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Câncer
Publicado em: 22 de maio de 2026
Enfrentar um câncer é uma jornada com inúmeros desafios. Após o diagnóstico, você se prepara para o tratamento, lê tudo o que pode, conversa com médicos, com sua família¹ e, ainda assim, algumas coisas podem te pegar completamente de surpresa.
Além dos desafios impostos pela doença, o tratamento em si pode apresentar obstáculos imprevistos, como potenciais efeitos colaterais. Embora a experiência de cada paciente seja única e imprevisível, o oncologista Dr. Rodrigo Coutinho Mariano (CRM 148.246) aponta que certos tratamentos vêm acompanhados de um guia com as expectativas mais comuns. Na radioterapia, por exemplo, fadiga e reações cutâneas são quase universais, ele diz.
No entanto, “alguns efeitos colaterais comuns não são listados na maioria dos conteúdos online e nem mesmo são abordados nas consultas médicas”, adverte Dr. Rodrigo.
O ressecamento nasal, por exemplo, raramente entra no radar, mas é um efeito colateral frequente na vida de quem está fazendo um tratamento com radioterapia para tumores de cabeça e pescoço.² Vamos entender o porquê.
A radioterapia é um tratamento que direciona raios X para a região do tumor a fim de destruir as células cancerígenas. Ela é um método que visa causar o máximo de dano ao tumor sem expor as células saudáveis à radiação. Ainda assim, a radiação pode afetar os tecidos saudáveis próximos, causando alguns danos e reações chamadas de efeitos colaterais.³
Os efeitos colaterais mais comuns da radioterapia são os que afetam a pele, como a descamação, escurecimento e vermelhidão, especialmente em região de dobras, como pescoço e virilha, e nos locais em que a radiação é aplicada. Mas outros efeitos podem ocorrer a depender da região irradiada, como fadiga, náuseas e vômitos, queda de cabelo, alterações urinárias e dificuldades de deglutição³.
Quando direcionada para a região da cabeça, a radioterapia pode afetar diretamente a mucosa nasal, ocasionando efeitos colaterais lacrimais e nasais – dentre eles, a perda de olfato4.
“Muitos pacientes relatam a perda do olfato durante o tratamento, mas poucos entendem o porquê. Assim como em um resfriado, quando a mucosa do nariz resseca, as terminações que identificam os cheiros ficam comprometidas. Além disso, a falta de hidratação também deixa a mucosa do nariz mais suscetível a irritações, desconfortos e até sangramentos”, explica o Dr. Rodrigo.
Esse efeito colateral, comum em pacientes submetidos à radioterapia para tumores de cabeça e pescoço, geralmente persiste durante o tratamento e melhora gradualmente após as sessões. O especialista ressalta, porém, que alguns pacientes podem, sim, sofrer perda permanente do olfato.
Além do olfato alterado, é possível identificar se você está sofrendo de mucosas ressecadas por alguns sintomas, que incluem dor, feridas nasais, coágulos sanguíneos e sangramentos4.
Para o Dr. Rodrigo, esses sintomas ocorrem em um número significativo de pacientes, mas não costumam ser relatados como efeitos colaterais do tratamento por serem confundidos com sintomas de outras doenças, como resfriados, algo que os pacientes oncológicos são muito suscetíveis pela baixa imunidade. “Sem o aviso do paciente, muitos profissionais de saúde também não fazem essa relação. Isso dificulta o controle desse efeito colateral e pode levar a danos permanentes na mucosa do nariz.”
Por isso, é importante saber reconhecer os sintomas do ressecamento nasal, que incluem4:
Ainda segundo o médico, por parecer um detalhe pequeno no meio de um tratamento tão complexo, esse efeito colateral nem sempre recebe os cuidados necessários, mas importantes. O ressecamento da mucosa nasal afeta a qualidade de vida do paciente. Por exemplo, pode levar a noites de sono mal dormidas, o que, por sua vez, traz consequências para a saúde física e mental, como dificuldade de concentração e irritabilidade5.
Para diminuir o desconforto, a pedida é manter o interior do nariz hidratado4. Abaixo, o especialista separou sete dicas para isso:
*Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.
Referências
1. American Cancer Society. Adjusting to Life with Cancer [Internet]. 2025. [Acesso em 23 dez. 2025]. Disponível em: http://cancer.org/cancer/survivorship/coping/adjusting-to-life-with-cancer.html
2. Riva G, Cravero E, Pizzo C, Briguglio M, Iorio GC, Cavallin C, Ostellino O, Airoldi M, Ricardi U, Pecorari G. Sinonasal Side Effects of Chemotherapy and/or Radiation Therapy for Head and Neck Cancer: A Literature Review. Cancers (Basel). 2022 May 7;14(9):2324.
3. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Radioterapia [Internet]. 2023. [Acesso em 23 dez. 2025]. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tratamento/radioterapia
4. Jonklaas J. Nasal Symptoms After Radioiodine Therapy: A Rarely Described Side Effect with Similar Frequency to Lacrimal Dysfunction. Thyroid. 2014 Dec;24(12):1806–14.
5. Scadding GK. Rhinitis and Sinusitis. Clinical Respiratory Medicine [Internet]. 2008;409–23. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7173501/
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