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Lipedema: entenda esse diagnóstico e tratamentos!

Você já ouviu falar sobre lipedema? É possível que não, mas também é provável que você conheça alguém que lida com essa condição no dia a dia ou que ela faça parte do seu próprio organismo! O motivo? A prevalência. Estima-se que cerca de 10% das mulheres do mundo tenham lipedema.1

Mas, afinal, o que é isso? De modo geral, pode-se definir o lipedema como um acúmulo de gordura concentrada em algumas partes do corpo, ao contrário do que se observa em pacientes obesos — que têm uma distribuição homogênea em todas as regiões.2

A questão é considerada uma doença vascular crônica desde 2022 e pode afetar bastante a qualidade de vida das pessoas afetadas.2 Continue a leitura para entender mais sobre a condição e descubra como ela é tratada! 

O que é lipedema?

Já começamos a falar um pouco sobre a condição, mas é hora de aprofundar mais os conhecimentos acerca do assunto! 

Lipedema é uma condição que afeta principalmente mulheres e faz com que o corpo acumule gordura de maneira anormal, especialmente nas pernas e quadris. Essa gordura é dolorida ao toque e tende a crescer com o tempo.2 

Além da dor física, muitas mulheres que têm lipedema se sentem desconfortáveis com a própria aparência, o que pode afetar sua autoestima e bem-estar emocional.2

Graus do lipedema

O lipedema se desenvolve em diferentes estágios, e à medida que avança, os sintomas como dor, sensibilidade, inchaço e acúmulo de gordura podem aumentar. Os quatro estágios do lipedema mostram como a gordura se acumula no corpo e como isso afeta a forma corporal.3 Aqui está um resumo dos estágios!

Estágio 1

A pele é lisa, mas há um aumento no tecido de gordura subcutânea (a camada de logo abaixo da pele).3

Estágio 2

A pele começa a apresentar irregularidades e depressões, e os depósitos de gordura (lipomas) ficam maiores e podem ser vistos e sentidos.3

Estágio 3

Grandes acúmulos de gordura deformam áreas como as coxas e ao redor dos joelhos.3

Estágio 4 (Lipo-linfedema)

Além do lipedema, também há linfoedema (acúmulo de líquido nos tecidos), causando grandes dobras de gordura nos braços e pernas.3

Lipedema, linfedema ou obesidade?

O lipedema, o linfedema e a obesidade são condições que envolvem acúmulo de gordura ou líquido no corpo, mas têm diferenças importantes.2

O lipedema é caracterizado pelo acúmulo desproporcional de gordura em áreas específicas do corpo, como coxas, pernas, quadris e braços. Diferente da obesidade, onde a gordura é distribuída de forma mais homogênea, no lipedema essa gordura se concentra de forma simétrica, afetando ambos os lados do corpo de maneira igual.2 

No entanto, regiões como rosto, pescoço, mãos e pés permanecem magros, criando um contraste visível. O lipedema também é frequentemente doloroso ao toque e pode piorar com o tempo.2

O linfedema, por outro lado, envolve o acúmulo de fluido linfático devido a uma obstrução nos vasos linfáticos. Isso causa inchaço, geralmente em apenas um membro ou em uma área específica, diferentemente do lipedema, que afeta simetricamente ambos os lados do corpo.4 Além disso, o linfedema pode causar alterações na pele e nos tecidos, e o inchaço pode ser mais irregular.2,4

Já a obesidade se caracteriza pelo excesso de gordura corporal distribuído por todo o corpo, sem a simetria típica do lipedema. Pessoas obesas tendem a ganhar peso de maneira mais uniforme, e a condição não está associada à dor no tecido adiposo.2

Resumindo: no lipedema, há acúmulo de gordura dolorosa e desproporcional em áreas específicas e de forma simétrica; no linfedema, o inchaço é causado por líquido e pode ser mais localizado e assimétrico; enquanto na obesidade, o excesso de gordura é distribuído de forma mais homogênea pelo corpo.2

Como identificar o lipedema?

Agora, chegou a hora de você conhecer os sintomas do lipedema! Uma característica comum da doença é que, embora as pernas e quadris fiquem maiores, os pés geralmente permanecem de tamanho normal, principalmente nos estágios iniciais.2

No entanto, identificar o lipedema pode ser desafiador, pois, em seus estágios iniciais, os sinais podem ser confundidos com problemas estéticos, como celulite. No entanto, existem características específicas que ajudam a diferenciar a condição.2 Confira! 

Acúmulo de gordura em áreas específicas

O lipedema se manifesta com o acúmulo desproporcional de gordura, especialmente nas pernas, coxas, quadris e braços, enquanto outras áreas, como mãos, pés e rosto, permanecem normais.2

Aparência flácida e ondulada

A gordura acumulada cria uma textura irregular e flácida na pele, semelhante à celulite, mas de difícil eliminação com dieta ou exercícios.2

Nódulos no tecido adiposo

Ao tocar as áreas afetadas, é possível sentir pequenos nódulos de gordura, que podem ser dolorosos e aumentam a sensação de desconforto.2

Hipersensibilidade

As áreas afetadas pelo lipedema tendem a ser extremamente sensíveis ao toque, provocando dor mesmo com leves pressões.2

Inchaço constante

O inchaço nas pernas e coxas é uma característica comum, e a sensação de peso nas pernas também é frequente.2

Manchas roxas (equimoses)

Pessoas com lipedema muitas vezes apresentam equimoses nas pernas, que surgem sem uma causa aparente, devido à fragilidade dos capilares sob a pele.2

Sensação de peso nas pernas

Com o avanço do lipedema, é comum uma sensação contínua de peso nas pernas, mesmo em repouso.2

Quais são as causas do lipedema?

A causa exata do lipedema não é bem conhecida, mas ele costuma aparecer durante mudanças hormonais importantes, como na puberdade, gravidez ou menopausa.2

Quais são os fatores de risco para lipedema?

Lipedema: entenda esse diagnóstico e tratamentos!

Os fatores de risco para o desenvolvimento do lipedema incluem tanto predisposições genéticas quanto condições de saúde associadas.5 Confira mais informações!

Histórico familiar

O lipedema tem uma forte ligação genética, sendo comum que várias mulheres na mesma família sejam afetadas.5

Alterações hormonais

O início do lipedema costuma ocorrer durante períodos de grandes mudanças hormonais, como a puberdade, gravidez e menopausa.5

Saúde mental

Ansiedade e depressão são frequentemente observadas em mulheres com lipedema, possivelmente devido ao impacto emocional e psicológico da doença.5

Hipertensão arterial

A presença de pressão arterial elevada também foi associada ao lipedema, indicando que o controle cardiovascular pode ser relevante para quem tem a condição.5

Anemia

A anemia também parece estar associada ao lipedema, embora os mecanismos dessa relação ainda não estejam totalmente claros.5

Há consequências associadas ao lipedema?

Estima-se que cerca de 12,3% das mulheres brasileiras podem apresentar sintomas de lipedema, o que corresponde a aproximadamente 8,8 milhões de mulheres entre 18 e 69 anos no país.5 Mas será que essa condição pode causar consequências para a saúde em geral?

A resposta é: sim.2

O lipedema, quando não diagnosticado ou tratado adequadamente, pode gerar complicações sérias. A inflamação contínua e o acúmulo de gordura nos braços, pernas e quadris provocam dores crônicas, além de problemas de circulação e mobilidade. Isso afeta diretamente a qualidade de vida dos pacientes, dificultando tarefas cotidianas e prejudicando a saúde de maneira geral.2

À medida que a doença avança, o tecido adiposo inflamado piora a circulação sanguínea e o funcionamento do sistema linfático, o que aumenta o inchaço e pode agravar a insuficiência venosa nas pernas. Outro desafio enfrentado pelos pacientes é a dificuldade em perder gordura localizada, já que a mobilidade reduzida limita a prática de exercícios físicos.2

Além das questões físicas, o lipedema tem um impacto psicossocial significativo. Muitas vezes, as pessoas que sofrem desta condição enfrentam estigmas associados à obesidade, mesmo que o tratamento do lipedema seja mais complexo e a gordura acumulada seja de difícil eliminação. Esse contexto pode levar a transtornos alimentares e problemas emocionais, agravando ainda mais a situação.2

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico do lipedema começa com uma avaliação clínica detalhada, seguida de exames laboratoriais para descartar outras condições, como função hepática, renal, tireoideana, perfis lipídicos e glicemia.1

Com os avanços recentes, técnicas de imagem ajudam a diferenciar o lipedema de condições semelhantes, como o linfedema. Um exame comum é a linfocintilografia, que avalia o fluxo linfático e identifica assimetrias significativas. A espectroscopia de bioimpedância, por sua vez, mede os níveis de água extracelular e pode revelar diferenças entre as extremidades inferiores e superiores.1

Outro exame utilizado é a densitometria óssea, que avalia a massa de gordura e a massa muscular magra, sendo útil para diferenciar pacientes com lipedema de outras condições. Já o ultrassom pode mostrar um aumento na espessura e na ecogenicidade do tecido subcutâneo, enquanto a ressonância magnética evidencia o alargamento dos vasos linfáticos.1

Por fim, exames cardíacos, como o ecocardiograma, também podem ser realizados para avaliar a função cardiovascular, já que algumas anomalias podem estar presentes em pacientes com lipedema.1

Quais são os tratamentos para o lipedema?

O tratamento do lipedema envolve uma abordagem multidisciplinar, incluindo intervenções conservadoras e cirúrgicas.1 Confira algumas atitudes que podem ser tomadas para tratar essa doença! 

Dieta e exercícios

Embora a gordura do lipedema seja resistente à perda de peso, dietas específicas podem ajudar. Exercícios como caminhada rápida, ciclismo e hidroginástica também são recomendados para melhorar a drenagem linfática e reduzir o inchaço.1

Terapias de compressão

O uso de roupas de compressão pode ajudar a reduzir o inchaço e fornecer suporte às áreas afetadas. Elas também auxiliam na gestão estética e no alívio do desconforto.1

Terapias de descongestão

Incluem técnicas como drenagem linfática manual, que ajudam a reduzir a retenção de líquidos e a fibrose no tecido adiposo.1

Liposucção

A liposucção é uma opção eficaz quando os tratamentos conservadores não funcionam. Existem várias técnicas, como a tumescente e a assistida por jato d’água. A cirurgia é feita em etapas e pode melhorar a qualidade de vida dos pacientes, reduzindo a dor e a dificuldade de mobilidade.1

Apoio psicológico

O impacto psicossocial do lipedema pode levar à depressão. Educação sobre a doença, aconselhamento nutricional e psicológico, e participação em grupos de apoio são fundamentais para um bom resultado.1

Medicamentos e suplementos

Embora não existam medicamentos específicos para o lipedema, algumas substâncias podem ajudar a reduzir a inflamação e prevenir complicações como a insuficiência venosa crônica.1

Evitar medicamentos que retêm líquidos

Certos medicamentos, como corticosteroides, devem ser evitados, pois podem agravar o inchaço.1

Gostou de saber mais sobre o lipedema? Claro que essa condição não é nada agradável, mas o conhecimento é a melhor forma de ajudar você a buscar o melhor tratamento para o seu caso! Caso tenha se identificado com os sintomas, procure orientação médica o quanto antes. 

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Referências

1. Kruppa P, Georgiou I, Biermann N, Prantl L, Klein-Weigel P, Ghods M. Lipedema-Pathogenesis, Diagnosis, and Treatment Options. Dtsch Arztebl Int. 2020 Jun 1;117(22-23):396-403.

2. Governo do Estado de São Paulo. Secretaria da Saúde destaca mês de conscientização sobre o lipedema [Internet]. saude.sp.gov.br. Disponível em: http://saude.sp.gov.br/ses/perfil/cidadao/homepage/destaques/secretaria-da-saude-destaca-mes-de-conscientizacao-sobre-o-lipedema. Acesso em: 16 set. 2024.

3. Lipedema Foundation. Staging of Lipedema [Internet]. 2014. Disponível em: https://www.lipedema.org/staging. Acesso em: 16 set. 2024.

4. Sleigh BC, Manna B. Lymphedema. [Updated 2023 Apr 19]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2024. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK537239/. Acesso em: 16 set. 2024.

5. Amato ACM, Amato FCM, Amato JLS, Benitti DA. Lipedema prevalence and risk factors in Brazil. J Vasc Bras. 2022 May 23;21:e20210198.

Data de elaboração: 16/09/2024.