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Publicado em: 31 de agosto de 2023
Assuntos abordados
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É difícil ignorar como a depressão afeta a vida das pessoas que sofrem com ela. Seja qual for a faixa etária do indivíduo atingido por essa condição, as repercussões dos sintomas atingem diversos âmbitos da saúde e das relações interpessoais.
Por isso, neste conteúdo, você vai entender mais sobre as consequências que um quadro depressivo pode ter sobre a pessoa afetada e os contextos em que ela está inserida. Acompanhe para saber mais.
Considerando os pontos levantados, é fácil entender por que a depressão é um problema de saúde pública. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), os transtornos depressivos são um problema importante de saúde mental em todo o mundo, afetando o bem-estar e produtividade de pessoas de diferentes idades.1
Ainda de acordo com a OMS, a estimativa é de que cerca de 300 milhões de pessoas sofram com a condição que, embora gere impacto significativo, pode melhorar se devidamente tratada.1
Antes de entender melhor o impacto da depressão na vida de quem sofre com ela, vale recapitular algumas características do diagnóstico desse quadro.
É importante, por exemplo, reforçar que depressão e tristeza são diferentes. Assim, de forma resumida, um quadro de transtorno depressivo maior (nome daquilo que comumente chamamos de depressão) é caracterizado pela presença de um humor deprimido a maior parte do dia, quase todos os dias indicado pelo relato da própria pessoa ou pela observação de terceiros.2 Além disso, o paciente depressivo pode apresentar2:
Para fechar o diagnóstico, o médico ou psicólogo deve avaliar a persistência de parte desses sintomas por pelo menos duas semanas.2 Outro aspecto relevante é que tais comportamentos não podem ser explicados por outras condições médicas2. Além disso, é importante considerar que outros eventos da vida (como o término de um relacionamento, a morte de alguém querido ou problemas financeiros, entre outros) podem gerar sintomas similares, mas que tendem a melhorar com o tempo. Assim, é preciso que a avaliação profissional seja cuidadosa e saiba diferenciar ambas as condições.2
Seja como for, a partir do momento em que constituem um problema de saúde relativamente comum, é importante considerar os reflexos dessa condição do ponto de vista individual e social. A prevalência de episódios depressivos está associada, por exemplo, a uma maior mortalidade, a elevação do sofrimento individual e da redução da capacidade de desenvolver uma série de tarefas.3
Além disso, a literatura especializada sobre o tema aponta que os quadros depressivos tendem a afetar a qualidade de vida em todos os âmbitos, mesmo quando ajustados em relação a outros parâmetros.4 É comum, por exemplo, que pessoas com depressão apresentem maiores níveis de tensão, maior irritabilidade social, estresse financeiro, limitação ocupacional e um maior número de dias perdidos no trabalho que pessoas sem sintomas depressivos.4
Alguns estudos também indicam que, em determinados quadros, o prejuízo na qualidade de vida e no funcionamento social provocado pela depressão pode ser até 23 vezes maior do que aquele gerado por doenças físicas.4
Inclusive, parece que a piora da qualidade de vida percebida em pacientes com depressão não está associada somente aos sintomas depressivos, mas também a variáveis psicológicas (como a autoestima, por exemplo), a dificuldade em lidar com os problemas relacionados ao humor depressivo, os subtipos do quadro depressivo e a presença de suporte social.3
Dessa forma, compreender as diferentes dimensões do impacto gerado pela depressão pode contribuir para que profissionais de saúde, pacientes e pessoas ao redor consigam compreender melhor de que forma a depressão pode afetar diferentes dimensões da vida de quem sofre com ela.
Os impactos emocionais estão no cerne do diagnóstico de depressão. Não por menos, é fundamental que o paciente apresente sintomas como humor deprimido ou perda de interesse em atividades antes satisfatórias para consolidar o diagnóstico do transtorno depressivo maior5 Esse segundo traço do quadro depressivo recebe o nome de anedonia. Ela pode ser caracterizada tanto pela perda de prazer em quase todas as atividades ou a dificuldade para reagir estímulos prazerosos.6
Vale considerar também que diferentes subtipos de depressão podem fazer com que as manifestações dos sintomas que provocam maior impacto emocional sejam diferentes. Nos chamados quadros de distimia, por exemplo, o paciente pode apresentar mau humor crônico e irritabilidade constante e não necessariamente o humor deprimido.6
A ansiedade, por sua vez, costumam ser um sintoma associado a diversos quadros depressivos.6 Desse modo, o paciente pode apresentar sinais como tensão e inquietação motora, além de angústia associada aos sintomas depressivos.6 Outras alterações comuns associadas à ansiedade no quadro depressivo são a dificuldade de se concentrar (sobretudo devido à preocupação excessiva) e o temor constante de que algo ruim irá acontecer.6
Junto com o humor depressivo podem aparecer sensações relacionadas a um sentimento permanente de desesperança e pensamentos relacionadas à morte e à ideação suicida.6 Tais manifestações são os primeiros indicativos de um comportamento suicida, que pode levar ao pior desfecho de um quadro depressivo.7 Por isso, o acompanhamento profissional deve ser capaz de identificar e intervir em tal condição antes que o pior aconteça.
Entre as ideias mais comuns desse tipo de manifestação estão desde a vontade de morrer para finalizar o sofrimento, a ideia de que a própria morte pode ser a solução dos problemas, o planejamento para concretizar tal ato ou mesmo a condução de atitudes preparatórias para dar curso a tal intenção.6
É provável que a pessoa neste estágio apresenta ambivalência sobre a vontade de morrer, impulsividade e rigidez (manifestada pela dificuldade em ver seu problema a partir de outras perspectivas e encontrar uma solução). Esses sinais podem ser úteis para que o profissional de saúde avalie a condição e intervenha no quadro7.
De qualquer forma, quando se fala de prevenção ao suicídio, é importante desmitificar alguns pontos. O principal deles é aquele bastante comum que aponta que pessoas que vão pôr fim à própria vida não falam sobre isso e só querem chamar a atenção. Embora não seja fácil identificar, em parte dos casos quem concretiza uma tentativa de suicídio percorreu um longo processo e deixou vários sinais pelo caminho.7
Dentro das principais alterações físicas, os distúrbios no sono costumam ser um sintoma frequente, por exemplo. A insônia costuma ser o mais comum deles e muitas evidências indicam que a dificuldade para dormir pode ser um primeiro indicativo da evolução de um quadro depressivo5.
Pacientes deprimidos também podem apresentar maior sensação de apatia e fadiga, fazendo com que eles se sintam incapazes de levar adiante tarefas que exijam esforço físico ou mental. A apatia pode também contribuir para uma perda de interesse em atividades prazerosas, para uma percepção de indiferença ou mesmo para uma maior dificuldade em tomar decisões5. Quando isso se acentua, o paciente pode experimentar um distanciamento emocional, onde os pacientes alegam não conseguir sentir nada, mesmo quando determinado evento ou experiência apresentam um importante valor emocional5.
Outro sintoma de natureza complexa, mas muito relatado por quem sofre com a depressão são as disfunções sexuais. Elas são caracterizadas pela diminuição da libido e do desejo sexual, redução da excitação sexual, menor frequência sexual e um indesejado período maior para alcançar o orgasmo.5
Embora a prevalência desse sintoma seja alta em pacientes com depressão, ela pode ainda ser exacerbada pelo uso de determinados antidepressivos. Entre aqueles que usam medicamentos da classe dos inibidores seletivos de recaptação de serotonina, tal sintoma pode atingir até 60% dos pacientes tratados.5Apesar disso, em muitos casos, os pacientes têm dificuldade em relatar tal desconforto, dificultando o manejo adequado.
Além da dificuldade de tomar decisões e de se concentrar ou da presença de esquecimentos constantes, a depressão pode levar a uma série de outros impactos cognitivos. Eles dizem respeito à dificuldade de atenção, compreensão verbal ou não verbal, comprometimento da memória, na capacidade de resolver problemas e na velocidade de processamento dos pensamentos, fazendo com que até mesmo a função motora fique mais lenta.8
Embora muitas vezes esses sintomas sejam ignorados, eles podem estar por trás de boa parte do comprometimento funcional gerado pela depressão.8 Dessa forma, ajudar o paciente a lidar com esses sintomas durante o tratamento pode ajudá-lo a obter uma evolução melhor em relação ao seu quadro, uma vez que essas dificuldades tendem a trazer impactos psicossociais significativos, além de uma série de déficits que podem permanecer mesmo após a remissão dos sintomas do quadro depressivo.8 Ou seja, é importante considerar essas manifestações como parte da depressão e não uma lista de sinais secundários.8
Felizmente, a depressão é um problema que, depois de devidamente diagnosticado, pode ser tratado com a combinação de uma série de intervenções.9 Entre as medidas mais adotadas estão os medicamentos, a psicoterapia e algumas mudanças no estilo de vida9. A partir disso, a primeira abordagem costuma combinar os antidepressivos com o suporte psicológico.9 Em boa parte dos quadros, tal combinação se mostra mais efetiva que os tratamentos isolados.9
Entre as diferentes classes de medicamentos disponíveis no mercado, a maioria das classes apresenta efetividade similar. Contudo, os efeitos colaterais podem variar conforme o fármaco escolhido.9 De qualquer maneira, os já mencionados inibidores seletivos de recaptação de serotonina são atualmente os mais prescritos. Levando isso em consideração, a prescrição também pode levar em conta o histórico do paciente na resposta ao tratamento em relação a episódios depressivos anteriores. 9
Como o próprio nome indica, os inibidores seletivos de recaptação de serotonina atuam impedindo que as moléculas de serotonina sejam reabsorvidas pelo neurônio, permanecendo disponíveis por mais tempo na fenda sináptica, aumentando a concentração do neurotransmissor. Assim, isso estaria associado à melhora do quadro depressivo. Os ISRS costumam ser a primeira opção no tratamento da depressão.9
Com o tempo, novos medicamentos vêm surgindo, combinando uma maior eficiência no tratamento da depressão e um menor efeito gerado pelos efeitos colaterais.
A psicoterapia, em combinação com a medicação, tem mostrado maior efetividade na resolução da condição.9 Além disso, mudanças de estilo de vida podem ajudar na redução dos sintomas.9
Entender como a depressão afeta a vida das pessoas não apenas enquanto os sintomas se manifestam mas também depois que o quadro melhora é um passo importante para remover o estigma em torno desse problema. Assim, fica mais fácil reconhecer como conviver com esse problema impacta a forma como o paciente desenvolve suas atividades diárias e se relaciona com aqueles ao seu redor, seja em casa, seja no trabalho.
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1. Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Depressão [internet]. [acesso em Maio de 2023]. Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/depressao
2. American Psychiatric Association. DSM-5: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Artmed Editora, 2014.
3. Lima AFBS and Fleck MPA. Qualidade de vida e depressão: uma revisão da literatura. Rev. psiquiatr. Rio Gd. 2009, 31(3): 1-12.
4. Cassano P, Fava M. Depression and public health: an overview. J Psychosom Res. 2002 Oct;53(4):849-57.
5. Kennedy SH. Core symptoms of major depressive disorder: relevance to diagnosis and treatment. Dialogues Clin Neurosci. 2008;10(3):271-7.
6. Dalgalarrondo, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Artmed Editora, 2018.
7. Associação Brasileira de Psiquiatria. Suicídio: informando para prevenir [internet]. [acesso em Maio de 2023]. Disponível em: https://www.flip3d.com.br/web/pub/cfm/index9/?numero=14#page/22
8. Rock PL, Roiser JP, Riedel WJ, Blackwell AD. Cognitive impairment in depression: a systematic review and meta-analysis. Psychol Med. 2014 Jul;44(10):2029-40.
9. Bains N, Abdijadid S. Major Depressive Disorder. [Updated 2023 Apr 10]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2023 Jan-
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