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Publicado em: 28 de setembro de 2023
Assuntos abordados
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Já reparou como o número de pessoas obesas aumentou nas últimas décadas? Não é impressão, é um fato. Nos últimos 30 anos, a obesidade aumentou significativamente. É um problema mundial, que diminui a expectativa de vida e aumenta os custos com despesas médicas.1
Aliada a fatores socioeconômicos, a obesidade tem sido associada ao aumento de incidência de doenças cardiovasculares. Sendo a principal causa de morte no mundo, é importante conhecer e controlar os fatores de riscos relacionados.1 Fique de olho! Existem diversas condições além da obesidade que podem levar a eventos cardiovasculares.
Para guiar os tratamentos e as medidas de prevenção mais adequadas, os estudos científicos analisam a associação de todos esses fatores para calcular o risco cardiovascular. Entenda, neste artigo, o que são os níveis de risco cardiovascular e como evitar a ocorrência de doenças que afetam o coração e os vasos sanguíneos.
Com o aumento da incidência de doenças cardiovasculares, é dever das entidades de saúde desenvolver estratégias que reduzam a morbidade e mortalidade por essas enfermidades. Para tal, são conduzidos estudos populacionais que revelam as causas e os mecanismos que aumentam o risco cardiovascular.1
O risco cardiovascular é a probabilidade de um indivíduo apresentar um evento cardiovascular fatal ou não fatal. Ele pode ser calculado por diversos métodos. As calculadoras de risco, como são chamadas, podem estimar os riscos totais ou específicos. Nesse último caso, podemos citar o Score de Framingham como uma ferramenta utilizada na avaliação do risco cardiovascular.2
As calculadoras consideram diversos fatores,2 como:
Conforme a pontuação no teste, o risco de eventos cardiovasculares pode ser estimado no período de 10 anos.2
Este escore foi desenvolvido para calcular os riscos totais e foi resultado do Framingham Heart Study (FHS). Esse estudo, iniciado em 1948, nos Estados Unidos, investigou uma variedade de fatores biológicos e de estilo de vida em três gerações de participantes. Os pesquisadores concluíram que a hipertensão sanguínea, os altos níveis de colesterol e o tabagismo são os maiores fatores de risco para a doença cardiovascular.2
Vale lembrar que populações específicas participam dessas pesquisas. Nem sempre, portanto, os resultados obtidos podem servir como base, sem qualquer ressalva, para pessoas de outros países, etnias ou que vivem sob diferentes condições sociais.2
Infelizmente, não existe um método próprio de cálculo de risco de doença cardiovascular que considere os aspectos étnicos e socioeconômicos específicos dos brasileiros. Na prática, isso significa que o uso de ferramentas internacionais pode levar a cálculos imprecisos, já que cada calculadora considera diferentes aspectos e atribui pesos distintos a cada um deles.3
Mesmo assim, os escores são úteis para avaliar o panorama da população e auxiliar no desenvolvimento de práticas de prevenção. O primeiro estudo nacional para estimar o risco de doença cardiovascular em dez anos, por exemplo, utilizou o modelo de Framingham4, o qual é recomendado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia.3
Para as mulheres, alta pressão arterial sistólica,baixos níveis de HDL, diabetes e tabagismo foram apontados como os principais fatores de risco cardiovascular. Já entre os homens, a única diferença é a diabetes, que ficou em último lugar, atrás do tabagismo.4
Outro estudo interessante comparou seis diferentes calculadoras para avaliar a prevalência do alto risco cardiovascular no Brasil. Entre os métodos avaliados, estavam o derivado do FHS e a calculadora proposta pela Organização Mundial da Saúde/Sociedade Internacional de Hipertensão (OMS/SIH).3
Os resultados foram bastante variados, ou seja, para cada calculadora, populações diferentes seriam classificadas como de alto risco.3 Isso é importante na definição de pontos de corte para classificação do risco, especialmente quando se trata da prescrição de medicamentos.1
As falhas podem levar ao uso desnecessário de medicação e ao aumento dos gastos do Sistema Único de Saúde (SUS), pois seria preciso disponibilizar o tratamento a um número maior de pessoas.
Já que as doenças cardiovasculares são as principais causas de mortes também no Brasil, é muito importante desenvolvermos uma calculadora brasileira ou que os métodos internacionais se adaptem à nossa realidade.3
Assim, a nossa população seria mais representada e teria mais qualidade de vida ao sofrer menos com os eventos cardiovasculares. Afinal, eles também estão relacionados a casos de invalidez, afastamento do trabalho e impactos negativos ao bem-estar.4
Conhecer os riscos por meio das calculadoras permite desenvolver abordagens preventivas e/ou terapêuticas mais adequadas. As medidas gerais incluem estimular a adoção de um estilo de vida e dieta mais saudável e a prática de atividades físicas regulares.5
Para os indivíduos cuja classificação é de alto risco, preveem o uso de medicamentos e até mesmo intervenções cirúrgicas. Além disso, para todos os níveis de risco, é primordial a realização de exames periódicos de rotina.
Uma vez que o risco de doenças cardiovasculares está diretamente ligado à obesidade e suas complicações, administrar os fatores que contribuem para sua instalação é um passo fundamental para diminuir a morbidade e a mortalidade por essas enfermidades. A obesidade, porém, é uma doença multifatorial e que requer ações abrangentes.1
Nesse cenário, a reabilitação cardíaca representa uma intervenção multidisciplinar, ao incluir o suporte profissional na elaboração de planos específicos de atividade física, de dietas, para o controle do tabagismo e das doenças cardiovasculares, quando já instaladas. Ao melhorar a qualidade de vida e a saúde mental do paciente, reduz os comportamentos nocivos.1
Vale lembrar que o envelhecimento, ao causar redução da taxa metabólica, resulta em aumento de peso e acúmulo de gordura. Logo, está relacionado a um maior risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.1 Por isso é tão importante que pessoas idosas continuem a praticar exercícios, mesmo aquelas com mobilidade reduzida.
O sobrepeso e a obesidade aparecem entre os principais problemas de saúde atuais e estão fortemente associados ao aumento da incidência de doenças cardiovasculares e morte prematura.5 Conhecer os fatores de risco cardiovasculares, portanto, é o primeiro passo na busca por uma vida mais saudável.
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* Parágrafos não referenciados dizem respeito a opinião clínica do autor.
Referências:
1. Perone F, Pingitore A, Conte E, et al. Obesity and cardiovascular risk: systematic intervention is the key for prevention. Healthcare (Basel), 2023;11(6):902. Disponível em: <doi:10.3390/healthcare11060902>. Acesso em: 27 de julho de 2023.
2. Andersson C, Johnson AD, Benjamin EJ, Levy D, Vasan RS. 70-year legacy of the Framingham Heart Study. Nat Rev Cardiol. 2019 Nov;16(11):687-698. doi: 10.1038/s41569-019-0202-5. PMID: 31065045.. Disponível em: <doi: 10.1038/s41569-019-0202-5>.Acesso em: 13 de agosto de 2023.
3. Malta DC, Pinheiro PC, Azeredo RT, Santos FM, Ribeiro ALP, Brant LCC. Prevalência de alto risco cardiovascular na população adulta brasileira segundo diferentes critérios: estudo comparativo. Ciência e saúde coletiva. 2021;26(4):1221-1231. Disponível em: <doi:10.1590/1413-81232021264.0159202>. Acesso em: 28 de julho de 2023.
4. Malta DC, Pinheiro PC, Teixeira RA, Machado IE, Santos FM dos, Ribeiro ALP. Estimativas do risco cardiovascular em dez anos na população brasileira: um estudo de base populacional. Arq Bras Cardiol. 2021;116(3):423-431. Disponível em: <doi:10.36660/abc.20190861>. Acesso em: 28 de julho de 2023.
5. Limpijankit T, Vathesatogkit P, Matchariyakul D. et al. Causal relationship of excess body weight on cardiovascular events through risk factors. Sci Rep, 2022; 12, 5269. Disponível em: <https://doi.org/10.1038/s41598-022-08812-x>. Acesso em: 27 de julho de 2023.
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