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O primeiro é a acidez natural da pele, que ajuda a proteger contra bactérias nocivas e favorece as benéficas. Já as ceramidas, que são gorduras naturais, fortalecem a barreira cutânea, mantêm a hidratação e ajudam a controlar a inflamação. As mitocôndrias, por sua vez, fornecem a energia necessária para que esses processos funcionem corretamente. Quando esse equilíbrio é alterado, a pele pode se tornar mais sensível, inflamada e vulnerável, mesmo sem apresentar sinais visíveis.¹

A pele é o maior órgão do corpo humano e serve como barreira protetora do organismo na defesa contra agentes externos. Ela também regula a perda de água e temperatura interna do corpo. Mas você sabia que a saúde da nossa pele depende, principalmente, do equilíbrio entre três elementos? São eles o manto ácido, as ceramidas e as mitocôndrias.¹

Segundo a dermatologista Dra. Luciana Samorano (CRM-SP 135.021 | RQE 41333), isso faz com que a atenção tenha que ser redobrada. “A pele nem sempre “avisa” quando algo não vai bem. Mesmo com aparência uniforme, sem vermelhidão, coceira ou descamação, ela pode apresentar alterações invisíveis a olho nu, como inflamação subclínica e desequilíbrio da barreira cutânea.”

A disfunção da barreira cutânea, condição que pode causar, dentre outras coisas, a perda de hidratação da pele, por exemplo, está associada a processos inflamatórios que podem ocorrer de forma persistente. Esses processos contribuem para o desenvolvimento ou agravamento de condições dermatológicas ao longo do tempo, ainda que inicialmente não sejam perceptíveis.2-3

Além disso, outra condição comum é a pele sensível, condição frequente e que costuma ocorrer sem sinais visíveis, mas com sensações como ardor, formigamento ou irritação após estímulos físicos, químicos e térmicos que normalmente não causam sintomas. ⁴

“Por isso, mais do que observar apenas o que aparece no espelho, é fundamental estar atento aos pequenos sinais e sintomas que a pele apresenta no dia a dia”, conclui a Dra. Luciana.

Sinais de que você pode ter a pele sensível

Sensações desagradáveis como as descritas acima são indicativos de que a pele precisa de mais atenção. Entre os principais sinais estão o ardor, dor, coceira ou dormência após aplicar produtos ou outros estímulos externos ⁴. De acordo com a dermatologista, outros sintomas incluem o brilho excessivo, textura irregular e ressecamento localizado.

“Quando a pele manifesta desconforto, ela não está apenas reagindo, mas sinalizando que algo no seu equilíbrio foi comprometido. Reconhecer esses sinais é o primeiro passo para entender o que pode estar por trás dessa maior sensibilidade e, principalmente, identificar os fatores do dia a dia que geram essas alterações”, explica a médica.

O que prejudica a saúde da pele?

Diversos fatores podem afetar a saúde da pele. Entre os físicos, destacam-se o vento, umidade, luz ultravioleta e poluição. Os térmicos incluem frio ou calor e os químicos normalmente estão associados aos cosméticos. Há ainda fatores como a alimentação, estresse e hormônios que podem afetar a integridade da barreira cutânea. Sem contar as doenças crônicas que impactam diretamente a funcionalidade desse órgão. ⁴

Quatro fatores que danificam a pele

Entenda um pouco mais sobre como alguns dos fatores podem danificar a pele1-2,4-5:

  1. Poluição
    A exposição a poluentes está relacionada ao aumento do estresse oxidativo e à ativação de vias inflamatórias, o que pode comprometer a função da barreira cutânea. Segundo a Dra. Luciana, a poluição atua de forma silenciosa, acumulando danos ao longo do tempo. “Exemplos disso são o enfraquecimento das defesas naturais da pele, intensificação da inflamação e aceleração dos processos que comprometem a saúde e vitalidade.”
  1. Estresse
    Quando o estresse é crônico, induz uma liberação contínua de hormônios como o cortisol e a adrenalina, que afetam negativamente a função imunológica e a resposta inflamatória da pele. Este desequilíbrio hormonal resulta em uma inflamação persistente, que pode exacerbar condições dermatológicas existentes, como psoríase e dermatite atópica, além de contribuir para o desenvolvimento de novas patologias cutâneas, como acne e alopecia.
  1. Skincare inadequado
    Alguns cosméticos podem desencadear sintomas imediatos ou horas após sua primeira aplicação. Eles também podem prejudicar a pele mesmo após o uso prolongado. Diante desses riscos, a Dra. Luciana ressalta a importância da orientação profissional na escolha dos produtos.

“O acompanhamento com um dermatologista é essencial para identificar quais cosméticos são seguros e adequados para cada tipo de pele, prevenindo reações indesejadas e garantindo um cuidado eficaz e personalizado ao longo do tempo.”

  1. Doenças crônicas como dermatite atópica e rosácea
    Algumas doenças crônicas podem impactar diretamente a funcionalidade da pele, apresentando sintomas visíveis. No caso da dermatite atópica, a camada mais externa da pele fica “com vazamentos”, permitindo que substâncias do ambiente entrem mais facilmente e causem inflamação. Essa inflamação, por sua vez, piora ainda mais a barreira da pele, criando um ciclo contínuo de dano.

Cuidados preventivos são para sempre

Manter uma rotina contínua de cuidados é essencial para preservar o equilíbrio da pele e evitar o agravamento de alterações silenciosas, de acordo com a Dra. Luciana. “A hidratação adequada, o uso diário de proteção solar, uma limpeza equilibrada, alimentação balanceada e a escolha correta dos produtos — sempre com orientação médica — são pilares fundamentais para manter a saúde da pele a longo prazo.”

Em outras palavras, os cuidados preventivos para manter a saúde da pele incluem1-4,6:

Manter a integridade da barreira cutânea: para realizar sua principal função, como barreira para a entrada de agentes externos e evitar perda de água, a pele precisa de gorduras naturais. O uso de cremes hidratantes auxilia nessa função.

Usar proteção contra o sol diariamente: a exposição ao sol, especialmente à radiação ultravioleta, pode causar danos à pele, como estresse oxidativo e enfraquecimento da sua barreira de proteção. Por isso, proteger a pele do sol é uma medida importante para manter sua saúde.

Evitar fatores que irritam e inflamam a pele: isso inclui contato com substâncias com potencial de gerar irritação ou alergia, além de situações que desregulam o funcionamento natural da pele. Além disso, processos inflamatórios contínuos podem piorar a saúde da pele ao longo do tempo, mesmo que isso não seja visível no início.

Respeitar a sensibilidade da pele: algumas pessoas podem sentir ardor, queimação ou desconforto na pele mesmo sem sinais visíveis. Isso acontece porque a pele pode reagir de forma mais intensa a estímulos como calor, frio ou produtos. Nesses casos, é importante suspender o uso de cosméticos que estejam causando os sintomas e buscar a avaliação médica.

Escolher produtos adequados para a sua pele: o uso de produtos inadequados pode afetar o equilíbrio da pele e prejudicar sua barreira natural. Por isso, é importante usar cosméticos indicados pelo seu médico dermatologista, após avaliação individual.

Como resume a Dra. Luciana: “mesmo sem sinais visíveis, a pele pode apresentar alterações funcionais iniciais. A manutenção de cuidados contínuos é fundamental para preservar sua integridade e prevenir o agravamento de condições cutâneas.”

Conteúdo elaborado em abril/2026

Texto: Juliana Stern, jornalista pós-graduada em Jornalismo Científico pelo Labjor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com experiência em reportagens de saúde, especialmente nos setores de oncologia, cardiologia e odontologia, além de passagens pela National Geographic Brasil e UOL.

Dra. Luciana de Samorano (CRM-SP 135.021 | RQE 41333), médica dermatologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP) e do consultório particular, graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina da USP (2008) e doutora em Ciência pela mesma instituição (2021). Possui o título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. Seus principais focos de pesquisa científica são Dermatologia Pediátrica, Dermatite Atópica, Alergia, Oncologia Cutânea e Dermatologia Geral.

Referências

1.Baker P, Huang C, Radi R, Moll SB, Jules E, Arbiser JL. Skin Barrier Function: The Interplay of Physical, Chemical, and Immunologic Properties. Cells. 2023 Nov 30;12(23):2745.

2.Schmuth M, Eckmann S, Moosbrugger-Martinz V, Ortner-Tobider D, Blunder S, Trafoier T, Gruber R, Elias PM. Skin Barrier in Atopic Dermatitis. J Invest Dermatol. 2024 May;144(5):989-1000.e1.

3.Gomes TF, Calado R, Gonçalo M. Epidermal Barrier Dysfunction in Atopic Dermatitis. J Port Soc Dermatol Venereo. 2021;79(3):207-216.

4.Bonito F, Cerejeira D, Monteiro AF. Sensitive Skin Syndrome: Literature Review of an Emerging Condition. J Port Soc Dermatol Venereol. 2021;79(4):351-356.

5.Bankow BC. Impactos do estresse crônico na saúde da pele: mecanismos neuroimunológicos e efeitos clínicos. Braz J Implant Health Sci. 2024;6(8):3087-3098.

6.Silvieri K, Crespo C de C, Novak J, Tobara JC, Martins WK. Microbiota da pele: novos desafios. Arq. Catarin.Med. 2021;50(1):93-112.