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“Nariz entupido, espirros e coriza são sintomas comuns de resfriados, gripes, rinites e sinusites”, explica a médica otorrinolaringologista Dra. Maura Neves (CRM-SP 97.446; RQE 63.161). Apesar desses sintomas compartilhados, cada uma dessas essas condições é diferente, e a Dra. Maura reforça a importância de compreendermos suas especificidades e qual o momento certo de buscar uma avaliação médica.

Como eu sei se é rinite ou sinusite?

Conforme explica um estudo do Jornal Brasileiro de Pneumologia, a rinite alérgica é uma inflamação da mucosa do nariz desencadeada pela exposição a alérgenos como a poeira, fungos ou ácaros. Essa condição provoca inchaço nos cornetos nasais (isto é, as carnes esponjosas do nariz), dificultando a respiração.¹

Por isso, se o seu sofrimento é marcado por crises intensas de espirros, coceira incômoda no nariz e nos olhos, acompanhadas de uma coriza líquida e transparente, a rinite alérgica é a principal suspeita¹.

O que é a sinusite?

Já a sinusite é caracterizada por um nariz muito entupido, com secreção grossa, amarelada ou esverdeada, acompanhado de tosse persistente que costuma piorar muito à noite. Além disso, dor de cabeça e sensação de pressão dolorosa no rosto também são sintomas característicos². Segundo as Diretrizes Brasileiras de Rinossinusites, também é comum o relato de perda ou diminuição temporária do olfato. ³

Dependendo da causa da doença, como em casos de infecção bacteriana, a febre também pode ser um sintoma.2

Entre 0,5% e 10% dos resfriados comuns de origem viral evoluem para uma sinusite bacteriana secundária, pois o vírus danifica as defesas do nariz e obstrui os canais de drenagem, criando o ambiente perfeito para as bactérias se multiplicarem.3

Como diferenciar gripe de resfriado?

“É comum dizer que se está ‘gripando’ ao apresentar sintomas de resfriado. Mas é importante diferenciar que o resfriado não é o sinônimo do começo de uma gripe”, aponta a Dra. Maura. A verdadeira gripe é uma infecção muito mais severa e debilitante. ²

A gripe se instala de forma abrupta e violenta, trazendo sintomas sistêmicos intensos como febre alta (geralmente entre 38°C e 40°C) logo nas primeiras 24 horas, acompanhada de calafrios, dor de cabeça forte, tosse seca e dor muscular generalizada com fadiga extrema que deixa o paciente de cama. ⁴

Por outro lado, o resfriado comum é uma condição mais leve e tem evolução gradual. Essa é uma infecção viral autolimitada, ou seja, que se cura de forma espontânea pelo próprio organismo e de caráter localizado, afetando essencialmente a região do nariz, da garganta e dos seios da face. ⁵

Seus sintomas típicos, como dor de garganta, tosse, coriza e mal-estar geral, costumam surgir aos poucos, atingindo o seu pico de intensidade entre o primeiro e o terceiro dia de evolução, com o quadro completo durando geralmente de sete a dez dias. Além disso, ao contrário da gripe, a febre é um sinal raro e suave nos adultos resfriados, sendo mais comum em crianças pequenas. ⁵

Nariz entupido por vários dias é normal no resfriado?

Não, se o nariz entupido começou durante um resfriado ou gripe, a atenção deve se voltar para o tempo de evolução. A obstrução nasal é uma defesa natural do corpo no início de infecções virais, mas se o entupimento e a secreção persistirem por mais de 10 dias sem sinal de melhora, ou se apresentarem uma piora repentina após o quinto dia de doença, isso pode indicar que o quadro evoluiu para uma complicação bacteriana, como a sinusite aguda.²

Além disso, quando a congestão nasal é duradoura e recorrente (crônica) pode ser um sinal de alergias ou alterações físicas na estrutura interna do nariz, como o desvio do septo nasal ou o aumento das conchas nasais, que estreitam a passagem de ar e bloqueiam a drenagem natural das cavidades do rosto, dificultando muito a respiração. ³

Como diferenciar gripe, resfriado e rinite pelos sintomas?

Segundo a Dra. Maura, a diferenciação das doenças apenas pelo sintoma pode apresentar desafios por serem similares entre si. Por exemplo, uma coriza líquida e clara pode sinalizar o início de processos alérgicos da rinite ou de resfriados leves. Ao passo que uma dor de cabeça pode colocar mais peso no diagnóstico de sinusite. ³ A seguir, confira os principais sintomas e diferenças de cada uma das condições:

Além disso, é comum sofrer com mais de uma dessas condições ao mesmo tempo ²,³. “De qualquer forma, o ideal é não se autodiagnosticar e, caso os sintomas apresentem piora, procurar avaliação médica para determinar o melhor tratamento”, pontua a médica.

Como cuidar de cada condição?

Independentemente do diagnóstico, a limpeza do nariz é o cuidado mais simples, barato e eficaz para manter as vias aéreas livres². A lavagem nasal com solução salina isotônica (soro fisiológico a 0,9%) ajuda a fluidificar o catarro, remover alérgenos e reduzir o inchaço da mucosa nasal de forma muito segura, ajudando a diminuir o uso desnecessário de medicamentos como anti-histamínicos e antibióticos.¹

Por outro lado, o uso de medicamentos farmacológicos exige extrema cautela e orientação profissional para evitar riscos à saúde. O uso indiscriminado de antibióticos para gripes e resfriados, por exemplo, é um erro grave que não combate os vírus e apenas gera bactérias resistentes na garganta.²

Já os descongestionantes nasais em spray podem ser aliados para quem busca alívio rápido da obstrução nasal, pois agem ao contrair os vasos sanguíneos da mucosa, o que desentope o nariz de forma quase imediata. Mas para usufruir desse recurso é recomendado que o tratamento com esse tipo de medicamento dure entre 3 a 5 dias. ³

No entanto, para determinar o melhor medicamento, é indispensável a avaliação de um médico. “Somente assim, é possível ter um tratamento individualizado que irá respeitar demais condições concomitantes”, reforça a Dra. Maura.

Quando procurar atendimento médico?

A maioria das infecções respiratórias virais melhora com repouso e hidratação, mas o paciente e seus familiares devem saber reconhecer os sinais de perigo que exigem avaliação médica urgente. ²

É necessário buscar atendimento imediato se houver febre que persista por mais de 72 horas, retorno da febre após alguns dias de melhora, prostração extrema ou qualquer sinal de dificuldade para respirar, como respiração muito rápida, esforço visível no peito para puxar o ar ou lábios arroxeados.²

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Conteúdo elaborado em outubro/2026

Texto: Bárbara Fernandes, jornalista, especialista em Jornalismo Científico e mestranda em Divulgação Científica e Cultural pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Médica consultora: Dra. Maura Neves (CRM-SP 97446/ RQE: 63161), médica otorrinolaringologista formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), onde realizou residência médica em Otorrinolaringologia e obteve doutorado e fellowship em Cirurgia Endoscópica Nasal. Atualmente é médica assistente do Hospital Universitário da USP e integra a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial e a Academia Brasileira de Rinologia.

Informações não referenciadas correspondem à opinião ou prática clínica do profissional da saúde entrevistado. 

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Referências

1. Ibiapina CC, Sarinho ESC, Camargos PAM, Andrade CR, Cruz Filho AAS. Rinite alérgica: aspectos epidemiológicos, diagnósticos e terapêuticos. J Bras Pneumol. 2008;34(4):230-40.

2. Pitrez PMC, Pitrez JLB. Infecções agudas das vias aéreas superiores: diagnóstico e tratamento ambulatorial. J Pediatr (Rio J). 2003;79(Supl 1):S77-S86.

3. Diretrizes Brasileiras de Rinossinusites. Rev Bras Otorrinolaringol. 2008;74(Supl 2):6-59.

4. Forleo-Neto E, Halker E, Santos VJ, Paiva TM, Toniolo-Neto J. Influenza. Rev Soc Bras Med Trop. 2003;36(2):267-74. 5. Allan GM, Arroll B. Prevention and treatment of the common cold: making sense of the evidence. CMAJ. 2014 Feb 18;186(3):190-9.