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Publicado em: 23 de dezembro de 2025
As festividades de fim de ano estão chegando e, com elas, vêm os reencontros familiares, alguns dias de descanso e a preparação para um novo ciclo. No meio desse movimento, porém, a saúde do coração também precisa fazer parte do planejamento¹.Pesquisas internacionais mostram que esse período está associado a um aumento de mortes por problemas cardiovasculares, um fenômeno chamado pelos cientistas de “Christmas Holiday Effect” – “Efeito do Feriado de Natal”, em tradução livre. Em termos simples, trata-se da observação de que a mortalidade por causas cardíacas é elevada durante o período festivo de fim de ano.¹
De acordo com os estudos, a época representa um risco aumentado de infarto agudo do miocárdio (IAM), o tipo mais comum de ataque cardíaco. Em um estudo observacional sueco, foi observado um aumento no risco geral de IAM de 15% durante as festas de Natal e Ano Novo².
Esse padrão tem múltiplas explicações. Os pesquisadores apontam fatores típicos do período, como o estresse emocional das festas, mudanças no padrão alimentar, aumento no consumo de bebidas alcoólicas, menor disponibilidade de equipes de saúde e até o fato de muitas pessoas estarem viajando ou longe de suas rotinas habituais².
No Hemisfério Norte, o fenômeno coincide com o inverno, quando as temperaturas baixas e a circulação de vírus contribuem para a elevação do número de internações e óbitos¹. Porém, o clima não explica tudo. Um estudo da Nova Zelândia, que assim como o Brasil vive o Natal e Ano Novo no verão, também apresentou evidências desse efeito, registrando 4,2% mais mortes cardíacas durante o período festivo¹.“Em qualquer estação, o fim do ano é um momento em que o coração fica mais vulnerável e merece atenção especial”, reforça o cardiologista Dr. Jairo Lins Borges (CRM-SP 46977).
À medida que o calendário avança para o fim de ano, o ambiente de celebrações intensifica emoções e altera rotinas, o que pode ter impacto direto no sistema cardiovascular².Segundo o estudo sueco, que analisou 283.014 casos de infarto ao longo de 16 anos, o risco de ataque cardíaco na véspera de Natal foi 37% maior do que nos demais dias analisados. Para os pesquisadores, esse aumento pode estar relacionado ao estresse emocional característico do momento. Emoções intensas como ansiedade, tristeza, luto e estresse podem atuar como gatilhos capazes de elevar a pressão arterial, acelerar os batimentos cardíacos e favorecer a ruptura de placas nas artérias, mecanismos que podem levar ao IAM ².
A explicação fisiológica envolve a liberação acelerada de hormônios associados ao estresse, como adrenalina e noradrenalina³. “Picos de neurotransmissores provocados por pressões financeiras, expectativas familiares ou conflitos emocionais podem prejudicar o sistema cardiovascular, especialmente em quem já tem alguma fragilidade clínica”, explica o Dr. Jairo
Já no dia de Ano Novo, os pesquisadores encontraram um aumento de 20% no risco de infarto, possivelmente influenciado por excesso de álcool e comida, noites mal dormidas e, no hemisfério norte, pela exposição ao frio durante as comemorações². Para o médico, embora o frio não seja um fator relevante em países como o Brasil, “os demais elementos continuam presentes e ajudam a explicar por que as festas podem se tornar um momento crítico para a saúde do coração.”
O estudo destacou ainda que o aumento do risco foi mais pronunciado entre pessoas idosas ou com doenças prévias. Isso sugere que pacientes mais vulneráveis são particularmente sensíveis a gatilhos externos, como estresse emocional, mudanças bruscas na rotina ou carga metabólica excessiva durante as festas². “Para muitos, o fim do ano representa não apenas celebração, mas também um período de desafios capazes de sobrecarregar o coração e, por isso, que os cuidados devem ser redobrados”, diz o Dr. Jairo.
Outro alerta para o coração é que, durante as festas de fim de ano, os excessos à mesa são quase uma tradição: mais comida, mais bebida, mais brindes. Mas esse comportamento pode trazer riscos sérios¹. Segundo o Dr. Jairo, “é justamente nessa época que mais nos afastamos da rotina e excessos podem trazer consequências graves para a saúde cardíaca. Manter uma alimentação saudável e limitar o álcool é essencial, ainda mais para quem já tem alguma doença no coração”.
Especialistas alertam que o aumento súbito no consumo de alimentos gordurosos e de bebidas alcoólicas está associado a uma maior incidência de arritmias cardíacas.4
Nesse cenário, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas é o mais preocupante. Além de desorganizar a rotina alimentar, o abuso de bebidas alcoólicas impacta diretamente a estabilidade elétrica do coração, criando um ambiente propício para batimentos descompassados e perigosos. 4
Essa relação deu origem a um termo específico na medicina: síndrome do coração de feriado, ou Holiday Heart Syndrome, no inglês original. A expressão é usada para descrever a ocorrência de arritmias potencialmente perigosas logo após episódios de consumo excessivo de álcool — mesmo em pessoas que não costumam consumir bebidas alcoólicas ou bebem pouco no dia a dia. 4
O álcool interfere de diversas formas no funcionamento das células cardíacas. Uma delas é a desregulação do cálcio, mineral essencial para a contração do músculo cardíaco. Imagine o cálcio como a faísca que aciona o batimento. Quando essa faísca é liberada de maneira errada, pode disparar um novo batimento antes da hora, criando algo como um curto-circuito elétrico. 4
Além disso, o álcool reduz o chamado período refratário, que é o tempo necessário para que a célula cardíaca “reinicie” antes de bater novamente. 4
O impacto do consumo excessivo vai além da noite da festa. No dia seguinte, o organismo entra em um estado de ressaca, que para o coração representa um quadro leve de abstinência. Isso ativa de forma exagerada o sistema nervoso simpático, o mesmo responsável pela resposta de “luta ou fuga”, levando a um aumento da frequência cardíaca em repouso, um alerta para problemas cardíacos, como arritmias4.
Embora as festividades representem um período de maior risco para todos, alguns grupos são especialmente vulneráveis. Pessoas que já têm maior risco para doenças coronárias devem ter atenção redobrada neste período. Isso inclui indivíduos que apresentam hábitos e fatores que elevam o risco cardiovascular, como alimentação inadequada, marcada por excesso de gordura saturada e açúcares, a falta de atividade física regular, excesso de peso corporal e idade avançada.5O estudo sueco, por exemplo, ressalta um risco significativamente maior entre pessoas acima de 75 anos, indivíduos com diabetes e aqueles que já tinham histórico de doença arterial coronariana². O tabagismo, colesterol alto, hipertensão arterial e triglicerídeos elevados também permanecem entre os fatores que mais contribuem para danos às artérias e para a formação de placas que podem se romper durante picos de pressão ou estresse5.
“Para quem convive com essas doenças e fatores, as festas podem representar uma sobrecarga adicional ao organismo, especialmente se houver excessos”, reforça o médico.
“Se, em qualquer momento das festas, você sentir uma dor súbita e intensa no peito, busque atendimento urgente”, alerta o Dr. Jairo.No entanto, em muitos casos os sintomas de infarto aparecem de forma lenta. Também podem ir e voltar ao longo de várias horas, dificultando a identificação de algo está errado6.
Os sinais variam de pessoa para pessoa e podem ser diferentes entre homens e mulheres. Mesmo quem já teve um infarto anteriormente pode apresentar sintomas distintos em um novo episódio6.
Quando um infarto está em curso, é possível sentir um ou mais dos sintomas abaixo6:
● Dor no peito, sensação de peso ou desconforto no centro ou no lado esquerdo do peito, que é o sintoma mais frequente.
● Dor ou desconforto em um ou ambos os braços, nas costas, ombros, pescoço, mandíbula ou acima do umbigo.
● Falta de ar em repouso ou após esforço leve, algo mais comum entre idosos.
● Sudorese intensa sem causa aparente.
● Cansaço incomum e persistente, às vezes por vários dias, principalmente em mulheres.
● Náusea e vômito.
● Tontura, sensação de desmaio ou vertigem súbita.
● Batimentos acelerados ou irregulares.
Além disso, alguns infartos acontecem sem sintomas perceptíveis ou com manifestações tão leves que passam despercebidas, chamados de infartos silenciosos. Esses casos são mais comuns em adultos mais velhos e em pessoas com diabetes ou níveis elevados de açúcar no sangue6.
Por isso, a orientação do cardiologista é clara: “se em algum momento você achar que pode estar tendo um ataque cardíaco, não ignore. Peça imediatamente ajuda médica de emergência, mesmo que não tenha certeza de que é um infarto. Agir rápido pode limitar os danos ao coração e salvar sua vida.”
Reduzir o risco de infarto passa por cuidar dos fatores que aumentam a probabilidade de doenças cardiovasculares e por tratar adequadamente qualquer condição já diagnosticada.5
Mudanças no estilo de vida, como adotar uma alimentação equilibrada, manter-se ativo, parar de fumar, controlar o estresse e preservar um peso saudável, ajudam a prevenir problemas no coração. Mesmo para quem já tem doença arterial coronariana, essas medidas diminuem a chance de um novo evento cardíaco5.
Também é fundamental tratar outras condições de saúde que aumentam o risco de infarto, como hipertensão, diabetes, colesterol alto e triglicerídeos elevados5.
Especialmente durante as festas de fim de ano, o Dr. Jairo aponta alguns cuidados essenciais:
● Hidratação adequada: a água é fundamental para o bom funcionamento do coração. No Brasil, o período de festas coincide com o verão, quando a combinação de calor, exposição ao sol, excesso de álcool e comidas pesadas favorece a desidratação. Por isso, o cuidado com a hidratação deve ser redobrado.
● Equilíbrio alimentar: evitar excessos ajuda a manter a saúde cardiovascular. Priorizar frutas, verduras, legumes e carnes magras, além de reduzir frituras e alimentos ricos em gordura, contribui para um funcionamento mais estável do organismo durante as comemorações.
● Consumo mínimo de álcool: não existem níveis seguros para o consumo de bebidas alcoólicas. Qualquer quantidade pode causar danos, por isso é importante manter a ingestão controlada7.
● Manejo do estresse: aprender a lidar com situações estressantes por meio de estratégias saudáveis melhora a saúde emocional e física8.
● Sono de qualidade: noites mal dormidas elevam o risco de pressão alta, doenças cardíacas e outros problemas médicos. Mesmo durante as festas, manter horários regulares de sono faz diferença8.
● Exercícios físicos com segurança: manter ou retomar a prática regular de atividade física ajuda a reduzir o risco de doenças cardiovasculares. O recomendado é pelo menos 150 minutos de exercício aeróbico de intensidade moderada ou 75 minutos de exercício de intensidade vigorosa por semana7. No entanto, para quem tem pouco tempo no dia, “períodos curtos de 10 minutos já trazem benefícios. Qualquer atividade que aumentar a frequência cardíaca já conta”, reforça o médico.
*Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.
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