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Distanciamento afetivo na depressão: causas e como lidar!

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A depressão é uma condição de saúde com alta prevalência que afeta milhões de indivíduos no mundo inteiro. A estimativa é de que uma em cada cinco pessoas vai experimentar um episódio de depressão maior ao longo da sua vida, e isso implica no risco de desenvolver o distanciamento afetivo.¹

Também conhecido como embotamento emocional, esse é um sintoma bastante comum nas pessoas que sofrem com depressão. Pode se manifestar tanto na fase aguda da doença quanto no momento de remissão dela. A grande preocupação é que afeta de forma significativa a qualidade de vida, inclusive, pode impedir a recuperação funcional completa do paciente.¹

Daí a importância de saber como lidar com essa situação, e é sobre isso que vamos conversar neste artigo. Continue a leitura para entender ao certo o que é o embotamento afetivo, quais são as causas desse problema e o que fazer para lidar com ele da melhor forma.

O que é embotamento afetivo?

O embotamento afetivo ou emocional é uma condição que acontece em diferentes transtornos psiquiátricos, o que inclui a depressão, o transtorno de estresse pós-traumático e a esquizofrenia.²

Ele consiste na sensação de que emoções positivas e negativas do paciente estão entorpecidas, fazendo com que haja uma redução das suas próprias emoções, por exemplo, afeição, medo, amor e raiva.²

As pessoas que manifestam o distanciamento afetivo também afirmam que é como se suas emoções estivessem achatadas. Existe a indiferença emocional ou uma capacidade reduzida de responder às emoções.¹

Segundo os relatos desses pacientes, eles se sentem menos capazes de rir ou de chorar. Também não conseguem desfrutar aquilo que costumavam aproveitar antes. Sentem menos inspiração ou paixão pelas atividades que exigem criatividade, podem se sentir indiferentes às outras pessoas e ter menos empatia.¹

Por isso, o embotamento emocional tende a afetar todos os aspectos da vida diária. Ele traz prejuízos para os relacionamentos sociais, profissionais e familiares.¹

Uma pessoa que desenvolve esse sintoma pode ignorar as próprias responsabilidades ou fugir delas. Logo, tende a enfrentar problemas nos estudos e no trabalho, dificuldades financeiras e consequências negativas nas relações pessoais.¹

Esse sintoma é preocupante e muito importante porque as consequências funcionais que provoca podem fazer com que a pessoa acabe abandonando o tratamento de forma prematura. Isso em função dos prejuízos para o seu humor, pela ocorrência da ansiedade e pela incapacidade de responder a estímulos externos. Sendo assim, há um risco maior de recaída do quadro depressivo.¹

Quais são as causas do embotamento afetivo durante o tratamento da depressão?

Você viu que o embotamento afetivo é um dos sintomas que se manifestam na pessoa com depressão.1,2 Mas o que exatamente pode provocar esse efeito nos pacientes depressivos? Quais são as causas que desencadeiam o embotamento emocional?

Já podemos adiantar que isso costuma ser decorrente do próprio tratamento do quadro de depressão.1,2 A seguir, falamos com mais detalhes sobre o que desencadeia esse sintoma. Confira.

Efeitos colaterais de medicamentos

Apesar de o embotamento emocional ser bastante comum entre os pacientes com depressão, ele pode afetar particularmente determinados grupos. Isso porque o sintoma pode ser um efeito colateral de determinadas classes de medicamentos antidepressivos.¹

Pessoas tratadas com algumas substâncias tendem a apresentar a restrição ou a redução da intensidade das suas emoções ou da frequência delas em sua vida cotidiana. Inclusive, as que são essenciais para o funcionamento diário do indivíduo.²

Uma pesquisa realizada com pessoas adultas usuárias de antidepressivos mostrou que o medicamento fazia com que elas se sentissem entorpecidas emocionalmente. Outras disseram se sentirem distantes ou confusas. Parte do grupo relatou que não se sentia como si mesmo e houve aqueles que falaram da redução das suas emoções positivas.¹

É verdade que esse é, de fato, um efeito colateral esperado pelos próprios especialistas. No entanto, é sugerido que o embotamento emocional tenha uma dinâmica que vai muito além disso, podendo ser um sintoma residual do próprio quadro depressivo

O problema é que em função da ocorrência desse sintoma, muitos pacientes se recusam a aderir ao tratamento; ² enquanto outros que já estão com a medicação, acabam interrompendo o uso dela.¹ Logo, há prejuízos para a qualidade de vida² e o risco de caídas,¹ conforme citamos.

Dinâmica do tratamento

O manejo do transtorno depressivo pode envolver uma ampla gama de intervenções, incluindo abordagens farmacológicas e não farmacológicas. Assim, diversas opções terapêuticas podem ser combinadas, proporcionando maior flexibilidade e individualização ao plano de tratamento.3

Como você viu, os fármacos antidepressivos podem causar o embotamento emocional.1,2 Assim, ao mesmo tempo em que a pessoa busca o equilíbrio das emoções, existem essas variações emocionais como efeito colateral.²

No entanto, não podemos esquecer, também, que o tratamento da depressão envolve abordagens psicoterapêuticas, como a terapia cognitivo comportamental (TCC) e a psicanálise. Durante tratamentos como esses, o paciente poderá enfrentar experiências passadas que são potencialmente dolorosas

Afinal, o objetivo é mudar comportamentos e atitudes que estão causando problemas para a vida da pessoa.³ Então, como você pode perceber, as abordagens do tratamento antidepressivo vão impactar de forma significativa as emoções do indivíduo.

Mudanças neuroquímicas

O tratamento medicamentoso da depressão tende a alterar a maneira como o cérebro funciona, influenciando também a química dele. Muitos antidepressivos foram desenvolvidos, por exemplo, para atuar nos neurotransmissores, e isso influencia a maneira como a pessoa processa as emoções.²

Como lidar com o embotamento afetivo?

Distanciamento afetivo na depressão: causas e como lidar!

Uma pessoa com quadro de depressão, ainda que seja leve, precisa procurar tratamento. Essa medida é fundamental porque permite ao indivíduo lidar da melhor forma com as situações que podem estar desencadeando o problema, além de gerenciar de maneira mais adequada as suas próprias emoções.³ Assim, há um impacto positivo no distanciamento afetivo também.

Veja, a seguir, algumas opções para tratar a depressão e alcançar maior estabilidade e conforto emocional.

Manter a comunicação com o profissional de saúde

Não é novidade que os medicamentos provocam efeitos colaterais, já que essa é uma informação que vem na bula deles. Como você viu ao longo deste artigo, antidepressivos também têm efeitos adversos1,3 e que vão além do distanciamento afetivo.

Isso porque eles podem provocar, ainda, dores de cabeça, boca seca, inquietação e outros. Geralmente, esses desconfortos ocorrem logo nas primeiras semanas de uso das substâncias, mas é importante conversar com o médico a respeito deles³ e quaisquer outras alterações físicas ou emocionais percebidas.

Isso é fundamental para que o especialista possa monitorar o uso de medicamentos e fazer ajustes sempre que necessário. É importante não parar de tomar o medicamento de repente porque isso pode causar ainda outros efeitos negativos, como problemas para dormir, náuseas e inquietação. Além de aumentar o risco de a depressão retornar.³ Então, manter a comunicação com o profissional de saúde é indispensável.

Fazer terapia complementar

Explicamos que o tratamento antidepressivo também envolve abordagens terapêuticas não medicamentosas. Uma delas é a Terapia Cognitivo Comportamental, também conhecida como TCC.³

Essa técnica pode ser útil para a pessoa lidar com emoções negativas, com sentimentos de culpa e dúvidas a respeito de si mesma, fatores que podem piorar a depressão e fazer com que se sinta cada vez mais isolada e infeliz.³

A terapia permite compreender essa situação, ter uma ideia mais clara dos pensamentos, dos padrões de comportamento e das atitudes para mudar as crenças falsas e que causam angústia.³

Praticar exercícios de relaxamento

As técnicas e os exercícios de relaxamento podem contribuir para aliviar os sintomas até mesmo da depressão moderada. Aqui estão incluídos, por exemplo:³

  • o relaxamento muscular progressivo;
  • a musicoterapia;
  • o yoga;
  • treinamento autogênico.

Promover estímulos com atividades prazerosas

Existem diferentes atividades que podem ajudar as pessoas na melhora do seu humor e a ter mais energia. É o caso, por exemplo, da caminhada, natação, das trilhas, do ciclismo e da corrida. Logo, são uma parte importante do tratamento antidepressivo.³

Mas vale ressaltar que pessoas deprimidas podem não ter disposição para fazer exercícios ou atividades mais intensas. Nesse caso, as caminhadas ao ar livre podem ser um começo para ter motivação para outros tipos de atividade.³

Fazer terapia de grupo

Essa é uma boa alternativa porque a terapia sistêmica ajuda a melhorar a comunicação dentro da família ou no grupo de trabalho e amigos. Com isso, é possível envolver mais indivíduos no tratamento e utilizar os pontos fortes deles para contribuir para a mudança de atitudes e comportamentos que trazem problemas, encontrando soluções para os conflitos existentes.³

O distanciamento afetivo pode ser um grande desafio para iniciar e manter o tratamento da depressão, mas é importante lembrar que isso costuma fazer parte da recuperação. Vale compreender o que está causando o sintoma para adotar estratégias e lidar com ele da melhor forma. Conversar com profissionais de saúde e pessoas que também enfrentam esse problema é um jeito de buscar apoio para ter uma recuperação mais rápida e completa.

Gostou de aprender sobre esse tema? Então confira outros conteúdos interessantes como esse no blog A Vida Plena!

* Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.

Conteúdo criado em 13 de novembro/2024.

1. Christensen MC, Ren H, Fagiolini A. Emotional blunting in patients with depression. Part II: relationship with functioning, well-being, and quality of life. Annals of General Psychiatry. 2022;21(1):20.

2. Ma H, Cai M, Wang H. Emotional Blunting in Patients With Major Depressive Disorder: A Brief Non-systematic Review of Current Research. Front Psychiatry. 2021;12:792960.

3. Institute for Quality and Efficiency in Health Care (IQWiG). Depression: Learn More – How is depression treated? [internet]. 2006. [acesso em 20 de dezembro 2024]. Disponível em: https://tinyurl.com/uh5f6asa