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Você já ouviu falar sobre a compulsão alimentar? Esse é um problema que pode ter inúmeras causas, mas, em boa parte das vezes, está associado com alterações psicoemocionais. Por isso, alguns transtornos psicológicos estão relacionados com essa questão.1-4

Mas afinal, o que é a compulsão alimentar? Quais são os sintomas desse problema? Será que é possível tratá-lo de alguma forma?

Você confere a resposta para todas essas perguntas — e algumas outras, incluindo os modos de prevenção! — neste conteúdo. Leia com atenção e aprenda a identificar os sinais de uma relação pouco saudável com a alimentação. Boa leitura!

O que é a compulsão alimentar?

O transtorno de compulsão alimentar é caracterizado pela ingestão descontrolada de uma grande quantidade de alimentos em um curto período de tempo.1,2

Outra característica é que essa ingestão exagerada é normalmente acompanhada pela sensação de perda de controle sobre o comportamento alimentar. Durante esses episódios, a pessoa geralmente come rapidamente, até se sentir desconfortavelmente cheia, mesmo sem estar fisicamente com fome.2

Nesses casos, não ocorre um simples excesso de alimentação ocasional. Para que uma pessoa seja diagnosticada com compulsão alimentar, os episódios devem ocorrer com frequência regular, ou seja: pelo menos uma vez por semana, durante um período mínimo de 3 meses. Além disso, o problema deve causar um sofrimento emocional significativo.2

Também é importante observar que a compulsão alimentar pode ser uma forma de lidar com emoções difíceis, como ansiedade, tristeza, estresse ou tédio. No entanto, assim que ela termina, muitas vezes surgem sentimentos negativos. Eles podem ser de culpa, vergonha e remorso, criando um ciclo de comportamento alimentar descontrolado.2

Quais são os sinais da compulsão alimentar?

Agora, vamos entender e aprender a reconhecer os principais sintomas da compulsão alimentar. Isso é fundamental para que sinais de alerta se acendam em sua mente com comportamentos próprios e de pessoas próximas a você. 

Confira, a seguir, alguns dos principais sinais!

Episódios recorrentes de ingestão descontrolada de alimentos 

Indivíduos com compulsão alimentar experimentam situações em que consomem uma quantidade incomumente grande de alimentos em um curto período, de forma regular. Durante esses episódios, eles têm uma sensação de perda de controle sobre o comportamento alimentar.2,3

Quantidade de alimentos ingeridos

Alguns estudos relatam que durante um episódio de compulsão alimentar, as pessoas consomem geralmente entre 3.000 a 4.500 calorias, algo bem superior ao que é recomendado à maioria da população.2,3

Restrição dietética

As pessoas que têm compulsão também apresentam uma tendência a se envolver em comportamentos de restrição alimentar, como jejum, dieta, restrição calórica e regras rigorosas sobre alimentação. Esse é um sinal que não pode ser ignorado.2,3

Sentimentos negativos

Muitas vezes, esses pacientes com compulsão alimentar experimentam sentimentos de depressão, ansiedade e estresse. Esses sintomas podem ser medidos utilizando instrumentos como a Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse (DASS-21).2,3

Baixa autoestima

A compulsão alimentar pode estar associada a crenças negativas profundamente arraigadas sobre si. Por exemplo, sentimentos de repulsa ou baixa autoestima podem ser comuns. Esses aspectos podem ser avaliados por meio de questionários como o Questionário de Crenças Centrais sobre Transtornos Alimentares (ED-CBQ).2,3

Dificuldades na regulação emocional

Muitas vezes, esses pacientes têm dificuldades em regular suas emoções de maneira saudável. Isso pode se manifestar como problemas em aceitar respostas emocionais, controlar impulsos ou acessar estratégias de regulação emocional. Esses aspectos podem ser avaliados utilizando instrumentos como a Escala de Dificuldade na Regulação Emocional (DERS).2,3

Crenças relacionadas à alimentação

Por fim, as pessoas com compulsão alimentar podem ter crenças disfuncionais sobre comida e alimentação. Isso pode incluir o hábito de ver a comida como um mecanismo para lidar com emoções negativas, além da falta de controle sobre a alimentação e ideias permissivas que justificam comportamentos de compulsão alimentar.2,3

Assim como em alguns dos sintomas anteriores, há uma avaliação específica para esses aspectos. Nesse caso, é utilizado um instrumento conhecido como o Questionário de Crenças sobre Alimentação (EBQ-18).2,3

Esses sintomas variam em gravidade e impacto na vida diária de cada indivíduo, mas juntos eles compõem o quadro clínico da compulsão alimentar periódica.2,3 Por isso, fique de olho!

Quais são as causas da compulsão alimentar? 

A compulsão alimentar pode ser causada por uma combinação de fatores biológicos, psicológicos, sociais e genéticos. Aqui estão algumas das principais causas associadas a esse problema!

Disfunção cognitiva

Pesquisas mostram que indivíduos com compulsão alimentar apresentam prejuízos cognitivos em áreas como tomada de decisão, controle inibitório e flexibilidade cognitiva. Esses déficits cognitivos podem contribuir para o comportamento compulsivo de comer.2,4

Além disso, a dificuldade em resistir a recompensas imediatas em detrimento de recompensas futuras (desconto de atraso) também está associada à compulsão alimentar.2,4

Fatores genéticos

Outro destaque das descobertas das pesquisas está no fato de que há uma tendência de a compulsão se agrupar em famílias, independentemente da obesidade. Sendo assim, estima-se que há um fator genético envolvido.2,4

Vários polimorfismos genéticos foram identificados como potencialmente associados ao problema, incluindo variantes no gene MC4R, relacionado à regulação do peso corporal e à saciedade.2,4

Microbiota intestinal

Algumas pesquisas também notaram que a composição da microbiota intestinal pode desempenhar um papel na compulsão alimentar. Alterações nesse ecossistema podem afetar a regulação do apetite e a resposta emocional ao alimento, influenciando assim o comportamento alimentar compulsivo.2,4

Nas análises, foram comparadas as microbiotas de pessoas sem o transtorno com aquelas que convivem com ele. Assim, foram identificadas discrepâncias entre os grupos e semelhanças entre os indivíduos de cada um deles.2,4

Fatores psicossociais

Experiências traumáticas, como abuso físico, emocional ou sexual, podem aumentar o risco de desenvolvimento de compulsão alimentar. Além disso, padrões familiares disfuncionais, pressão social para alcançar determinados padrões de beleza e problemas de autoimagem também podem ter um papel importante.2,4

Comorbidades psiquiátricas

Por fim, a compulsão alimentar frequentemente ocorre em conjunto com outras condições psiquiátricas, como transtornos de ansiedade, do humor e relacionados ao uso de substâncias. Elas podem compartilhar fatores de risco comuns e influenciar o desenvolvimento e a gravidade da questão.2,4

Em resumo, a compulsão alimentar é uma condição complexa e multifacetada, influenciada por uma interação complexa entre fatores biológicos, psicológicos e ambientais. O tratamento eficaz do problema geralmente envolve uma abordagem integrada que aborda esses diferentes aspectos da condição.2,4

Compulsão alimentar e ansiedade: qual a relação?

Antes de falarmos sobre o tratamento existente para a compulsão alimentar, é importante explicarmos a relação que ela tem com um transtorno psiquiátrico muito comum: a ansiedade. Continue a leitura para tirar as suas dúvidas!

O que é a ansiedade e quais são os transtornos associados?

A ansiedade é uma resposta natural do corpo a situações percebidas como ameaçadoras ou desafiadoras. É uma emoção normal que todos experimentamos em certos momentos da vida.5

No entanto, os transtornos vão além da ansiedade ocasional e podem interferir significativamente na vida diária das pessoas. Existem vários tipos de alterações, cada um com características específicas.5 Continue para conhecê-los!

Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)

O TAG envolve uma sensação persistente de ansiedade ou preocupação que pode interferir nas atividades diárias. Não se trata apenas de preocupações ocasionais, mas sim de uma sensação constante capaz de durar meses ou até anos. Os sintomas incluem inquietação, dificuldade de concentração, fadiga, irritabilidade, problemas de sono e tensão muscular.5

Transtorno do pânico

As pessoas com transtorno do pânico têm ataques de pânico frequentes e inesperados. Durante um ataque de pânico, podem ocorrer sintomas intensos de medo. Entre eles, é possível citar o aumento dos batimentos cardíacos e a falta de ar. Esses ataques podem levar a uma preocupação persistente com a possibilidade de futuros ataques.5

Transtorno de ansiedade social

O transtorno de ansiedade social envolve uma insegurança intensa e persistente de a pessoa ser julgada negativamente por outras em situações sociais. Isso pode levar a desconforto extremo de falar em público, interagir com estranhos ou participar de eventos sociais. Os sintomas incluem rubor, tremores, sudorese e dificuldade em fazer contato visual.5

Transtornos relacionados a fobias

As fobias são medos intensos e irracionais de objetos ou situações específicas. As pessoas com fobias evitam ativamente essas questões ou objetos temidos, experimentando ansiedade intensa quando confrontadas com eles. Exemplos de fobias incluem medo de altura, espaços fechados, animais ou agulhas.5

Sendo assim, a fobia é caracterizada como uma resposta natural do corpo que pode se tornar problemática quando é persistente e excessiva, interferindo nas atividades diárias. É possível tratar os transtornos de ansiedade com terapia, medicamentos e técnicas de gestão de estresse, sendo importante procurar ajuda profissional se os sintomas estiverem prejudicando sua qualidade de vida.5

Comorbidade entre transtornos de ansiedade e compulsão alimentar

A relação entre os transtornos de ansiedade e a compulsão alimentar é complexa e frequentemente bidirecional. Estudos mostram que muitos indivíduos que sofrem com esse problema também têm transtornos de ansiedade. Isso pode complicar o quadro clínico e agravar os sintomas de ambos os problemas.6

A ansiedade pode se manifestar de várias maneiras em pessoas com compulsão alimentar. Algumas podem vivenciar as sensações de ansiedade como um gatilho para crises, buscando conforto na comida para lidar com sentimentos avassaladores. Outras podem sentir ansiedade após episódios de compulsão alimentar, devido à culpa, vergonha ou preocupação com o ganho de peso.6

Ansiedade como antecedente para episódios de compulsão alimentar

A teoria cognitiva da evitação sugere que a ansiedade desempenha um papel significativo no desenvolvimento de crises de compulsão alimentar. Indivíduos que experimentam situações intensas podem recorrer à comida como uma forma de escapar ou evitar esses sentimentos aversivos.6

Dessa forma, a ansiedade pode servir como um antecedente emocional para episódios de compulsão alimentar, com os padrões de comportamento alimentar surgindo como uma tentativa de lidar com a questão. Isso destaca a importância de abordar todos os comportamentos alimentares desordenados durante o tratamento.6

Sensibilidade à ansiedade e compulsão alimentar 

A sensibilidade se refere à tendência de interpretar sensações físicas associadas à ansiedade como perigosas ou ameaçadoras. Indivíduos com essa característica podem ser mais propensos a recorrer à comida como uma estratégia de enfrentamento para aliviar o desconforto emocional.6

Estratégias que visam reduzir a sensibilidade à ansiedade, como a terapia cognitivo-comportamental, podem ajudar os indivíduos a desenvolver habilidades mais adaptativas para lidar com o problema e prevenir episódios futuros de compulsão alimentar.6

Ansiedade como resultado da compulsão alimentar

Além de ser um fator de risco para a compulsão alimentar, a ansiedade pode surgir como uma consequência dos episódios. Muitas pessoas que lutam contra o problema experimentam sentimentos intensos de culpa ou vergonha após as crises de comer compulsivamente.6

A ansiedade resultante da compulsão alimentar pode criar um ciclo vicioso, em que a pessoa recorre novamente à comida como uma forma de lidar com esses sentimentos. Por isso, é crucial abordar tanto os episódios quanto os sintomas durante o tratamento, para interromper esse ciclo e promover a recuperação.6

Trabalhar na gestão da ansiedade e no desenvolvimento de estratégias alternativas para lidar com o estresse é fundamental para ajudar os indivíduos a superar a compulsão alimentar e melhorar sua qualidade de vida.6

A compulsão alimentar pode gerar outros problemas para a saúde?

A resposta é: sim. Em alguns casos, o padrão alimentar gera consequências negativas para o bem-estar geral, prejudicando o organismo. Confira a seguir!

Obesidade

O consumo excessivo de alimentos durante episódios de compulsão pode levar ao ganho de peso significativo e, consequentemente, à obesidade. A obesidade, por sua vez, aumenta o risco de uma variedade de outras condições médicas, incluindo diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e certos tipos de câncer.7,8

Hipertensão

O aumento do consumo de sal e ingredientes ricos em gorduras saturadas associado à compulsão alimentar pode contribuir para o desenvolvimento da hipertensão, ou pressão alta, que é um importante fator de risco para doenças cardíacas e Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs).7,9

Diabetes

A compulsão alimentar, especialmente quando acompanhada de escolhas alimentares pouco saudáveis, pode levar à resistência à insulina e ao desenvolvimento do diabetes tipo 2.7,10

Doenças cardiovasculares

O consumo excessivo de alimentos ricos em gorduras saturadas, açúcares e sal, comumente associado à compulsão, pode aumentar o risco de desenvolver doenças cardiovasculares, como doença arterial coronariana, AVC e doença arterial periférica.7,9

Câncer

Uma dieta rica em alimentos processados, com muitas calorias e baixo valor nutricional, comum em pessoas que sofrem de compulsão, pode aumentar o risco de desenvolver certos tipos de câncer, como câncer colorretal, câncer de mama e câncer de próstata.7,11,12

Quais são os tratamentos para compulsão alimentar?

O tratamento da compulsão alimentar pode acontecer a partir de diversas frentes. A seguir, veremos algumas abordagens que costumam ser úteis. No entanto, não se esqueça: cada caso é um caso e, por isso, as recomendações podem variar de uma pessoa para a outra. Confira!

Psicoterapia

Psicoterapia é o nome dado ao tratamento feito por psicólogos, com o objetivo de ajudar o paciente a encontrar o equilíbrio emocional, promover o autoconhecimento e ajudar na superação de desafios diversos.13

É um dos tratamentos mais comuns quando o assunto é compulsão alimentar. De modo geral, há várias vertentes e abordagens que fazem parte da psicoterapia.2,4,13 Continue para conhecer as principais!

Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)

A TCC é considerada o tratamento de escolha para a compulsão alimentar, com várias pesquisas apoiando sua eficácia. Esse tipo de abordagem tem como objetivo ajudar os pacientes a identificar e modificar padrões de pensamento disfuncionais e comportamentos relacionados.2,4

Psicoterapia Interpessoal (IPT)

A IPT se concentra nos padrões de relacionamento e interação social que podem contribuir para a compulsão alimentar. Ajuda os pacientes a explorar e resolver problemas interpessoais, enquanto trabalha para interromper os padrões de alimentação compulsiva.2,4

Terapia Comportamental Dialética (DBT)

A DBT é uma forma de terapia que combina técnicas de regulação emocional com estratégias de mudança de comportamento. Pode ser especialmente útil para pacientes que lutam com emoções intensas e instabilidade emocional, além da compulsão alimentar.2,4

Farmacoterapia

Além da psicoterapia, o uso de remédios pode ser útil para combater a compulsão alimentar. É possível usar várias classes de medicamentos para essa finalidade, como mostramos a seguir.2,4

Inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS)

Medicamentos como sertralina, fluoxetina e escitalopram são frequentemente prescritos para ajudar no controle dos sintomas. Eles podem ajudar a reduzir a frequência e a gravidade dos episódios de compulsão alimentar.2,4

Medicamentos para Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)

Alguns medicamentos originalmente desenvolvidos para tratar o TDAH, como lisdexanfetamina e atomoxetina, também mostraram eficácia no tratamento da compulsão alimentar.2,4

Anticonvulsivantes

Medicamentos como topiramato e zonisamida têm sido estudados como opções de tratamento para a compulsão alimentar, especialmente em pacientes que não respondem bem a outros fármacos ou terapias.2,4

Tratamento da obesidade

Por fim, o tratamento da obesidade é outro caminho para lidar com a compulsão. Uma abordagem multidisciplinar que inclui dieta balanceada e exercícios físicos regulares pode ser eficaz para ajudar os pacientes a perder peso e controlar a questão.2,4

Em casos de obesidade grave associada à compulsão alimentar, a cirurgia bariátrica pode ser considerada como uma opção de tratamento. No entanto, é importante notar que o problema pode persistir após a cirurgia em alguns casos.2,4

É importante ressaltar que o tratamento para a compulsão alimentar varia de acordo com as necessidades individuais de cada paciente. Uma abordagem integrada que combina psicoterapia, farmacoterapia e intervenções para perda de peso pode ser a mais eficaz para muitas pessoas.2,4

Como prevenir a compulsão alimentar?

Para finalizarmos a nossa conversa, é hora de você entender como prevenir a compulsão alimentar. Afinal, a prevenção é sempre o melhor remédio! A seguir, mostramos algumas ações que podem ser tomadas ao nível individual e coletivo. Confira!

Educação e conscientização

A compreensão dos fatores de risco e dos efeitos prejudiciais dos transtornos alimentares é um aspecto social. Nesse sentido, as campanhas educativas e programas de conscientização são uma boa fonte de conhecimento.9

Isso envolve se informar sobre os diferentes tipos de transtornos alimentares e seus sintomas e danos à saúde física e mental causados por esses problemas. Também é importante entender a importância de buscar ajuda profissional ao identificar sinais de problemas alimentares.14

Promoção de uma imagem corporal positiva

É preciso encorajar uma atitude saudável em relação ao corpo, considerando a diversidade de formas e tamanhos corporais para ajudar na aceitação e valorização da própria aparência. Isso inclui desmistificar padrões de beleza irreais.14

Além disso, é preciso incentivar a autocompaixão e a autoaceitação, independentemente do peso ou da aparência. Por fim, vale ressaltar a importância de promover modelos de mídia e publicidade que representem a diversidade corporal de forma positiva.14

Desenvolvimento de uma relação saudável com a alimentação

É interessante incentivar o conceito de alimentação intuitiva, que envolve ouvir os sinais de fome e saciedade do corpo e cultivar uma relação equilibrada e sem culpa com a comida.14

Isso pode ser feito por meio de educação sobre:

  • a importância de responder às necessidades físicas de fome e saciedade;
  • a prática da atenção plena durante as refeições;
  • o desenvolvimento de habilidades para reconhecer e lidar com emoções sem recorrer à comida como forma de conforto.14

Promoção da saúde mental

É necessário oferecer apoio e recursos para lidar com o estresse, a ansiedade e a depressão, bem como promover a importância do autocuidado e do bem-estar emocional. Isso envolve disponibilização de serviços de saúde mental acessíveis e de qualidade.14

Outros pontos de destaque são o incentivo à prática de atividades relaxantes e terapêuticas, como meditação e exercícios físicos, e a promoção de ambientes seguros e acolhedores para discussões abertas sobre saúde, psicologia e autocuidado.14

Desencorajamento de dietas restritivas

É importante ter conhecimento dos riscos das dietas restritivas e da obsessão pela contagem de calorias. Assim, a ideia é promover uma abordagem mais holística para a saúde, focada no equilíbrio e na moderação.14

Isso inclui educação sobre os efeitos nocivos das dietas extremamente restritivas para o corpo e a mente, encorajamento de uma abordagem flexível e equilibrada para a alimentação e desmistificação de ideias relacionadas à perda de peso rápida e à busca por um corpo “perfeito”.14

Intervenção precoce

Identificar e intervir precocemente em comportamentos alimentares problemáticos ou insatisfação com o corpo, oferecendo apoio e recursos adequados, é fundamental. Essa ação pode envolver educação sobre os sinais precoces de transtornos alimentares e a importância de buscar ajuda profissional.14

Além disso, a implementação de programas de triagem e a intervenção precoce em ambientes escolares, comunitários e de saúde são muito importantes. Por fim, há também a disponibilização de recursos e suporte emocional para indivíduos e famílias afetadas por problemas alimentares.14

Como foi possível perceber, a compulsão alimentar é um problema complexo, que costuma envolver muitos fatores. Em boa parte dos casos, ela está associada a outros problemas psicoemocionais, como a ansiedade. Sendo assim, um tratamento multidisciplinar se faz necessário para que o problema seja solucionado.

Para que mais pessoas se informem sobre a compulsão alimentar, compartilhe o conteúdo em suas redes sociais!

Conteúdo elaborado em 9 mar. 2024.

Referências:

1. TRANSTORNO DA COMPULSÃO ALIMENTAR. Biblioteca Virtual em Saúde Ministério da Saúde. Disponível em: <https://bvsms.saude.gov.br/transtornos-da-alimentacao-5/>. Acesso em: 9 mar. 2024.

2. GIEL, K. E. et al. Binge eating disorder. Nature Reviews Disease Primers, v. 8, n. 1, 17 mar. 2022. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC9793802/>. Acesso em: 9 mar. 2024.

3. BURTON, A. L.; ABBOTT, M. J. Processes and pathways to binge eating: development of an integrated cognitive and behavioural model of binge eating. Journal of Eating Disorders, v. 7, n. 1, 7 jun. 2019. Disponível em: <https://jeatdisord.biomedcentral.com/articles/10.1186/s40337-019-0248-0>. Acesso em 9 mar. 2024.

4. IQBAL, A.; REHMAN, A. Binge Eating Disorder. StatPearls. 31 out 2022. Disponível em: <https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31869164/>. Acesso em: 9 mar. 2024.

5. NATIONAL INSTITUTE OF MENTAL HEALTH. Anxiety Disorders. Disponível em: <https://www.nimh.nih.gov/health/topics/anxiety-disorders>. Acesso em: 9 mar. 2024.

6. ROSENBAUM, D. L.; WHITE, K. S. The Role of Anxiety in Binge Eating Behavior: A Critical Examination of Theory and Empirical Literature. Health psychology research, v. 1, n. 2, p. e19, 18 jun. 2013. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4768578/>. Acesso em: 9 mar. 2024.

7. Cuidado com a compulsão alimentar. Ministério da Saúde. 2 fev. 2018. Disponível em: <https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil/eu-quero-me-alimentar-melhor/noticias/2018/cuidado-com-a-compulsao-alimentar>. Acesso em 9 mar. 2024.

8. LAM, B. C. et al. The impact of obesity: a narrative review. Singapore Medical Journal, v. 64, n. 3, p. 163, 2023. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC10071857/>. Acesso em 9 mar. 2024>. Acesso em 9 mar. 2024.

9. SOLMI, F. et al. Longitudinal association between binge eating and metabolic syndrome in adults: Findings from the ELSA‐Brasil cohort. Acta Psychiatrica Scandinavica, v. 144, n. 5, p. 464–474, 16 ago. 2021. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7613243/>. Acesso em 9 mar. 2024.

10. HARRIS, S. R.; CARRILLO, M.; FUJIOKA, K. BINGE EATING DISORDER AND TYPE 2 DIABETES: A REVIEW. Endocrine Practice, v. 27, n. 2, dez. 2020. Disponível em: <https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33554873/>. Acesso em 9 mar. 2024.

11. MASON, T. B.; SMITH, K. E. Delineating the role of binge eating in cancer research. Eating and Weight Disorders – Studies on Anorexia, Bulimia and Obesity, 17 nov. 2020. Disponível em: <https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33201393/>. Acesso em 9 mar. 2024.

12. KEY, T. J. et al. Diet, nutrition, and cancer risk: What do we know and what is the way forward? BMJ, v. 368, n. m511, 5 mar. 2020. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7190379/>. Acesso em 9 mar. 2024.

13. NATIONAL INSTITUTE OF MENTAL HEALTH. Psychotherapies. Disponível em: <https://www.nimh.nih.gov/health/topics/psychotherapies>. Acesso em 9 mar. 2024.

14. NATIONAL EATING DISORDERS. Prevention. Disponível em: <https://www.nationaleatingdisorders.org/prevention/>. Acesso em 9 mar. 2024.