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Está com sonolência excessiva diurna? Veja o que pode ser

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Tem dias em que nos sentimos mais cansadas e sonolentas, o que geralmente acontece quando a noite de sono não foi das mais recompensadoras. Isso é normal! Entretanto, se esse passa a ser um padrão em nosso dia a dia, é um sinal de alerta para algo errado em nosso organismo. Isto indica que temos uma sonolência excessiva diurna (SED).1

Para ilustrar melhor, imagine os seguintes cenários: cair no sono durante uma conversa, em pleno horário de trabalho ou até mesmo ao dirigir.1 Se você se identifica com esses sintomas ou se interessa pelo assunto, continue a leitura por aqui.

O que é sonolência excessiva diurna?

A sonolência excessiva diurna é um sintoma relacionado a distúrbios do sono que acomete em torno de 10% a 25% da população geral.2 Seu impacto negativo na qualidade de vida da pessoa é tão grande, que ela não consegue se manter acordada e alerta durante o dia.2

A pessoa afetada pelo excesso de sono diurno tende a estar sempre cansada e com a sensação de constante fadiga.2 Para completar, está entre os distúrbios do sono que mais causam acidentes de trânsito.1,3

Nesse sentido, estima-se que a sonolência seja responsável por cerca de 40% das ocorrências fatais na direção.3 Portanto, caso a pessoa apresente algum grau de sonolência, os especialistas afirmam que ela não deve dirigir ou manejar equipamentos que ofereçam algum risco.3

O Dr. Fernando Morgadinho, neurologista e especialista em Medicina do Sono, explica que “a liberação para as atividades profissionais em pacientes com sonolência depende, primordialmente, da quantificação adequada subjetiva e objetiva”.3

Mas afinal, como se quantifica a sonolência? É o que vamos explicar no próximo tópico.

Como é feita a quantificação da sonolência?

O sono diurno excessivo se apresenta em diversos graus. Pode ser uma sonolência leve, que chega acompanhada por distração, até uma forma mais grave. Nesse cenário, ocorrem episódios de sono involuntário e a pessoa ainda pode ter amnésia.2

Os métodos de quantificação da sonolência são divididos em subjetivos (questionários) e objetivos (exames).3 Confira!

Métodos subjetivos

  • Escala de Sonolência Epworth (ESE) — É um método que quantifica os últimos 30 dias de sono da pessoa por meio de um questionário que avalia questões cotidianas.3
  • Escala de Sonolência Stanford (SSS) — Esse método determina o grau de sonolência no momento exato em que a avaliação está sendo realizada.3

Métodos objetivos

  • Teste das Latências Múltiplas do Sono (TLMS) — Aqui são utilizados eletrodos no corpo para definir as fases do sono e de vigília. Um protocolo específico é aplicado durante o dia, após a realização de uma polissonografia prévia durante a noite.3
  • Psychomotor Vigilance Task (PVT) — Esse é o nome do aparelho que verifica o nível de atenção e de vigília. A pessoa deve acionar um comando sempre que números aleatórios aparecerem no visor.3

Quais os sintomas da sonolência excessiva diurna?

Está com sonolência excessiva diurna? Veja o que pode ser

Essa hipersonolência diurna por si só já é considerada um grave sintoma, mas que gera muitas outras complicações. É importante saber que essa condição se difere da fadiga, que é caracterizada, principalmente, por uma sensação de mal-estar muscular que melhora com o repouso.3

Quando exigimos muito da nossa musculatura, como em atividades físicas mais puxadas, o resultado é a fadiga.3 Há casos específicos de doenças neurológicas e reumatológicas, como esclerose múltipla (EM), distrofias e vasculites, que também provocam esse estado.3

Porém, ao contrário da fadiga, que piora com a atividade física, a sonolência excessiva diurna melhora com essa prática, que tende a deixar a pessoa mais alerta, amenizando os sintomas do cansaço durante o dia.3

Diferenciar o excesso de sono diurno de outros transtornos pode ser um desafio, e é um fato comprovado que as pessoas sonolentas têm dificuldades em interpretar seus sintomas, que costumam ser confundidos com cansaço ou fadiga.2

Fique de olho em algumas manifestações da sonolência excessiva diurna:

  • falta de energia;1
  • raciocínio lento;1
  • perda de memória;1
  • baixo rendimento na escola ou no trabalho;4
  • dificuldade nas interações sociais;4
  • depressão;5
  • irritabilidade;6
  • estresse.6

Lembrando que, para receber o diagnóstico de SED por um especialista, a pessoa deve apresentar os sintomas por mais de três meses.2

Quais as causas da sonolência excessiva diurna?

Se você sente que a qualidade e a quantidade de horas de sono não estão sendo suficientes para o seu descanso, é preciso ficar alerta, pois esses fatores estão diretamente relacionados à condição do sono diurno excessivo.2

É importante destacar que a sonolência excessiva diurna está entre os principais sintomas de transtornos do sono, como apneia obstrutiva, insônia ou narcolepsia, assim como da falta de uma rotina noturna ou do uso de substâncias psicoativas, por exemplo.1,6

Apneia do sono

A apneia do sono acontece quando a via aérea no nível da garganta é obstruída, causando uma interrupção na respiração por até 20 segundos.7 O resultado você já deve ter visto: sabe quando uma pessoa desperta repentinamente emitindo um alto som de ronco? Pois então, isso é o que acontece com quem sofre desse problema, que pode se repetir muitas vezes durante a noite.7

Logicamente, a pessoa não descansa o suficiente e fica sujeita à sonolência excessiva diurna.8 A apneia obstrutiva do sono também leva a consequências mais graves, como síndrome metabólica, derrame etc.7

Insônia

No caso da insônia, aquela conhecida dificuldade de pegar no sono e/ou mantê-lo contínuo durante a noite, há muitos fatores que podem desencadeá-la, de estresse e preocupações excessivas a problemas clínicos e crônicos.7 Mas o principal aqui é entender que ela está intimamente relacionada ao excesso de sono diurno.1

Narcolepsia

A começar pelo nome, que significa ataque de sono, a narcolepsia é uma síndrome neurológica crônica que tem a sonolência excessiva diurna como seu principal sintoma, o qual ocorre em todos os pacientes diagnosticados.8,9 Cerca de 0,5% da população sofre da condição, manifestando a hipersonolência diurna em diversos graus.9

Quais os tratamentos indicados?

É recomendado para quem sofre de sonolência excessiva diurna se tratar o quanto antes, já que o sintoma pode se manifestar quando menos se espera e por várias vezes durante o dia, além de indicar a possibilidade de algo mais grave por trás, como os distúrbios que conhecemos nas linhas anteriores.1,8

Vale frisar que as mulheres têm mais tendência a desenvolver essa sonolência.4,6 Mesmo que apresentem mais horas dormidas em relação aos homens, a qualidade está abaixo da esperada.6

Para melhorar o cansaço ao longo do dia, as dicas envolvem cuidar da qualidade do sono7, como:

  • deixar de trabalhar cerca de duas horas antes de dormir;
  • só se deitar para dormir quando estiver com sono;
  • deitar e acordar sempre nos mesmos horários;
  • evitar consumir bebidas alcoólicas ou cafeína antes de dormir;
  • não se alimentar perto da hora de dormir;
  • evitar assistir TV próximo da hora de dormir;
  • não se exercitar próximo da hora de dormir.7

Descobrir as causas da sonolência excessiva diurna é imprescindível para não ter agravantes na saúde mental e física. Buscar um especialista é o ideal, para que seja feito o diagnóstico correto.

O tratamento é direcionado de acordo com a intensidade, e o médico pode optar por terapias não medicamentosas, com recomendações para a higiene do sono. Mas se os sintomas persistirem, é possível recorrer à prescrição de medicamentos.1,2

Pelo visto, quando se trata da qualidade do sono, precisamos estar mais do que alertas. A sonolência excessiva diurna afeta a vida das pessoas e traz diversos e graves danos, como acidentes de trânsito e de trabalho.1,2 Por isso, não deixe de procurar ajuda médica e de se informar sobre o assunto. Leia mais sobre sono em nosso e-book.

Referências:

1. Fundação Nacional do Sono. Transtornos do sono. Fundasono. [Internet]. Disponível em: https://www.fundasono.org.br/index.php/sono/transtornos?option=com_content&view=article&id=17. Acesso em: 04 maio 2024.

2. Giorelli AS, dos Santos PP, Carnaval T, Gomes MM. Sonolência excessiva diurna: aspectos clínicos, diagnósticos e terapêuticos. Rev. Brasileira de Neurologia. 2012;48(3):17-24. Disponível em: http://files.bvs.br/upload/S/0101-8469/2012/v48n3/a3209.pdf. Acesso em: 04 maio 2024.

3. Morgadinho F. Sono nosso de cada dia. São Paulo: Editora ConectFarma (Projeto Livro do Sono – Laboratório Libbs), 2023. E-book.

4. Barbosa SMML, Batista RFL, Rodrigues LS et al. Prevalência de sonolência diurna excessiva e fatores associados em adolescentes da coorte RPS, em São Luís (MA). Rev. Bras. Epidemiol. 2020;23:e200071. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbepid/a/QvDWDcVCxnNPW3csxYLmJHn/?format=pdf. Acesso em: 04 maio 2024.

5. Chellappa SL. Sonolência excessiva diurna e depressão: causas, implicações clínicas e manejo terapêutico. Rev psiquiatr. Rio Gd Sul. 2009;31(3). Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0101-81082009000400001. Acesso em: 04 maio 2024.

6. Vaz AL de L, Gléria VO, Bastos CFC, Sousa IF de, Silva AMTC, Almeida RJ de. Fatores associados aos níveis de fadiga e sonolência excessiva diurna em estudantes do internato de um curso de medicina. Rev Bras Educ Med. 2020;44(1):e011. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1981-5271v44.1-20190150. Acesso em: 04 maio 2024.

7. Biblioteca Virtual em Saúde/Ministério da Saúde. Distúrbios do sono. 2012. [Internet]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/disturbios-do-sono/. Acesso em: 04 maio 2024.

8. Mikael LR. Sonolência excessiva diurna: um sintoma comum à narcolepsia e à apneia obstrutiva do sono. Revista Científica do IAMSPE. 2021, v. 10, n. 3:30. Disponível em: https://ojs.iamspe.sp.gov.br/index.php/revistacientifica/article/view/15. Acesso em: 04 maio 2024.

9. Coelho FMS, Elias RM, Pradella-Hallinan M, Bittencourt LRA, Tufik S. Narcolepsia. Arch Clin Psychiatry (São Paulo). 2007;34(3):133–8. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0101-60832007000300005. Acesso em: 04 maio 2024.