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Quem tem uma suspeita de câncer, ou recebe um diagnóstico dessa doença, entra em contato com uma série de termos médicos que despertam preocupação e dúvida. Um desses termos é “metástase”, palavra frequentemente associada a casos mais graves, mas cujo significado nem sempre é bem compreendido.

A metástase acontece quando células cancerígenas conseguem sair do tumor original e se espalham para outras partes do corpo, formando novos tumores em órgãos ou tecidos distantes.¹

Dados do Ministério da Saúde do Brasil mostram que esse processo ocorre quando células do câncer se desprendem do tumor principal e entram na circulação sanguínea ou linfática. A partir daí, elas podem se alojar em diferentes regiões do organismo, como ossos, pulmões, fígado e cérebro.¹

Segundo o oncologista Dr. Rodrigo Coutinho Mariano (CRM 148.246), “a metástase não significa que o câncer mudou de tipo. Um câncer de mama que se espalha para o osso, por exemplo, continua sendo câncer de mama, embora esteja localizado em outro órgão”.

Um médico de jaleco branco e estetoscópio no pescoço segura uma prancheta azul enquanto está diante de um paciente de cabeça raspada em uma clínica

Como ocorre a metástase?

A metástase ocorre quando as células tumorais conseguem se desprender do tumor principal e atravessar barreiras naturais do corpo. Ao entrar na circulação, percorrem diferentes regiões até se fixarem em outro tecido. ²

A metástase (isto é, esse espalhamento das células cancerígenas do tumor principal para outros tecidos) pode ocorrer nas fases iniciais da doença, mas é mais frequente em estágios avançados. Em muitos casos, as células cancerígenas permanecem silenciosas por um período antes de crescerem em outro órgão.²

Esse processo ajuda a explicar por que determinados tipos de câncer apresentam maior tendência a atingir órgãos específicos. Por isso, alguns tumores possuem padrões bastante conhecidos de disseminação, por exemplo:1

  • Câncer de pulmão: geralmente ocorrem metástases nos linfonodos, fígado, ossos e cérebro
  • Câncer de mama: se dissemina com mais frequência para ossos, pulmão, fígado, linfonodos e cérebro
  • Câncer de próstata: pode se espalhar para ossos e gânglios linfáticos
  • Câncer de estômago e intestino: metástases mais comuns são no fígado, peritônio e linfonodos
  • Câncer de tireoide: frequentemente se espalha para pulmões e ossos

Segundo o Dr. Rodrigo, “esses padrões ajudam os médicos a direcionar exames e acompanhar possíveis sinais de progressão da doença.”

No entanto, o médico ressalta que “cada câncer é único e, por isso, esses tipos primários podem se disseminar para lugares menos comuns ou nem chegar a isso, ficando localizados no órgão inicial”. Ele acrescenta que, por isso, “continuar o acompanhamento com o oncologista mesmo depois do tratamento e da remissão de um câncer é obrigatório. Assim, caso a metástase ocorra, é possível identificá-la cedo, facilitando o tratamento e melhorando a qualidade de vida do paciente.”

Todo tumor gera metástase?

Para entender se todo tumor gera metástase, é importante diferenciar tumor benigno de tumor maligno. Tumor é um crescimento anormal de células em qualquer parte do corpo. Os benignos costumam crescer lentamente e não provocam metástases. Já os malignos apresentam multiplicação desorganizada e capacidade de invadir tecidos vizinhos.1 “São esses que recebem a nomenclatura de câncer”, explica o médico.

Os dados divulgados pelo Ministério da Saúde explicam que alguns tumores malignos conseguem liberar células capazes de circular pelo organismo. Essas células podem alcançar outras regiões por meio do sangue, do sistema linfático ou até cavidades do corpo, como a pleural (espaço entre duas membranas nos pulmões) e a peritoneal (localizada no abdômen). Quando encontram condições favoráveis, passam a crescer novamente e originam novas lesões tumorais.²

“Mas o desenvolvimento da metástase depende de uma combinação complexa entre o comportamento do tumor e a resposta do organismo. Nem todo câncer evolui da mesma maneira”, afirma o Dr. Rodrigo.

O impacto emocional do diagnóstico

Estudos mostram que pacientes com câncer avançado relatam preocupação com perda de autonomia, sofrimento emocional e impacto familiar. Mas também apontam que suporte social, acompanhamento multiprofissional e percepção de resposta ao tratamento podem melhorar a qualidade de vida durante o enfrentamento da doença.³,

“O acesso à informação correta ajuda a reduzir parte da ansiedade causada pela palavra metástase. Hoje a oncologia trabalha cada vez mais com controle da doença e preservação da qualidade de vida”, conclui o Dr. Rodrigo.

Conteúdo elaborado em agosto/2026

Texto: Juliana Stern, jornalista pós-graduada em Jornalismo Científico pelo Labjor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com experiência em reportagens de saúde, especialmente nos setores de oncologia, cardiologia e odontologia, além de passagens pela National Geographic Brasil e UOL.

Médico consultor: Dr. Rodrigo Coutinho Mariano (CRM 148.246) é médico oncologista com formação pela Faculdade de Medicina do ABC e especialização em clínica médica e oncologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Fez estágio em tumores geniturinários no Tom Baker Cancer Center (Canadá) e em tumores torácicos no MD Anderson Cancer Center (EUA). Atualmente, é coordenador do Programa de Residência Médica e Fellowship de Oncologia da Beneficência Portuguesa (BP) de São Paulo, onde atua na formação de novos especialistas e no avanço das práticas oncológicas.

Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Metástase [Internet]. 2022 [acesso em 11 ago 2026]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil/glossario/metastase
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Por que um câncer se espalha? Brasília: Ministério da Saúde; 2022 [acesso em 01 de agosto de 2026]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil/prevencao-ao-cancer/por-que-um-cancer-se-espalha
  3. Hansen C de AP, Nunes CR de O, Fernandes TAS. Qualidade de Vida de Pacientes com Câncer Avançado em Tratamento: Revisão e Síntese Qualitativa. Rev. Bras. Cancerol. 2024;70(4):e-094835.
  4. Ríos-Quezada María Jesús, Cruzat-Mandich Claudia. Percepción y significados asociados a la calidad de vida en pacientes hemato-oncológicos. Rev. chil. neuro-psiquiatr. 2015;53(4):261-268.
  5. Melo MT, Araujo MEO, Oliveira CALTM. Tratamento farmacológico e terapêutico da dor total em pacientes com câncer de mama metastático revisão narrativa sobre a importância da intervenção interdisciplinar. BrJP. 2024, v.7:e20240058