Scroll
O que são antiarrítmicos? Conheça essa classe de remédios para o coração!

Sem tempo para ler? Clique no play abaixo para ouvir esse conteúdo.

Você já ouviu falar sobre as arritmias cardíacas? Elas são caracterizadas por uma alteração nos impulsos elétricos enviados ao coração, o que acaba culminando na mudança do ritmo de batimento desse órgão.1-3

Sendo assim, os antiarrítmicos são medicações utilizadas para tentar equilibrar esses impulsos elétricos e fazer com que o coração volte a bater no ritmo considerado normal.1-3 Mas afinal, como esses medicamentos funcionam e quais são as outras formas de tratar as arritmias?

Continue a leitura para entender mais sobre o assunto e tirar as principais dúvidas sobre a classe dos antiarrítmicos, um grupo de medicamentos que ajuda a salvar muitas vidas!

O que é uma arritmia?

As células do coração geram impulsos elétricos, chamados de potencial de ação, que controlam o ritmo cardíaco. Quando há um desequilíbrio nesses impulsos, o coração pode bater de forma diferente. Então, temos uma arritmia.1

Mas o que causa as arritmias? De modo geral, as razões são:1

  • um impulso elétrico encontra uma área com resistência, como uma cicatriz no coração, e cria um “circuito” anormal;
  • algumas células do coração começam a gerar impulsos de forma descontrolada;
  • um estímulo elétrico anterior causa impulsos extras inesperados.

Quais são os tipos de arritmia?

Há vários tipos de arritmia, como as arritmias de origem ventricular, que podem incluir as contrações ventriculares prematuras isoladas e assintomáticas, a taquicardia ventricular rápida e a fibrilação ventricular.4 Além disso, temos a fibrilação atrial.2

Dentre elas, a mais comum é a fibrilação do átrio, ou fibrilação atrial, que está associada ao risco de complicações potencialmente graves como Acidente Vascular Cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca, que aumentam a morbidade e mortalidade.2

A fibrilação atrial também é classificada em vários tipos. Isso porque ela normalmente começa com episódios curtos e autolimitados, evoluindo para formas mais persistentes ou crônicas.2

As classificações são:2

  • fibrilação atrial paroxística, com duração inferior a 7 dias;
  • fibrilação atrial persistente, com duração superior a 7 dias;
  • fibrilação atrial persistente de longa duração, quando permanece por mais de 12 meses, podendo inclusive se tornar permanente.

Além disso, pode ocorrer fibrilação atrial pós-operatória. Como o nome indica, ela é mais frequente após cirurgias cardíacas ou não cardíacas. Normalmente, ela é transitória.2

Os sintomas associados à fibrilação atrial podem incluir palpitações e redução da tolerância ao exercício. Em alguns casos, a condição é assintomática.2

O que são os antiarrítmicos?

O que são antiarrítmicos? Conheça essa classe de remédios para o coração!

Agora, vamos entender o que são os antiarrítmicos. O nome deles já nos dá uma boa dica: são os medicamentos usados para tratar as arritmias do coração.1

O mais interessante é que eles acabam sendo úteis para tratar arritmias que afetam tanto os átrios (parte superior do coração) quanto os ventrículos (parte inferior).1

Quais são as classes de antiarrítmicos e como funcionam? 

Os medicamentos usados para tratar arritmias (batimentos irregulares do coração) são divididos em grupos, baseados na forma como eles ajudam o coração a bater de maneira mais regular.4 Aqui está uma explicação das principais classes!

Classe I

Os reguladores de ritmo cardíaco ajudam a controlar o ritmo do coração, diminuindo sinais elétricos rápidos que podem causar arritmias. São usados em casos específicos, mas com cuidado, porque podem causar efeitos indesejados em pessoas com doenças cardiovasculares.4

Classe II 

Neste caso, os medicamentos diminuem o estresse no coração ao reduzir a frequência cardíaca e controlar os sinais enviados pelo sistema nervoso. São os mais usados para proteger pessoas com problemas no coração, prevenindo desmaios e mortes súbitas.4

Classe III 

Esta classe ajuda o coração a bater mais regularmente, combinando dois efeitos: controle dos sinais elétricos e redução do estresse no coração.4

Classe IV 

Estes medicamentos diminuem a intensidade dos sinais elétricos em algumas áreas do coração. Por isso, não são recomendados para a maioria das arritmias graves, mas podem ser úteis em casos específicos.4

Outros medicamentos

Há também outros tipos de substâncias que podem ajudar no tratamento das arritmias. Um bom exemplo são os minerais magnésio e cálcio, essenciais para manter o coração estável. Assim, a suplementação pode ser uma boa pedida em alguns casos.4

Quais são as perspectivas para o futuro dos antiarrítmicos? 

Você já viu que os medicamentos antiarrítmicos ajudam a tratar problemas no ritmo do coração, como a fibrilação atrial. No entanto, criar novos remédios para esse tipo de condição não é nada fácil.2

Isso porque muitas substâncias podem causar outros problemas, como arritmias ainda piores ou efeitos em outras partes do corpo, como o pulmão ou o fígado. Nesse contexto, a ideia é que o remédio funcione apenas na região afetada, sem interferir no restante do corpo.2

Quais são as outras formas de tratar a arritmia cardíaca? 

Agora que você já conhece essas informações, é interessante entender quais são as alternativas de tratamento para as arritmias. Vamos lá?

Dispositivos implantáveis  

Um bom exemplo de dispositivos implantáveis são os marcapassos. Já ouviu falar sobre eles? São dispositivos que ajudam a regular o ritmo cardíaco ou a corrigir determinadas formas de arritmias automaticamente.3

Terapia de ressincronização cardíaca 

É uma estratégia usada para pacientes com insuficiência cardíaca e bloqueio de ramo esquerdo, melhorando a função do coração. As novas versões conferem:3

  • maior estabilidade;
  • menor chance de estímulos indesejados;
  • possibilidade de ativar diferentes pontos do coração para melhorar o seu desempenho.

Ablação por cateter

A ablação por cateter é um procedimento que usa calor ou frio para eliminar a atuação de áreas específicas do coração que causam arritmia. Costuma ser eficaz para vários tipos da condição, incluindo fibrilação atrial e taquicardias ventriculares.3

Terapias autonômicas

As terapias autonômicas consistem na estimulação nervosa, para ativar nervos como o vago, ou na ablação dos nervos. Neste segundo caso, é feita a inativação de fibras que exacerbam a arritmia.3

A ideia por trás do funcionamento das terapias autonômicas é que o sistema nervoso autônomo (simpático e parassimpático) influencia diretamente o ritmo do  coração. No futuro, técnicas mais refinadas poderão combinar essas abordagens com outras terapias para maior eficácia.3

Terapias genômicas e genéticas

Os avanços na genética se concentram na descoberta de genes associados a arritmias, como a síndrome de Brugada ou certas formas de morte súbita cardíaca.3

Diante disso, a ideia é personalizar medicamentos e identificar pacientes que respondem melhor a determinados tratamentos. Além disso, há a possibilidade de corrigir diretamente genes que causam arritmias ou até mesmo de reduzir cicatrizes (fibroses) do coração.3

O importante é que, atualmente, há diversas boas opções de fármacos que colaboram com o controle das arritmias.1 Por isso, consulte o seu médico e faça um bom acompanhamento, mantendo seus exames de rotina em dia.

Gostou de saber mais sobre os antiarrítmicos? Então, não se esqueça de consultar um médico para obter mais informações sobre qual é o melhor tipo de medicamento para tratar cada caso. Afinal, cada pessoa é única, assim como o seu tratamento!

Para saber mais sobre a saúde do seu coração e entender como tudo isso funciona, acesse o portal A Vida Plena e confira as nossas outras postagens sobre o assunto!

* Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.  

* As opiniões emitidas pelo(a) especialista são independentes e, necessariamente, não refletem a opinião da Libbs.

Artigo elaborado em: 24 dez. 2024.

Referências:

1. Mankad P, Kalahasty G. Antiarrhythmic Drugs: Risks and Benefits. Med Clin North Am. 2019 Sep;103(5):821-834.

2. Saljic A, Heijman J, Dobrev D. Emerging Antiarrhythmic Drugs for Atrial Fibrillation. Int J Mol Sci. 2022 Apr 7;23(8):4096.

3. Albert CM, Stevenson WG. The Future of Arrhythmias and Electrophysiology. Circulation. 2016 Jun 21;133(25):2687-96.

4. Apte N, Kalra DK. Pharmacotherapy in Ventricular Arrhythmias. Cardiology. 2023;148(2):119-130.