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Publicado em: 19 de julho de 2024
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O câncer é uma doença causada pela proliferação anormal de células que passaram por processos de mutação e se diferenciaram das que são consideradas “normais”. Esse processo pode acontecer em diversos órgãos e estruturas do corpo, incluindo os ossos.1
O câncer do osso pode ser subdividido em várias categorias, e uma delas é conhecida como “sarcoma”.2 É sobre eles que vamos falar neste guia completo: os sarcomas ósseos.
Portanto, continue a leitura para entender o que é câncer ósseo, sintomas, causas, prevenção, diagnóstico, principais tipos, entre outros fatores envolvendo a doença.
Como destacado no começo da nossa conversa, o câncer é uma doença caracterizada pelo crescimento descontrolado e anormal de células no corpo. Normalmente, as células crescem, se dividem e morrem conforme necessário para o funcionamento saudável do organismo.1
No entanto, no quadro de câncer, esse processo é perturbado, de modo que as células anormais se multiplicam sem controle e não morrem quando deveriam. À medida que ocorre essa multiplicação, elas podem prejudicar o funcionamento normal do corpo.1
É importante notar que o câncer é uma condição complexa e que há muitos tipos diferentes da doença, cada um com suas próprias características e formas de tratamento.1
Um sarcoma é um tipo de câncer que se origina em células mesenquimais3, como as dos vasos sanguíneos, tecidos conjuntivos e tecidos linfáticos.4 De modo geral, existem dois tipos principais da doença: sarcoma de tecido mole e sarcoma ósseo primário.3
Eles podem se apresentar de várias formas e podem exigir diferentes abordagens de estadiamento e tratamento, dependendo de sua localização e estágio.3
O sarcoma ósseo é um tipo raro de câncer que se origina nos ossos e nas cartilagens. Ele geralmente se apresenta como um caroço doloroso nos membros, sendo os locais mais comuns de desenvolvimento ao redor dos joelhos, nos punhos, nos ombros e na pelve.5
É importante destacar que o sarcoma ósseo difere do câncer ósseo secundário, que é o câncer que se espalha para os ossos após se desenvolver em outra parte do corpo.5
Agora, é hora de você entender mais sobre cada um dos tipos de sarcomas ósseos. Afinal, eles têm características diferentes, e parte do processo de conviver com o câncer envolve compreendê-lo. Confira!
O osteossarcoma é um tipo de sarcoma ósseo mais comum em crianças e adolescentes, embora também afete adultos mais velhos. Na maior parte das vezes, ele começa em áreas onde os ossos estão crescendo rapidamente, como perto do joelho, e pode se manifestar como um inchaço ou nódulo doloroso.6
O problema apresenta um padrão de distribuição de idade bimodal, o que significa que ocorre em dois picos distintos. O primeiro é observado em crianças e adolescentes, especialmente entre 10 e 14 anos, enquanto o segundo ocorre em adultos mais velhos, geralmente acima dos 65 anos.6
O diagnóstico precoce é fundamental para um melhor prognóstico. Felizmente, avanços nos tratamentos têm aumentado as taxas de sobrevivência. O tratamento costuma envolver uma combinação de cirurgia para remover o tumor, quimioterapia e, em alguns casos, radioterapia.6
O condrossarcoma é um tipo de câncer que se desenvolve a partir do tecido cartilaginoso. Ele representa cerca de 20% de todos os tumores malignos primários dos ossos. Geralmente, ocorre na pelve ou nos ossos longos, como fêmur ou úmero.7
Existem dois tipos principais de condrossarcoma: o primário, que surge em um osso normal preexistente, e o secundário, que se desenvolve em uma condição óssea preexistente, como um osteocondroma e um encondroma.7
O condrossarcoma primário é subdividido principalmente em três subgrupos: central, periosteal e periférico. A forma mais comum é o condrossarcoma central, que representa a maioria dos casos.7
Além desses tipos, existem variantes menos comuns de condrossarcoma, como o condrossarcoma de células claras, o condrossarcoma mesenquimal e o condrossarcoma desdiferenciado.7
O sarcoma de Ewing é um tumor agressivo que afeta principalmente adolescentes e adultos jovens, representando de 10% a 15% de todos os sarcomas ósseos.8
Os locais mais comumente afetados incluem a pelve, outras estruturas do esqueleto axial e o fêmur. No entanto, pode ocorrer em quase qualquer osso ou tecido mole. Tipicamente, os pacientes apresentam dor e inchaço sobre o local de envolvimento.8
Nos últimos 40 anos, tanto a terapia local quanto a quimioterapia adjuvante com múltiplos agentes alcançaram considerável progresso no tratamento da doença localizada, mas a taxa de recorrência permanece alta.8
Um dos sinais mais comuns do câncer ósseo é uma dor persistente nos ossos, que tende a piorar com o tempo e muitas vezes se intensifica durante a noite. Essa dor pode não ser aliviada com analgésicos comuns e afetar a qualidade do sono.2
Além da dor, nota-se inchaço e vermelhidão sobre o osso afetado. Essa inflamação pode dificultar o movimento, especialmente se o osso estiver próximo a uma articulação importante, como o joelho ou o ombro.2 Às vezes, pode até haver um nódulo perceptível, uma espécie de protuberância sobre o osso que parece diferente do normal.2
Outro sinal a ser observado é a fragilidade óssea. Se um osso se torna significativamente mais fraco do que o normal, fica sujeito a quebrar mesmo com pequenos impactos ou movimentos rotineiros. Isso pode levar a fraturas frequentes e afetar sua capacidade de se movimentar com facilidade.2
Diagnosticar um sarcoma ósseo pode ser desafiador, mas há uma série de métodos e testes disponíveis para ajudar os médicos a chegarem às respostas necessárias. Continue a leitura para conferir algumas das estratégias mais utilizadas nesse contexto!
Tudo começa com uma revisão completa do histórico médico do paciente para entender melhor os sintomas apresentados.9 Depois, um exame físico pode fornecer pistas sobre a presença de um tumor, como a detecção de uma massa anormal.9
Caso algo anormal seja detectado, o médico especialista solicitará exames de imagem a fim de entender mais sobre o problema. Geralmente, as radiografias (raios-X) são o primeiro teste realizado para investigar uma área suspeita no osso. Podem revelar áreas anormais que sugiram um tumor ósseo.9
Em seguida, é possível partir para testes como a ressonância magnética, a tomografia computadorizada e a cintilografia óssea. A primeira cria imagens detalhadas do interior do corpo, incluindo a medula óssea e os tecidos moles ao redor do tumor.9
A tomografia, por sua vez, produz imagens transversais detalhadas do corpo e pode ser útil para detectar metástases e avaliar a extensão do tumor. Já a cintilografia mostra áreas de atividade óssea anormal, o que pode sugerir a presença de câncer nos ossos.9
Se há a presença de um tumor ou de anormalidades na região dos ossos, a biópsia é o próximo passo. Também conhecida como exame histopatológico, ela é o método definitivo para diagnosticar um sarcoma ósseo e envolve a remoção de uma amostra de tecido ou células para exame microscópico.9
Existem diferentes tipos de biópsias, incluindo a biópsia por agulha e a biópsia cirúrgica. O tipo de exame a ser realizado depende da localização e do tamanho do tumor.9
Após a biópsia, as amostras são enviadas a um patologista para análise microscópica. Além de identificarem células cancerígenas, os testes de laboratório podem determinar o tipo exato de sarcoma e sua agressividade.9
Compreender os estágios do câncer ósseo é essencial para determinar o tratamento mais adequado e entender a gravidade da doença. Existem dois principais sistemas de classificação de estágio para descrever o câncer ósseo.10 Confira a seguir!
Esse sistema é baseado em três informações-chave:
Assim, é feita uma combinação das categorias para que o estadiamento seja alcançado. Ao final, elas resultam em um estágio geral de I a III.10
Já esse sistema é baseado em quatro pontos de destaque:
As categorias T, N, M e G são combinadas para formar um estágio geral, que varia de I a IV.10
Por fim, vale lembrar que esses estágios são gerais. Alguns tipos diferentes de câncer ósseo terão outras formas de estadiamento. Por isso, é importante tirar suas dúvidas diretamente com seu médico.10
Agora, é hora de entender como é o tratamento para tumores ósseos e se câncer nos ossos tem cura. Muitas vezes, as opções podem ser combinadas, e é importante que você discuta suas opções com a equipe responsável pelo seu caso.11 Vamos lá?
A cirurgia para tumores ósseos é uma parte importante do tratamento, especialmente quando falamos de doença localizada e até mesmo do diagnóstico. Afinal, como vimos, ela pode ser utilizada para a coleta de material para a biópsia do paciente.11
Durante a cirurgia, é removido tecido além da dimensão tumoral, a fim de avaliar se as margens (bordas externas) contêm células cancerosas que poderiam se espalhar para outras partes do corpo.11
Há vários tipos de procedimentos cirúrgicos para esses quadros. O primeiro deles é a cirurgia de salvamento de membros, que tem como objetivo a remoção do tumor, mas com preservação da região afetada.11
Nessa cirurgia, o tumor é removido com parte do osso afetado e tecido circundante. Em seguida, o osso pode ser substituído por um enxerto ósseo ou uma endoprótese, que é um dispositivo feito de metal e outros materiais.11
O segundo tipo é a amputação, mais conhecida. Ela é utilizada quando não há a possibilidade de realização de enxerto ou de salvar o membro afetado. Nesses casos, a estrutura é removida em conjunto com o osso, por completo ou apenas parte do membro.11
Em certas partes do corpo, as cirurgias representam grandes desafios para a equipe. Na pelve, por exemplo, a quimioterapia pode ser feita antes para tentar reduzir o tumor. Já no caso da mandíbula, pode ser necessária a reconstrução para preservar a função da estrutura.11
Vale mencionar também o processo de reabilitação dessas cirurgias. A amputação costuma ter um pós-operatório mais simples e, em muitos casos, é necessária fisioterapia intensiva para restaurar as funções muscular e articular.11
Sendo assim, complicações podem acontecer, e é essencial que os pacientes estejam bem informados sobre os cuidados que devem tomar no período pós-operatório.11
A radioterapia é um tratamento que utiliza radiação ou partículas de alta energia para destruir as células cancerosas. No entanto, para a maioria dos tipos de câncer ósseo, essas células anormais não são facilmente eliminadas pela radiação, já que são necessárias doses elevadas.12
Isso pode causar danos aos tecidos saudáveis circundantes, incluindo estruturas importantes, como nervos e vasos sanguíneos. Por essa razão, a radioterapia não é usada como tratamento principal para a maioria dos tumores ósseos12, mas pode ajudar, especialmente nos casos de impossibilidade de cirurgia por causa do local.11
O primeiro tipo de radioterapia é a de feixe externo, em que a radiação é aplicada de fora do corpo e focada no câncer. Antes do tratamento, são feitas medições detalhadas da área a ser tratada com testes de imagem, como ressonância magnética, para determinar os ângulos corretos para direcionar os feixes de radiação e a dose adequada.12 Geralmente são necessárias várias sessões, e cada uma dura apenas alguns minutos.12
Existem ainda outros tipos de radioterapia, como a de intensidade modulada. Ela utiliza um programa de computador para moldar e direcionar os feixes de radiação em vários ângulos, ajustando a intensidade dos feixes para reduzir os danos aos tecidos normais circundantes.12
Além dessa, há a radiocirurgia estereotáxica e a com feixe de prótons. A primeira permite a administração de uma dose alta de radiação em uma pequena área do tumor, normalmente em uma única sessão. A segunda, por sua vez, acaba causando menos danos aos tecidos normais circundantes do que os outros raios.12
A radioterapia pode ser usada após a cirurgia, na tentativa de eliminar quaisquer células cancerosas que tenham sido deixadas para trás depois da remoção do tumor. Nos casos em que o procedimento cirúrgico não pode acontecer, a radioterapia também é uma opção de tratamento.12
A curto prazo, a depender do local da radioterapia, os possíveis efeitos colaterais do tratamento de câncer ósseo com uso de radiação são:
A longo prazo, eles podem incluir danos a órgãos adjacentes, como pulmões, coração, glândulas salivares, nervos e vasos sanguíneos. Também há preocupação com o desenvolvimento de um novo câncer na área tratada, embora o risco geral seja pequeno.12
Outro tipo de tratamento de câncer ósseo é a quimioterapia. Ela envolve a aplicação de medicamentos, normalmente na veia, para que alcancem e destruam as células cancerosas em qualquer parte do corpo.13 Sendo assim, é uma estratégia mais útil para lidar com cânceres que se espalharam para outras áreas do corpo.13
Existem vários medicamentos para uso nesse procedimento, o que vai depender do tipo de câncer que acomete o paciente. Além disso, é comum que eles sejam combinados para uma ação ainda melhor da quimioterapia.13
De modo geral, os efeitos adversos das aplicações incluem:
Além disso, a quimioterapia pode danificar a medula óssea, onde são produzidas as células sanguíneas, provocando redução de suas taxas de células brancas e vermelhas.13 As possíveis consequências disso são:
As causas exatas do câncer ósseo muitas vezes não são conhecidas, mas certos fatores podem aumentar a chance de desenvolvê-lo.14 Continue para conhecer algumas delas!
A exposição à radiação anteriormente, como parte de um tratamento para outra condição médica, pode aumentar o risco de desenvolver câncer ósseo.12,14
Certas condições ósseas, como a doença de Paget, podem aumentar o risco de desenvolver câncer ósseo.14
Algumas condições genéticas raras, como a síndrome de Li-Fraumeni, estão associadas a um maior risco de câncer ósseo.14
Condições médicas como retinoblastoma (um tipo de câncer ocular) e exposição prévia a alguns quimioterápicos, como os agentes alquilante foram associadas a um aumento do risco de desenvolver câncer ósseo.14
Não é possível prevenir completamente o sarcoma ósseo, especialmente porque a maioria dos fatores de risco conhecidos, como idade, certas doenças ósseas e condições genéticas, não podem ser modificados.15
Além disso, há pouca correlação com o estilo de vida ou ao ambiente conhecidos para os sarcomas ósseos, exceto a exposição à radiação.15
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Referências:
1. American Cancer Society. What is Cancer? 2022 Disponível em: https://www.cancer.org/cancer/understanding-cancer/what-is-cancer.html. Acesso em: 16 maio 2024.
2. NHS. Overview – Bone cancer. 2024. Disponível em: https://www.nhs.uk/conditions/bone-cancer/. Acesso em: 16 maio 2024.
3. Skubitz KM, D’Adamo DR. Sarcoma. Mayo Clin Proc. 2007 Nov;82(11):1409-32
4. National Cancer Institute. Mesenchymal. Disponível em: https://www.cancer.gov/publications/dictionaries/cancer-terms/def/mesenchymal. Acesso em: 16 maio 2024.
5. Australia and New Zealand Sarcoma Association. Bone Sarcoma. Disponível em: https://sarcoma.org.au/pages/about-sarcoma/bone-sarcoma. Acesso em: 16 maio 2024.
6. Prater S, McKeon B. Osteosarcoma. 2023. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2024 Jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK549868 . Acesso em: 16 maio 2024.
7. Limaiem F, Davis DD, Sticco KL. Chondrosarcoma. 2023. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2024 Jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK538132 . Acesso em: 16 maio 2024.
8. Durer S, Gasalberti DP, Shaikh H. Ewing Sarcoma. 2024. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2024 Jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK559183 . Acesso em: 16 maio 2024.
9. American Cancer Society. Testing for Bone Cancer. 2021. Disponível em: https://www.cancer.org/cancer/types/bone-cancer/detection-diagnosis-staging/how-diagnosed.html. Acesso em: 16 maio 2024.
10. American Cancer Society. Stages of Bone Cancer. 2021 Disponível em: https://www.cancer.org/cancer/types/bone-cancer/detection-diagnosis-staging/staging.html. Acesso em: 16 maio 2024.
11. American Cancer Society. Surgery for Bone Cancer. 2021. Disponível em: https://www.cancer.org/cancer/types/bone-cancer/treating/surgery.html. Acesso em: 16 maio 2024.
12. American Cancer Society. Radiation Therapy for Bone Cancer. 2021 Disponível em: https://www.cancer.org/cancer/types/bone-cancer/treating/radiation.html. Acesso em: 16 maio 2024.
13. American Cancer Society. Chemotherapy for Bone Cancer. 2021. Disponível em: https://www.cancer.org/cancer/types/bone-cancer/treating/chemotherapy.html. Acesso em: 16 maio 2024.
14. NHS. Bone cancer – Causes. 2024 Disponível em: https://www.nhs.uk/conditions/bone-cancer/causes/. Acesso em: 16 maio 2024.
15. American Cancer Society. Can Bone Cancer Be Prevented? 2021. Disponível em: https://www.cancer.org/cancer/types/bone-cancer/causes-risks-prevention/prevented.html. Acesso em: 16 maio 2024.
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