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Publicado em: 20 de maio de 2025
Quem sofre com alergias respiratórias sabe o quanto os sintomas podem ser incômodos. Nariz entupido, espirros frequentes e irritação nas vias respiratórias podem atrapalhar a rotina e impactar na qualidade de vida.1 Esses desconfortos costumam se intensificar devido a fatores ambientais, como a poluição do ar.2
E por falar em qualidade do ar, você sabia que ela é diretamente influenciada pelo clima? Temperatura, umidade e velocidade dos ventos desempenham um papel fundamental no comportamento dos poluentes na atmosfera, determinando sua dispersão ou concentração em determinadas regiões.2
Com as mudanças climáticas que vêm ocorrendo, esses efeitos se tornam ainda mais evidentes.2 Estudos indicam que, desde o início da industrialização até os dias atuais, houve um aumento significativo na quantidade de poluentes no ar,2 o que pode agravar alergias respiratórias e comprometer a saúde pulmonar.2
Diante desse cenário, adotar medidas simples para aliviar os sintomas é essencial e o cuidado nasal é um dos principais aliados para garantir sua saúde e conforto respiratório.1 Confira a seguir!
A relação entre as mudanças climáticas, poluição do ar, transporte de alérgenos na atmosfera e a incidência de doenças respiratórias alérgicas é bastante complexa e vem sendo cada vez mais estudada.3
De forma simplificada, o aumento da temperatura e de eventos climáticos extremos decorrentes das alterações no clima contribuem para o aumento da poluição do ar e da exposição das pessoas a alérgenos.3,4
Esses fatores, combinados, impactam direta e indiretamente na saúde humana, agravando doenças respiratórias alérgicas2, como asma, rinite alérgica e bronquite crônica.
Além disso, estudos recentes indicam que a poluição do ar pode estar associada ao desenvolvimento de outras condições, como diabetes, doenças reumáticas e neurodegenerativas.2
Tanto calor como frio intensos, assim como as mudanças bruscas de temperatura, afetam negativamente as doenças respiratórias, especialmente a asma.3
Um fator relevante é o aumento do uso do ar-condicionado durante as ondas de calor. O choque térmico provocado pela transição rápida entre ambientes climatizados e o calor externo pode desencadear crises asmáticas, devido à broncoconstrição, um estreitamento das vias aéreas que dificulta a respiração.3
As mudanças climáticas também estão relacionadas ao aumento da concentração de poluentes e alérgenos na atmosfera.2,4
A exposição ao material particulado e ao ozônio, por exemplo, pode aumentar a permeabilidade do trato respiratório, facilitando a entrada de alérgenos e intensificando a resposta inflamatória em indivíduos sensíveis.4
O ozônio, particularmente, é formado próximo à superfície como resultado da reação entre compostos atmosféricos e a luz solar. Isso significa que, em dias quentes e ensolarados, esse poluente se torna mais abundante.4
Outro fator preocupante é a elevação dos níveis de dióxido de carbono (CO₂), que pode irritar as mucosas das vias respiratórias e influenciar a dispersão de alérgenos como o pólen.4
Os níveis elevados de CO₂ no ar estimulam o crescimento acelerado das plantas, aumentando a floração e, consequentemente, a produção de pólen; um dos principais desencadeadores de crises alérgicas.4
Com o aquecimento global, tempestades se tornaram mais intensas e frequentes em diversas regiões do mundo. O aumento da umidade favorece o crescimento do mofo e a dispersão de esporos de fungos no ar, exacerbando as crises alérgicas.4
Um exemplo notável é a chamada asma de tempestade, um evento que ocorre durante as temporadas de pólen. As evidências sugerem que as tempestades concentram os grãos de pólen nas superfícies, além de fragmentá-los em partículas menores e mais facilmente inaláveis, provocando crises asmáticas.3
Além disso, as mudanças climáticas também aumentam a frequência de inundações devido às chuvas intensas e à elevação do nível do mar.3 Como consequência, a umidade dentro das casas aumenta, favorecendo o crescimento de microrganismos e mofo.3
A alta concentração dos esporos de fungos no ar está associada ao aumento dos casos de asma, além de contribuir para a piora dos sintomas em pessoas que já convivem com a doença.4
Utilizada há muito tempo no tratamento e prevenção de doenças alérgicas e não alérgicas que afetam as vias aéreas superiores, a lavagem nasal é um procedimento seguro e que pode ser usado em todas as faixas etárias.1
Consiste na irrigação da cavidade nasal com uma solução isotônica (0,9%) ou hipertônica (1,5-3%)1,5 Atua de forma mecânica na limpeza das narinas, removendo impurezas e alérgenos.5 Além de eliminar partículas irritantes, a solução isotônica reduz significativamente a concentração de microrganismos no nariz, diminuindo a exposição a potenciais alérgenos.5
Soluções enriquecidas com íons como magnésio, zinco, potássio e bicarbonato apresentam benefícios adicionais, ao auxiliarem na manutenção da integridade das células do revestimento interno do nariz, contribuindo para a redução da inflamação.5
Para garantir maior eficácia, recomenda-se o uso de pelo menos 100 mL da solução em baixa pressão. Esse método é mais eficiente do que a irrigação com baixo volume e alta pressão, bem como nebulizações e sprays nasais.5 No entanto, é recomendada a aplicação em gotas ou spray para bebês e crianças pequenas.6
Em climas secos, ambientes climatizados artificialmente ou regiões com altos índices de poluição, onde a umidade relativa do ar é inferior à recomendada, a lavagem nasal desempenha um papel essencial na umidificação do nariz e na manutenção da saúde nasal.1
Esse processo é importante, pois além de permitir a respiração e olfato, o nariz é responsável por umidificar, aquecer e filtrar o ar que inspiramos.1 Com o ressecamento da mucosa nasal, a quantidade e qualidade do muco é alterada, resultando em sintomas típicos da rinite como obstrução nasal, espirros e coceira.1
Além disso, a desidratação do muco pode resultar na retenção de alérgenos, microrganismos que causam doenças e substâncias tóxicas e no aumento da susceptibilidade a doenças respiratórias.7
A lavagem nasal também reduz a necessidade do uso de medicamentos como descongestionantes e anti-histamínicos e melhora a qualidade do sono e da alimentação, especialmente em bebês.7
Embora a lavagem nasal seja essencial para a limpeza das vias respiratórias e contribua para a hidratação do nariz, seus efeitos umidificantes são limitados e temporários.8
Para potencializar a hidratação nasal, alguns óleos naturais têm sido avaliados. O óleo de gergelim, por exemplo, demonstrou ser mais eficaz do que a solução salina na redução do ressecamento, irritação, queimação, coceira e formação de crostas associadas ao nariz seco.9 No entanto, alguns pacientes relataram efeitos colaterais, como odor desagradável, coceira, dificuldade respiratória e coriza.9
Para uma hidratação prolongada, géis à base de solução de Ringer são excelentes opções, ao possuírem maior aderência à mucosa nasal.8
Enquanto formulações antigas contendo 4,5 mg/g de cloreto de sódio e propileno glicol causavam ardência nasal, novas versões reformuladas, com 6,0 mg/g de cloreto de sódio e hidroxietilcelulose (HEC) no lugar do propileno glicol, proporcionam maior conforto sem comprometer a hidratação.8
Esses produtos são indicados tanto para o pós-operatório nasal quanto para o alívio dos sintomas de condições como rinite e sinusite.8
Manter um cuidado nasal eficaz é importante para quem sofre com alergias respiratórias, além de ajudar na prevenção de infecções respiratórias recorrentes.1 Como rotina, deve-se evitar a exposição a fatores desencadeantes como alérgenos (mofo, pólen), fumaça de cigarro e poluição do ar.3
Faça a lavagem nasal para evitar não só as crises alérgicas, mas também na prevenção de gripes e resfriados.1 Utilize pelo menos 100 mL da solução em baixa pressão para maior eficácia, em adultos.5 Evite a pressão excessiva, pois ela pode causar desconforto e até otite.6
“Atenção para soluções caseiras! O processo será ineficaz se a concentração não for ideal. Além disso, pode conter contaminantes perigosos à saúde”! ― alerta Dr. Afonso Penazzo, otorrinolaringologista.
Após a lavagem, aplique um gel para manter a hidratação por mais tempo. Evite produtos que contenham propileno glicol, pois podem causar irritação.8
O dr. Afonso Penazzo também recomenda que “Em relação ao ambiente, é importante manter a casa ventilada e evitar o acúmulo de umidade excessiva para prevenir a formação do mofo. Em locais com ar-condicionado ou de clima muito seco, use um umidificador de ar para evitar o ressecamento das vias respiratórias. E nos dias muito quentes, evite o choque térmico ao sair de ambientes climatizados.”
A adoção de uma rotina de cuidados respiratórios é essencial para minimizar os impactos das alergias e melhorar a qualidade de vida. Além do controle dos fatores ambientais, a lavagem nasal e a hidratação da mucosa têm papel fundamental na prevenção dos sintomas.
Essas pequenas mudanças diárias podem trazer grande diferença na sua saúde respiratória. Para maior alívio e conforto, conheça os produtos da Família Respira e cuide de sua saúde com soluções inovadoras para hidratação nasal. Respire melhor todos os dias!
Os parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor. As opiniões emitidas pelo(a) especialista são independentes e, necessariamente, não refletem a opinião da Libbs.
Data de elaboração do conteúdo: 15.02.2025
Referências
1 Departamento de Otorrinolaringologia. Higienização nasal na prevenção de doenças respiratórias. In: Sociedade de Pediatria de São Paulo. Recomendações – Atualização de condutas em Pediatria. 80 ed. São Paulo, 2017, p. 3-5. [acesso em Fev. 2025]. Disponível em: https://www.spsp.org.br/site/asp/recomendacoes/Rec80_Otorrino.pdf
2 Orru H, Ebi KL, Forsberg B. The Interplay of Climate Change and Air Pollution on Health. Curr Environ Health Rep. [Internet]. 2017;4(4):504-513. [acesso em Fev 2025]. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s40572-017-0168-6.
3 Deng SZ, Jalaludin BB, Antó JM, Hess JJ, Huang CR. Climate change, air pollution, and allergic respiratory diseases: a call to action for health professionals. Chin Med J (Engl). [Internet]. 2020;133(13):1552-1560. [acesso em Fev 2025]. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7386356/.
4 D’Amato G, Chong-Neto HJ, Monge Ortega OP, Vitale C, Ansotegui I, Rosario N, et al. The effects of climate change on respiratory allergy and asthma induced by pollen and mold allergens. Allergy. [Internet]. 2020;75(9):2219-2228. [acesso em Fev 2025]. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/all.14476.
5 Principi N, Esposito S. Nasal Irrigation: An Imprecisely Defined Medical Procedure. Int J Environ Res Public Health. [Internet]. 2017;14(5):516. [acesso em Fev 2025]. Disponível em: https://www.mdpi.com/1660-4601/14/5/516
6 di Francesco RC, Godinho RN, Schweiger C, Magalhães EJC, Neto JFL, de Nóbrega M, et al. Guia Prático de Atualização da Sociedade Brasileira de Pediatria – Lavagem nasal. Departamento Científico de Otorrinolaringologia. Sociedade Brasileira de Pediatria. Rio de Janeiro: SBP, 2023. [Internet]. [acesso em Fev. 2025]. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/24053f-GPA_ISBN_-_Lavagem_Nasal.pdf
7 Departamento de Otorrinolaringologia. O impacto do clima seco na saúde nasal. In: Sociedade de Pediatria de São Paulo. Recomendações – Atualização de condutas em Pediatria. 81 ed. São Paulo, 2017, p. 9-10. [acesso em Fev 2025]. Disponível em: https://www.spsp.org.br/site/asp/recomendacoes/Rec81_Otorrino.pdf
8 Neves MCD, Romano FR, Guerra Filho S. New Ringer’s lactate gel formulation on nasal comfort and humidification. Braz J Otorhinolaryngol. [Internet]. 2019;85(6):746-752. [acesso em Fev 2025]. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1808869418304981?via%3Dihub.
9 Hildenbrand T, Weber RK, Brehmer D. Rhinitis sicca, dry nose and atrophic rhinitis: a review of the literature. Eur Arch Otorhinolaryngol. [Internet]. 2011;268(1):17-26. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s00405-010-1391-z.
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