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Publicado em: 22 de dezembro de 2025
A época do ano em que os casos de gripe e resfriado são mais comuns é durante os meses frios.¹ Mas engana-se quem acredita que doenças respiratórias não devem ser motivo de atenção também nos períodos quentes.
“É possível ficar doente na primavera ou no verão, mas não por causa do calor em si, e sim devido a fatores como mudanças bruscas de temperatura, diminuição da umidade e fragilidade do sistema imunológico”, explica a otorrinolaringologista Dra. Maura Neves (CRM 97446/ RQE: 63161).
Já que doenças respiratórias são tão comuns no frio, é fácil assumir que os vírus perigosos para infecções respiratórias só circulam no inverno. Mas alguns vírus respiratórios são, inclusive, mais comuns no verão¹. De acordo com a Dra. Maura, o vírus da gripe e o vírus sincicial respiratório (VSR), por exemplo, predominam nos meses frios, quando as temperaturas mais baixas e o maior tempo em ambientes fechados favorecem sua propagação.
No entanto, em países de clima tropical, como o Brasil, o resfriado comum ocorre ao longo de todo o ano, sem picos sazonais tão marcados. Além disso, alguns agentes infecciosos responsáveis por doenças respiratórias circulam com maior frequência em períodos de chuvas pelo aumento da umidade do ar aliado ao menor arejamento e exposição ao sol dos ambientes internos². No Brasil, esse período vai de outubro a março na maior parte do país, com pico nos meses de verão.³
“O parainfluenza às vezes pode levar à bronquite e pneumonia em pessoas que possuem um sistema imunológico fragilizado”, informa a otorrinolaringologista.
Os rinovírus são responsáveis por mais de três quartos dos resfriados que surgem no início do outono e da primavera4. Já os coronavírus, causadores da maioria dos resfriados do fim do outono, inverno e começo da primavera, respondem por 10% a 15% dos casos.¹
Diferenças na estrutura viral podem estar por trás do que faz com que gripes e resfriados ocorram ao longo de todo o ano. “Muitos vírus ‘de inverno’, incluindo influenza e RSV, são envelopados. E os vírus envelopados tendem a ser mais vulneráveis ao calor e à secura do que os que não possuem envelope, se desenvolvendo e propagando com mais facilidade no frio. O inverso é válido para os vírus não envelopados, que não sobrevivem bem no frio”, esclarece a médica.
Fora a presença constante de vírus respiratórios, as mudanças bruscas de temperatura são um dos principais gatilhos para gripes e resfriados. A Dra. Maura chama a atenção para o uso excessivo de ventiladores e ar-condicionado. “O abuso de ambientes climatizados resseca as mucosas e prejudica a primeira barreira de imunidade do organismo. O choque térmico entre ambientes quentes e frios também reduz a resistência do corpo”, explica.
Sobre o impacto nas mucosas nasais, a médica ressalta que a hidratação é essencial para preservar essa barreira e pode ser reforçada com lavagens nasais com soro fisiológico, umidificadores de ar e aumento na ingestão de líquidos.
A médica completa que o corpo humano é capaz de se adaptar às mudanças de temperatura, “mas isso exige um período de aclimatação, que não ocorre nessas situações, resultando em queda da imunidade. Além disso, o ar-condicionado sem limpeza periódica se torna um grande agente propagador de vírus e bactérias.”
Tempestades e enchentes, comuns nos períodos de calor, também podem representar riscos à saúde. “Grandes chuvas e alagamentos estão relacionados à ocorrência de diversas doenças. Do ponto de vista respiratório, a proliferação de bactérias e mofo em ambientes úmidos pode provocar sintomas respiratórios”, afirma a médica.
Isso vale também para períodos de seca. “Quando passamos por um período razoavelmente longo sem chuva, há um aumento de poluentes na atmosfera, que agravam as doenças pulmonares, cardiovasculares e metabólicas.”
Tanto a gripe quanto o resfriado comum são causados por vírus, e os sintomas podem ser parecidos, o que dificulta a distinção entre eles.5
No entanto, há diferenças importantes. A gripe costuma ter um início repentino, enquanto o resfriado começa de forma gradual. A febre é um sintoma frequente na gripe, mas rara nos resfriados. Da mesma forma, as dores no corpo são comuns e mais intensas em casos de gripe, enquanto no resfriado tendem a ser leves. 5
Os calafrios também ajudam a diferenciar: são razoavelmente comuns na gripe, mas incomuns no resfriado. A fadiga e a fraqueza aparecem com frequência em quem está gripado e podem durar vários dias, enquanto em casos de resfriado são apenas ocasionais. 5
Já os espirros, o nariz entupido e a dor de garganta são mais característicos do resfriado, aparecendo em poucos casos de gripe. A tosse e o desconforto no peito podem estar presentes em ambos os quadros, porém são mais comuns e intensos na gripe. 5
Por fim, a dor de cabeça é comum em casos de gripe, mas rara quando se trata de resfriados. 5
Mesmo fora da temporada tradicional, a vacina contra a gripe é a principal forma de prevenção. Existem versões trivalente, que protege contra duas cepas de Influenza A e uma de Influenza B, e a tetravalente (duas cepas A e duas B). 6
A vacina é indicada para todas as pessoas a partir dos seis meses de idade, especialmente para aquelas com maior risco de complicações respiratórias.5 A rede pública disponibiliza a versão trivalente como rotina para crianças entre 6 meses e 5 anos e para idosos acima dos 60 anos e em campanhas anuais para públicos prioritários. Na rede privada, as vacinas tri e tetravalente estão disponíveis o ano inteiro para pessoas a partir dos 6 meses. 6
Para a maioria das pessoas, a dose é anual, porém, em situações epidemiológicas de risco — como surtos ou aumento da circulação do vírus influenza fora de época — pode-se considerar uma segunda dose no mesmo ano para idosos, imunodeprimidos e pessoas com doenças crônicas como diabetes, cardiopatias e pneumopatias. 6
Segundo a Dra. Maura, existem 5 orientações práticas para evitar doenças respiratórias fora dos meses de frio:
Segundo a Dra. Maura, geralmente não é necessário procurar um médico para um resfriado comum, pois os sintomas tendem a ser leves e desaparecem em poucos dias. “Mas é importante ficar atento e buscar atendimento se houver piora ou persistência por mais de 10 dias dos sintomas”, orienta a médica.
Com relação aos sinais de alerta, procure ajuda médica sempre que houver tosse persistente (com ou sem sangue), dificuldade para respirar, febre acima de 38 °C ou chiado no peito.7
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