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Aparelhos eletrônicos e sua relação com a enxaqueca

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O uso de aparelhos eletrônicos é uma prática constante entre crianças, jovens, adultos e até idosos, que estão em busca de diversão e entretenimento, capacitação por meio de aulas online e também para ficar por dentro das notícias e redes sociais.

Acontece que o uso abusivo dos aparelhos eletrônicos, como os smartphones está associado a diferentes distúrbios, como a dificuldade de concentração e a enxaqueca.1

A enxaqueca é um tipo de cefaleia primária caracterizada como uma das mais incapacitantes do mundo, especialmente entre as mulheres (ainda que homens também sejam bastante afetados).2

Por isso, se quiser saber mais sobre a relação entre o uso de aparelhos eletrônicos e a enxaqueca, continue a leitura deste post!

Como o uso de aparelhos eletrônicos pode impactar em dores de cabeça?

Antigamente, os principais aparelhos eletrônicos usados eram a televisão, computador e rádio. Hoje em dia, com o avanço dos recursos tecnológicos, existe uma gama de aparelhos eletrônicos que vão desde o telefone celular até dispositivos maiores, como os tablets e notebooks.

Devido a isso, a apresentação dos aparelhos eletrônicos às crianças se adiantou significativamente pelas mudanças comportamentais, sociais, financeiras e emocionais da atualidade.3

Essa apresentação precoce desencadeou diversos problemas, como os sintomas osteomusculares evidenciados na chamada “geração cabeça-baixa”, como é o caso de dores na região do pescoço.4

O uso excessivo e sem descanso dos aparelhos eletrônicos pode desencadear episódios de enxaqueca, principalmente no final do dia, influenciando negativamente na saúde física e mental dos indivíduos.3

Um estudo brasileiro publicado em 2015 demonstrou a prevalência de cefaleia do tipo migrânea em adolescentes na faixa etária entre 14 a 19 anos, relacionada ao uso excessivo de computador e jogos eletrônicos.³

Quais são as características da enxaqueca associadas ao uso de eletrônicos?

A enxaqueca, também chamada de migrânea, é caracterizada como dores de cabeça, que não apresentam relação temporal com outro distúrbio, porém o mecanismo fisiopatológico ainda é desconhecido. 2,5

Recentemente, foi associado o uso inadequado de aparelhos eletrônicos ao desenvolvimento de enxaqueca, tornando mais um problema para aqueles indivíduos que apresentam vícios em videogames ou permanecem longas horas nas redes sociais. 1

Como evitar esse problema?

Aparelhos eletrônicos e sua relação com a enxaqueca

Sabendo da associação entre o uso excessivo de aparelhos eletrônicos com o desenvolvimento da enxaqueca¹, o primeiro passo é reduzir o tempo nas telas de computadores, tablets e telefones celulares.6

Parece óbvio, porém, é bastante desafiador, principalmente para quem já sofre da chamada dependência tecnológica, que acomete famílias inteiras, privando todos do convívio social e profissional.7

Por isso, é importante reduzir ou interromper drasticamente o uso excessivo dos aparelhos eletrônicos, principalmente no período noturno, para prevenir o aparecimento de enxaqueca e outros problemas.7

Outro ponto importante é que o indivíduo seja conscientizado pela família, amigos e colegas de trabalho sobre o uso abusivo das telas6, além da campanha nacionalmente conhecida pelo dia de Combate a Cefaleia, que se comemora em 19 de maio.8

Por isso, a informação confiável e acolhedora deve acontecer diariamente, preferencialmente com a supervisão de um profissional de saúde especializado nos casos em que a abordagem precisa ser multidisciplinar.

Por que usar os aparelhos eletrônicos com moderação?

Doenças relacionadas ao abuso do uso de aparelhos eletrônicos já se configuram como dependência tecnológica, comparável a demais vícios já diagnosticados.6,7

O problema se instala porque, assim como outras drogas lícitas, é socialmente aceitável e ninguém percebe o quão dependente uma pessoa está, a não ser quando ocorrem mudanças bruscas de comportamento.6,7

Alguns exemplos são pessoas que se isolam socialmente e estão em busca de um determinado acolhimento virtual por meio das redes sociais; também adolescentes e jovens que preferem se trancar no quarto para jogar com parceiros virtuais em vez de passear com amigos, entre tantos outros exemplos.6

Se o processo for drasticamente reduzido ou interrompido e as consequências comportamentais forem positivas, é sinal de que ainda não existia uma dependência. Caso contrário, em que se evidencia sintomas de abstinência, a situação deve ser encaminhada aos profissionais de saúde.6

Além disso, já sabendo do tipo de personalidade da pessoa e de seus comportamentos diante de novos desafios, é importante recomendar previamente um limite de tempo de uso dos aparelhos eletrônicos, a fim de evitar problemas6, inclusive a enxaqueca.³ 

Quando procurar ajuda médica?

Como se trata de uma condição clínica relativamente nova, a conscientização ainda é incipiente diante dos desafios em curto, médio e longo prazo desse problema para a sociedade.

Indivíduos que modificaram drasticamente o comportamento e já estão enquadrados nos vícios em videogame, por exemplo, devem ser encaminhados às equipes multidisciplinares.

Caso não exista uma equipe multidisciplinar responsável para lidar com questões como essa, sugere-se a procura por psicólogos e psiquiatras com conhecimento e experiência na temática.

O uso excessivo de aparelhos eletrônicos pode ser um grande desencadeador de crises de enxaqueca, gerando grandes malefícios aos indivíduos e suas famílias, além de prejuízos na vida social e profissional³,6. O vício em videogames e nas redes sociais é uma causa do uso excessivo de aparelhos eletrônicos, devendo ser analisada sob uma óptica multidisciplinar para o tratamento ser efetivo, seguro e evitando recorrências.6

Se você ou alguém que você conhece sofre com enxaquecas, não deixe de conferir este guia completo sobre como como lidar com a doença para ter mais informações.

Preparamos também esta cartilha com receitas deliciosas que ajudam a controlar a enxaqueca.

Referências

  1. UTTARWAR, P.; VIBHA, D.; PRASAD, K.; et al. Smartphone use and primary headache. Neurology: Clinical Practice, v. 10, n. 6, p. 473–479, 2020. 
  2. BAHRA, A. Primary Headache Disorders: Focus on Migraine. Reviews in Pain, v. 5, n. 4, p. 2–11, 2011. 
  3.  XAVIER, M. K. A.; PITANGUI, A. C. R.; SILVA G. R. R.;  et al.. Prevalência de cefaleia em adolescentes e associação com uso de computador e jogos eletrônicos. Ciência & Saúde Coletiva, v. 20, n. 11, p. 3477–3486, 2015. 
  4. DAVID, D.; GIANNINI,i C.; CHIARELLI, F.; et al. Text Neck Syndrome in Children and Adolescents. International Journal of Environmental Research and Public Health, v. 18, n. 4, p. 1565, 2021. 
  5. CHAVES, A. C. P.; MELLO, J. M.; GOMES, C. R. G.. Conhecendo sobre as enxaquecas. Saúde e Pesquisa, v. 2, n. 2, p. 265-271, 2009. 
  6. NAKSHINE, V. S. et al. Increased Screen Time as a Cause of Declining Physical, Psychological Health, and Sleep Patterns: A Literary Review. Cureus, v. 14, n. 10, 8 out. 2022.
  7. MELO, D. G. S.; RODRIGUES, E. L. F.; SILVA, G. M. et al. Dependência tecnológica: a doença da contemporaneidade no contexto familiar. Psicologia.pt.  2018. 
  8. Sociedade Brasileira de Cefaleia. 19 de Maio – Dia Nacional de Combate às Dores de Cabeça[internet]. 2022 [acesso em Maio 2023]. Disponível em <https://sbcefaleia.com.br/noticias.php?id=484#:~:text=19%20de%20Maio%20%E2%80%93%20Dia%20Nacional%20de%20Combate%20%C3%A0s%20Dores%20de%20Cabe%C3%A7a&text=Um%20m%C3%AAs%20de%20conscientiza%C3%A7%C3%A3o%20do,a%20campanha%203%20%C3%89%20DEMAIS.>.