Scroll
Como se conscientizar sobre doenças crônicas? Veja aqui!

Sem tempo para ler? Clique no play abaixo para ouvir esse conteúdo.

Você já ouviu falar sobre a conscientização de doenças crônicas? Basicamente, a ideia envolve, como o próprio termo sugere, conscientizar as pessoas acerca dessas condições, como a fibromialgia, o lúpus e a doença de Alzheimer.1,2,3

Quer entender mais a fundo? Então, não perca mais tempo! Continue a leitura e esteja mais consciente sobre as doenças crônicas!.

O que é a conscientização de doenças crônicas?

O propósito da conscientização das doenças crônicas é informar a população sobre determinadas enfermidades, conforme mencionado anteriormente.1 Esse esforço concentra-se especificamente nas condições de longa duração, ou seja, aquelas que se desenvolvem gradualmente ao longo do tempo e podem persistir ao longo da vida de alguém.4,5

O principal propósito é trazer informações acerca de determinadas questões, como as causas, as formas de prevenção e o tratamento de algumas patologias. Em outras palavras, a finalidade é aumentar a aderência da população aos tratamentos e estimulá-la a buscar ajuda mais rapidamente ao reconhecer eventuais sintomas.4

Quais são algumas das doenças crônicas?

Agora, é hora de você conhecer as enfermidades que comumente são abordadas na conscientização de doenças crônicas.

Logo de cara, é importante ressaltar que as doenças que vamos citar não têm cura. No entanto, elas dispõem de tratamentos que podem melhorar (e muito!) a qualidade de vida dos pacientes afetados.6 Veja!

Doença de Alzheimer

Anteriormente conhecida como “mal de Alzheimer”, essa é uma doença que afeta o sistema neurológico do paciente. A condição representa um problema de saúde pública, já que o crescimento do número de casos da patologia está associado ao aumento da expectativa de vida na população.4

O que é?

A Doença de Alzheimer é uma condição cerebral grave que afeta, principalmente, idosos. A patologia é caracterizada por dois principais problemas no cérebro: placas senis e emaranhados neurofibrilares.7-9

As placas senis são formadas por depósitos de uma substância chamada peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro. Elas se desenvolvem em áreas relacionadas à memória e à cognição. O Aβ pode ser tóxico para as células nervosas, levando a danos.7-9

Os emaranhados neurofibrilares ocorrem quando uma proteína chamada Tau se torna anormal e forma aglomerados nas células nervosas. Então, esses emaranhados afetam a comunicação entre as células cerebrais.7

Quais são os sintomas?

Os sintomas da Doença de Alzheimer envolvem principalmente:7-10

  • alterações nas áreas de memória e de linguagem;7-10
  • alterações na orientação visuoespacial;7-10
  • alterações na personalidade;7-10
  • diminuição da capacidade de julgamento;7-10
  • tendência a vagar;7-10
  • psicose;7-10
  • distúrbios de humor;7-10
  • agitação;7-10
  • problemas de sono.7-10

Esses sintomas afetam significativamente a vida diária das pessoas acometidas pela doença.7-10

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da Doença de Alzheimer é feito por meio de uma avaliação abrangente, que inclui:7-10

  • a história do paciente — uma entrevista com um informante confiável para obter informações sobre o histórico familiar;7-10
  • o exame físico e neurológico — uma avaliação física e neurológica do paciente;7-10
  • os exames laboratoriais de rotina — como hemograma, testes de função da tireoide, vitamina B12, ácido fólico e outros;7-10
  • os exames laboratoriais opcionais — como taxa de sedimentação de eritrócitos, sorologia para o vírus da imunodeficiência humana (HIV), 7-10
  • sorologia para a doença de Lyme, análise de urina, triagem de drogas na urina, punção lombar e eletroencefalografia;7-10
  • a neuroimagem — tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM).7-10

Quais são as formas de tratamento?

Como se conscientizar sobre doenças crônicas? Veja aqui!

O tratamento da Doença de Alzheimer tem como objetivo melhorar a cognição e minimizar perturbações comportamentais, como depressão, psicose, agitação e insônia.4 Para isso, são implementados cuidados psicossociais, como a terapia e o uso de medicamentos.7

Além disso, manter a hidratação, a nutrição, a prática de exercícios e a higiene adequada é crucial, assim como o apoio familiar.7

Outro ponto importante engloba os estágios de progressão da Doença de Alzheimer: leve, moderado e grave. Cada um deles, geralmente, demanda uma abordagem terapêutica diferente.8

No tratamento farmacológico da Doença de Alzheimer, quatro níveis podem ser definidos:8,9

  1. abordagem terapêutica específica, que visa à reversão dos processos patofisiológicos que, normalmente, conduzem à demência e à morte neuronal;
  2. abordagem profilática, que busca retardar o início da demência ou prevenir o declínio cognitivo, quando deflagrado o processo;
  3. tratamento sintomático, com o intuito de restaurar, mesmo que parcial ou provisoriamente, as capacidades cognitivas, o comportamento comum dos pacientes que convivem com a demência e as habilidades funcionais;
  4. abordagem terapêutica complementar, que visa ao tratamento de manifestação não cognitivas da demência, como agressividade, depressão, psicose etc.

Inclusive,vale a pena ressaltar que o tratamento conduzido a partir da administração de inibidores da enzima acetilcolinesterase tem demonstrado uma consistente eficácia no alívio dos sintomas da Doença de Alzheimer e a redução da progressão da patologia. Os resultados foram vistos em, aproximadamente, 30% a 40% dos pacientes.9

Fibromialgia

Quando se fala em fibromialgia, a palavra-chave é “dor”. Essa doença crônica é conhecida por gerar uma percepção diferente para essa sensação, prejudicando a qualidade de vida dos pacientes.11 Continue para saber mais!

O que é?

A fibromialgia é uma condição caracterizada por dor musculoesquelética crônica generalizada, acompanhada de fadiga, distúrbios cognitivos e sintomas somáticos. Sua causa é desconhecida, mas é desencadeada ou agravada por vários estressores físicos e emocionais.11,12 

A fibromialgia envolve uma dificuldade no processamento da dor no cérebro e apresenta alterações genéticas e no sistema nervoso central, levando os pacientes a perceber estímulos dolorosos em níveis mais baixos e experimentar intensidade de dor aumentada.11,12 

Quais são os sintomas?

Os sintomas da fibromialgia incluem:13

  • dor generalizada, envolvendo partes superiores e inferiores do corpo;
  • fadiga, especialmente ao acordar, mas também durante a tarde;
  • dificuldades com a atenção e tarefas que exigem mudanças rápidas no pensamento;
  • dores de cabeça;
  • distúrbios gastrointestinais;
  • olhos secos;
  • falta de ar;
  • palpitações e outros.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da fibromialgia é realizado com base em critérios específicos. Houve uma evolução nos critérios ao longo do tempo.5 Ele é predominantemente clínico, ou seja, não há exames que tragam um resultado positivo para o problema.12

Quais são as formas de tratamento?

O tratamento da fibromialgia abrange educação do paciente, exercícios cardiovasculares e medicamentos, como antidepressivos e anticonvulsivantes. A terapia combinada, programas de exercícios supervisionados e intervenções psicossociais são considerados em casos persistentes.12,14

Consultas com especialistas podem ser necessárias para casos não responsivos às terapias iniciais. Opções limitadas de analgésicos e terapias alternativas, incluindo técnicas de neuromodulação, também podem ser exploradas.12,14

Lúpus

Para finalizar, vamos falar sobre uma das doenças crônicas mais faladas, porém menos conhecidas. Lúpus é uma alteração sistêmica, ou seja, que afeta o corpo como um todo e pode ter implicações graves para a saúde.15

O que é?

O lúpus é uma doença autoimune crônica e inflamatória que afeta múltiplos sistemas orgânicos. Existem quatro tipos principais de lúpus: neonatal, discoide, induzido por medicamentos e o lúpus eritematoso sistêmico (LES), que afeta a maioria dos pacientes.15,16

No LES, ocorre uma perda de autotolerância devido a transtornos imunológicos, levando à produção de autoanticorpos e formação de complexos imunes que prejudicam tecidos saudáveis.16

Embora o mecanismo exato seja desconhecido, fatores hormonais, ambientais e anormalidades imunológicas estão envolvidos.Além disso, há a questão genética. Nesse caso, os genes participam a partir de mecanismos de ação diversos, podendo colaborar com o desenvolvimento do lúpus.16

Quais são os sintomas?

Os sintomas do lúpus incluem:17

  • dor e rigidez, com ou sem inchaço, afetando áreas como pescoço, coxas, ombros e braços superiores;
  • febre;
  • erupções na pele;
  • dor no peito;
  • queda de cabelo;
  • problemas de memória;
  • sensibilidade à luz;
  • aftas;
  • secura nos olhos;
  • cansaço extremo e prolongado.9

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico de lúpus pode ser desafiador, pois seus sintomas podem se assemelhar aos de outras doenças.18 Atualmente não há um teste único e especifico para detecção de lupus, mas o médico pode utilizar os seguintes métodos:

  • histórico médico;
  • exame físico completo, no qual o médico procurará por sinais como erupções cutâneas e outros indicativos de problemas;
  • exames de sangue e urina;
  • biópsia de pele ou rim.

Quais são as formas de tratamento?

Não há cura para o lúpus, mas o tratamento visa melhorar os sintomas e proporcionar alívio. O plano de tratamento é personalizado de acordo com os sintomas e as necessidades específicas de cada paciente. Os objetivos do tratamento incluem:

  • minimizar a ocorrência de surtos agudos da doença;
  • tratar os sintomas quando surgem, como dor nas articulações, erupções cutâneas ou fadiga;
  • diminuir a possibilidade de danos permanentes nos órgãos e evitar; complicações associadas à doença.

O tratamento pode envolver medicamentos, terapias físicas e ocupacionais, além de medidas para gerenciar o estresse.19-20

Qual é a importância da conscientização de doenças crônicas para um diagnóstico precoce?

Conforme mencionado, a conscientização é uma das práticas fundamentais para informar às pessoas sobre sintomas e eventuais tratamentos de várias doenças. Assim, o reconhecimento de que algo pode estar errado é facilitado, bem como a busca de atendimento médico.

Hoje você viu a importância da conscientização de doenças crônicas, uma medida extremamente necessária para viabilizar a disseminação de informações sobre as patologias crônicas, como Doença de Alzheimer, lúpus e fibromialgia. Agora, faça a sua parte e compartilhe o conhecimento!

Para continuar se informando, aproveite para ler mais conteúdos sobre esse e outros temas no blog Vida Plena. Estamos com você!

Referências:

1. Brasil, Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações. Campanha | fevereiro roxo e laranja. 2022 Disponível em: https://www.gov.br/cetene/pt-br/assuntos/noticias/campanha-fevereiro-roxo-e-laranja. Acesso em: 27.03.2024

2. Cofen. Ação de conscientização para o Fevereiro Roxo e Laranja. 2024. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/cofen-promove-acao-de-conscientizacao-para-o-fevereiro-roxo-e-laranja/. Acesso em: 27.03.2024

3. UFMG. As cores dos meses e seus significados – Espaço do Conhecimento UFMG. 2022. Disponível em: <https://www.ufmg.br/espacodoconhecimento/as-cores-dos-meses-e-seus-significados/>. Acesso em: 31 jan. 2024.

4. Smolensky MH, Portaluppi F,

 Manfredini R, Hermida RC, Tiseo R, Sackett-Lundeen LL, Haus EL. Diurnal and twenty-four hour patterning of human diseases: acute and chronic common and uncommon medical conditions. Sleep Med Rev. 2015 Jun;21:12-22.

5. AIHW- Australian Institute of Health and Welfare Chronic conditions and multimorbidity. 2023. https://www.aihw.gov.au/reports/australias-health/chronic-conditions-and-multimorbidity. Acesso em: 27.03.2024

6. Kushner RF, Sorensen KW. Lifestyle medicine: the future of chronic disease management. Curr Opin Endocrinol Diabetes Obes. 2013 Oct;20(5):389-95

7. Schachter AS, Davis KL. Alzheimer’s disease. Dialogues Clin Neurosci. 2000 Jun;2(2):91-100

8. Breijyeh Z, Karaman R. Comprehensive Review on Alzheimer’s Disease: Causes and Treatment. Molecules. 2020 Dec 8;25(24):5789.

9. Sereniki A, Vital MABF. A doença de Alzheimer: aspectos fisiopatológicos e farmacológicos. Rev psiquiatr Rio Gd Sul. 2008;30(1).

10. NIA – National Insitute on Aging. What Are the Signs of Alzheimer’s Disease? 2022. Disponível em: https://www.nia.nih.gov/health/alzheimers-symptoms-and-diagnosis/what-are-signs-alzheimers-disease. Acesso em: 27.03.2024

11. Bhargava J, Hurley JA. Fibromyalgia. StatPearls, 2023 . Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK540974/. Acessso em: 27.03.2024

12. Siracusa R, Paola RD, Cuzzocrea S, Impellizzeri D. Fibromyalgia: Pathogenesis, Mechanisms, Diagnosis and Treatment Options Update. Int J Mol Sci. 2021 Apr 9;22(8):3891.

13. Häuser, W., Ablin, J., Fitzcharles, MA. et al. Fibromyalgia. Nat Rev Dis Primers. 2015, 1: 15022

14. Giorgi V, Sirotti S, Romano ME, Marotto D, Ablin JN, Salaffi F, Sarzi-Puttini P. Fibromyalgia: one year in review 2022. Clin Exp Rheumatol. 2022 Jun;40(6):1065-1072

15. Maidhof W, Hilas O. Lupus: an overview of the disease and management options. P T. 2012 Apr;37(4):240-9. PMID: 22593636

16. Ameer MA, Chaudhry H, Mushtaq J, Khan OS, Babar M, Hashim T, Zeb S, Tariq MA, Patlolla SR, Ali J, Hashim SN, Hashim S. An Overview of Systemic Lupus Erythematosus (SLE) Pathogenesis, Classification, and Management. Cureus. 2022 Oct 15;14(10):e30330.

17. Cojocaru M, Cojocaru IM, Silosi I, Vrabie CD. Manifestations of systemic lupus erythematosus. Maedica (Bucur). 2011 Oct;6(4):330-6.

18. Yu C, Gershwin ME, Chang C. Diagnostic criteria for systemic lupus erythematosus: a critical review. J Autoimmun. 2014 Feb-Mar;48-49:10-3.

19. Vale ECS do, Garcia LC. Cutaneous lupus erythematosus: a review of etiopathogenic, clinical, diagnostic and therapeutic aspects . An Bras Dermatol [Internet]. 2023May;98(3):355–72.

20. Lazar, S & Kahlenberg, J.M. Systemic Lupus Erythematosus: NewDiagnostic and Therapeutic Approaches. Annu. Rev. Med. 2023. 74:339–52