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Publicado em: 29 de outubro de 2026
A queda dos hormônios que acontece durante o climatério é uma das principais causas das mudanças na saúde íntima da mulher. A redução dos níveis de estrogênio deixa o tecido que reveste a vagina mais fino e frágil. Com isso, as glândulas que produzem a lubrificação natural passam a funcionar menos, reduzindo também a elasticidade vaginal. Essas mudanças podem causar ressecamento, desconforto e dor durante a relação sexual.¹
Além das mudanças hormonais, as transformações no corpo que acontecem nessa fase também podem afetar a autoestima, a imagem corporal e o desejo sexual. Por isso, a insatisfação com a vida íntima durante o climatério pode ter diferentes causas e não está relacionada apenas aos hormônios.²
Na verdade, de acordo com uma pesquisa publicada na Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, esse desconforto sexual é bastante comum entre mulheres brasileiras de meia-idade². Estima-se que 65% das mulheres nessa faixa etária estejam em risco de disfunção sexual.¹
A Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGM) é o termo médico para definir o espectro de alterações genitais, sexuais e urinárias decorrentes da menopausa. A terminologia substitui termos mais restritivos como “atrofia vulvovaginal”, refletindo o entendimento de que a falta de estrogênio afeta conjuntamente a vulva, vagina, uretra e bexiga.³
Os sinais desse quadro são progressivos e afetam diretamente o bem-estar e a qualidade de vida da mulher. O déficit de estrogênio reduz o colágeno e a vascularização íntima, deixando a mucosa vaginal desidratada, menos elástica e extremamente fina. Clinicamente, isso se traduz em: ³
Além disso, a extrema fragilidade do tecido pode causar pequenas fissuras ou sangramentos ao toque, acompanhados de sintomas urinários como dor ao urinar (disúria) e urgência miccional, que envolve uma vontade incontrolável de urinar.³
Para identificar se a dor tem origem na síndrome geniturinária da menopausa ou é decorrente de outras causas, é necessário avaliar a localização e as características do desconforto. Revisões científicas explicam que a dor sexual pode se manifestar de forma superficial, aparecendo na vulva ou logo na entrada da vagina, ao menor contato ou tentativa de penetração, ou profunda, sendo sentida na região interna da pélvis.⁴
Não. O desconforto físico sentido no ato sexual durante a maturidade nem sempre pode ser explicado pelo climatério. Infecções vaginais ativas, como candidíase recorrente, vaginismo (contração muscular involuntária) e disfunções da musculatura do assoalho pélvico, como a hipertonia pélvica, também podem ocasionar dor durante o ato sexual. Somam-se a isso fatores emocionais e relacionais, incluindo o estresse do dia a dia, ansiedade e conflitos com o parceiro, que também exercem uma influência na percepção física da dor.⁴
Sim. A diminuição da lubrificação íntima é uma das alterações biológicas mais diretas e marcantes da menopausa. ²
O ginecologista é o profissional qualificado para diagnosticar a origem da dor e guiar o tratamento adequado. A avaliação médica baseia-se no relato detalhado de sintomas sexuais e no exame físico da genitália, em que o médico observa se há sinais de atrofia, como tecido descorado (pálido) e redução das dobras vaginais normais. Exames laboratoriais como testes microbiológicos vaginais ou de urina podem ser solicitados principalmente para descartar infecções sobrepostas que causem sintomas semelhantes.³
O tratamento da dor e da atrofia decorrentes da menopausa dispõe de métodos eficazes e seguros, divididos em hormonais e não hormonais. O uso de lubrificantes durante a relação sexual e hidratantes vaginais diariamente ou pelo menos algumas vezes por semana é a primeira linha recomendada para sintomas leves. Para sintomas moderados a severos de SGM, prescreve-se o estrogênio local como cremes, óvulos ou comprimidos, que atuam de forma tópica e proporcionam melhora clínica em cerca de duas a quatro semanas.³
Embora ambos combatam o ressecamento da região íntima, lubrificantes e hidratantes vaginais possuem propósitos e modos de uso totalmente distintos. ³
O hidratante vaginal é formulado para reter água e tratar a atrofia a longo prazo, devendo ser aplicado de maneira contínua e regular, independentemente da prática sexual. ³
Em contrapartida, o lubrificante vaginal possui efeito temporário e de curto prazo, sendo aplicado unicamente no momento da relação para diminuir o atrito e facilitar o ato sexual.³
A indicação de qualquer tratamento hormonal deve ser individualizada pelo ginecologista com base no histórico de saúde de cada paciente. ³
No entanto, é contraindicado para mulheres com sangramento vaginal sem diagnóstico definitivo. Já pacientes com histórico de câncer de mama requerem cuidado multidisciplinar, sendo os hidratantes e lubrificantes não hormonais as opções mais indicadas de primeira linha para a sua segurança.³
A dor persistente na relação sexual e qualquer ocorrência de sangramento após o ato íntimo na pós-menopausa não devem ser ignoradas e exigem investigação médica imediata. Diferente das ondas de calor, que podem melhorar sozinhas com o tempo, essas alterações são crônicas e progressivas, podendo evoluir para complicações severas como a aderência labial e a obstrução do canal vaginal. ³
Além disso, sintomas como corrimento vaginal incomum, queimação ao urinar ou irritação são importantes sinais de alerta, pois as manifestações clínicas da atrofia vaginal podem ser similares às de infecções do trato urinário ou infecções vaginais, como candidíase e vaginose bacteriana.³
Dores intensas que pioram com o tempo ou que se tornam resistentes ao tratamento hormonal local de estrogênio também exigem uma avaliação clínica. Isso porque, independentemente da falta de hormônios, disfunções da musculatura do assoalho pélvico, como a hipotonia do assoalho pélvico, patologias dermatológicas vulvares ou vaginismo (contração muscular involuntária na entrada da vagina) também podem afetar as relações.⁴
Para prevenir e aliviar o ressecamento vaginal e a dor na relação, é preciso ter uma rotina ativa de cuidados e acompanhamento médico preventivo. A prevenção do desconforto baseia-se na indicação de tratamentos não hormonais de primeira linha, que incluem o uso regular e contínuo de hidratantes vaginais e de lubrificantes adequados aplicados especificamente no momento da penetração para reduzir o atrito físico.³
Adicionalmente, manter uma atividade sexual regular e segura funciona como um excelente estímulo fisiológico para preservar a saúde e integridade do canal vaginal, sendo o acompanhamento ginecológico regular indispensável para monitorar as alterações do trato genital e realizar tratamentos de forma segura.³
Manter uma vida sexual saudável e ativa após a menopausa é possível e constitui um pilar fundamental do envelhecimento saudável. Além disso, as disfunções sexuais no climatério estão associadas a fatores que devem ser avaliados clinicamente para restabelecer a qualidade de vida. ²
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Perguntas frequentes sobre dor na relação sexual após a menopausa
Conteúdo elaborado em outubro/2026
Texto: Bárbara Fernandes, jornalista, especialista em Jornalismo Científico e mestranda em Divulgação Científica e Cultural pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Informações não referenciadas correspondem à opinião ou prática clínica do profissional da saúde entrevistado
Referências bibliográficas
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