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Homem pele negra coçando as costas em sinal de sintoma da dermatite atópica

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Resultado sobretudo de uma combinação de predisposição e mutações genéticas e fatores ambientais, a dermatite atópica é uma doença crônica e não contagiosa, que afeta até 20% das crianças e 2-5% dos adultos.1-3 Ela se manifesta por meio de lesões avermelhadas na pele, além de ressecamento1-3 – tendo como principais sintomas a coceira, aspereza da região e, eventualmente, ardência e dor.

Em mais da metade dos casos, as manifestações começam logo na infância e, com o devido tratamento e acompanhamento, pode ficar sob controle e o paciente apresentar uma boa qualidade de vida.1-3 

Ainda há muitas dúvidas sobre a doença e a parte mais importante no combate ao preconceito é a conscientização. Conversamos com a Dra. Paula Ferreira e a Dra. Luciana Samorano, médicas dermatologistas, que desvendaram para nós alguns mitos e verdades sobre a dermatite atópica. Confira:

A dermatite atópica é passageira e não precisa de tratamento contínuo? 

Mito. A dermatite atópica é uma doença crônica e é muito importante tratamento contínuo. Deve-se tratar a doença nas crises e também fazer tratamento de manutenção, para reduzir a chance de recidivas e novas crises. O uso de sabonetes e hidratantes específicos é fundamental, além dos medicamentos adequados.1,2,5 

Pacientes com dermatite atópica devem evitar o ar-condicionado? 

Parcialmente verdade. O ar-condicionado contribui com a secura da pele, o que pode piorar o quadro de quem tem dermatite atópica.6 Se você trabalha em ambientes com ar-condicionado, atenção redobrada com a hidratação. Em casa, procure manter as janelas abertas durante o dia para refrescar o ambiente. Mas em dias muito quentes, em que a temperatura leva à sudorese excessiva, o ar-condicionado pode ser um bom aliado para evitar a piora da dermatite com a sudorese. Lembrando sempre da hidratação da pele diária com hidratantes funcionais, de ingerir bastante água e se possível associar ao ar-condicionado o uso de um umidificador de ar.  

Pacientes com dermatite atópica não devem tomar banho muito quente?

Verdade. Ficar muito tempo no chuveiro e debaixo da água quente deixa a pele mais seca e irritada. Dê preferência para os banhos rápidos, com água morna ou fria. Não use buchas ou esfregue a pele. Use, preferencialmente, sabonetes sem perfume, sem corante, hipoalergênicos e que mantenham o pH da pele e hidrate a pele com hidratante funcionais logo após o banho.1,2,5 Seu dermatologista pode auxiliá-lo na recomendação dos produtos mais adequados. 

Dermatite atópica

Pacientes com dermatite atópica não podem entrar no mar ou piscina? 

Geralmente, podem sim. A recomendação é aplicar hidratante adequado na pele pelo menos 30 minutos antes do banho de piscina ou mar. Logo após, banho com água morna ou fria, uso de toalha de algodão para se secar e aplicação de medicação tópica nas lesões e hidratante funcional no corpo. Protetor solar também pode ser aplicado, com preferência para opções hipoalergênicas. Deve-se evitar piscina ou banho de mar se as feridas estão muito abertas, com saída de secreção e/ou infeccionadas.

Pacientes com dermatite atópica não podem praticar esportes?

Mito. Apesar do suor gerado nas atividades físicas, que pode trazer incômodo para os pacientes com dermatite atópica8 alguns cuidados básicos podem evitar os desconfortos. Evitar praticar atividades ao sol e beber muita água durante o exercício é essencial. Além disso, consulte um especialista antes de começar a praticar esportes ou ir à academia para saber quais são as roupas e produtos adequados.

Paciente com dermatite atópica não podem tomar leite ou comer ovo? 

Depende. A maioria dos pacientes com dermatite atópica não apresenta alergia alimentar associada e não têm restrições alimentares. Porém, alergia alimentar é mais comum nos atópicos, sobretudo nas crianças pequenas. Em casos de dermatite atópica moderada a grave e refratária aos tratamentos recomendados, associação com alergia alimentar deve ser considerada.4,7 

Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do(s) autor(es).

Referências:

  1. Eichenfield LF, Tom WL, Chamlin SL, Feldman SR, Hanifin JM, Simpson EL, et al. Guidelines of care for the management of atopic dermatitis: section 1. Diagnosis and assessment of atopic dermatitis. J Am Acad Dermatol. 2014;70(2):338-51. 
  1. Wollenberg A, Kinberger M, Arents B, Aszodi N, Avila Valle G, Barbarot S, et al. European guideline (EuroGuiDerm) on atopic eczema – part II: non-systemic treatments and treatment recommendations for special AE patient populations. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2022 Nov;36(11):1904-1926. 
  1. Aoki V, Lorenzini D, Orfali RL, Zaniboni MC, Oliveira ZNP, Rivitti-Machado MC, et al. Consensus on the therapeutic management of atopic dermatitis – Brazilian Society of Dermatology. An Bras Dermatol. 2019;94(2 Suppl 1):67-75. 
  1. Domínguez O,  Plaza AM, Alvaro M. Relationship Between Atopic Dermatitis and Food Allergy. Curr Pediatr Rev. 2020;16(2):115-122. 
  1. Eichenfield LF, Tom WL, Berger TG, Krol A, Paller AS, Schwarzenberger K, et al. Guidelines of care for the the management of atopic dermatitis: section 2. Management and treatment of atopic dermatitis with topical therapies. J Am Acad Dermatol. 2014 Jul;71(1):116-32.  
  1. White-Chu EF, Reddy M. Dry skin in the elderly: complexities of a common problem. Clin Dermatol. 2011 Jan-Feb;29(1):37-42. 
  1. Sidbury R, Tom WL, Bergman JN, Cooper KD, Silverman RA, Berger, TG  et al. Guidelines of care for the management of atopic dermatitis: Section 4. Prevention of disease flares and use of adjunctive therapies and approaches. J Am Acad Dermatol. 2014 Dec;71(6):1218-33. 
  1. Murota H, Yamaga K, Ono E, Murayama N, Yokozeki H,  Katayama I. Why does sweat lead to the development of itch in atopic dermatitis? Exp Dermatol. 2019 Dec;28(12):1416-1421.