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A psoríase é uma doença inflamatória crônica que afeta principalmente a pele, as unhas e as articulações. Trata-se de uma condição sistêmica, ou seja, que envolve processos internos do organismo e não apenas as lesões visíveis na superfície da pele¹.

Por essa razão, a psoríase é considerada uma enfermidade complexa, que exige acompanhamento contínuo e manejo adequado ao longo da vida.1 Além disso, a dermatologista Dra. Luciana Samorano (CRM-SP 135.021) reforça que a doença “não é contagiosa e que há uma predisposição genética para se desenvolver essa condição.”

Estima-se que cerca de 2% da população mundial conviva com a doença. No Brasil, a prevalência fica em torno de 1,3%, o que pode significar mais de 2 milhões e 700 mil pessoas.2

Além de frequente, a psoríase demanda atenção, uma vez que pode ser incapacitante. As lesões na pele, muitas vezes extensas e visíveis, podem tornar o convívio social mais difícil e podem provocar impacto emocional importante. Quando a doença atinge as articulações, configurando a chamada artrite psoriásica, a limitação funcional pode ser ainda maior².

A doença pode surgir em qualquer idade, embora seja mais comum entre a terceira e a quarta décadas de vida.² “Esse comportamento reforça que a psoríase é uma condição imprevisível, que pode afetar pessoas em diferentes fases da vida e com necessidades distintas de cuidado”, afirma a médica, que reforça a necessidade de se conhecer os sinais da doença.

Quais os principais sintomas da psoríase?

A psoríase costuma se manifestar por manchas avermelhadas e elevadas, cobertas por escamas secas e prateadas, que podem causar coceira ou dor. Essas lesões têm bordas bem definidas e podem variar de tamanho. Quando as escamas são removidas, podem deixar um pontilhado sanguinolento.²

As manchas são mais comuns nos joelhos, cotovelos, couro cabeludo e região lombossacra (base da coluna), mas podem aparecer em qualquer área do corpo.²

Além das manchas características, os sintomas da psoríase variam de acordo com o tipo da doença. Os principais sinais de cada forma clínica são:³

● Psoríase Vulgar: lesões de tamanhos variados, bem delimitadas e avermelhadas, com escamas secas e de coloração prateada ou acinzentada. Surgem principalmente no couro cabeludo, joelhos e cotovelos.

● Psoríase Invertida: lesões mais úmidas, localizadas em áreas de dobras.

● Psoríase Gutata: pequenas lesões em forma de gotas, geralmente associadas a infecções. Ocorrem no tronco, braços e coxas e são mais frequentes em crianças e adultos jovens.

● Psoríase Eritrodérmica: lesões generalizadas que acometem 75% ou mais da superfície corporal.

● Psoríase Ungueal: pequenas depressões na superfície das unhas ou manchas amareladas. Ocorre principalmente nas unhas das mãos.

● Psoríase Artropática: cerca de 8% dos casos. Pode causar dor súbita nas pontas dos dedos das mãos e dos pés ou em grandes articulações, os joelhos e a coluna.

● Psoríase Pustulosa: lesões com pus que podem ser localizadas, geralmente nos pés e mãos, ou espalhadas pelo corpo.

● Psoríase Palmo-Plantar: lesões com fissuras nas palmas das mãos e nas solas dos pés.

“A variedade só confirma que a psoríase é uma condição multifacetada, que pode evoluir de formas diversas ao longo da vida”, acrescenta a Dra. Luciana.

O que causa psoríase?

Embora a causa exata da psoríase ainda não seja completamente esclarecida, sabe-se que se trata de uma doença inflamatória crônica, que envolve uma resposta alterada do sistema imunológico que leva ao processo inflamatório crônico.² “Essa reação desregulada faz com que as células da pele se renovem de forma acelerada, resultando nas lesões características da doença”, explica a dermatologista.

A genética desempenha papel importante. De acordo com a Dra. Luciana, “existe uma predisposição familiar, ou seja, se você tem uma pessoa na família com a doença, há uma chance maior de você desenvolvê-la também.”

A herança é poligênica, ou seja, envolve múltiplos genes, e o risco de desenvolver a doença pode ser até dez vezes maior entre parentes de primeiro grau.

“Mas a psoríase não é necessariamente transmitida diretamente de pais para filhos”, ressalta a dermatologista. Ela explica que a psoríase pode surgir da interação entre predisposição genética e mecanismos imunológicos, ainda em investigação.

Fatores que podem desencadear crises de psoríase

A psoríase é uma doença crônica, com inflamação e lesões persistentes, mas há alguns fatores que influenciam no desencadeamento ou agravamento do quadro, aponta a médica.

Entre os fatores mais comuns estão traumas físicos ou químicos na pele, como queimaduras solares, infecções, uso de determinados medicamentos e situações de estresse emocional.³

Alguns fatores específicos são frequentemente relatados pelos pacientes:⁴

● Estresse: muitos pacientes observam o aparecimento ou agravamento das lesões após situações de estresse agudo ou crônico.

● Obesidade: o excesso de peso pode aumentar o risco de desenvolver a doença, e pessoas com psoríase tendem a apresentar peso acima do ideal.

● Tempo frio: a pele fica mais ressecada nessa época, e a redução da exposição solar pode piorar as lesões.

● Infecções diversas: episódios infecciosos podem desencadear novas crises.

● Medicamentos: antimaláricos, alguns medicamentos para hipertensão (por exemplo: betabloqueadores), além do lítio usado em transtorno bipolar, podem agravar o quadro.

● Álcool e tabagismo: o consumo de bebidas alcoólicas e o hábito de fumar tendem a piorar as lesões existentes.

Como é feito o tratamento da psoríase

A psoríase é uma doença de evolução crônica e, como tem ligação genética, não pode ser prevenida. Mas é possível controlar suas recaídas e reduzir a intensidade dos sintomas³.

O objetivo do tratamento é diminuir o número e a gravidade das lesões, sempre considerando as características individuais de cada paciente e a gravidade da doença. As terapias disponíveis incluem medicamentos tópicos, aplicados diretamente na pele, fototerapia e medicamentos sistêmicos, administrados por via endovenosa ou subcutânea³.

De acordo com a dermatologista, a maior parte dos casos é classificada como leve e pode ser controlada com medicação local, hidratação adequada e exposição ao sol³. Mas ela ressalta: “todo tratamento deve ser realizado com orientação médica rigorosa e acompanhamento regular. Em algumas situações, o suporte psicológico também é indicado para auxiliar na adaptação ao impacto emocional que frequentemente acompanha a condição”.

Nos quadros leves, medidas como manter a pele hidratada, aplicar medicamentos tópicos apenas nas áreas afetadas e realizar exposição solar orientada por um dermatologista podem ser suficientes para melhorar o quadro clínico e promover o desaparecimento dos sintomas.⁴

Quando essas estratégias não controlam os sinais, especialmente nos casos moderados, pode ser indicada a fototerapia, sobretudo UVB-nB.4

A resposta ao tratamento varia conforme o tipo e a gravidade da psoríase4. “Nem toda terapia funciona da mesma forma para todas as pessoas, por isso é necessário um plano individualizado e acompanhamento médico durante todo o tratamento”, diz a Dra. Luciana.

Com as opções disponíveis atualmente, pacientes conseguem alcançar períodos prolongados sem lesões na pele ou com lesões muito discretas, independentemente da forma clínica da doença.⁴

Psoríase: 4 dicas para o cuidado diário da pele

Alguns hábitos podem ajudar a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida de quem convive com a psoríase. Segundo a dermatologista, “manter uma rotina de cuidados é essencial para proteger a pele e reduzir o risco de novas crises”.

Quatro dicas podem ajudar a controlar a doença:4

  1. Mantenha a pele hidratada. A psoríase tende a ressecar a pele, por isso a hidratação diária é fundamental, especialmente nas estações mais frias.
  1. Exponha a pele ao sol com orientação. A exposição solar pode ajudar a controlar as crises, mas deve ser feita com cuidado. É essencial escolher os melhores horários para tomar sol e usar protetor solar para prevenir outros problemas de pele.
  1. Mantenha a pele limpa. Banhos diários auxiliam na remoção das escamas ressecadas. “O ideal é evitar água muito quente, que pode irritar ainda mais as áreas afetadas”, orienta a Dra. Luciana.
  1. Busque acompanhamento médico. Além de orientar o tratamento e os cuidados com a psoríase, o médico pode apoiar questões emocionais, como a baixa autoestima, que muitas vezes acompanham a doença.

“Pequenas ações diárias podem fazer diferença na convivência com a psoríase. Não ignore os sintomas e crises e busque sempre orientação médica para ter o melhor tratamento para o seu caso”, finaliza a médica.

Conteúdo elaborado em janeiro/2026

Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.

Referências

1. Brasil. Ministério da Saúde. PCDT Resumido. Psoríase – Portaria conjunta SAES/SCTIE/MS n°18, de 14 de outubro de 2021 [internet]. 2021. [Acesso em 02 jan. 2026]. Disponível em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/protocolos/resumidos/20220912_PCDT_Resumido_Psoriase_final.pdf

2. Brasil. Ministério da Saúde. Psoríase [internet]. 2025. [Acesso em 02 jan. 2026]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/p/psoriase/view

3. Brasil. Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde. Psoríase [internet]. 2016 [Acesso em 02 jan. 2026]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/psoriase/

4. Sociedade Brasileira de Dermatologia. Psoríase [internet]. [Acesso em 02 jan. 2026]. Disponível em: https://www.sbd.org.br/doencas/psoriase/