Scroll

Você já ouviu falar em TDPM? A sigla significa “transtorno disfórico pré-menstrual”, uma espécie de variação mais séria da conhecida TPM, a tensão pré-menstrual. A TDPM pode ser incapacitante e prejudicar muito a qualidade de vida das pacientes, especialmente pelo impacto emocional intenso que provoca.

Por isso vale a pena entender melhor quais são as diferenças entre o transtorno disfórico pré-menstrual e a TPM comum.

O que é a TPM?

Ao longo da vida, o corpo da mulher passa por diversas mudanças, especialmente a partir da adolescência, com o início da puberdade e da menstruação. É nesse período que se estabelece o ciclo menstrual, que pode vir acompanhado de sintomas físicos, comportamentais e psicológicos antes ou durante o fluxo menstrual¹.

A síndrome pré-menstrual, conhecida como TPM, é caracterizada por um conjunto desses sintomas que surgem na fase lútea do ciclo, período que antecede a menstruação, e costumam desaparecer espontaneamente poucos dias após o início do sangramento¹.

A maioria das mulheres em idade reprodutiva apresenta algum grau de sintomas pré-menstruais. Em média, eles duram cerca de seis dias por mês e tendem a se intensificar dois dias antes ou no primeiro dia da menstruação, podendo interferir na rotina pessoal e profissional¹.

Possíveis sintomas da TPM

Os sintomas da TPM podem afetar o estado emocional, o comportamento e o corpo. Entre os mais comuns estão¹:

  • Tensão
  • Irritabilidade
  • Desânimo
  • Ansiedade
  • Oscilações de humor
  • Desejo aumentado por alimentos ricos em carboidratos
  • Insônia
  • Sensibilidade nas mamas
  • Inchaço nas extremidades
  • Distensão abdominal

O que é a TDPM e quais as diferenças para a TPM?

O transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) é uma condição que afeta uma parcela menor das mulheres. De acordo com uma revisão de estudos publicada em 2025, estima-se que entre 5% e 8% das mulheres sofrem com o TDPM.1

A diferença central entre as duas condições está na intensidade dos sintomas. Enquanto a TPM pode causar desconfortos físicos e emocionais, o TDPM é caracterizado por sintomas de humor muito mais intensos, que causam sofrimento significativo e comprometem a vida pessoal, social ou profissional.²

Para o diagnóstico de TDPM, os sintomas precisam surgir exclusivamente na fase lútea do ciclo menstrual, antes da menstruação. Pelo menos um sintoma emocional central deve estar presente, como oscilações intensas de humor, irritabilidade ou raiva, humor deprimido ou ansiedade acentuada².

Além desses sintomas principais, podem aparecer dificuldade de concentração, cansaço intenso, aumento do apetite, sono excessivo, sensibilidade mamária, inchaço e dores articulares.Também são considerados a perda de interesse por atividades, a sensação de estar sobrecarregada e lapsos de memória².

Outro ponto que diferencia o TDPM é o critério de gravidade. Para o diagnóstico, é necessário apresentar cinco ou mais sintomas no total, além de impacto claro na rotinadiário.2

Como saber se é TDPM?

O diagnóstico do transtorno disfórico pré-menstrual é principalmente clínico, sem necessidade de exames laboratoriais, e baseado no relato da paciente.

Os sintomas precisam surgir na semana que antecede a menstruação e serem mínimos ou ausentes na semana seguinte. Eles podem aparecer de cinco a sete dias antes da menstruação e durar até sete dias depois.1

Para a confirmação, é recomendado o registro diário dos sintomas.² Uma dica é anotar os sintomas perceptíveis, tanto físicos como emocionais, e o quão distantes eles estão da menstruação. Por exemplo, se você vem se sentindo mais deprimida três dias antes de menstruar, ou mais irritada, e quando o sintoma passou.

TDPM tem tratamento?

O tratamento do TDPM depende, antes de tudo, da intensidade dos sintomas. Casos mais leves podem responder a abordagens não medicamentosas, enquanto quadros moderados a graves geralmente exigem acompanhamento médico e uso de medicamentos¹.

Nos casos leves a moderados, estratégias relacionadas a hábitos saudáveis podem ajudar. Mudanças na alimentação são aliadas importantes, como a redução do consumo de sal, álcool, doces e cafeína, além do aumento da ingestão de frutas, vegetais, grãos integrais, leguminosas e água¹.

A prática de exercícios aeróbicos por 20 a 30 minutos, de três a quatro vezes por semana, também está associada à redução dos sintomas. Além disso, manter uma rotina regular de sono e evitar atividades estressantes no período pré-menstrual podem contribuir para aliviar o desconforto físico e emocional¹.

Para mulheres com sintomas intensos ou que não melhoram com medidas comportamentais, a terapia medicamentosa é indicada. De acordo com o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, o tratamento de primeira linha para o TDPM envolve medicamentos estabilizadores de humor, como os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs), considerados o padrão ouro para o controle dos sintomas emocionais mais graves. 3

Os ISRSs são especialmente eficazes quando predominam sintomas como humor deprimido, desejo intenso por determinados alimentos e prejuízo cognitivo durante a fase lútea. No entanto, esses medicamentos podem causar efeitos colaterais como náusea, insônia e dor de cabeça, ainda que geralmente temporários.³.

Importante ressaltar que qualquer tratamento, especialmente com medicamentos que afetam o humor, exige acompanhamento médico exatamente para avaliar os efeitos da medicação e a relação risco-benefício para cada paciente.

Quando procurar atendimento médico para TDPM?

Não é normal “aguentar” oscilações de humor, dores ou sintomas intensos relacionados ao período menstrual. Muitas mulheres acabam normalizando sintomas intensos porque eles são minimizados ao longo do tempo, inclusive em atendimentos de saúde. No entanto, conviver com esse nível de desconforto e sofrimento não deve ser considerado normal.

A recomendação é buscar atendimento médico sempre que houver suspeita de TDPM, especialmente quando os sintomas são mais debilitantes e passam a impactar negativamente a qualidade de vida, o trabalho ou os relacionamentos.

Conteúdo produzido em março/2026.

Texto: Juliana Stern, jornalista pós-graduada em Jornalismo Científico pelo Labjor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com experiência em reportagens de saúde, especialmente nos setores de oncologia, cardiologia e odontologia, além de passagens pela National Geographic Brasil e UOL.

Referências

  1. Mane SS, Karne LS, Devade OA, Purane LM, Redasani VK. A literature review on premenstrual syndrome and premenstrual dysphoric disorder. Res J Pharmacol Pharmacodyn. 2025;17(1):37‑46.
  2. Reilly TJ, Patel S, Unachukwu IC, Knox CL, Wilson CA, Craig MC, Schmalenberger KM, Eisenlohr-Moul TA, Cullen AE. The prevalence of premenstrual dysphoric disorder: Systematic review and meta-analysis. J Affect Disord. 2024 Mar 15;349:534-540.
  3. Hantsoo L, Epperson CN. Premenstrual Dysphoric Disorder: Epidemiology and Treatment. Curr Psychiatry Rep. 2015 Nov;17(11):87.