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Você já saiu de um consultório com a prescrição para o uso de um inalador? E de um umidificador?

De acordo com a otorrinolaringologista Dra. Maura Neves (CRM-SP 97446/ RQE: 63161), esses são exemplos de ferramentas que podem auxiliar no tratamento e alívio de sintomas em algumas doenças respiratórias. Principalmente, diz a médica, em condições que são afetadas diretamente pelo ambiente. “A umidade no ar é um fator importante para os sintomas de doenças respiratórias, podendo agravar o desconforto em casos de alergias, rinites e asma.”

Mas qual a diferença entre esses equipamentos e quando eles podem ser indicados? Saiba mais:

Inaladores, purificadores e umidificadores: o que são e qual a diferença entre eles?

Os três dispositivos têm efeitos na respiração. Os purificadores de ar são aparelhos que contam com um sistema de filtragem capaz de capturar partículas comumente presentes no ar, como poeira e bioaerossóis, que são partículas de origem biológica suspensas no ar,1 incluindo vírus, fungos, bactérias, pólen e outros componentes alergênicos.2

Essa capacidade fez com que os purificadores ganhassem visibilidade nos últimos anos devido à pandemia de COVID-19, que aumentou a preocupação relacionada à qualidade do ar em ambientes internos. Além disso, os purificadores também filtram partículas de poluição, comumente relacionadas à sintomas respiratórios¹.

Já os inaladores são dispositivos pensados para otimizar a administração de medicamentos no sistema respiratório.3 Existem diferentes tipos de inaladores, conforme explica a Dra. Maura:

  • Pressurizados de dose medida (pMDIs): as famosas “bombinhas”, em que uma dose exata do remédio é liberada em forma de spray
  • Inaladores de pó seco (DPIs): medicamento em forma de pó é inspirado ao “puxar” o ar pelo bocal.
  • Nebulizadores: aparelhos maiores, mais comuns em hospitais, que transformam o medicamento líquido em uma névoa fina e a pessoa respira normalmente por uma máscara ou bocal por alguns minutos.
  • Inaladores de névoa suave (SMIs): equipamentos mais modernos e portáteis que liberam o medicamento em uma névoa lenta e suave, sem gás pressurizado.

Por fim, os umidificadores são dispositivos que emitem água em forma de vapor para aumentar os níveis de umidade do ar. Eles costumam ser usados para prevenir o ressecamento em várias partes do corpo4.

Umidificadores: benefícios, indicações e alertas

O primeiro benefício de umidificadores é a diminuição de sintomas como ardência e ressecamento dos olhos, boca e nariz, associados com o tempo seco. No entanto, para a saúde respiratória, a maior importância da umidade do ar é que ela influencia na circulação e a sobrevivência de microrganismos5.

A baixa umidade também dificulta a dispersão de poluentes, fazendo com que partículas como ácaros, poeira, resíduos de materiais queimados e poluentes liberados por veículos permaneçam suspensas no ar. Ao serem inaladas, essas partículas aumentam o risco de infecções e problemas respiratórios⁶.

Apesar dos benefícios, a Dr. Maura alerta que o uso inadequado do umidificador pode trazer riscos. “Usar o umidificador por muitas horas seguidas pode deixar o ambiente muito úmido e causar mofo e bolor”, diz a médica, que também reforça a importância da manutenção correta do aparelho. “Se não forem limpos adequadamente, os umidificadores podem se tornar um terreno fértil para bactérias e fungos, que podem ser liberados no ar e causar ou agravar doenças respiratórias.”

Alternativas simples, como baldes de água ou toalhas molhadas no ambiente, além da ingestão de água e da hidratação nasal com soro ou géis nasais, ajudam a proteger as mucosas do nariz, garganta e faringe contra os efeitos do ar seco.⁷

Quem precisa de inaladores e como usar?

A inalação é uma das formas mais antigas e eficazes de administrar medicamentos diretamente nos pulmões e, por isso, segue como base do tratamento de diversas doenças respiratórias. Ao agir localmente, no próprio sistema respiratório, o medicamento inalado costuma alcançar o efeito terapêutico desejado com doses menores e menos efeitos colaterais no restante do corpo⁸.

Por isso, inaladores são usados especialmente no tratamento de doenças respiratórias crônicas e agudas. Entre elas estão a asma, a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), infecções do trato respiratório e outras condições que comprometem os pulmões⁸, “como bronquites, pneumonias e infecções”, afirma a médica.

No caso da DPOC, os broncodilatadores inalados são a base do tratamento medicamentoso, pois ajudam a aliviar os sintomas ao facilitar a passagem do ar. Já na asma, os corticosteroides inalados são considerados os anti-inflamatórios mais eficazes para o controle da doença crônica, tanto em adultos quanto em crianças⁹.

Para que o tratamento funcione corretamente, a forma de uso do inalador é determinante. A técnica inadequada pode reduzir a quantidade de medicamento que chega aos pulmões e comprometer o efeito esperado. Para as bombinhas, cujo uso é o mais comum, as orientações básicas incluem:10

  • Manter o bocal do inalador a uma distância de cerca de quatro dedos dos lábios
  • Soltar todo o ar dos pulmões, abrir a boca e inspirar lentamente.
  • Durante a inspiração, acionar o dispositivo para liberar o jato do medicamento
  • Continuar inspirando devagar e segurar a respiração, contando mentalmente até dez

“Diferentes tipos de inaladores podem ter diferentes orientações. Sempre converse com o seu médico sobre o jeito correto de utilizar o dispositivo e recomendações de limpeza e armazenamento para os melhores resultados”, complementa a Dra. Maura.

Purificadores de ar previnem doenças respiratórias?

Os purificadores de ar atuam removendo do ambiente partículas como poeira, pólen, ácaros e até mesmo vírus e bactérias¹. Por esse motivo, segundo a médica, esses dispositivos têm potencial para ajudar a prevenir a disseminação de doenças respiratórias causadas por esses agentes e reduzir o risco de agravamento dos sintomas em pessoas mais sensíveis. “Pessoas que sofrem com asma e rinite alérgica, por exemplo, podem ter benefícios com o purificador, já que ele filtra o que causa a irritação, diminuindo sintomas e evitando crises”, explica a Dra. Maura.

Outro benefício importante dos purificadores de ar está relacionado à poluição atmosférica.1 A exposição a partículas finas presentes no ar, conhecidas como material particulado, está associada a um aumento da morbidade e da mortalidade por doenças cardiorespiratórias11,12.

Essas partículas têm origem principalmente em atividades humanas, como a queima de combustíveis fósseis e as queimadas florestais. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), por serem extremamente pequenas, elas conseguem penetrar profundamente nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea, causando impactos respiratórios, cardiovasculares e cerebrovasculares¹˒11,¹².

A exposição a material particulado também pode agravar sintomas cardiopulmonares em pouco tempo, às vezes poucas horas após o contato – aqui falamos especificamente de material particulado PM2,5, isto é, com diâmetro de 2,5 micrômetros ou menos, o que, para efeitos de comparação, é dezenas de vezes menor que o diâmetro de um fio de cabelo.

A inalação desse tipo de material particulado, que pode vir de motores de veículos a combustão e de certos processos industriais, por exemplo, também está associada a desfechos mais graves, levando ao desenvolvimento de DPOC e casos de infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca, arritmias fatais e parada cardíaca súbita¹¹. “Esse efeito é especialmente relevante para pessoas que já convivem com doenças respiratórias ou cardiovasculares”, afirma a Dra. Maura.

Por isso, sobretudo em cidades com altos níveis de poluição, o uso de purificadores de ar em ambientes internos pode reduzir de forma eficiente a concentração dessas partículas dentro de casa, melhorando a qualidade do ar e a função cardiopulmonar¹¹.

A médica ressalta, no entanto, que esses aparelhos não conseguem eliminar totalmente a poluição e os bioaerossóis do ambiente. Ainda assim, podem ser grandes aliados para quem convive com condições respiratórias crônicas. “É importante investigar o tipo de equipamento e a potência adequada para o espaço em que será instalado, além de se atentar à manutenção correta, assim como acontece com os umidificadores”, orienta.

Referências

  1. Fermo P, Artíñano B, De Gennaro G, Pantaleo AM, Parente A, Battaglia F, et al. Improving indoor air quality through an air purifier able to reduce aerosol particulate matter (PM) and volatile organic compounds (VOCs): experimental results. Environ Res. 2021 Jun;197:111131.
  2. Bioaerosol. ScienceDirect Topics [Internet]. Elsevier; [Acesso em 3 mar. 2026]]. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/topics/agricultural-and-biological-sciences/bioaerosol
  3. Usmani OS, Hickey AJ, Guranlioglu D, Rawson K, Stjepanovic N, Siddiqui S, et al. The impact of inhaler device regimen in patients with asthma or COPD. J Allergy Clin Immunol Pract. 2021 Aug;9(8):3033–3040.e1.
  4. Khandpur RS. Humidifier, Home. In: Compendium of Biomedical Instrumentation; 2019;180.
  5. Arundel AV, Sterling EM, Biggin JH, Sterling TD. Indirect health effects of relative humidity in indoor environments. Environ Health Perspect. 1986 Mar; 351-361.
  6. Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Saúde alerta sobre cuidados com a baixa umidade do ar [Internet]. São Paulo: SES-SP; 2012 Jul. [Acesso em 3 mar. 2026] Disponível em: https://www.saude.sp.gov.br/ses/noticias/2012/julho/saude-alerta-sobre-cuidados-com-a-baixa-umidade-do-ar
  7. Secretaria Municipal da Saúde. Umidificadores de ar no inverno [Internet]. São Paulo; 2023 [cited 2026 Feb 2]. [Acesso em 3 mar. 2026] Disponível em: https://prefeitura.sp.gov.br/web/saude/w/cidadao/noticias/151119
  8. Hye T, Moinuddin SM, Sarkar T, Nguyen T, Saha D, Ahsan F. An evolving perspective on novel modified release drug delivery systems for inhalational therapy. Expert Opin Drug Deliv. 2023 Feb 16;20(3):1–14.
  9. Hye T, Moinuddin SM, Sarkar T, Nguyen T, Saha D, Ahsan F. An evolving perspective on novel modified release drug delivery systems for inhalational therapy. Expert Opin Drug Deliv. 2023 Mar;20(3):335-348.
  10. Brasil. Ministério da Saúde – Linhas de Cuidado. Técnica Inalatória [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; [Acesso em 3 mar. 2026]. Disponível em: https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/asma/tecnica-inalatoria/
  11. Cardiopulmonary benefits of reducing indoor particles of outdoor origin: a randomized, double-blind crossover trial of air purifiers. J Am Coll Cardiol. 2015 Jun 2;65(21):2279–2287.
  12. Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Novos dados da OMS revelam que bilhões de pessoas ainda respiram ar insalubre [Internet]. 2022 Apr 4. [Acesso em 3 mar. 2026] Disponível em: https://www.paho.org/pt/noticias/4-4-2022-novos-dados-da-oms-revelam-que-bilhoes-pessoas-ainda-respiram-ar-insalubre