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Publicado em: 9 de abril de 2026
A acne é muito característica da puberdade. Para algumas pessoas, no entanto, ela continua dando as caras mesmo depois dos 20 ou 30 anos.
As causas da acne em adultos – bem como os tratamentos – são muito similares aos da acne “comum”, aquela que aparece em adolescentes. Mesmo assim, há algumas particularidades que ajudam a entender por que esse problema pode persistir em idades mais avançadas.
A acne ocorre quando pequenos orifícios da pele, chamados de folículos pilosos, ficam bloqueados. As glândulas sebáceas, localizadas próximas à superfície da pele, são responsáveis por lubrificar o cabelo e o próprio tecido cutâneo, evitando o ressecamento. Elas fazem isso por meio da produção de uma substância oleosa chamada sebo.1
No entanto, quando essas glândulas produzem sebo em excesso, ele se mistura às células mortas, formando um tampão dentro do folículo. Se o bloqueio estiver mais próximo da superfície da pele, ele se projeta para fora em uma protuberância esbranquiçada; se o folículo entupido estiver aberto para a pele, dá origem ao cravo preto1
As bactérias que vivem naturalmente na pele também podem atuar nesses folículos obstruídos, levando ao surgimento de espinhas inflamadas, como pápulas, pústulas, nódulos ou cistos.1
Essencialmente, as razões básicas para o aparecimento da acne em adultos são essas descritas acima, isto é, as mesmas que agem durante a puberdade. Porém, há fatores indiretos que, durante a vida adulta, podem influenciar o (re)aparecimento da acne.
Um desses fatores é o estresse. Pesquisas mostram que, sob tensão constante, o corpo libera mais andrógenos, hormônios que estimulam as glândulas sebáceas e folículos pilosos, o que pode favorecer o surgimento de acne.2
Outro ponto é a herança genética: se pais ou irmãos próximos têm histórico de acne, há maior chance de o problema se manifestar na idade adulta.2
Com a chegada do verão, o aumento da oleosidade da pele também é um dos principais gatilhos para quem já tem tendência à acne, explica a dermatologista Dra. Luciana Samorano (CRM-SP 135.021; RQE 41.333). “Um dos fatores que levam ao aparecimento ou piora da acne no verão é o uso de produtos não apropriados para a pele do paciente. A pessoa começa a usar mais protetor solar ou cremes hidratantes pós-sol, o que é recomendado, mas por vezes não checa se esses produtos são os adequados para o padrão específico de oleosidade da sua pele. A atenção ao uso de produtos e cuidados com a pele é muito mais relevante para quem já tem pele oleosa ou predisposição à acne por outros fatores.”
Ao escolher cosméticos para pele ou cabelo, verifique se o rótulo traz termos como “não comedogênico”, “não acnegênico”, “livre de óleo” ou “não obstrui os poros” pois são os menos propensos a causar espinhas. 2
Além disso, alguns medicamentos, como corticoides ou medicamentos para epilepsia, podem causar lesões semelhantes à acne ou agravá-las, como efeito colateral. Caso suspeite disso, é essencial conversar com o médico que prescreveu o remédio antes de fazer qualquer alteração. Em certos casos, a acne também pode indicar condições médicas não diagnosticadas; ao tratar a causa, o problema na pele costuma melhorar. 2
Outros fatores que podem agravar a acne incluem o tabagismo e dietas com alto índice glicêmico, ou seja, que aumentam o açúcar no sangue — como aquelas ricas em açúcares e carboidratos refinados.1
Entre os adultos, as mulheres são as mais afetadas pela acne. Flutuações hormonais ao longo da vida estão entre as principais causas.1
Essas alterações podem ocorrer em diferentes momentos: 1
A acne também é comum durante a menopausa, quando as mudanças hormonais voltam a afetar a pele. 2
O tratamento da acne em adultos depende da gravidade do quadro e pode levar alguns meses para mostrar resultados.3
O objetivo é controlar a produção de sebo, reduzir a inflamação e a população de bactérias e evitar o surgimento de novas lesões.3 “O tratamento da acne deve ir além da estética, buscando prevenir ou tratar as lesões, reduzir o desconforto físico, melhorar a aparência, minimizar o desenvolvimento de cicatrizes físicas e psicossociais”, explica a dermatologista.
Como há diferentes fatores envolvidos, o tratamento deve ser individualizado. É importante que o paciente compreenda as causas da acne, os cuidados diários necessários e as restrições que podem surgir durante a terapia. 3
As abordagens incluem tratamentos tópicos (aplicados diretamente na pele), sistêmicos ou até cirúrgicos, especialmente quando há cicatrizes, cravos e cistos persistentes. 3
Indicados para casos leves a moderados, os tratamentos tópicos também podem ser usados como coadjuvantes em terapias mais intensas. 3
A escolha do produto depende de fatores como o tipo de pele, a área afetada e até o clima. Pessoas com pele seca costumam se adaptar melhor a cremes, enquanto quem tem pele oleosa pode preferir géis, que têm textura mais leve. 3
São indicados para acne inflamatória ou de difícil controle e geralmente combinam medicamentos orais com tópicos. Entre as opções estão antibióticos, antiandrógenos e retinóides sistêmicos. 3
Essas terapias são especialmente eficazes em mulheres com acne tardia, com piora antes da menstruação, espinhas localizadas no queixo e pescoço, ou sinais de hiperandrogenismo — como excesso de oleosidade, pelos e ciclos menstruais irregulares. 3
“Antes de começar qualquer tratamento, o mais importante é contar com uma avaliação médica de um dermatologista que poderá identificar a causa da acne, seus fatores desencadeantes e indicar o tratamento mais eficaz e que considere não só o controle da condição, mas também efeitos colaterais, estilo de vida e saúde geral do paciente”, explica a Dra. Samorano.
Especialmente durante o verão, é essencial ter cuidado com o sol.5 “Em épocas de calor, pode ser necessário interromper o tratamento ou trocar o medicamento usado para outros que não têm muito problema com a exposição solar”, afirma a especialista. O ideal é sempre perguntar ao dermatologista como proceder.
Nem sempre é possível controlar completamente o aparecimento da acne, mas é possível reduzir o risco de crises. A Dr. Luciana destaca alguns hábitos que podem contribuir:
“Mesmo assim, é importante ter cautela com informações sobre nutrição e pele. As evidências sobre a relação entre dieta e acne ainda estão em desenvolvimento e, no futuro, esse impacto poderá ser mais bem compreendido”, alerta a médica.
Conteúdo elaborado em fevereiro de 2026
Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.
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