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Publicado em: 4 de junho de 2025
Assuntos abordados
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Ao longo da vida da mulher, os hormônios são utilizados em diferentes fases.1 Durante a menacme, que é o ciclo que ocorre desde a primeira até a última menstruação, eles podem ser usados no controle de sangramentos uterinos anormais e na anticoncepção e, mais tarde, no climatério.1 Mas, com tantas aplicações, será que os hormônios fazem mal à saúde?
Amplamente utilizados pela população feminina, os anticoncepcionais orais combinados (COCs), por exemplo, podem estar associados tanto à prevenção de alguns tipos de câncer quanto a um discreto aumento do risco de problemas cardiovasculares.2
Entender os benefícios e efeitos adversos dos hormônios é fundamental para utilizá-los de forma segura.
Quer saber mais sobre o assunto? Neste post, vamos abordar como os hormônios podem atuar no organismo feminino. Confira!
Os hormônios são substâncias químicas essenciais para o funcionamento do nosso organismo, produzidas por várias glândulas, como ovários, testículos, tireóide e pâncreas.3
Eles têm a função de se comunicar com diferentes partes do corpo, enviando sinais para que diversas atividades ocorram.3 Quando essas glândulas detectam algum estímulo, elas liberam hormônios na corrente sanguínea, que os transporta até as células específicas para as quais eles foram destinados.3
Algumas dessas células-alvo respondem apenas a um tipo de hormônio, enquanto outras podem ser afetadas por vários deles ao mesmo tempo.3 Dentro delas existem receptores que funcionam como ‘’portas’’, em que os hormônios se ligam para causar mudanças.3
Essa interação dá início a uma série de reações que alteram o funcionamento da célula, ajudando a manter o equilíbrio e a saúde do corpo.3
As gônadas, ou seja, os ovários nas mulheres e os testículos nos homens, têm duas funções superimportantes no corpo humano.3 Primeiramente, elas produzem as células reprodutivas — os óvulos nos ovários e os espermatozoides nos testículos.3
Além disso, essas glândulas fabricam os hormônios sexuais esteroides, que são fundamentais para o desenvolvimento e funcionamento dos órgãos reprodutivos, tanto de homens quanto de mulheres.3 São eles que definem as características sexuais secundárias, como os pelos corporais, e são fundamentais durante a gravidez, no parto e na amamentação.3
Há três tipos principais de hormônios sexuais, sendo que cada um tem uma função específica.3 Veja, abaixo, quais são eles.
Os estrogênios, ou hormônios femininos, especialmente o estradiol, são cruciais para as mulheres, uma vez que são responsáveis pelo desenvolvimento dos órgãos genitais e das mamas, regulam o ciclo menstrual e a libido.3
Durante a puberdade, eles auxiliam na formação do corpo feminino típico e, na fase adulta, também contribuem para a gravidez e a lactação.3 “Na menopausa, a produção de estrogênio diminui, causando sintomas como ondas de calor e ossos frágeis, mas a reposição hormonal pode aliviar esses efeitos”, informa Dr. Vitor Maga, médico ginecologista e consultor da Libbs Farmacêutica, (CRM-SP 185.033/REQ 92.064).
Progestágenos
Os ovários produzem progestágenos, como a progesterona, durante uma fase do ciclo menstrual.3 No decorrer da gravidez, eles são produzidos pela placenta.3
A sua função é preparar o útero para uma possível gestação, alterando o revestimento uterino.3 Junto com os estrogênios, os progestágenos também colaboram para o desenvolvimento das glândulas mamárias, preparando o corpo para a amamentação.3
A principal substância androgênica é a testosterona, que é produzida essencialmente nos testículos, mas também em pequenas quantidades pelas glândulas adrenais, em homens e mulheres.3
O papel da testosterona envolve a formação e crescimento do trato genital masculino, além de ter um efeito relevante sobre os músculos, estimulando a criação de proteínas, o que aumenta a massa muscular.3
No público feminino, ela pode promover o desejo sexual em mulheres com redução da libido com a chegada da menopausa.4
A prescrição dos hormônios costuma ser feita para fins contraceptivos e para terapia de reposição hormonal.2 Entenda, a seguir, como cada uma dessas modalidades de uso funciona na prática.
Contracepção
Os anticoncepcionais hormonais podem conter apenas progestinas ou uma combinação de progestágenos e estrógenos, que recebem o nome de contraceptivos orais combinados (COCs).3
O uso desses medicamentos impede que o óvulo seja liberado pelos ovários.4 Isso acontece porque a progesterona reduz a produção de outros hormônios importantes para a ovulação.5
Sem o desenvolvimento do folículo e sem o aumento de estradiol, que normalmente acontece quando o óvulo está amadurecendo, o corpo não o prepara para ser liberado.6 Com um efeito parecido, o estrogênio também ajuda a prevenir a ovulação.7
A progesterona ainda modifica a consistência do muco no colo do útero, tornando mais difícil para o espermatozoide chegar ao útero e alcançar o óvulo1 — sem contar que ela altera o revestimento uterino, evitando a implantação de um óvulo fertilizado.2
A terapia de reposição hormonal (TRH) é voltada para o tratamento de sintomas vasomotores (como as ondas de calor) moderados a graves durante os anos da peri e pós-menopausa.3 Há diversas formulações de estrogênio e progesterona disponíveis para a sua realização.4
O estrogênio ajuda a regular a temperatura do corpo e outras funções do sistema reprodutor.5 Ele age diretamente no cérebro, ajustando a maneira como o corpo reage à temperatura, aliviando os desconfortos da menopausa e melhorando a qualidade de vida das mulheres.6
Os hormônios utilizados nos anticoncepcionais orais oferecem benefícios que vão além da contracepção, podendo ser empregados:7
Os COCs também podem ser eficazes no tratamento das manifestações da síndrome dos ovários policísticos (SOP), especialmente na regulação do crescimento dos pelos, tendo em vista que eles bloqueiam a produção de andrógenos (hormônios presentes em maior quantidade nos homens) pelos ovários.1
O uso dos contraceptivos combinados pelo período de 6 a 12 meses pode melhorar consideravelmente o hirsutismo.2
Outro possível benefício dos COCs está associado à prevenção de problemas no endométrio, como a hiperplasia endometrial, que geralmente acontece quando os níveis de estradiol (um tipo de estrogênio) estão constantemente altos no organismo.3
No endométrio, o uso de contraceptivos orais ainda tem um fator protetivo contra o desenvolvimento de câncer. Ação benéfica semelhante é observada para câncer de ovário e colorretal.4
O uso dos contraceptivos combinados pelo período de 6 a 12 meses pode melhorar consideravelmente o hirsutismo.2 Outro possível benefício dos COCs está associado à prevenção de problemas no endométrio, como a hiperplasia endometrial, que geralmente acontece quando os níveis de estradiol (um tipo de estrogênio) estão constantemente altos no organismo.3
No endométrio, o uso de contraceptivos orais ainda tem um fator protetivo contra o desenvolvimento de câncer. Ação benéfica semelhante é observada para câncer de ovário e colorretal.
Embora os anticoncepcionais orais e a terapia de reposição hormonal sejam considerados seguros para contracepção e tratamento dos sintomas vasomotores por mulheres saudáveis, que apresentem baixo risco para doenças cardiovasculares e câncer de mama, é importante estar atento aos seus potenciais riscos.5
A relação entre hormônios e sexualidade é complexa, pois vários hormônios exercem influência no comportamento sexual.6 ‘’O interesse por sexo e autoestimulação estão ligados aos níveis de androgênios, como a testosterona, mas a influência dessas alterações hormonais varia de pessoa para pessoa’’, destaca o médico ginecologista.
Os dados sobre esse assunto ainda são controversos.7 Estudos mostram que, na maioria das mulheres, as pílulas anticoncepcionais não alteram a libido, com apenas uma porcentagem relatando redução do desejo sexual.12 E, em alguns casos, elas podem aumentar o interesse sexual.8
A adesão aos anticoncepcionais orais pode reduzir o risco de câncer de ovário, endometrial e colorretal, com os benefícios aumentando de acordo com a duração do uso.1
O risco de câncer de ovário pode diminuir por 30 anos após a interrupção do uso da pílula contraceptiva, com uma redução de até 0,5% ao longo da vida para mulheres que usaram anticoncepcionais por cerca de 5 anos.2
Já a terapia de reposição hormonal, que combina estrogênio e progestina, pode estar associada a um aumento de 24% no risco de câncer de mama, enquanto o estrogênio isolado pode ter um efeito protetor leve, reduzindo essa possibilidade em 21%.3
Conseguiu esclarecer as suas dúvidas sobre se os hormônios fazem mal? Produzidos biologicamente pelo nosso organismo ou sinteticamente em laboratórios, eles ajudam a regular funções essenciais no corpo.3,4
Quer continuar cuidando da sua saúde? Leia outros posts no A Vida Plena e confira dicas imperdíveis para viver de forma mais saudável e equilibrada!
* Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor, Dr. Vitor Maga, médico ginecologista e consultor da Libbs Farmacêutica, (CRM-SP 185.033/REQ 92.064).
** As opiniões emitidas pelo(a) especialista são independentes e, necessariamente, não refletem a opinião da Libbs.
Referências
1. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Uso de hormônios e o risco de tromboembolismo venoso.2024. [Internet]. [Acesso 24Mar2025]. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/images/pec/FPS20240002_Portugues.pdf.
2. National Research Council (US) Committee on Population. Contraception and reproduction: health consequences for women and children in the developing world. Washington (DC): National Academies Press (US); 1989. Chapter 4, Contraceptive benefits and risks. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK235069/.
3. Hiller-Sturmhöfel S, Bartke A. The endocrine system: an overview. Alcohol Health Res World. 1998;22(3):153-64.
4. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Desafios na prescrição da testosterona para disfunção sexual em mulheres. 2023. [Internet]. [Acesso 24Mar2025]. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/images/pec/posicionamentos-febrasgo/FPS20240007_Portugues.pdf.
5. P D G. Natural and synthetic estrogens regulate human health. J Chem Appl. 2020;21-4.
6. Bassuk SS, Manson JE. Oral contraceptives and menopausal hormone therapy: relative and attributable risks of cardiovascular disease, cancer, and other health outcomes. Ann Epidemiol. 2015 Mar;25(3):193-200.
7. Casado-Espada NM, de Alarcón R, de la Iglesia-Larrad JI, Bote-Bonaechea B, Montejo ÁL. Hormonal Contraceptives, Female Sexual Dysfunction, and Managing Strategies: A Review. J Clin Med. 2019 Jun 25;8(6):908.
8. Cooper DB, Patel P. Oral Contraceptive Pills. [Updated 2024 Feb 29]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025 Jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK430882/.
9. Harper-Harrison G, Carlson K, Shanahan MM. Hormone Replacement Therapy. [Updated 2024 Oct 6]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025 Jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK493191/.
10. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Contraceptivos orais – Como orientar a escolha desse método e aumentar a adesão ao uso. 2021. [Internet]. [Acesso 24Mar2025]. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/media/k2/attachments/FeminaZ2021Z49Z08ZWeb.pdf.
11.National Cancer Institute https://www.cancer.gov/about-cancer/causes-prevention/risk/hormones/oral-contraceptives-fact-sheet
12.Boozalis A, Tutlam NT, Chrisman Robbins C, Peipert JF. Sexual Desire and Hormonal Contraception. Obstet Gynecol. 2016 Mar;127(3):563-572.
13. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Reposição Hormonal – na dúvida, informe-se. [Internet]. [Acesso 24Mar2025]. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/media/k2/attachments/REVISTAZELA15_paraZweb.pdf.
14. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). FEBRASGO apresenta novas diretrizes para a terapia de reposição hormonal durante o climatério e menopausa. 2024. [Internet]. [Acesso 24Mar2025]. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/1975-febrasgo-apresenta-novas-diretrizes-para-a-terapia-de-reposicao-hormonal-durante-climaterio-e-menopausa.
15. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Terapia hormonal é uma opção para aliviar os sintomas da menopausa. 2023. [Internet]. [Acesso 24Mar2025]. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/1748-terapia-hormonal-e-uma-opcao-para-aliviar-os-sintomas-da-menopausa.
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