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Publicado em: 15 de setembro de 2025
Se você está esperando um bebê ou está lendo este texto com o seu pacotinho no colo, já deve ter ouvido falar sobre os benefícios da amamentação.
Mas talvez ainda não saiba que, além de fortalecer o vínculo entre mãe e filho, proteger contra doenças e contribuir para o desenvolvimento do bebê¹, amamentar também pode influenciar a saúde respiratória da criança².
A recomendação do Ministério da Saúde é amamentar exclusivamente nos primeiros seis meses e, sempre que possível, continuar com o aleitamento materno até os dois anos de idade ou mais¹.
Entre os muitos benefícios da amamentação, estão a proteção contra infecções, alergias e diarreias, a redução do risco de doenças crônicas como obesidade e diabetes, além da melhora no desempenho cognitivo da criança¹.
Para a mãe, a prática reduz o risco de hemorragia no pós-parto e de câncer de mama, ovário e colo do útero.¹ O que talvez cause surpresa é que o simples ato de mamar no peito tem impacto direto também na forma como a criança respira. E isso pode afetar positivamente sua saúde de forma duradoura.²
A amamentação é um fator de proteção importante para a saúde respiratória. Crianças amamentadas por mais de 12 meses apresentam 41% menos chance de desenvolver respiração bucal. Entre as que mamam por mais de 24 meses, a redução do risco é de 34%.²
A constatação é de um estudo publicado em 2021 que analisou dados de sete bases científicas para investigar a relação entre o tipo de alimentação nos primeiros anos de vida e o desenvolvimento da respiração bucal em crianças.²
Outro trabalho, publicado no Jornal de Pediatria, já demonstrava a relação. O trabalho identificou que o uso de mamadeiras e hábitos de sucção não-nutritiva, como o uso prolongado de chupetas, mostraram associação com maior prevalência de respiração bucal.³
Em contrapartida, quanto maior a duração do aleitamento materno exclusivo, maior a chance de a criança manter o padrão saudável de respiração pelo nariz.³
“A amamentação estimula uma série de funções orofaciais fundamentais. É uma ação mecânica que fortalece os músculos da face, favorece o crescimento adequado da mandíbula e promove uma respiração nasal funcional”, explica Dr. Maura Neves, otorrinolaringologista (CRM 97446).
A respiração bucal acontece quando a criança passa a respirar mais pela boca do que pelo nariz. Isso pode acontecer por obstruções nas vias aéreas, mas também por hábitos adquiridos precocemente, como o uso de mamadeiras e chupetas em excesso ou pela ausência de estímulo adequado proporcionado pela amamentação.3-4
Estudos mostram que a respiração bucal pode trazer impactos importantes para o desenvolvimento da criança. Uma pesquisa de 2018 mostrou que 85% das crianças que respiravam pela boca apresentavam alterações no sistema estomatognático, que envolve funções como mastigação, deglutição, fala e respiração. Entre as principais alterações observadas estavam: mordida aberta (40%), mordida cruzada (37%), deglutição atípica (22%) e palato profundo (11%).4
Essas alterações estão diretamente ligadas à forma como a criança respira e, em muitos casos, poderiam ter sido prevenidas com hábitos mais saudáveis durante os primeiros meses de vida4. “A amamentação exclusiva oferece o estímulo necessário para o crescimento facial e o desenvolvimento das funções orais. Quando esse processo é interrompido antes do tempo, aumentam as chances de a criança adotar uma respiração pela boca”, destaca a Dr. Maura Neves.
Além do impacto na formação facial, um estudo publicado em 2007 sugere que a amamentação também contribui para a formação dos pulmões. O trabalho, realizado por pesquisadores da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, analisou o tempo de aleitamento materno e a introdução de fórmulas infantis, e mediu a capacidade pulmonar das crianças aos 11 e aos 16 anos.5
Os resultados mostraram que crianças amamentadas por mais tempo apresentaram melhor crescimento pulmonar. O volume expiratório forçado (FVC), indicador da função pulmonar, foi significativamente maior aos 16 anos naquelas que tiveram aleitamento mais prolongado: cerca de 103 ml a mais em comparação com crianças alimentadas com fórmula.5
Segundo os autores, o leite materno contém substâncias como citocinas e hormônios que podem estimular o desenvolvimento dos alvéolos pulmonares e a produção de elastina, uma proteína essencial para o bom funcionamento dos pulmões. 5
Pesquisadores canadenses também buscaram uma resposta para essa pergunta acompanhando 2.773 bebês até o primeiro ano de vida. A conclusão foi clara: quanto mais longa e exclusiva foi a amamentação, menor foi a ocorrência de chiado no peito, um dos principais sintomas relacionados à asma.6
A proteção foi ainda mais evidente entre bebês cujas mães tinham asma. Nesse grupo, os que foram amamentados exclusivamente por seis meses tiveram redução de 62% na incidência de chiado no peito, em comparação com os que não foram amamentados. Mesmo entre bebês cujas mães não eram asmáticas, o efeito protetor da amamentação também foi observado, com queda de 26% nos casos.6
O leite materno é o melhor alimento que um bebê pode ter. É completo, nutritivo e protege o organismo de infecções. Amamentar é também um direito assegurado por lei. Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é dever do governo, instituições e empregadores garantir condições para o aleitamento materno.7
Amamentar por mais tempo traz benefícios duradouros para a saúde respiratória das crianças, e isso precisa ser valorizado em todos os níveis.
Oferecer o peito é muito mais do que alimentar: é cuidar da respiração, do desenvolvimento e do futuro do bebê. É um gesto de amor que começa no colo e se estende por toda a vida.
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