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Pílulas anticoncepcionais, também conhecidas como pílulas contraceptivas, são medicações à base de hormônios cujo objetivo é prevenir a ocorrência de gestações não planejadas. Ou seja: quando a paciente usa uma pílula, seu ciclo hormonal reprodutivo fica impedido, impossibilitando uma gravidez!.1

Apesar de serem muito conhecidas e utilizadas, essas pílulas ainda geram muitas dúvidas entre quem as usa e quem está pensando em usar. Você faz parte desse grupo? Então, continue a leitura para saber mais e tirar as suas dúvidas.

Para nos ajudar nessa tarefa, convidamos o Dr. Vítor Maga, ginecologista e consultor em contracepção (Vítor Henrique de Oliveira – CRM-SP 185.033 – RQE 92064). Vamos lá!

Quais são os mitos e verdades sobre as pílulas anticoncepcionais?

Agora, chegou a hora de parar de ter dúvidas! Confira alguns dos principais mitos — e, claro, as verdades associadas a eles — sobre as pílulas contraceptivas.

 

1. Toda pílula é igual?

Não, nem toda pílula anticoncepcional é igual! Existem diferentes tipos de pílulas, cada uma com composições e efeitos específicos.1 Confira a seguir.

Pílulas combinadas (estrogênio + progesterona)

Contêm dois hormônios, estrogênio e progesterona. Elas previnem a gravidez ao impedir a ovulação (liberação do óvulo).1

Além disso, controlam o sangramento, tornando o ciclo mais regular e menos intenso.1

Por conta disso, podem ajudar a tratar cólicas menstruais, endometriose, acne e hirsutismo (crescimento excessivo de pelos). E, adicionalmente, há fortes evidências de que podem reduzir o risco de câncer de ovário, câncer de endométrio e câncer de cólon.1

Pílulas só de progestagênio (minipílula)

Contêm apenas um hormônio, o progestagênio. Entre as suas funções, estão:1

  • Espessamento do muco cervical, dificultando a passagem dos espermatozoides;
  • Inibição da ovulação;
  • Alteração do endométrio (revestimento do útero), dificultando a implantação do óvulo fertilizado.

São indicadas para mulheres que não podem tomar estrogênio. E, claro, também são recomendadas para quem está amamentando, pois o estrogênio pode reduzir a produção de leite.1

Pílulas de uso contínuo ou prolongado

São tomadas sem pausa. Por isso, reduzem a frequência das menstruações (ou até eliminam). Podem ser úteis para mulheres com cólicas intensas, endometriose ou sangramentos abundantes.1

 

2. Existe relação entre pílula e trombose?

Para responder corretamente à pergunta, sem alarmismo, é preciso diferenciar risco relativo de risco absoluto.

Em termos relativos, há estudos comprovando que a pílula pode, sim, aumentar o risco de trombose venosa, especialmente no primeiro ano de uso. Nesse caso, o risco é maior com pílulas que contêm doses mais altas de estrogênio (acima de 50 μg) ou progestinas de 3ª e 4ª geração.1 Esses estudos também indicam que as pílulas com 30 μg de estrogênio e levonorgestrel são consideradas as mais seguras.1

Porém, mesmo com esse aumento potencial, o risco de trombose venosa continua sendo extremamente baixo. Dito de outra forma: uma mulher que toma a pílula anticoncepcional tem estatisticamente mais chance de desenvolver uma trombose do que uma que não toma; porém, em termos absolutos, ambas continuam tendo uma chance muito baixa de desenvolver essa condição.

 

3. A pílula pode afetar a libido?

Não há consenso na comunidade científica. Alguns estudos apontam correlação entre uso da pílula e mudanças na libido, e mesmo assim com impacto baixo. O fato é que a enorme maioria das opções disponíveis hoje proporcionam impacto neutro na libido.1

 

4. As pílulas causam ganho de peso?

Algumas pílulas podem gerar retenção de líquido no corpo, criando aquela sensação de inchaço. Elas podem também afetar o apetite, já que são um medicamento que impacta a regulação hormonal. Por isso mesmo é fundamental avaliar e testar junto ao médico qual pílula é a que funciona melhor para o seu organismo – dito de outro modo, qual delas irá produzir pouco ou até nenhum desconforto.1

 

5. O anticoncepcional pode causar câncer?

Depende. A ciência ainda não consegue bater o martelo sobre a existência ou não dessa relação.

Alguns estudos sugerem que a incidência de certos tipos de câncer (como o de mama e de colo do útero) pode aumentar um pouco com o uso da pílula.3 Outros concluem que há diminuição no risco de cânceres como o de endométrio, de ovário e colorretal em pacientes que utilizam pílula anticoncepcional.3

 

Por que é importante entender as pílulas modernas?

Agora que você já conhece alguns mitos e verdades sobre o assunto, por que não conhecermos um pouco mais sobre as pílulas modernas?

Elas representam avanços significativos na contracepção, especialmente no que diz respeito à segurança e à redução de efeitos colaterais. Com o tempo, pesquisas mostraram que algumas formulações antigas estão associadas a uma maior taxa de relatos de trombose venosa (TEV).5

Por isso, entender as novas formulações, como as que usam estrogênios idênticos aos naturais (como o estradiol [E2] e o estetrol [E4]), é crucial para oferecer opções mais seguras e eficazes às mulheres.5

 

Como obter informações confiáveis sobre pílulas anticoncepcionais?

“A melhor pedida é sempre conversar com o seu médico. Afinal, ele está preparado para lidar com esse assunto e correlacionar as particularidades do anticoncepcional com as suas especificidades de saúde.”, explica o ginecologista.

Agora que você já conheceu os mitos e as verdades sobre as pílulas anticoncepcionais, é importante se cuidar! Converse com o seu médico sobre a melhor opção de contraceptivo para o seu caso e faça boas escolhas envolvendo a sua saúde.

Antes de ir, aproveite também para conferir o blog A Vida Plena! Por lá, você encontra uma série de informações importantes sobre bem-estar, qualidade de vida e, claro, saúde reprodutiva. Pode contar com a gente!

– Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.

– As opiniões emitidas pelo(a) especialista são independentes e, necessariamente, não refletem a opinião da Libbs.

Referências:

1. Cooper DB, Mahdy H, Patel P. Oral Contraceptive Pills [Internet]. PubMed. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2024. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK430882/

2. Lima ACS, Martins LCG, Lopes MV de O, Araújo TL de, Lima FET, Aquino P de S, et al. Influence of hormonal contraceptives and the occurrence of stroke: integrative review. Revista Brasileira de Enfermagem. 2017 Jun;70(3):647–55.

3. National Cancer Institute. Oral Contraceptives and Cancer Risk [Internet]. Cancer.gov; 2018. Available from: https://www.cancer.gov/about-cancer/causes-prevention/risk/hormones/oral-contraceptives-fact-sheet.

4. Teal S, Edelman A. Contraception Selection, Effectiveness, and Adverse Effects: A Review. JAMA. 2021 Dec 28;326(24):2507–18.

5. Didembourg M, Médéa Locquet, Raskin L, Babel Tsague Tchimchoua, Jean-Michel Dogné, Beaudart C, et al. Lower reporting of venous thromboembolisms events with natural estrogen-based COCs compared to ethinylestradiol containing pills: A disproportionality analysis of the Eudravigilance database. Contraception. 2024 Oct 1;110727–7.

Data: 22/02/25.