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A acne é considerada uma doença inflamatória crônica da pele, caracterizada por períodos de melhora e piora, que pode deixar cicatrizes e comprometer a autoestima e a qualidade de vida quando não é tratada adequadamente. Ela aparece principalmente no rosto, mas também no peito, nos ombros e nas costas.1,3

Porém, em alguns casos, para além desse incômodo estético, a acne também pode sinalizar alterações hormonais ou metabólicas mais sérias, que merecem investigação.¹

close-up de mulher jovem de olhos fechados com acne nas bochechas e na testa

O que é acne?

A acne é uma doença que afeta a unidade pilossebácea, formada pelo folículo do pelo e pela glândula sebácea, responsável pela produção de oleosidade.2

A formação das lesões visíveis, como os cravos e as espinhas, depende de diferentes fatores, que atuam ao mesmo tempo. A obstrução dos poros está relacionada ao aumento da produção de sebo, geralmente estimulado por hormônios, e ao excesso de células mortas, promovido pela descamação anormal da pele. Nesse ambiente, a bactéria Cutibacterium acnes se multiplica e desencadeia uma resposta inflamatória, levando ao aparecimento de cravos, espinhas e, em casos mais graves, nódulos dolorosos.¹

Durante a adolescência, a acne é comum, mas ela também pode persistir depois dessa fase ou surgir apenas na vida adulta. Quando continua após a adolescência, é chamada de acne persistente; quando aparece pela primeira vez na fase adulta, recebe o nome de acne de início tardio.1-3

 Acne pode afetar a saúde mental?

A acne pode afetar a saúde emocional e o bem-estar psicológico do indivíduo, podendo gerar sentimentos de insegurança, timidez e até quadros de depressão ou ansiedade.¹,,

Isso reforça porque o tratamento precoce da acne é importante, principalmente quando existe o risco de cicatrizes permanentes na pele, mas também para a redução de seus impactos físicos e mentais. A ideia de que as espinhas “desaparecem sozinhas com o tempo” é um conceito ultrapassado e perigoso para a saúde da pele.1,2,4

 O que é acne hormonal?

A acne hormonal é um tipo de acne associado principalmente à ação dos hormônios andrógenos, cujo mais famoso é a testosterona, sobre as glândulas sebáceas. Ela é mais comum em mulheres adultas e costuma provocar lesões inflamatórias na região do queixo, da mandíbula e do pescoço, formando o chamado padrão em “U”.3

Outra característica é a piora no período que antecede a menstruação, quando as variações hormonais favorecem o aumento da oleosidade da pele.³

Quais outras alterações hormonais podem provocar acne?

Além das mudanças hormonais do ciclo menstrual, outras alterações podem favorecer o surgimento da acne. O excesso de andrógenos, produzido pelos ovários ou pelas glândulas suprarrenais, estimula a produção de sebo e aumenta a inflamação dos poros.4,5

“Doenças das suprarrenais, alterações da tireoide e a menopausa também podem influenciar o aparecimento da acne em algumas pessoas”, conta a dermatologista Dra. Leticia Cardoso Secco (CRM-SP 104.212 | RQE 25.079). A médica também ressalta que o uso de suplementos hormonais ou terapias de reposição de testosterona sem acompanhamento adequado pode desencadear quadros graves de acne inflamatória. 

Como tratar a acne causada por alterações hormonais?

Entre as opções terapêuticas estão alguns anticoncepcionais, que ajudam a reduzir a ação dos hormônios andrógenos. Em alguns casos, também é necessário tratar doenças como a SOP ou a resistência à insulina.⁴,

Segundo a Dra. Letícia, a melhora não acontece de um dia para o outro. “Em geral, os primeiros resultados aparecem entre três e seis meses após o início do tratamento hormonal.”

ilustração do sistema reprodutor feminino sobre um fundo verde

Qual a relação entre síndrome dos ovários policísticos e acne?

A síndrome dos ovários policísticos é uma das causas mais frequentes de acne hormonal em mulheres com hiperandrogenismo.3,4

Para o diagnóstico de SOP, outros sintomas além da acne podem estar presentes, como ciclos menstruais irregulares, aumento de pelos no rosto ou no corpo, queda de cabelo e manchas escuras na pele, principalmente no pescoço e nas axilas.3,4

Resistência à insulina pode causar acne?

A resistência à insulina também pode contribuir para o surgimento ou agravamento da acne. Isso porque o excesso de insulina favorece o aumento da ação dos hormônios andrógenos, estimulando a produção de oleosidade, a descamação anormal da pele e a inflamação.4

Pessoas com SOP frequentemente apresentam resistência à insulina, o que reforça a relação entre essas duas condições.3

A alimentação também pode influenciar esse processo. Dietas ricas em açúcar favorecem picos de insulina, o que pode aumentar a oleosidade da pele e, consequentemente, favorecer o surgimento da acne. Quando a resistência à insulina é tratada, a melhora costuma beneficiar não apenas a pele, mas também a saúde metabólica e cardiovascular.³,

Quais medicamentos podem causar acne?

Alguns medicamentos podem desencadear ou agravar a acne. Entre eles estão os corticoides e certos anticoncepcionais que contêm progesterona. Alguns suplementos vitamínicos, especialmente aqueles ricos em vitamina B12, também podem favorecer o aparecimento de lesões em algumas pessoas.2-4

“Por isso, é importante informar ao médico todos os medicamentos e suplementos em uso antes de iniciar o tratamento”, alerta a Dra. Letícia.

Quando procurar um dermatologista ou endocrinologista?

O dermatologista deve ser procurado sempre que a acne for persistente, inflamatória, causar desconforto ou começar a deixar manchas e cicatrizes.

Já a avaliação com um endocrinologista é indicada quando há suspeita de alterações hormonais, como irregularidade menstrual, excesso de pelos, queda de cabelo ou acne persistente na vida adulta.⁴

O tratamento varia conforme a gravidade da acne e o tratamento adotado. Durante o acompanhamento, o médico avalia a resposta às medicações, faz os ajustes necessários e monitora possíveis efeitos colaterais.

Para a Dra. Letícia, entender a origem da acne é tão importante quanto tratar as lesões. “Quando a causa é identificada e tratada, aumentam as chances de controlar a doença, prevenir novas crises e melhorar não apenas a aparência da pele, mas também a saúde e a qualidade de vida do paciente”, conclui.

Conteúdo elaborado em setembro/2026

Texto: Juliana Stern, jornalista pós-graduada em Jornalismo Científico pelo Labjor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com experiência em reportagens de saúde, especialmente nos setores de oncologia, cardiologia e odontologia, além de passagens pela National Geographic Brasil e UOL.

Médica consultora: Dra. Letícia Secco(CRM-SP 104212; RQE 25079), médica dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Informações não referenciadas correspondem à opinião ou prática clínica do profissional da saúde entrevistado

Referências

  1. Montagner S, Costa A. Diretrizes modernas no tratamento da acne vulgar: da abordagem inicial à manutenção dos benefícios clínicos. Surg Cosmet Dermatol. 2010;2(3):205-13.
  2. Sociedade Brasileira de Dermatologia. Acne: cuidados com a pele, como prevenir e tratamentos [Internet]. Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de Dermatologia; 2021 [acesso em 2026 jul 17]. Disponível em: https://www.sbd.org.br/doencas/acne/
  3. Bagatin E, Freitas THP, Rivitti Machado MC, Ribeiro BM, Nunes S, Rocha MA. Adult female acne: a guide to clinical practice. An Bras Dermatol. 2019;94(1):62-75
  4. Moura HHG, Costa DLM, Bagatin E, Sodré CT, Manela-Azulay M. Síndrome do ovário policístico: abordagem dermatológica. An Bras Dermatol. 2011;86(1):111-21
  5. Yarak S, Bagatin E, Hassun KM, Parada MOBA, Talarico Filho S. Hiperandrogenismo e pele: síndrome do ovário policístico e resistência periférica à insulina. An Bras Dermatol. 2005;80(4):395-410