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Publicado em: 8 de fevereiro de 2024
Assuntos abordados
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Dor. Uma só palavra, tantas percepções. Não há ninguém que não saiba qual é essa sensação. Bom, na verdade, há sim. Existem algumas pessoas que lidam com um problema conhecido como insensibilidade congênita à dor, que faz com que elas sejam incapazes de senti-la.1
No entanto, vamos ser sinceros: é bem improvável que você faça parte desse grupo de pessoas, que são extremamente raras.1 Por isso, acreditamos que apareceu por aqui para entender mais sobre essa sensação tão desagradável.
E veio ao lugar certo! Ao longo da nossa conversa, vamos falar sobre dor. O que é a dor, quais são as suas causas, como lidar com esse tipo de problema e quais são os tipos mais frequentes. Continue a leitura e tire as suas dúvidas!
De acordo com a Sociedade Brasileira para Estudo da Dor, esse conceito pode ser definido como uma experiência emocional e sensitiva desagradável relacionada ou associada à lesão potencial ou real dos tecidos do corpo. Cada indivíduo aprende a utilizar esse termo pelas suas experiências anteriores.2
Ela é causada por reações sentidas em nossas células nervosas a partir da ação de neurotransmissores, como resposta a um trauma, machucado ou doença. Além disso, tem relação com o processo de inflamação.3 Pode ser externa ou interna e, ainda, caracterizada como aguda ou crônica.3,4 Veja mais sobre isso a seguir!
Dores crônicas são categorizadas como um problema de longa duração.4 De modo geral, ela é vista como uma condição incapacitante, que prejudica a vida pessoal dos acometidos e traz grandes prejuízos para o bem-estar físico. Dentre as áreas que podem ser afetadas, temos o trabalho, as relações sociais e o lazer.5
A dor aguda, por outro lado, é causada por um problema pontual. Por exemplo: quando batemos o mindinho na quina da mesa, temos uma dor aguda. Ela tem uma duração mais curta e, embora seja desconfortável, não costuma afetar a qualidade de vida dos pacientes a longo prazo.3
De modo geral, a dor é um sintoma de que algo está errado com o organismo. No entanto, também pode ser chamada de doença, quando se apresenta de forma crônica e acaba impactando a qualidade de vida do paciente a longo prazo.4
Agora que já entendemos a diferença entre dores crônicas e agudas, é hora de descobrirmos como ela funciona e acontece.
Tudo se inicia nos receptores de dor que ficam nas extremidades dos nervos, que, como o próprio nome indica, recebem a sinalização da dor. Essa mensagem pode ser repassada de várias formas. Por exemplo: quando batemos uma parte do corpo, nossos nervos enviam a mensagem ao cérebro. Além disso, substâncias químicas, como os hormônios, também podem participar desse processo, ativando os neuroreceptores.3
Dores mais intensas ativam mais neuroreceptores, enquanto as mais leves, ativam menos. Ou seja: a intensidade vai depender da quantidade de células “excitadas” pelo agente causador da sensação.3
Confira, agora, os principais tipos de dor e as características de cada um deles.
A dor funcional, também conhecida como nociplástica, é a dor que surge sem alguma razão aparente.6 Ela é causada por uma grande variedade de alterações na percepção dolorosa, fazendo com que a sensação possa irradiar e estar presente em vários lugares ao mesmo tempo. É comum em problemas como a fibromialgia e outras dores crônicas.7
Nesse caso, há uma lesão perceptível que causa a sensação de dor no paciente. É uma dor voltada à resposta inflamatória, ou seja, que acontece por conta da reação do organismo na tentativa de “recuperar” o machucado. Um bom exemplo para isso é o que acontece quando tiramos a mão do fogo após queimá-la, mas só sentimos a dor alguns segundos depois.6,7
Outro tipo de dor nociceptiva é, como dissemos, a dor inflamatória. Aqui, há uma lesão um pouco mais duradoura, que faz com que o corpo mande “recursos” constantes para aliviá-la. Exemplo: um dente inflamado, que faz com que aconteça aquela dor pulsante e persistente, denotando a presença de inflamação.8
Aqui, temos uma dor que está diretamente associada à presença de lesões no tecido nervoso responsável pela condução da dor. Um exemplo bem comum é a neuropatia diabética, uma complicação infelizmente muito comum entre as pessoas que lidam com a diabetes. Um dos principais sintomas dessa sensação é a dor quando a pessoa tenta se movimentar.8
Por fim, temos a dor somática. Ela é muito frequente em pacientes que lidam com cânceres metastáticos, especialmente aqueles que afetam tecidos como os ossos. Ela é caracterizada por ser bem localizada, raramente irradiando para outros pontos.9
O ciclo da dor é o nome dado ao processo de construção da sensação dolorosa. Ele se inicia com o agente causador do problema, que pode ser uma doença, um trauma ou uma inflamação.10
A partir daí, o ciclo é ativado a partir de processos bem particulares que, juntos, fazem com que a pessoa sinta a dor.10 A seguir, falaremos sobre cada uma das etapas envolvidas nesse contexto!
Vamos conhecer um pouco mais sobre o assunto? A seguir, fique com os estágios do ciclo da dor!
Tudo começa com a transdução. Aqui, o estímulo (seja ele externo ou causado por um processo químico, por exemplo) é traduzido em uma mensagem que será levada dos nervos até o sistema nervoso central.11 É como um: ei, pessoal, olhem o que está acontecendo aqui!
O segundo passo é conhecido como condução. Nele, acontece a movimentação da mensagem desde o ponto onde foi criada.10
A transmissão acontece quando a mensagem chega aos neurônios. Lá, eles vão obter o recado de forma traduzida e fazer o processo para traduzi-lo novamente, desta vez de modo a fazer com que a pessoa tenha essa percepção.10,11
Na percepção, temos o momento em que o paciente percebe a dor. É a hora que a mensagem é lida pelo sistema nervoso central, fazendo com que a sensação seja criada no cérebro.10,11
Por fim, o nosso próprio corpo tem um mecanismo que visa tentar lidar com a dor que está sentindo, chamado de modulação. Aqui, o sistema nervoso busca formas de aliviar a sensação a partir do envio de substâncias que buscam aplacar a excitação dos neuroreceptores. Boa parte dos analgésicos age nesse momento!11
Confira, a seguir, os problemas de saúde que causam dor:
Hérnia de disco
A hérnia de disco é, sem dúvidas, um dos problemas mais famosos por causar dor intensa. Ela é causada por um “deslocamento” de estruturas no espaço entre as vértebras. Essa sensação de dor ocorre na região das costas, podendo irradiar para as pernas.12
De modo geral, a dor sentida é semelhante a uma queimação ou à sensação de “pontadas” muito fortes nas costas. Em casos mais graves, pode estar acompanhada de fraqueza nas pernas, além da perda de sensibilidade em toda a região.12
A dor do ataque cardíaco é uma das mais conhecidas, e não é para menos: ela é bem forte. Ela se apresenta como um desconforto de grandes proporções na região do peito, como uma pressão.13
Na maioria dos casos, a dor pode irradiar para a região do braço, atingindo também pescoço, costas e mandíbula. Por causa da sua intensidade, é associada também à falta de ar e dificuldade para respirar. Há alguns casos em que a dor também se manifesta na região abdominal.13
Herpes zoster é um problema mais comum em pessoas adultas e idosas, ocasionado pela presença de um vírus (o mesmo que causa a catapora). Uma de suas consequências é a neuralgia pós-herpética.14
Esse tipo de dor é localizada e muito intensa, causando vários prejuízos para a vida das pessoas acometidas. Alguns exemplos são problemas no sono, ansiedade e depressão e uma queda considerável na sensação de prazer pela vida e suas atividades, que ficam comprometidas.14
O câncer nem sempre é uma doença dolorosa. Tudo dependerá do estágio do problema, de sua localização, se há ou não metástases e vários outros fatores que podem interferir nesse cenário.15
No entanto, a dor é, sim, um sintoma frequente entre esses pacientes, afetando entre 40% a 70% deles. É um fenômeno que abrange fatores físicos complexos e que, também, tem uma grande interferência da questão psicológica.16
Artrite é o nome dado a uma série de condições que resultam em dor, inflamação e desconforto nas articulações. Pode ser uma osteoartrite ou, ainda, uma artrite reumatoide (doença autoimune).17
A dor causada por esse problema também é muito forte, incapacitante e crônica. Aqui, há uma queda importante na qualidade de vida das pessoas afetadas, com diminuição da movimentação e da realização de atividades cotidianas.18
O nervo ciático é uma estrutura posicionada na parte inferior do nosso corpo, iniciando na região dos quadris e indo até os pés. É, portanto, o maior nervo do corpo humano. Quando ele fica inflamado ou quando uma hérnia de disco o afeta, a dor sentida é muito intensa.19
Imagine: os nervos são responsáveis por captar a dor e enviar a mensagem para o cérebro, como vimos anteriormente. Nesse caso, a estrutura é constantemente estimulada diretamente, fazendo com que os recados nunca parem de chegar.19
A anemia falciforme é um problema genético causado por uma anormalidade no formato das células sanguíneas. Essa condição pode trazer várias consequências para a saúde da pessoa acometida, inclusive as dores de cabeça.20
No caso, as pessoas mais afetadas são as crianças. Muitas delas costumam se queixar de dores bastante intensas, que prejudicam a qualidade de vida e fazem com que atividades corriqueiras sejam comprometidas.20
O ombro congelado é uma condição conhecida há muitos anos, mas que ainda é um grande mistério para a Medicina. Ela é gerada por uma espécie de dor inflamatória na região dos ombros e é mais comum entre pessoas diabéticas.21
A dor é incapacitante, fazendo com que dormir do lado afetado seja uma tarefa impossível. Ainda, há o problema de que, algumas vezes, a pessoa pode ter os dois ombros acometidos pela dor, o que complica ainda mais o seu quadro.21
A síndrome de dor regional complexa (SDRC) é uma condição de dor crônica que costuma afetar as extremidades. Ela pode ser dividida em dois tipos, sendo o primeiro associado à ausência de lesões nos nervos e o segundo quando elas estão presentes.22
Suas causas são, na maioria das vezes, a presença de algum trauma na região afetada ou a consequência de um pós-operatório. Quando é diagnosticada precocemente, tem maiores chances de controle.22
Há quem ache que, para lidar com a enxaqueca, é só tomar um remedinho e pronto. Na verdade, as coisas não são bem assim. Há casos de dores de cabeça que passam com medicação simples, mas outros que são incapacitantes e geram muita perda na qualidade de vida.23
Esse é o caso das enxaquecas. Elas podem estar associadas a muitos fatores (desde estresse até a sensibilidade a luzes e sons) e, por vezes, são tão intensas que impedem as pessoas de fazerem suas atividades, gerando consequências como vômitos e mal-estar intenso.23
Outra dor muito conhecida é, infelizmente, a causada pelas pedras nos rins. Os cálculos nesse órgão são responsáveis por desencadear uma resposta dolorosa muito intensa, especialmente a chamada “cólica renal”.24
Além disso, o paciente pode sentir dores nas costas, nas pernas, apresentar vômitos e ter outros tipos de dor, como aquela que prejudica o ato de urinar e o torna complicado.24
A apendicite é um problema caracterizado pela inflamação do apêndice, um órgão anexo do sistema gastrointestinal. Sua dor é bem famosa e o único tratamento disponível é a realização de uma cirurgia para a remoção da estrutura.25
No caso da apendicite, a dor normalmente se inicia como um desconforto generalizado na região próxima ao umbigo. À medida que a inflamação progride, a dor tende a passar a se concentrar no lado direito do corpo.25
O trigêmeo é um nervo localizado em nosso rosto, que faz ligação direta com várias estruturas da região. Essa dor é, sem dúvida, uma das piores que existe, sendo extremamente incapacitante.26
A dor é caracterizada por crises de dor em choque que acabam impedindo que o paciente acometido dê continuidade às suas tarefas. No meio tempo entre os episódios, não é comum que ele sinta qualquer tipo de desconforto.26
Os problemas que afetam o pâncreas tendem a ser silenciosos, mas isso não significa que sejam assintomáticos. A pancreatite, nome dado à inflamação desse órgão, é um bom exemplo de como pode existir dor nessa região.27
Os pacientes afetados pela pancreatite costumam relatar que a dor é insuportável e constante, o que é um grande desafio para os médicos controlar esse sintoma durante o tratamento.27
A dor na endometriose é outro problema que não pode deixar de ser mencionado. Essa doença acontece quando há o surgimento de lesões endometriais fora da cavidade uterina.28
Assim, essa anormalidade gera uma resposta inflamatória intensa pelo nosso corpo, que identifica aquela lesão como algo que não deveria estar ali. Nesse caso, há uma dor pélvica crônica e extremamente incapacitante, que prejudica a qualidade de vida das mulheres afetadas.28
Úlcera é o nome dado às lesões que causam uma “abertura” em algum tecido, como a pele ou a mucosa. No caso, estamos nos referindo às úlceras que afetam a mucosa estomacal, gerando muita dor.29
É uma dor crônica, que pode ser causada pela presença de bactérias, uso de algumas medicações, estresse e vários outros tipos de problema.29
Caracterizada justamente pela dor generalizada, a fibromialgia é um dos problemas que recebe o título de piores dores do mundo. É um problema muito complexo e que ainda não tem as suas causas bem definidas.30
O seu diagnóstico é feito pela avaliação médica e por eliminação de outras possíveis causas, já que não há exames que comprovem a sua presença. O tratamento é composto pela união de várias estratégias, que vão desde o uso de medicamentos à mudanças no estilo de vida.30
Quando passamos por algum tipo de procedimento cirúrgico, é comum que a dor seja um sintoma que pode estar presente. No entanto, não devemos normalizar o fato de senti-la por muito tempo ou em uma intensidade incapacitante.31
Cabe aos profissionais prescreverem as doses corretas de medicação e o intervalo ideal para tomá-las, a fim de contornar esse sintoma e fazer com que a recuperação seja o mais tranquila possível.31
Outra dor muito intensa é a de ossos quebrados. Embora essas estruturas não sejam necessariamente inervadas, há nervos que passam pela região dos ossos, inclusive por dentro deles.32
Quando a fratura acontece, esses nervos são prejudicados e podem gerar uma resposta muito intensa à dor, enviando muitas mensagens para o cérebro (lembra que a intensidade da dor depende da quantidade de “recados” enviados?). Além disso, é possível que as pessoas desenvolvam dores crônicas após a quebra do osso.32
Nem sempre é possível evitar a dor. Ela pode surgir a partir de muitos fatores, como é o caso de doenças, traumas, acidentes e outros. No entanto, há estratégias que podem ser utilizadas para reduzir os quadros de dor e, em alguns casos, evitar que eles aconteçam. Elas são:33-35
No entanto, caso você esteja lidando com algum tipo de dor, é importante buscar apoio médico. Você não está sozinho! Entender a origem da sua sensação é o melhor caminho para buscar alternativas para resolver essa questão.
Algumas das possíveis formas de tratar a dor são:36- 39
Falar sobre dor é algo muito delicado. Afinal, estamos abordando um assunto importante e que impacta, de forma negativa, a vida de milhões de pessoas ao redor do mundo. Agora que você já sabe mais sobre o assunto, vá atrás de uma avaliação médica para que se encontre um bom tratamento para o seu problema ou ajude alguém que lida com isso no dia a dia!
E para se manter informado ou informada sobre assuntos relacionados à saúde, bem-estar e qualidade de vida, confira outras publicações do blog Vida Plena e aprenda a cuidar melhor de si mesmo e de toda a sua família!
Fontes consultadas
Elaborado dia 22/06/2023
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