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A asma é uma das doenças respiratórias crônicas mais comuns.1 Ela é caracterizada por processos inflamatórios nas vias aéreas, incluindo os brônquios, que levam o ar até os pulmões. Isso leva à hiperresponsividade brônquica, que faz com que o órgão se torne mais sensível a fatores externos, como poeira e mudanças no clima, provocando reações que normalmente não aconteceriam em pessoas sem a doença.²

No organismo, a asma envolve a broncoconstrição e a obstrução das vias aéreas, que se manifestam na dificuldade de respirar ou na respiração curta e rápida¹,².

Embora não tenha cura, a asma pode ser controlada de forma eficaz. Com o tratamento adequado, acompanhamento médico regular, uso correto dos medicamentos inalatórios e cuidados para reduzir o contato com os fatores que desencadeiam as crises, a maioria das pessoas consegue manter a doença sob controle e levar uma vida ativa e normal.³

clode-up da mão de um homem segurando uma bombinha usada no tratamento da asma

O que causa asma?

A asma não possui uma causa única e definitiva, sendo o resultado de uma interação complexa entre a predisposição genética e a exposição a fatores ambientais.¹

Hereditariedade

A probabilidade de desenvolver a doença é significativamente maior se parentes próximos, como pais ou irmãos, também forem asmáticos.³

Ambiente

O ambiente também desempenha um papel fundamental tanto no surgimento quanto no agravamento da condição. A poluição, tanto externa quanto interna (como a fumaça do tabaco), é um gatilho comprovado que pode desencadear crises e prejudicar o desenvolvimento pulmonar.²,³

Outras condições respiratórias

Além disso, a presença de outras condições alérgicas, como rinite ou eczema, é um dos principais fatores que elevam o risco.3 Da mesma forma, infecções respiratórias virais sofridas na infância, especialmente por rinovírus ou vírus sincicial respiratório, são fatores que favorecem o aparecimento da patologia ao longo da vida.¹

Quais são os sintomas da asma?

Os sintomas mais comuns da asma incluem falta de ar, chiado no peito e tosse.²,³. No entanto, a otorrinolaringologista Dra. Maura Neves (CRM-SP 97.446 | RQE 63.161) diz que os sinais da asma têm algumas características que permitem diferenciar a condição de outras doenças respiratórias que também podem levar a esse quadro sintomático. 

“Por exemplo, uma característica marcante da asma é a variação da intensidade dos sintomas ao longo do tempo, com uma piora típica durante a noite ou nas primeiras horas da manhã. Esse padrão circadiano é um dos critérios fundamentais utilizados pelos médicos para fechar o diagnóstico clínico”, explica.

Outras especificidades incluem:

Episódios recorrentes de falta de ar (dispneia)

A dificuldade para respirar é um dos principais sinais da asma, podendo ocorrer de forma intermitente, durante exacerbações agudas ou até mesmo quando se está em repouso.¹,³ Essa sensação pode parecer uma “respiração pesada” e está tecnicamente associada a uma limitação do fluxo aéreo expiratório.²

Chiado

O chiado no peito, ou sibilância, resulta do inchaço e da inflamação das vias aéreas, acompanhados pela contração dos músculos que circundam esses canais.²,³

Embora seja um indicativo forte e característico da asma, ele não é um sinal exclusivo desta doença, uma vez que a sibilância pode estar presente em diversas outras condições, como na Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), infecções respiratórias, traqueomalácia (fraqueza e colapso da traqueia) ou após a aspiração de corpos estranhos.2

Por essa razão, a presença de ruídos respiratórios exige uma investigação médica criteriosa para descartar diagnósticos alternativos e confirmar a origem asmática.¹

Tosse

A tosse persistente é outro sintoma e, em muitos indivíduos, manifesta-se de forma seca e com agravamento típico durante a noite ou nas primeiras horas da manhã.1,3 Para alguns pacientes, tanto adultos quanto crianças, a tosse crônica pode ser a única manifestação clínica perceptível, caracterizando o fenótipo denominado “asma variante da tosse”.²

Nessas situações, os demais sintomas clássicos, como o chiado ou a falta de ar, podem estar ausentes no exame físico inicial, sendo o diagnóstico geralmente confirmado por meio de testes de função pulmonar ou pela observação de resposta positiva ao uso de medicamentos broncodilatadores.¹,²

homem utilizando uma bombinha com medicação para controle da asma

O que acontece durante uma crise de asma?

A crise de asma é o agravamento súbito dos sintomas respiratórios devido à inflamação aguda e ao estreitamento das vias aéreas.¹,³ Para reconhecer uma crise, o paciente deve observar o aumento da tosse, especialmente no período noturno, chiado no peito e uma falta de ar que pode persistir mesmo em repouso.2,3

Sintomas que indicam uma crise grave e exigem atendimento médico imediato incluem:2

  • Alteração do nível de consciência
  • Uso da musculatura do pescoço ou das costelas para respirar
  • Letargia

“Ao identificar esses sinais, deve-se procurar atendimento de urgência imediatamente, pois crises severas podem colocar a vida em risco”, alerta a Dra. Maura. Enquanto o atendimento não chega, a orientação é utilizar o broncodilatador associado a corticoide inalatório, conforme o plano de ação prescrito pelo médico.¹,³

Quais fatores podem desencadear crises de asma?

A hipersensibilidade brônquica, que é a reação exagerada dos brônquios a agentes externos, faz com que diversos estímulos ambientais provoquem crises. Os alérgenos domésticos, como a poeira, os ácaros presentes em estofados e o mofo (fungos), por exemplo, tornam-se gatilhos extremamente comuns.²–⁴

Além disso, mudanças bruscas de temperatura, a inalação de ar frio, fumaça de cigarro, poluição urbana e odores fortes de produtos químicos ou perfumes podem irritar as vias aéreas e desencadear sintomas imediatos.¹–³

A prática de exercícios físicos vigorosos também é um gatilho conhecido, especialmente se a asma não estiver devidamente controlada, embora a atividade física regular seja recomendada para a melhora da saúde geral.¹,⁴

Por fim, as infecções virais respiratórias, como gripes e resfriados causados por rinovírus, são as principais causas de exacerbações graves em pacientes de todas as idades.¹

Quem tem maior risco de desenvolver asma?

Embora possa se manifestar em qualquer fase da vida, a asma é a doença crônica mais comum entre crianças, apresentando uma prevalência significativamente maior do que em adultos.³

Indivíduos que sofrem de outras doenças alérgicas, como rinite ou eczema, possuem uma probabilidade muito maior de desenvolver asma ao longo da vida.³

A obesidade também é um fator de risco. O excesso de peso gera um estado inflamatório sistêmico que favorece o surgimento da asma.1-3

Adicionalmente, eventos precoces como prematuridade e baixo peso ao nascer aumentam a vulnerabilidade pulmonar e podem levar ao desenvolvimento da asma.³

Como a asma é diagnosticada?

Primeiro, o paciente passa por uma avaliação médica para a detecção inicial e coordenação do cuidado. Já a confirmação objetiva é feita por meio da espirometria, exame que mede o volume e a velocidade do ar, identificando a limitação variável do fluxo aéreo.¹,⁴

Diferente de outras patologias, exames de imagem como a radiografia de tórax não fazem parte da rotina diagnóstica, sendo reservados para excluir complicações ou outras doenças.2

A distinção entre a asma e outras enfermidades respiratórias baseia-se na análise do padrão dos sintomas, que na asma são tipicamente variáveis e apresentam piora noturna ou nas primeiras horas da manhã.¹,⁴

Asma e bronquite são a mesma coisa?

De acordo com a Dra. Maura, embora os termos sejam usados popularmente como sinônimos, a asma é uma inflamação crônica específica, enquanto o termo “bronquite” pode referir-se a uma inflamação gerada após a infecção por vírus e bactérias ou quadros crônicos associados ao tabagismo.

Em outras palavras, a asma é definida como uma obstrução brônquica, geralmente ocasionada por um processo alérgico, que leva à inflamação dos brônquios e provoca manifestações como falta de ar, sibilância (chiado), tosse, dor no peito e opressão torácica.⁵

Já a bronquite está associada a processos infecciosos, sejam eles virais ou bacterianos. A doença pode se apresentar de duas formas: a bronquite aguda, que tem curta duração e causa infecciosa, e a bronquite crônica, resultante da exposição prolongada ao cigarro ou outros irritantes inalados. No caso da forma crônica, o dano progressivo às células pulmonares pode evoluir para a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).⁵

Para a médica, a confusão entre as condições também se deve à semelhança de alguns sintomas. “O chiado no peito não é exclusivo da asma, podendo indicar desde infecções até insuficiência cardíaca. Assim, qualquer tosse persistente ou sintoma respiratório que fuja do padrão variável exige uma investigação médica rigorosa para descartar diagnósticos alternativos.”

Como é o tratamento da asma?

O tratamento da asma baseia-se em um tripé fundamental: educação do paciente, controle de gatilhos ambientais e terapia medicamentosa.1,3 O objetivo central é o controle dos sintomas e a redução de riscos futuros, como crises e perda da função pulmonar.2

Os medicamentos são divididos em duas categorias: os de controle, geralmente corticoides inalatórios usados diariamente para reduzir a inflamação; e os de alívio (resgate), que atuam rapidamente dilatando os brônquios durante episódios de falta de ar.¹,²

O tratamento deve ser contínuo.¹,⁴ Quando a asma não é devidamente controlada, o paciente corre riscos graves, como o desenvolvimento de alterações permanentes na estrutura dos pulmões (remodelamento brônquico), hospitalizações recorrentes e risco real de morte.1,2

Como usar corretamente a bombinha para asma?

O uso de medicamentos por via inalatória, popularmente conhecidos como “bombinhas”, é a forma preferida de tratar a asma, pois permite que o medicamento atue diretamente nos pulmões com doses menores e menos efeitos colaterais sistêmicos.2

A Dra. Maura afirma que, diferente do que prega o senso comum, esses dispositivos não causam dependência. “O que ocorre é a necessidade de um tratamento contínuo para manter a inflamação sob controle. O uso excessivo de inaladores pode ser, na verdade, um sinal de que a doença não está controlada e que o tratamento de manutenção precisa de ajuste”, diz.

A eficácia do tratamento depende criticamente da técnica correta, já que erros no momento da inalação reduzem significativamente a quantidade de remédio que chega aos brônquios e aumentam o risco de crises.2

O uso de espaçadores, dispositivos acoplados à bombinha, é altamente recomendado, especialmente para crianças e idosos,2,3 pois facilita a chegada do fármaco aos pulmões e ajuda a prevenir efeitos locais, como a candidíase oral. Revisar a técnica com o profissional de saúde em cada consulta é fundamental para garantir o sucesso da terapia.2

Quais complicações podem ocorrer quando a asma não é tratada?

A ausência de tratamento adequado para a asma pode levar ao remodelamento brônquico, que consiste em alterações estruturais permanentes nas vias aéreas, comprometendo a função pulmonar de forma irreversível.¹,²

A inflamação crônica persistente torna os pulmões excessivamente sensíveis e vulneráveis a crises graves que podem exigir suporte de ventilação mecânica e hospitalização.1,3 Além disso, a asma não controlada gera um impacto negativo na rotina, causando insônia, cansaço excessivo e absenteísmo escolar ou profissional.3

Embora o óbito por asma seja considerado evitável na maioria dos casos, a falta de controle ainda resulta em uma média de seis mortes por dia no Brasil.²

Crises severas representam um risco real à vida se não houver socorro imediato e uso de medicação correta.²,³

No entanto, o seguimento rigoroso das diretrizes terapêuticas e o uso de corticoides inalatórios reduzem drasticamente as chances de internação e garantem uma melhora significativa na qualidade de vida do paciente.¹,⁴

Quem tem asma pode praticar atividade física?

A prática de exercícios físicos é não apenas permitida, mas fortemente incentivada para pessoas com asma, devido aos seus amplos benefícios para a saúde cardiovascular e à melhora da aptidão cardiopulmonar.2

Atividades físicas regulares contribuem positivamente para o controle dos sintomas e para a função pulmonar. A existência de asma em atletas de elite demonstra que, com o diagnóstico correto e o manejo adequado, a doença não impede o alto desempenho esportivo.2

Mas, para evitar as crises induzidas pelo exercício, algumas estratégias são recomendadas. “Se aquecer antes da atividade é importante para evitar uma reação exagerada das vias aéreas. Algumas medicações também podem ser usadas antes dos exercícios se houver indicação médica”, explica a Dra. Maura.

Caso o paciente sinta falta de ar constante ao se exercitar, isso deve ser encarado como um sinal de que a asma não está bem controlada. O controle adequado permite que o asmático mantenha uma vida fisicamente ativa e absolutamente normal. ¹–³

Asma na infância

A identificação da asma em crianças de até cinco anos é essencialmente clínica, baseada no histórico de episódios recorrentes de chiado, falta de ar e tosse frequente, sinais que costumam piorar durante a noite ou após brincadeiras.¹,²

Assim como em adultos, a tosse persistente é um sinal de alerta importante e, em muitos casos, pode ser a única manifestação da doença.²

Com o crescimento, é comum que muitas crianças apresentem remissão dos sintomas, mas a patologia pode retornar mais tarde na vida adulta.²

O tratamento infantil prioriza o uso de corticoides inalatórios e medicamentos de alívio (inaladores), sendo indispensável o uso de espaçadores para garantir que o medicamento chegue corretamente aos pulmões das crianças.²,³

“É importante procurar um especialista em pneumologia em crianças sempre que o controle da doença for difícil, se houver necessidade de doses elevadas de medicação ou se houver dúvida no diagnóstico diferencial com outras infecções respiratórias”, recomenda a Dra. Maura.

Asma na vida adulta

É perfeitamente possível desenvolver asma pela primeira vez na maturidade, um quadro conhecido como asma de início tardio, que muitas vezes não possui perfil alérgico e pode estar associado a exposições no ambiente de trabalho.2

Outro momento crítico é a gravidez, período em que os níveis de controle da doença podem sofrer alterações súbitas; o acompanhamento rigoroso é vital, pois a asma mal controlada eleva riscos de parto prematuro e baixo peso ao nascer.²,⁶

Em idosos, o diagnóstico é frequentemente negligenciado ou confundido com problemas cardíacos e envelhecimento natural, o que retarda o início do tratamento adequado.²,⁴

Independentemente da fase da vida, a asma não controlada interfere profundamente na rotina, resultando em insônia, cansaço crônico e faltas ao trabalho ou à escola.3

Os cuidados fundamentais envolvem a educação continuada do paciente, o controle rigoroso de gatilhos ambientais (como ácaros e fumaça) e o ajuste periódico do medicamento pelo médico assistente conforme a gravidade dos sintomas.¹,²

Quando procurar um médico?

Se estiver experienciando episódios recorrentes de falta de ar ou tosse que não melhoram com tratamentos comuns, é preciso investigar, pois isso pode indicar a presença de inflamação característica de asma.¹,²

O pneumologista deve ser consultado para confirmar o diagnóstico por meio de exames como a espirometria e para estabelecer um plano de tratamento individualizado.²,⁴

Sinais como esforço excessivo para respirar são indicativos de uma crise grave que exige atendimento de urgência.¹,²

Para quem já possui o diagnóstico, o acompanhamento médico não deve ocorrer apenas em momentos de crise. A recomendação é que as consultas de revisão ocorram de 3 a 6 meses para avaliar o controle dos sintomas e ajustar as doses do medicamento.²

Além disso, a realização de testes de função pulmonar deve ser feita no início do tratamento e repetida periodicamente, pelo menos uma vez a cada um ou dois anos, para monitorar a saúde dos pulmões a longo prazo.²

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Conteúdo elaborado em agosto/2026

Texto: Juliana Stern, jornalista pós-graduada em Jornalismo Científico pelo Labjor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com experiência em reportagens de saúde, especialmente nos setores de oncologia, cardiologia e odontologia, além de passagens pela National Geographic Brasil e UOL.

Dra. Maura Neves (CRM-SP 97446/ RQE: 63161), médica otorrinolaringologista formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), onde realizou residência médica em Otorrinolaringologia e obteve doutorado e fellowship em Cirurgia Endoscópica Nasal. Atualmente é médica assistente do Hospital Universitário da USP e  integra a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial e a Academia Brasileira de Rinologia.

Informações não referenciadas correspondem à opinião ou prática clínica do profissional da saúde entrevistado.

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Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Asma [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2025 [acesso em 27 jul 2026]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/asma
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 43, de 24 de março de 2026. Aprova o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Asma. [internet] Diário Oficial da União. 2026. [acesso em 27 jul 2026]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/a/asma-portaria-conjunta-saes-sctie-no-43
  3. World Health Organization. Asthma [Internet]. Geneva: WHO; 2026 [acesso em 27 jul 2026]. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/asthma
  4. Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. IV Diretrizes Brasileiras para o Manejo da Asma. J Bras Pneumol. 2006;32(Supl 7):S447-S474.
  5. Associação Brasileira de Alergia e Imunologia. Asma é bronquite? [Internet] 2018 [acesso em 27 jul 2026]. Disponível em: https://asbai.org.br/asma-e-bronquite/
  6. Wang H, Li N, Huang H. Asthma in Pregnancy: Pathophysiology, Diagnosis, Whole-Course Management, and Medication Safety. Can Respir J. 2020 Feb 22;2020:9046842.