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Você é do tipo que sente cansaço nas pernas no dia a dia? Se sim, é preciso ter atenção! Afinal, é possível que esse seja um dos sintomas da Doença Arterial Periférica (DAP).1 Já ouviu falar sobre essa condição?

A Doença Arterial Periférica, também conhecida pela sigla DAP, é uma condição cardiovascular que afeta milhões de pessoas. O portador dessa doença pode ter um risco aumentado de eventos cardiológicos graves, como o infarto e até mesmo morte.1

Ou seja, é importante saber mais sobre o assunto! Continue a leitura e confira a postagem que preparamos em parceria com a Dra. Fernanda Mazza, consultora do time Libbs. Vamos lá?

O que é a Doença Arterial Periférica?

A Doença Arterial Periférica é uma condição causada pelo acúmulo de placas de gordura (aterosclerose) nas artérias que levam sangue para as pernas e outras partes do corpo. Isso reduz o fluxo sanguíneo e pode causar sintomas como dor nas pernas ao caminhar (claudicação intermitente).1,2

No entanto, atenção: muitas pessoas com DAP não apresentam sintomas, o que torna a doença subdiagnosticada e subtratada. Por isso, ela pode ser ainda mais perigosa!1

Também é importante ter em mente que a Doença Arterial Periférica não é apenas um problema nas pernas, sendo considerada uma condição de alto risco cardiovascular.1

Pessoas com DAP têm um risco elevado de sofrer eventos graves, como infarto do miocárdio (ataque cardíaco) e Acidente Vascular Cerebral (AVC), também conhecido como derrame.1

Quais são os sintomas dessa condição?

Por se tratar de uma condição em que as artérias das pernas ficam estreitas ou bloqueadas, dificultando o fluxo de sangue para os músculos, a DAP pode causar dor ao caminhar (claudicação, ou seja, o ato de mancar) e, em casos graves, feridas que não cicatrizam ou até risco de amputação.2

De modo geral, a claudicação intermitente (que vai e volta) é um dos sinais clássicos da DAP e se manifesta como dor, cãibras ou fadiga nas pernas durante caminhadas, que melhoram com o repouso. Isso ocorre devido à redução do fluxo sanguíneo para os membros inferiores.3

Por conta disso, um dos sintomas mais graves é a dor no repouso. Isso indica uma progressão da condição, que não pode ser negligenciada.3

E os fatores de risco?

Alguns fatores aumentam a probabilidade de desenvolver a Doença Arterial Periférica, como:1

  • tabagismo;
  • diabetes mellitus;
  • dislipidemia, ou seja, o excesso de colesterol no sangue;
  • hipertensão arterial, também conhecida como pressão alta;
  • sobrepeso e obesidade;
  • idade avançada.

Além disso, homens têm maior probabilidade de desenvolver DAP, assim como as pessoas negras.1

Como a Doença Arterial Periférica é diagnosticada?

O diagnóstico da DAP envolve a combinação de história clínica detalhada, exame físico e exames complementares. O objetivo é confirmar a presença da doença, determinar sua gravidade e descartar outras condições que possam causar sintomas semelhantes.3

Assim, depois das perguntas, vem o exame físico, que é fundamental para avaliar os sinais clínicos da DAP.  

Qual é o tratamento da Doença Arterial Periférica?

Agora, vamos falar sobre o tratamento da doença! Nesse caso, duas ações são muito importantes:1,2

  • cuidados médicos com remédios;
  • cuidado preventivo com os pés.

Confira mais explicações a seguir!

Medicamentos

Os medicamentos usados geralmente incluem:1,2

  • antiplaquetários, que podem evitar a formação de coágulos nas artérias, reduzindo o risco de ataque cardíaco e de AVC;
  • anticoagulantes, podem ser úteis para melhorar a proteção contra coágulos, especialmente em pessoas que fizeram cirurgia ou angioplastia nas artérias das pernas (revascularização).

O uso desses remédios pode ser arriscado, já que aumenta o risco de sangramento. Por isso, os médicos avaliam cada caso com cuidado antes de prescrever, para se certificar da necessidade.1,2

Cuidados com os pés

Em pessoas com DAP, cuidar bem dos pés é essencial para evitar feridas ou infecções. Isso inclui:2

  • inspeções regulares;
  • uso de sapatos confortáveis;
  • tratar pequenos cortes ou lesões imediatamente.

Controle da dislipidemia

O uso de estatinas, especialmente de alta intensidade, é recomendado para reduzir o colesterol “ruim” a níveis abaixo de 70 mg/dL, podendo contribuir para melhora da  saúde cardiovascular e da circulação sanguínea nos membros.2

Controle da hipertensão

Inibidores da ECA e bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA) podem ser eficazes em pacientes com DAP.2

Cessação do tabagismo

Parar de fumar é fortemente recomendada para reduzir a progressão da DAP e a ocorrência de complicações nos membros inferiores.2

Manejo do diabetes

Terapias farmacológicas e não farmacológicas otimizadas, como agonistas GLP-1 e inibidores de SGLT-2, mostraram redução do risco de eventos cardiovasculares em pacientes com diabetes e DAP.2

Terapia com exercícios

Os exercícios físicos auxiliam na melhora do desempenho na caminhada, na funcionalidade e na qualidade de vida. Por meio de adaptações musculares, a terapia com exercícios pode melhorar a função endotelial, responsável pela regulação da circulação sanguínea, e contribuir para a redução de inflamações.2

E depois de uma cirurgia nas pernas?

A revascularização em pacientes com DAP é indicada em cenários específicos, dependendo da gravidade e dos sintomas da doença. Ela será sugerida, por exemplo, quando os sintomas de claudicação intermitente não responderem ao tratamento farmacológico e à terapia com exercícios.4

Além disso, para pacientes com Isquemia Crítica do Membro, a revascularização é a primeira linha de tratamento.4 Se o paciente faz uma revascularização, o uso de remédios antiplaquetários e anticoagulantes podem ajudar a evitar novos bloqueios, sendo que esses remédios não são indicados para quem tem alto risco de sangramento ou já teve AVC.2

Como é possível prevenir a Doença Arterial Periférica?

“A prevenção da Doença Arterial Periférica se baseia em estratégias para controlar os fatores de risco, prevenir complicações e minimizar eventos adversos associados. O controle dos fatores de risco, como hipertensão arterial, aliado a modificações no estilo de vida, como parar de fumar, fazer atividade física regularmente e ter uma dieta saudável, são ações que podem ajudar”, explica a Dra. Fernanda.

Já deu para perceber que diagnosticar e tratar a Doença Arterial Periférica é muito importante, certo? Por isso, não ignore sinais simples que o seu corpo passa, como o cansaço nas pernas. Até mesmo os sintomas mais básicos podem ser muito importantes na identificação da DAP e outras condições!1

Para mais informações, dicas e orientações sobre como cuidar da saúde do seu coração, acesse o blog A Vida Plena. Até a próxima!

Conteúdo elaborado em: 20 fev. 2025.

Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.

As opiniões emitidas pelo(a) especialista são independentes e, necessariamente, não refletem a opinião da Libbs.

Referências:

1. Mandaglio-Collados D, Marín F, Rivera-Caravaca JM. Peripheral artery disease: Update on etiology, pathophysiology, diagnosis and treatment. Med Clin (Barc). 2023 Oct 27;161(8):344-350.

2. Gornik HL, Aronow HD, Goodney PP, Arya S, Brewster LP, Byrd L, et al. 2024 ACC/AHA/AACVPR/APMA/ABC/SCAI/SVM/SVN/SVS/SIR/VESS Guideline for the Management of Lower Extremity Peripheral Artery Disease: A Report of the American College of Cardiology/American Heart Association Joint Committee on Clinical Practice Guidelines. Circulation. 2024 Jun 11;149(24):e1313-e1410. 

3. Campia U, Gerhard-Herman M, Piazza G, Goldhaber SZ. Peripheral Artery Disease: Past, Present, and Future. Am J Med. 2019 Oct;132(10):1133-1141. 

4. Iida O, Takahara M, Mano T. Evidence-Experience Gap and Future Perspective on the Treatment of Peripheral Artery Disease. J Atheroscler Thromb. 2021 Dec 1;28(12):1251-1259.