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Publicado em: 26 de agosto de 2026
A acne costuma aparecer na adolescência, mas pode persistir por anos e até continuar na vida adulta. Além de uma questão estética para muitos, ela é considerada uma doença inflamatória da pele ligada a alterações hormonais, produção excessiva de oleosidade, proliferação bacteriana e processos inflamatórios. Em alguns casos, melhora por um período e depois retorna, o que gera frustração e dúvidas frequentes sobre as verdadeiras causas do problema.¹,²
Segundo o Ministério da Saúde, a acne ocorre quando as glândulas sebáceas ficam inflamadas ou infectadas, provocando cravos, espinhas, cistos, caroços e cicatrizes. As lesões aparecem principalmente no rosto, peito e costas, regiões que concentram maior número de glândulas produtoras de sebo.¹
Dados publicados na Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade mostram que a acne comum afeta entre 85% e 100% da população em algum momento da vida. Embora o pico seja mais comum na adolescência, cerca de 50% das pessoas podem continuar apresentando a condição na idade adulta.³
“O retorno da acne geralmente acontece porque os fatores que favorecem a doença continuam ativos no organismo. Mesmo quando as lesões melhoram, a tendência à oleosidade, a influência hormonal e a inflamação da pele podem permanecer”, explica a dermatologista Dra. Letícia Secco (CRM-SP 104.212; RQE 25.079).
A acne é resultado de um processo complexo que envolve diferentes mecanismos no folículo pilossebáceo, estrutura de onde nascem os fios e que produz o sebo que lubrifica o pelo e a pele. Estudos apontam quatro fatores principais relacionados ao surgimento das lesões:³,⁴
A predisposição genética é um fator importante. O Ministério da Saúde explica que filhos de pais que tiveram acne possuem maior chance de desenvolver o problema. No entanto, pessoas sem histórico familiar também podem apresentar pele acneica.¹
As alterações hormonais têm papel central nesse processo. A acne costuma surgir com mais frequência na puberdade porque os hormônios androgênicos, responsáveis pelo desenvolvimento de características masculinas em homens e pela regulação de funções metabólicas em ambos os sexos, estimulam as glândulas sebáceas a produzir mais óleo. Em mulheres, oscilações hormonais relacionadas ao período menstrual também podem agravar o quadro.³,⁴
A acne é considerada uma doença crônica. Isso significa que ela pode passar por fases de melhora e piora ao longo do tempo. Publicações científicas apontam que a manutenção terapêutica costuma ser necessária para reduzir o risco de recidiva.⁴
Muitas pessoas acreditam que o tratamento falhou quando as espinhas voltam a aparecer. No entanto, especialistas explicam que a melhora costuma ser gradual e que algumas terapias levam semanas para apresentar resultado visível. Em alguns casos, a melhora das lesões pode demorar várias semanas após o início do tratamento e a pele pode até apresentar piora temporária no começo.³
Outro ponto importante é a adesão ao tratamento. A interrupção precoce dos cuidados favorece o retorno das lesões.³,⁴
“Um erro comum é abandonar o tratamento quando a pele melhora parcialmente. Por ser uma doença crônica, o controle contínuo da acne é necessário para evitar novas crises”, explica a dermatologista.
A acne pode se manifestar de formas variadas e com diferentes níveis de gravidade.¹,⁵
De maneira geral, os quadros podem ser classificados como leves, moderados ou graves, conforme o tipo de lesão, a intensidade da inflamação e o risco de cicatrizes.
Acne leve
A acne leve é caracterizada principalmente pela presença de cravos, sem inflamação importante. Esse quadro pode incluir também pequenas espinhas com inflamação discreta e presença de pus. As lesões surgem pelo acúmulo de oleosidade e células mortas que obstruem os poros.1,3,5
O tratamento costuma focar no controle da oleosidade e na prevenção da obstrução dos folículos, com limpeza suave da pele, uso de sabonetes específicos para pele acneica e medicamentos tópicos, como retinoides, ácido salicílico e ácido azelaico.1,3,5
Também podem ser indicados tratamentos tópicos com ação anti-inflamatória e antibacteriana, além de géis dermatológicos prescritos por dermatologistas para ajudar no controle das lesões inflamatórias.¹,³,⁵
Acne moderada
Na acne moderada, as lesões tornam-se mais profundas, dolorosas e inflamadas, com formação de cistos (espinhas internas). Nessa fase, o risco de cicatrizes aumenta significativamente.2,5
O tratamento geralmente exige acompanhamento dermatológico contínuo e pode incluir a associação de medicamentos tópicos e terapias por via oral, dependendo da intensidade do quadro.²,³,⁵
Acne grave
A acne grave se caracteriza pela presença de grandes lesões inflamatórias interligadas, com elevado risco de cicatrizes. As lesões podem causar dor e deformidades importantes na pele.1,3,5
Em sua forma mais intensa, trata-se de uma condição rara associada a febre, dores articulares e inflamações intensas, que pode provocar complicações importantes e estar relacionada a quadros sistêmicos. Nesses casos, o tratamento deve ser realizado exclusivamente com acompanhamento médico especializado, com terapias medicamentosas individualizadas, controle rigoroso da inflamação e monitoramento constante do paciente para reduzir sequelas permanentes.¹,³,⁵
As formas mais graves podem deixar cicatrizes permanentes e gerar impactos emocionais importantes, incluindo baixa autoestima, ansiedade e isolamento social.⁵
A relação entre alimentação e acne ainda desperta discussão, mas estudos citados na publicação da Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade apontam uma associação entre o agravamento do quadro acneico e dietas ricas em alimentos que elevam rapidamente os níveis de glicose no sangue, como carboidratos.³
Já a ideia de que acne acontece por “falta de higiene” não encontra respaldo científico. A limpeza excessiva pode até irritar a pele e piorar os sintomas.³
Entre os fatores que podem influenciar crises ou agravamentos estão: ³
Outro fator de agravamento é a manipulação frequente das lesões, em geral quando se tenta espremer as espinhas.
A Dra. Letícia explica que quando a espinha é manipulada ou espremida, principalmente com unhas ou objetos, “bactérias podem entrar na corrente sanguínea e eventualmente causar infecções mais graves, como celulite facial. Por isso, durante processos inflamatórios, é fundamental evitar espremer as lesões ou realizar procedimentos agressivos na pele”, complementa a médica.
O tratamento depende do grau da acne e das características de cada paciente. O Ministério da Saúde recomenda avaliação dermatológica para definir a melhor estratégia, que pode incluir medicamentos tópicos, terapias orais e cuidados contínuos com a pele.¹
Entre as recomendações mais frequentes estão¹,³,⁵
Além das opções tradicionais, a Dra. Letícia conta que alguns medicamentos dermatológicos tópicos podem ser indicados para controle da acne e da inflamação. Esses produtos atuam reduzindo a obstrução dos poros e auxiliando no controle das lesões inflamatórias. “Os tratamentos em gel costumam ser bastante utilizados porque conseguem agir diretamente na área afetada. A escolha depende do tipo de acne, da sensibilidade da pele e da presença de inflamação”, explica.
Especialistas reforçam que a acne não deve ser encarada apenas como uma condição estética. Casos persistentes, dolorosos ou que deixam cicatrizes precisam de avaliação profissional.¹,³
Também é importante buscar orientação quando há piora rápida das lesões, falha após tratamentos prévios ou impactos emocionais importantes relacionados à aparência da pele.³
Embora seja extremamente comum, a acne possui causas complexas e pode exigir acompanhamento prolongado. A boa notícia é que existem diferentes abordagens terapêuticas disponíveis e o tratamento precoce pode reduzir tanto a recorrência quanto o risco de marcas permanentes.¹,⁴
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Conteúdo elaborado em agosto/2026
Texto: Juliana Stern, jornalista pós-graduada em Jornalismo Científico pelo Labjor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com experiência em reportagens de saúde, especialmente nos setores de oncologia, cardiologia e odontologia, além de passagens pela National Geographic Brasil e UOL.
Dra. Letícia Secco (CRM-SP 104212; RQE 25079), médica dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
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