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Publicado em: 19 de outubro de 2023
Assuntos abordados
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Lidar com os sintomas da ansiedade e os problemas que ela acarreta na produtividade e funcionalidade da rotina, nos relacionamentos pessoais, além do bem-estar físico e mental, tem se tornado uma situação cada vez mais comum. Não é para menos que o Brasil já figura como a nação com mais casos de transtornos de ansiedade, sendo a maior prevalência entre os jovens adultos entre 18 e 35 anos¹.
Ao conhecer os sintomas da ansiedade você consegue entender melhor o que está sentindo e, assim, pode buscar pela ajuda profissional adequada. O diagnóstico da ansiedade deve ser feito por um profissional qualificado, que também vai trazer alternativas para o tratamento².
Continue a leitura para entender o que é ansiedade normal e patológica, e saiba quais são os principais sintomas!
A ansiedade é um mecanismo fisiológico dos seres vivos que contribui para as espécies redobrarem a atenção e terem uma resposta efetiva diante de um risco ou situação de perigo iminente. Ela é ativada em regiões do sistema nervoso central — como a amígdala e o córtex pré-frontal — e regulada por neurotransmissores — como a noradrenalina, a serotonina e o ácido gama-aminobutírico².
Portanto, ter ansiedade é algo natural e parte importante do funcionamento, da adaptação e do processo de sobrevivência dos homens e de outros animais³.
No entanto, por motivos neurobiológicos, genéticos e ambientais, algumas pessoas desenvolvem um padrão de resposta ansiosa acima do normal. Algo que pode ocorrer de forma recorrente na rotina por conta de uma questão específica ou em decorrência de diversos fatores³
Ou seja, a ansiedade atinge um nível patológico e traz, como resultado direto, efeitos negativos no próprio bem-estar e qualidade de vida. A esse cenário é dado o nome de transtorno de ansiedade³.
Segundo a American Psychiatric Association (APA), entidade internacional pioneira referência no campo das ciências médicas, composta por profissionais da saúde mental de mais de 100 países, a ansiedade patológica se manifesta por meio de sintomas físicos, mentais e comportamentais⁴.
Todos eles estão listados no Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais — produção elaborada pela entidade desde a década de 1950. Hoje, ela é comercializada na quinta edição, devidamente atualizada e revisada, chamada abreviadamente de DSM-V.⁴
Confira os principais sintomas da ansiedade!
Engana-se quem pensa que os sintomas da ansiedade se limitam ao emocional da pessoa. Algumas alterações físicas podem ser percebidas em decorrência desse transtorno⁴ .
Durante os momentos de muita tensão, medo e preocupação, a pessoa vivencia o que é chamado de crise de ansiedade. Ou seja, há uma desregulação intensa no controle desse fenômeno no organismo. Uma das possíveis consequências disso é a falta de ar⁴ .
Há quem respire com mais dificuldade e quem apresente um quadro agudo de incapacidade respiratória — similar ao que acontece com uma crise asmática⁴ .
Entre os sintomas de ansiedade que acometem o corpo está a taquicardia⁴ . Ou seja, o coração acelera à medida que o nível de ansiedade aumenta. Há quem sinta a pulsação muito forte justamente por estar mais atento a esse sinal quando ele começa. Ele pode ser acompanhado de sudorese, vermelhidão na pele e dores na região do peito e alto abdômen, o que o torna a sensação mais intensa⁴ .
Ao passar por momentos de grande insegurança, angústia, medo e desconforto emocional, o indivíduo com transtorno de ansiedade pode apresentar náuseas e/ou enjoos⁴.
Em episódios de crise de ansiedade, também é comum que a pessoa apresente tremores ou abalos. Esse sinal pode ser percebido não apenas por quem o vivencia, mas também por quem está ao redor⁴ . O que dificulta, por exemplo, atividades como escrever, digitar, desenhar ou recortar.
Os sintomas mentais da ansiedade podem gerar instabilidade emocional, prejudicando o bem-estar, capacidade de relacionamento, poder de concentração, entre outros⁴ . Entenda!
Quem tem ansiedade patológica frequentemente se vê preocupado⁴ . Uma preocupação que não é pontual e com motivo de existir³. Essa preocupação pode durar até seis meses, é desmedida ou irracional e deixa a pessoa incapacitada mentalmente de se concentrar ou se dedicar às tarefas diárias⁴ . Afinal, há um medo e uma apreensão que a consomem por dentro, deixando-a angustiada, nervosa e emocionalmente instável⁴ .
O ataque de pânico é marcado por um episódio psicológico de medo intenso no qual o indivíduo apresenta não só os sintomas físicos já apontados aqui, mas também uma autopercepção de descontrole emocional, incapacidade de reação e sensação de loucura⁴ .
Geralmente, eles atingem o pico em poucos minutos e acabam também em pouco tempo, mas a pessoa que o vivencia tem a noção distorcida de que ele vai durar uma eternidade ou até o ponto dela não aguentar mais e sucumbir⁴ .
Outro dos sintomas de ansiedade bem acentuado envolve os pensamentos obsessivos, intrusivos e disfuncionais⁴ . A pessoa não consegue parar de pensar sobre o assunto que lhe preocupa e isso a leva a um ciclo fértil de imaginação de desdobramentos negativos e, até mesmo, catastróficos do que acontecerá com ela⁴.
Muitas pessoas ansiosas se preocupam com o resultado daquilo que fazem hoje, colocando toda a energia na expectativa e no receio do que está por vir — consumindo bastante tempo e energia⁴ . Quanto maior a expectativa e o receio sobre possíveis desdobramentos que podem ocorrer, maior é o desgaste mental⁴ .
A pessoa que sofre com transtornos de ansiedade também tem um comportamento moldado, dificultando a realização de tarefas tidas como simples do cotidiano.
Um segundo comportamento presente no transtorno de ansiedade é o esquiva ativa⁴ . A pessoa reduz ao máximo o contato, a proximidade ou mesmo a convivência com o que desperta uma resposta ansiosa, de estresse ou de medo⁴.
Em determinados casos, o sujeito adota uma postura de isolamento social, evitando situações em que possa se sentir avaliado, observado ou se encontrar com quem não é do círculo íntimo dela (como parentes)⁴.
Além do sintoma comportamental de ansiedade já mencionado, há o comportamento obsessivo⁴. Ele surge em decorrência da apreensão e do medo que envolvem riscos superdimensionados. Por conta disso, ele adota comportamentos, posturas e ações muito rígidas na rotina. Como relutância em ficar sozinho, dificuldade de dormir fora de casa, deixar de fazer atividades por conta de estímulos fóbicos, não usar banheiros públicos etc⁴.
A American Psychiatric Association (APA) reconhece 11 tipos de categorias de transtorno de ansiedade. Todos eles catalogados e classificados no DSM-V³. Um guia que dispõe não apenas das definições das psicopatologias, mas também da base de identificação de sintomas, recursos de anamnese e dos critérios de diagnóstico⁴ .
Um ponto importante destacado pela APA é que esses transtornos podem ocorrer isoladamente, de forma simultânea entre si ou em comorbidade com os demais tipos de transtornos mentais existentes — como os depressivos, os alimentares, os de sono-vigília e os obsessivos-compulsivos⁴.
Confira abaixo quais são os 11 tipos de ansiedade e como cada um deles se manifesta no dia a dia das pessoas!
Como o nome já entrega, esse tipo de ansiedade patológica é ocasionada pela separação entre o indivíduo e pessoas, animais e/ou coisas com as quais ele tem forte vínculo emocional⁴ . Com isso, o distanciamento ou mesmo a simples ideia de não ter o objeto de adoração por perto causa intenso sofrimento emocional⁴.
Frequentemente, o sujeito com esse transtorno expande o medo e a preocupação com a separação para outros patamares, em especial quando ela ocorre em relação a pessoas e pets³. Acontece, por exemplo, uma inquietação sobre eventuais cenários em que o foco desse apego o abandona ou, ainda pior, morre, deixando-o, consequentemente, sozinho⁴.
Esse tipo de ansiedade é marcado não só pelos sintomas ansiosos tradicionais, mas principalmente pela incapacidade do sujeito falar diante de momentos em que é esperado que ele se comunique, expresse opiniões, apresente informações etc⁴ .
É importante dizer que esse mutismo não é gerado por uma deficiência de linguagem ou problema neurológico relacionado à fala⁴ . É, na verdade, um fracassso que ocorre apenas nesses momentos de interação social⁴ .
Um ponto de destaque do DSM-V é que esse transtorno inicia-se, geralmente, entre a primeira e a segunda infância, manifestando-se na vida escolar da criança⁴.
Esse problema é diagnosticado a partir de um medo irracional, duradouro e incapaz de ser controlado ou atenuado em relação a um determinado objeto, ou situação⁴. Por exemplo, em relação a sapos, a lentilhas, a palhaços, à altura, entre outros.
Devido a isso, a pessoa assume uma postura evitativa para não ficar perto ou mesmo ver/assistir algo a respeito daquilo que causa pavor⁴. Apenas a mera hipótese de ter que ter contato com essa fonte de medo causa altos níveis de estresse e ansiedade⁴.
O quarto transtorno é conhecido popularmente como fobia social⁴. Isso porque a pessoa desenvolve um medo crescente, paralisante e insuportável de estar em situações em que há interação social — por mais rápida e passageira que ela seja⁴. O que inclui desde conversar com alguém no transporte público até participar de um evento ou festival.
Como há um receio grande de se sentir julgado, criticado e invalidado pelos outros nesses momentos, disparando diversos gatilhos ansiogênicos no indivíduo, ele evita ao máximo ter essas vivências⁴.
Quando não há como fugir delas, o desempenho pessoal e profissional fica comprometido e não é raro que ocorram crises de pânico, ataques de raiva e até mesmo casos de incapacidade de se mexer, chamado de imobilidade, principalmente em crianças⁴.
Esse transtorno de ansiedade envolve ataques de pânico que ocorrem com frequência na rotina da pessoa. Não raramente, o indivíduo vivencia crises intensas que levam a quadros de desrealização, em que ele se desconecta da realidade ao redor; ou despersonalização, em que ele não se reconhece e se sente fora de si⁴.
O ponto-chave de diferença aqui dos ataques de pânico que acontecem em outros transtornos é que, enquanto nos demais há algo ou uma situação que o desencadeia, aqui eles surgem de forma aleatória e inesperada. Um aspecto que faz com que esse problema de saúde mental seja bastante incapacitante⁴.
Ela reúne medos acentuados sobre situações que a pessoa pode vivenciar no dia a dia, o que gera angústia, constrangimento, sofrimento e comportamento evitativo⁴
Entre essas situações estão a possibilidade de circular em meio a multidões, usar qualquer tipo de transporte público, ficar em ambientes fechados com outras pessoas, estar em locais ao ar livre ou então sair desacompanhado de casa⁴.
Como resultado, muitas vezes, a pessoa perde uma vida funcional por medo de passar por momentos assim. Em casos muito graves, o indivíduo chega a não sair mais do próprio lar⁴.
O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) é um dos transtornos de ansiedade mais conhecidos. Isso porque ele é definido pela preocupação excessiva, apreensão sobre o futuro, irritação e pensamentos distorcidos sobre acontecimentos cotidianos⁴.
Ele pode ser desencadeado por qualquer pessoa, situação ou coisa sobre a qual o indivíduo não tem controle⁴. Ao desenvolver esse problema, a pessoa pode apresentar crises agudas de ansiedade e também ataques de pânico. Episódios que vão se tornando mais frequentes e causando prejuízos à vida pessoal e profissional⁴.
Esse transtorno de ansiedade surge quando o indivíduo usa remédios ou substâncias em abundância a ponto de se intoxicar. O DSM-5 lista alguns exemplos, como os opioides, os alucinógenos e as bebidas alcoólicas⁴. Logo, pausas na utilização podem gerar episódios de abstinência que vão acarretar crises de ansiedade⁴.
Esse tipo de ansiedade também difere dos demais. Isso porque ele não tem aspectos psicológicos ou emocionais envolvidos, como a causa ou os fatores desencadeadores⁴. Na verdade, esse transtorno ocorre como uma resposta fisiológica ao avanço de um quadro de doença que o indivíduo tem⁴.
Quanto mais essa enfermidade se expande e afeta a saúde da pessoa, mais ela apresenta sinais ansiosos e, até mesmo, ataques de pânico. O DSM-V traz alguns exemplos de doenças que podem provocar essa disfunção. É o caso, por exemplo, do hipertireoidismo, da encefalite, da arritmia e da asma⁴.
A nona categoria de transtorno de ansiedade recebe esse nome porque se manifesta de forma muito particular, como em determinados dias ou situações. Trata-se de um transtorno com poucos sintomas em destaque e sem compatibilidade com as outras formas de manifestação de ansiedade patológica⁴.
Por último, há o tipo que não é especificado. O DSM-V o intitula dessa forma por não ser possível avaliá-lo e encaixá-lo dentro das demais definições de transtorno de ansiedade. Algo que pode acontecer pela falta de informações e detalhes sobre o histórico dos sintomas, gatilhos e também por não haver satisfação de critérios diagnósticos⁴.
Entenda quais são os principais recursos para tratamento de quem é diagnosticado com um ou mais transtornos de ansiedade e como eles contribuem para o controle e a remissão desse tipo de problema.
A terapia conduzida por psicólogos é feita de maneira contínua, ocorrendo uma vez por semana ou com a frequência indicada pelo profissional. Nas sessões, o indivíduo tem a oportunidade de ter o acolhimento emocional necessário para o sofrimento psíquico que enfrenta.
Fora isso, o profissional consegue auxiliar nos pensamentos disfuncionais que surgem em decorrência da ansiedade patológica. Por exemplo, as ideias do indivíduo de que tudo vai dar errado, de que o esforço é em vão, de que os outros estão criticando ele.5
Também são realizadas atividades de recondicionamento cognitivo para que o paciente lide com situações ansiogênicas, adote mudanças de crenças limitantes e desadaptativas sobre si, assumindo comportamentos proativos para controle de sintomas físicos e mentais5.
De forma simultânea à terapia psicológica, é comum que a pessoa com transtorno de ansiedade faça uso controlado de medicamentos, como os ansiolíticos — em especial, a classe dos benzodiazepínicos. Isso porque eles têm efeito rápido para o controle da ansiedade, além de proporcionar outros benefícios, como a melhora na qualidade do sono6.
Contudo, é importante reforçar que nenhum indivíduo deve se automedicar para não se expor a efeitos colaterais indesejados, desenvolver dependência química ou ainda trazer riscos para a própria vida7.
O uso de remédios, em especial os psicotrópicos, deve ocorrer apenas sob supervisão psiquiátrica e conforme a prescrição médica. O que vai incluir não só a dosagem correta e segura, mas a rotina de utilização, as contra indicações e o tempo pelo qual ele deve ser administrado7.
Além das duas intervenções já citadas, é comum que psicólogos e psiquiatras ensinem e recomendem técnicas de relaxamento, como o treino respiratório, além de incentivar a higiene do sono8.
Afinal, ela é útil para a promoção do mindfulness que auxilia a pessoa a se concentrar no presente, reduzindo a própria sensibilidade a desconfortos, julgamentos e preocupações quanto ao futuro. Como benefício, isso reduz o estresse, a ansiedade e o desenvolvimento de depressão9.
Por isso, quando houver suspeitas de que você tem algum transtorno de ansiedade, não adie os cuidados com a sua saúde mental. Conte com acompanhamento médico e psicológico para avaliar o seu caso e ajudar a restabelecer a sua qualidade de vida!
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Fontes consultadas:
Produzido em 03/03/2023
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