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Publicado em: 9 de abril de 2026
Dormir bem é mais do que descansar o corpo, é um cuidado essencial com o cérebro e com a saúde em geral¹. “Dormir bem é um dos pilares mais importantes da saúde, tão essencial quanto se alimentar ou se exercitar”, explica o neurologista Dr. Antonio Eduardo Damin (CRM 104274).
O sono de qualidade contribui para diversas regulações e proteções no corpo, como o equilíbrio cardiovascular, a consolidação da memória, melhora do humor, concentração e até da imunidade. Além disso, pode ajudar a prevenir doenças associadas ao declínio cognitivo, como o Alzheimer.1-2
Por outro lado, noites mal dormidas, seja por estresse ou distúrbios do sono, podem causar prejuízos à saúde mental e física.¹
Mesmo assim, apesar da importância do descanso, muitas pessoas ainda não conseguem dormir na quantidade ou com a qualidade adequadas.1 “Dormir o tempo adequado e manter horários regulares melhora muito a produtividade e contribui para a saúde física, mental e emocional. Mas é comum que os cuidados com a nossa higiene do sono acabem negligenciados, seja pelas exigências do dia a dia, seja pela falta de conhecimento sobre os impactos positivos que um sono de qualidade traz para nossa saúde”, ressalta o Dr. Antonio.Segundo o médico, o melhor tratamento a longo prazo para melhorar o sono é adotar uma rotina adequada de higiene do sono, baseada em mudanças de comportamento e hábitos saudáveis.
Dormir é uma das funções biológicas mais fundamentais para a manutenção e a reparação do organismo. Durante o sono, o corpo recupera energia, regula hormônios e fortalece o sistema imunológico¹. No cérebro, o descanso é responsável por restaurar o desgaste causado pelas horas de vigília e por eliminar o chamado “lixo metabólico”, produzido naturalmente durante o dia, por meio do sistema glinfático (rede de canais no cérebro para eliminação de toxinas)².
Esse processo é essencial para limpar neurotoxinas como a beta-amilóide, cuja acumulação está associada ao desenvolvimento do Alzheimer. Dormir pouco, portanto, está relacionado a um risco maior da doença.²
Além disso, o sono conserva energia, estimula a reparação de tecidos e fortalece as defesas naturais do organismo².
Já a privação do sono está relacionada com prejuízos à atenção, à tomada de decisões, à criatividade e à memória². Também altera o equilíbrio emocional, pois o sistema límbico, que processa as emoções, fica hiperativado, enquanto o córtex pré-frontal, responsável pela racionalidade, perde parte de sua função².
A insônia também pode ser um sinal de problemas neurológicos. Por exemplo, ela é um sintoma comum em 50% a 75% das pessoas com dores crônicas e cefaleias, especialmente enxaqueca³. “A insônia também é um sintoma comum em pacientes com doenças neurológicas como o Alzheimer, especialmente nas fases mais avançadas, quando há perda do ciclo sono-vigília e comportamento noturno de perambulação”, explica o médico.
Um dos principais efeitos negativos de noites mal dormidas está relacionado à memória. Dormir bem é indispensável para o aprendizado e para consolidar as memórias adquiridas ao longo do dia. Durante o sono profundo, as informações recém-aprendidas são reprocessadas e transferidas de uma área do cérebro para outra, onde ficam armazenadas como memórias de longo prazo⁴.
Enquanto isso, na etapa do sono conhecida como Movimento Rápido dos Olhos (REM, na sigla em inglês), caracterizada pela intensa atividade cerebral, essas lembranças são estabilizadas, tornando-se menos suscetíveis a interferências internas ou externas⁴. Assim, o sono atua tanto de forma passiva, protegendo as memórias das distrações do período de vigília, quanto de forma ativa, reforçando as conexões cerebrais que fixam o aprendizado.⁴
“Dormir é parte essencial do processo de aprendizagem e da manutenção da memória, influenciando diretamente o desempenho intelectual, a atenção e até a capacidade de planejamento futuro”, diz o Dr. Antonio, que reforça a importância do sono para a prevenção de doenças neurológicas que afetam a memória. “A prevenção do Alzheimer, por exemplo, passa pela priorização do sono de qualidade.”
Os ciclos de sono e vigília são controlados por mecanismos cerebrais regulados pelo chamado “relógio biológico” e por substâncias que equilibram o estado de alerta e o cansaço¹. Dois processos principais comandam o sono: o Processo C, relacionado ao ritmo circadiano, e o Processo S, ligado à pressão do sono (quanto mais tempo acordado, maior a vontade de dormir).²
O ritmo circadiano (Processo C) é ajustado à luz do dia, especialmente à luz azul, que sincroniza o relógio interno do corpo com o ambiente. Quando viajamos ou mudamos de fuso horário, por exemplo, esse ciclo se adapta gradualmente e é comum sentir mais sonolência ou ficar alerta em horários não convencionais — é o que chamamos de jet lag².
Já o Processo S regula a necessidade de dormir: quanto mais tempo passamos acordados, maior é o acúmulo de substâncias indutoras do sono, como a adenosina. Essa substância, inclusive, pode ter sua ação bloqueada por um antagonista natural: a cafeína².
Por isso, “para dormir bem, é preciso respeitar o horário do nosso relógio interno e estar fisicamente cansado, mas o comportamento tem um papel essencial”, afirma o Dr. Antonio. Ficar até tarde em frente a telas, lidar com preocupações intensas, consumir conteúdos estressantes ou substâncias estimulantes à noite impede o cérebro de desacelerar².
Com o tempo, esses hábitos fazem com que o corpo perca a associação entre a noite e o relaxamento, e o sono se torna mais difícil. Para evitar essa quebra de ciclo, é necessário criar um ritual e um ambiente favorável para dormir. Esse conjunto de práticas é conhecido como higiene do sono².
Higiene do sono é o nome dado ao conjunto de hábitos e ajustes ambientais que favorecem um sono mais profundo, contínuo e restaurador⁵. Isso inclui desde a rotina diária e a exposição à luz até fatores como ruído, temperatura e conforto do ambiente¹.
Embora, sozinha, a higiene do sono não substitua o tratamento farmacológico da insônia, ela é considerada parte essencial da terapia e a primeira recomendação para quem enfrenta distúrbios do sono⁵.
Se, mesmo com hábitos saudáveis, persistirem sintomas como dificuldade para adormecer, acordar várias vezes durante a noite, sonolência excessiva durante o dia ou comportamentos anormais, como ronco alto e movimentos involuntários, é importante buscar avaliação médica².
“Quando os problemas de sono não são resolvidos com uma higiene do sono correta, é necessário investigar suas causas e indicar o tratamento adequado”, orienta o neurologista. O acompanhamento profissional é essencial para descartar distúrbios como apneia, síndrome das pernas inquietas e insônia crônica, além de orientar terapias específicas para cada caso.²
Conteúdo elaborado em fevereiro de 2026
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