive symptoms: an integrative review. Rev. Bras. Geriatr. Gerontol. 2019;22(6):e190241.
11. Barroso SM, Baptista MN, Zanon C. Solidão como variável preditora na depressão em adultos. Estudos Interdisciplinares em Psicologia. 2018;9(3):26-37.
12. Vista da Depressão em idosos com Alzheimer avançado [Internet]. Periodicorease.pro.br. 2024 [cited 2024 Oct 24]. Available from: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/15266/7986
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