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Publicado em: 4 de março de 2026
O calor intenso não causa apenas desconforto. A exposição a altas temperaturas é um fator de risco importante para problemas cardiovasculares¹
No verão e durante ondas de calor, esse risco se torna maior, especialmente para pessoas que já convivem com hipertensão, colesterol alto ou outras doenças do coração.1,2
Com o aumento das temperaturas, o organismo precisa trabalhar mais para manter o equilíbrio interno. Esse esforço extra pode sobrecarregar o sistema cardiovascular e favorecer complicações¹.
Por isso, o cardiologista Dr. Jairo Lins Borges (CRM 46977 SP e RQE 132337) aponta que entender como o calor afeta o coração é um passo essencial para reconhecer sinais de alerta e prevenir situações mais graves. “Principalmente para quem tem mais risco ou já convive com alguma condição cardíaca”, diz o médico, ressaltando a importância da mensagem para quem tem pressão e colesterol alto, obesidade ou histórico familiar de doenças cardíacas e acidente vascular cerebral (AVC).
Quando o corpo é exposto ao calor, ele ativa diversos mecanismos para regular a temperatura interna, um processo chamado de termorregulação. Quando o ganho de calor supera a capacidade do corpo de eliminá-lo, inicia-se uma sequência de eventos que pode comprometer o sistema cardiovascular¹.
Uma das principais respostas ao calor é o aumento da transpiração e do fluxo de sangue para a pele. Isso ajuda a resfriar o corpo, mas também provoca perda de líquidos. Se essa perda não for reposta adequadamente, pode ocorrer desidratação, o que aumenta o risco de complicações cardiovasculares¹.
Além disso, com a perda de líquidos, o volume de plasma no sangue diminui. Como consequência, os glóbulos vermelhos e outras substâncias ficam mais concentrados, deixando o sangue mais espesso, o que também aumenta a concentração de glóbulos vermelhos. Isso favorece a formação de coágulos, conhecidos como trombos. Esses coágulos podem obstruir vasos sanguíneos, elevando o risco de AVC e de doenças cardíacas¹.
Essa conexão faz com que a exposição ao calor intenso esteja relacionada ao aumento de complicações por doenças cardiovasculares. Isso é particularmente importante para pessoas com risco aumentado de doenças cardiovasculares, como idosos, ou com diagnóstico prévio de doença cardiovascular. Elas apresentam maior risco de internações e complicações mais graves¹.
O risco também varia conforme a região. Pessoas que vivem em áreas de clima tropical, como o Brasil, são mais vulneráveis aos efeitos negativos do calor no coração do que aquelas que vivem em outras regiões climáticas. Durante ondas de calor, esse impacto pode ser ainda maior¹.
A sobrecarga no sistema de termorregulação do corpo, principalmente pelo redirecionamento do sangue para a pele, reduz a pressão de enchimento do coração, o que diminui a quantidade de sangue dentro do órgão, fazendo com que o órgão precise trabalhar mais, batendo mais rápido e com maior esforço².
Esse mecanismo explica por que os batimentos acelerados são um dos sinais de alerta mais comuns de estresse cardíaco, inclusive no calor². O coração é obrigado a bombear com mais intensidade para garantir a circulação adequada, o que pode desencadear outros sintomas importantes2-4:
Efeitos mais graves podem ser observados quando o estresse sobre o sistema cardiovascular se intensifica ou dura muito, como em ondas de calor².
Isso exige atenção redobrada em grupos mais vulneráveis, especialmente em pessoas com 65 anos ou mais¹.
Os idosos costumam ter menor tolerância fisiológica ao calor. Isso significa, por exemplo, menor capacidade de redistribuir o fluxo sanguíneo ou a convivência com doenças pré-existentes que aumentem o risco de problemas cardíacos¹. “Algumas situações já causam interferências na termorregulação, o que pode ser intensificado pelo calor”, explica o Dr. Jairo. Além disso, o infarto pode ocorrer sem sinais específicos nesse grupo, o que torna essencial observar qualquer mal-estar súbito ou mudança no estado geral de saúde4.
“O alerta também vale para pessoas com doenças como diabetes e obesidade, independentemente da idade, por serem condições que já costumam afetar o coração”, acrescenta o médico.
Segundo o cardiologista, a prevenção de problemas cardíacos no verão começa com medidas que protegem o coração ao longo de todo o ano.
A prática regular de exercícios físicos, uma alimentação adequada e controlar fatores de risco, como o tabagismo, são pilares para reduzir o risco de doenças do coração. Da mesma forma, o controle de condições como colesterol alto, diabetes e obesidade é fundamental para evitar o entupimento das artérias e o infarto3,4.
Durante os meses mais quentes, alguns cuidados específicos ajudam a reduzir o impacto do calor sobre o coração:1,2,5
Para o Dr. Jairo, a avaliação médica antes do início do verão é essencial. “Quando acompanhamos de perto o estado de saúde e os riscos do coração, conseguimos ajustar o tratamento quando necessário e reduzir as chances de complicações, principalmente nos períodos de calor mais intenso”, completa.
Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.
Conteúdo elaborado em janeiro de 2026
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