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Publicado em: 23 de dezembro de 2025
Assuntos abordados
As festas de fim de ano costumam ser marcadas por encontros, histórias compartilhadas e lembranças especiais, mas também podem despertar estresse, frustração ou tristeza.1
Para quem vive com Alzheimer ou outra forma de demência, esse período tende a intensificar a sensação de perda, já que as mudanças trazidas pela doença afetam diretamente a maneira de participar das celebrações.¹
Ao mesmo tempo, familiares e cuidadores podem se sentir pressionados a manter tradições enquanto seguem cuidando do paciente e garantindo sua segurança, o que aumenta a sensação de sobrecarga.¹
Por isso, falamos com o neurologista Dr. Antonio Damin (CRM 104274), especialista na doença, que separou algumas dicas de como aproveitar as festas sem prejudicar o bem-estar da pessoa com Alzheimer e o tempo com a família.
O Alzheimer é a forma mais comum de demência neurodegenerativa entre pessoas idosas e se desenvolve de maneira progressiva, comprometendo funções que antes faziam parte da rotina de forma natural.2-3 No Brasil, cerca de 1,2 milhão de pessoas vivem com algum tipo de demência, e aproximadamente 100 mil novos casos são diagnosticados todos os anos³.
A doença começa quando o processamento de determinadas proteínas do sistema nervoso central passa a funcionar de maneira inadequada, gerando fragmentos tóxicos que se acumulam dentro e entre os neurônios².
Esse acúmulo provoca a morte gradual das células nervosas em regiões essenciais do cérebro, como o hipocampo, responsável pela formação de novas memórias, e o córtex cerebral, área ligada à linguagem, raciocínio, reconhecimento de estímulos e pensamento abstrato².
Por isso, um dos primeiros sinais da doença é a perda da memória recente, enquanto parte das memórias mais antigas tende a permanecer preservada nos estágios iniciais, explica o Dr. Antonio. “Esse contraste entre lembrar o passado e esquecer conversas recentes costuma confundir a família e gerar frustração no paciente, especialmente em períodos cheios de rituais e lembranças, como as festas de fim de ano.”
Entre os sinais mais comuns estão a dificuldade para lembrar acontecimentos recentes, a repetição da mesma pergunta várias vezes e o esforço para acompanhar conversas ou pensamentos mais complexos. Também é frequente a perda da capacidade de planejar soluções, a dificuldade para dirigir ou reconhecer caminhos conhecidos e a busca por palavras que expressem ideias e sentimentos².
Alterações emocionais são outro aspecto marcante, incluindo irritabilidade, desconfiança injustificada, agressividade, passividade e interpretações equivocadas de estímulos visuais ou sonoros².
“Durante as festas, esse conjunto de sintomas pode se intensificar”, afirma o médico. Segundo ele, a memória recente fragilizada torna mais difícil entender a dinâmica da celebração, lembrar nomes de familiares ou reconhecer rituais conhecidos. Enquanto isso, “o excesso de estímulos e expectativas amplia o estresse tanto para o paciente quanto para a família, que se vê dividida entre manter tradições afetivas e adaptar cada momento para preservar o bem-estar de quem vive com Alzheimer.”
O médico recomenda algumas dicas para ter um fim de ano tranquilo e rico para o paciente e para a família:
As responsabilidades do cuidado somadas às demandas típicas de fim de ano podem afetar o bem-estar físico, mental e emocional do paciente e de seus cuidadores. Por isso, é fundamental reconhecer limites e evitar pressões desnecessárias.¹
Uma estratégia importante, de acordo com o neurologista, é organizar com antecedência, uma conversa entre familiares e amigos por telefone, chamada de vídeo, aplicativos de mensagens ou e-mail para discutir como serão as celebrações. Esse diálogo prévio ajuda todos a entender a situação de cuidado e as precauções de segurança adotadas para proteger a pessoa com Alzheimer.
Também é o momento ideal para comunicar o que é possível realizar e o que está além das capacidades do paciente e cuidador no momento, evitando frustrações e expectativas irreais¹.
Em alguns casos, essa conversa traz à tona um sentimento de perda, especialmente quando o cuidador percebe que não poderá cumprir papéis que sempre desempenhou nas festas, como preparar o prato principal ou organizar a reunião familiar. No entanto, essa mudança pode ser vista como uma oportunidade para que outro membro da família assuma a tarefa e dê início a uma nova tradição. Além disso, avisar antecipadamente sobre eventuais mudanças no comportamento ou nas habilidades da pessoa com demência ajuda todos a se prepararem emocionalmente para o encontro¹.
O Dr. Antonio enfatiza que, para o cuidador, dar a si mesmo a autorização para fazer apenas aquilo que é viável e seguro é essencial. “Isso pode significar encontros menores, celebrações mais simples ou, dependendo da situação, até a decisão de não realizar eventos naquele ano. Ninguém deve esperar que todas as tradições sejam mantidas a qualquer custo.”
Durante as festas de fim de ano, é comum que a programação da família fique mais intensa, mas para a pessoa com Alzheimer, essa mudança pode ser cansativa e gerar confusão. Por isso, a recomendação é manter tudo o mais simples e familiar possível⁴.
Atividades muito elaboradas ou uma agenda cheia tendem a sobrecarregar quem vive com demência, enquanto um dia mais calmo favorece o relaxamento e a sensação de segurança⁴.
Sempre que possível, manter uma rotina previsível é essencial para reduzir o risco de desorientação. Preservar horários habituais de refeições e oferecer esses momentos em ambientes já conhecidos contribui para limitar episódios de confusão⁴.
As tradições têm grande importância afetiva nas festas de fim de ano, mas para que sigam trazendo conforto à pessoa com Alzheimer, precisam ser ajustadas à sua realidade atual.4 Uma forma de manter esse vínculo, segundo o Dr. Antonio, é adaptar práticas antigas ou criar novas, priorizando atividades que o paciente ainda consegue realizar e que lhe trazem prazer. “Ouvir músicas preferidas, assistir a filmes tradicionais ou rever fotos de celebrações passadas são maneiras simples de preservar memórias afetivas.”
Se a pessoa com Alzheimer costuma participar de celebrações religiosas nessa época, por exemplo, mas não tem condições de comparecer presencialmente, alternativas como transmissões online ou serviços televisivos podem ajudar a preservar a tradição sem exigir deslocamentos ou exposição a ambientes movimentados⁴. “Essa adaptação mantém o vínculo afetivo com o ritual e oferece conforto emocional”, diz o médico
O mais importante é focar no que a pessoa pode fazer agora, evitando insistir em práticas que se tornaram difíceis ou estressantes.4 “É natural sentir tristeza pelas mudanças, especialmente nessa época, mas acolher esses sentimentos e buscar novas formas de celebrar pode tornar as festas mais tranquilas para toda a família”, conforta o médico.
A decoração costuma ser um dos símbolos mais marcantes das festas de fim de ano, mas para quem vive com Alzheimer, mudanças bruscas no ambiente podem causar desconforto ou desorientação, avisa o Dr. Antonio.
A recomendação do especialista é manter as ornamentações festivas, porém simples, escolhendo apenas alguns itens favoritos em vez de enfeites elaborados, com muitas luzes piscantes ou em grande quantidade. Introduzir as decorações aos poucos, ao longo de alguns dias, também ajuda a evitar estranhamento, já que a pessoa tem mais tempo para se adaptar às mudanças no espaço.
“Luzes piscando continuamente, objetos sonoros ou elementos muito chamativos podem sobrecarregar a percepção sensorial e gerar agitação. Além disso, quando o ambiente fica muito diferente do cotidiano, há maior risco de confusão e até de comportamento de deambulação, quando o paciente passa a andar sem objetivo claro devido à desorientação”, explica o neurologista.
O especialista enfatiza que, além do impacto emocional, há questões de segurança a considerar. Segundo ele, “enfeites frágeis podem se quebrar e formar fragmentos cortantes e adornos que lembram alimentos podem ser confundidos com comida, representando risco de sufocação ou problemas dentários”.
Quando há muitos convidados, é natural que o ambiente fique mais barulhento e estimulante. Criar um ambiente tranquilo, onde a pessoa possa se sentar confortavelmente e receber visitas em pequenos grupos ou individualmente, ajuda a tornar os encontros mais leves.4 “Sempre que possível, manter a rotina habitual na hora de planejar visitas ou celebrações evita desorientação, já que mudanças bruscas no dia a dia podem ser difíceis para quem tem demência”, informa o Dr. Antonio.
A segurança do ambiente também merece atenção.1 Segundo o médico, fios no chão, enfeites mal posicionados e objetos que possam provocar quedas devem ser evitados, pois alterações na visão, na percepção de profundidade e na maneira de caminhar aumentam o risco de acidentes.
As festas costumam trazer à tona histórias familiares, fotos antigas e lembranças compartilhadas, mas para a pessoa com Alzheimer, recordar não é simples.4 “Quando alguém pergunta diretamente se a pessoa se lembra de um acontecimento, a pressão da resposta pode gerar ansiedade ou frustração”, diz o neurologista.
Segundo ele, uma forma mais acolhedora de revisitar memórias é contar a história naturalmente, sem exigir que o paciente confirme ou recupere detalhes. “Assim, ele pode comentar, fazer perguntas ou apenas ouvir, participando do momento de maneira tranquila.”
Outro ponto importante é a alimentação. No Natal e no Ano Novo, é comum servir pratos fartos, mas para quem tem dificuldade para comer, uma porção grande pode ser intimidante⁴. “Se você estiver servindo a refeição, prefira não encher o prato. Ou então, ofereça alimentos em pequenos pedaços ou opções que possam ser seguradas com as mãos, facilitando a autonomia e reduzindo o estresse durante a refeição”, orienta o médico
Ao final, o que mais importa é criar um ambiente seguro, afetivo e realista, em que a pessoa com Alzheimer possa participar das festividades sem pressão ou sobrecarga.1-4 Como reforça o especialista, “é possível viver momentos significativos nas festas quando priorizamos conforto, respeito e conexão genuína com quem amamos.”
Conteúdo elaborado em dezembro/2025
Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.
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