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É possível ver sintomas da AIDS/HIV na pele? Entenda!

Você certamente já ouviu falar sobre o vírus da imunodeficiência humana (HIV). Esse é um agente causador de doenças amplamente conhecido, que está associado ao desenvolvimento de uma doença chamada AIDS.1

A AIDS é uma condição que causa muitas alterações na saúde das pessoas afetadas, especialmente no sistema imunológico. Por isso, é possível dizer que a pele é um dos órgãos acometidos pela doença.1

Sendo assim, quais são os sintomas da AIDS na pele? Continue a leitura para tirar as suas dúvidas e entender mais sobre o assunto!

Veja também:

O que é AIDS e o que é HIV?

O primeiro passo para compreendermos como o HIV e a AIDS afetam a pele é, claro, entender o que são essas condições. Elas significam o mesmo? A resposta é: não exatamente.1

HIV é o nome dado ao vírus causador de uma doença, a AIDS.1 Para uma melhor compreensão, pense na gripe. Gripe é o nome dado à doença, ou seja, ao conjunto de sintomas que o paciente sente. No entanto, a condição é causada pelo vírus Influenza.

No caso da AIDS, o vírus HIV se liga a algumas células de defesa do nosso corpo e se multiplica, destruindo-as no processo. Além disso, é importante ressaltar que a AIDS é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) e que o vírus pode também ser passado de uma pessoa para a outra por contato com sangue contaminado, assim como de mãe para filho durante a gravidez, parto ou amamentação.1

Fases de infecção do HIV

Tudo começa com a infecção aguda, que ocorre após a exposição ao vírus, com duração de 3 a 6 semanas. Os primeiros sintomas são semelhantes aos de uma gripe: febre, mal-estar.2

A próxima etapa é chamada de fase assintomática, em que não há qualquer tipo de sintoma vivenciado pelo paciente. Nesse caso, o vírus continua se multiplicando, mas o sistema imunológico ainda consegue controlar a infecção. Essa fase pode durar muitos anos.2

Por fim, temos a fase sintomática inicial. Com o tempo, a capacidade do sistema imunológico de combater o HIV diminui. O paciente pode começar a apresentar sintomas como febre, diarreia, suores noturnos e emagrecimento. A partir da queda na taxa de células de defesa no sangue, o paciente passa a ser considerado como alguém que tem AIDS.2

Prevenção

Se prevenir contra a AIDS e a contaminação do vírus HIV é necessário. Usar preservativos, fazer testes regulares e utilizar a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) são medidas importantes que você pode tomar para manter essa doença longe da sua vida.3

Quais são as principais condições de pele relacionadas ao HIV/AIDS? 

Agora, vamos entender quais são as condições cutâneas (outro nome dado às doenças de pele) que podem estar associadas ao vírus HIV e à AIDS.4

É importante ressaltar que essas doenças podem surgir como consequência da AIDS ou fazer parte dela. Algumas condições se devem à diminuição do funcionamento do sistema imunológico, mas outras aparecem por causa do funcionamento do vírus (como é o caso do sarcoma de Kaposi).4

Vamos lá?

Exantema agudo 

Uma das primeiras manifestações de pele que pode surgir em pessoas infectadas pelo HIV é o exantema agudo, que costuma aparecer entre 2 a 4 semanas após o contato com o vírus. Os principais sintomas incluem febre, dor de garganta, inchaço dos gânglios (ínguas) e cansaço.5

O exantema, que é uma vermelhidão na pele, não costuma coçar e geralmente desaparece sozinho em cerca de 5 a 7 dias. Muitas vezes, essa condição pode passar despercebida por ser parecida com outros tipos de erupções virais.5

Herpes 

O herpes é bastante comum em pessoas com HIV, especialmente quando o sistema imunológico está enfraquecido. Nas fases iniciais da infecção, as lesões de herpes são parecidas com as que vemos em pessoas sem HIV: pequenas bolhas agrupadas que podem aparecer na boca ou na região genital.5

Porém, em pessoas com HIV avançado, essas lesões podem durar mais tempo, aumentar de tamanho e se tornar mais dolorosas. Às vezes, as lesões de herpes podem se transformar em feridas grandes e difíceis de tratar.5

Varicela-zóster

O herpes-zóster é outra infecção de pele comum em pessoas com HIV. Essa doença é marcada por bolhas dolorosas que surgem em áreas específicas do corpo, geralmente em uma faixa que acompanha o trajeto dos nervos.5

Em pessoas com HIV, a herpes-zóster pode se espalhar por várias partes do corpo, com lesões que podem ser mais graves e durar mais tempo. O tratamento com antivirais é eficaz, mas algumas formas mais graves podem precisar de tratamento intensivo.5

Leucoplasia pilosa oral 

Essa é uma condição que afeta a boca de algumas pessoas com HIV. Ela aparece como lesões brancas, parecidas com pequenos tufos de pelos, nas laterais da língua.5

A leucoplasia pilosa oral geralmente não causa dor ou desconforto, mas pode ser um sinal de que a infecção pelo HIV está progredindo. O tratamento nem sempre é necessário, uma vez que é assintomática, mas pode ser realizado por questões estéticas.5

Infecção por HPV

O vírus do papiloma humano (HPV) é extremamente comum em pessoas com HIV, especialmente no trato genital. As verrugas causadas pelo HPV podem ser maiores e mais difíceis de tratar, aparecendo em maior número, do que no caso de pessoas sem HIV.5

Além disso, as infecções por tipos de HPV oncogênicos, que podem levar ao câncer, são mais frequentes. Essas lesões precisam ser tratadas de forma agressiva, e recidivas são comuns.5

Molusco contagioso

O molusco contagioso é uma infecção viral de pele que pode se manifestar com pequenas pápulas peroladas, especialmente na face e na região genital. Em pessoas com HIV, essas bolinhas podem crescer bastante, tornando-se bem visíveis e espalhadas.5

O tratamento mais comum é a remoção das lesões por congelamento (crioterapia). Mas, assim como no HPV, elas podem voltar após o tratamento.5

Candidíase

A candidíase é uma infecção fúngica muito comum em pessoas com HIV, principalmente na boca e na garganta. Ela aparece como manchas brancas que podem causar dor e dificultar a deglutição.5

Em mulheres, a candidíase vaginal também é comum, causando coceira e desconforto. O tratamento pode ser feito com antifúngicos, sendo necessário em alguns casos realizar um tratamento prolongado.5

Histoplasmose

A histoplasmose é uma infecção causada por fungos que pode atingir várias partes do corpo, incluindo a pele. Em pessoas com HIV, essa infecção costuma se manifestar com pequenas feridas na pele que podem parecer com úlceras ou tumores. Essa condição é grave e precisa de tratamento com medicamentos antifúngicos potentes.5

Sarcoma de Kaposi 

O sarcoma de Kaposi é um tipo de câncer de pele que aparece com mais frequência em pessoas com HIV avançado. Ele se manifesta como manchas ou nódulos roxos, vermelhos ou marrons, que podem surgir na pele, nas mucosas ou em órgãos internos.5

Embora seja um tipo de câncer, ele está associado à herpes e pode regredir com o tratamento adequado do HIV, principalmente com a terapia antirretroviral.5

Dermatite seborreica

A dermatite seborreica é uma condição comum em pessoas com HIV e causa manchas vermelhas com descamação, principalmente no couro cabeludo, rosto e peito. O tratamento pode incluir cremes antifúngicos e corticosteroides.  Assim como outras condições de pele, a dermatite seborreica tende a melhorar com o controle do HIV por meio da terapia antirretroviral.5

Por que é importante procurar um médico ao notar sintomas na pele?

Porque, na dúvida, é sempre melhor pecar pelo excesso. Muitas alterações cutâneas são inofensivas. No entanto, algumas representam um problema sério que, se diagnosticado precocemente, pode ser tratado com mais facilidade.6

Além disso, conforme vimos, muitas condições de pele podem ser exacerbadas pela infecção com vírus HIV. Por isso, identificá-las é um caminho importante para um diagnóstico mais rápido dessa condição.

Quais são os exames e diagnósticos para confirmar a presença do HIV/AIDS?

É possível ver sintomas da AIDS/HIV na pele? Entenda!

O exame para detectar a presença do vírus HIV no organismo é o teste rápido. Ele é realizado com uma pequena amostra de sangue, coletada da ponta do dedo. Esse teste detecta anticorpos contra o HIV e fornece o resultado em cerca de 30 minutos.7

É importante salientar que os testes rápidos podem ser feitos de maneira totalmente anônima e gratuita. Além disso, eles estão disponíveis em Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Sistema Único de Saúde (SUS).7

Após o diagnóstico, é necessário acompanhar a evolução do HIV no organismo. Isso é feito por meio da quantificação da carga viral (a quantidade de vírus no sangue) e da contagem de linfócitos TCD4+ (células de defesa do corpo que o HIV ataca). Esses exames também são oferecidos gratuitamente pelo SUS.7

Meu teste deu positivo. E agora?

O primeiro passo é manter a tranquilidade. O diagnóstico de HIV não é uma sentença de morte. A doença pode ser tratada e controlada, fazendo com que os pacientes tenham qualidade de vida e se mantenham bem.

Mas é importante não perder tempo. Agende uma consulta o quanto antes e, caso tenha feito o autoteste, busque a orientação de uma UBS.8 Assim, você poderá ter a orientação que precisa para esse momento.

Agora que conhece os sintomas da AIDS na pele, não deixe de buscar orientação médica caso note algo diferente em você. Além disso, oriente as pessoas a fazerem o mesmo e espalhe essas informações por aí!

E já que também estamos falando sobre pele, aproveite para conhecer a linha de produtos dermatológicos da Libbs! Todos foram feitos e testados pensando em você e no seu bem-estar. Pode contar com a gente!

Conteúdo elaborado em 22 set. 2024

– Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.

– As opiniões emitidas pelo(a) especialista são independentes e, necessariamente, não refletem a opinião da Libbs.

Referências:

1. Ministério da Saúde. Aids / HIV [Internet]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/aids-hiv. Acesso em: 22 set. 2024.

2. Ministério da Saúde. Aids / HIV – Sintomas [Internet]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/aids-hiv/sintomas-da-aids-hiv. Acesso em: 22 set. 2024.

3. Ministério da Saúde. Aids / HIV – Prevenção [Internet]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/aids-hiv/prevencao-contra-a-aids-hiv. Acesso em: 22 set. 2024.

4. Mohseni Afshar Z, Goodarzi A, Emadi SN, Miladi R, Shakoei S, Janbakhsh A, Aryanian Z, Hatami P. A Comprehensive Review on HIV-Associated Dermatologic Manifestations: From Epidemiology to Clinical Management. Int J Microbiol. 2023 Jul 18;2023:6203193.

5. Porro AM, Yoshioka MCN. Manifestações dermatológicas da infecção pelo HIV. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2000, 75(6):665-91.

6. InformedHealth.org [Internet]. Cologne, Germany: Institute for Quality and Efficiency in Health Care (IQWiG); 2006-. In brief: What happens during a skin examination? [Updated 2022 Apr 5]. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK378786/. Acesso em: 22 set. 2024.

7. Ministério da Saúde. Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Diagnóstico [Internet]. Disponível em: https://www.gov.br/aids/pt-br/assuntos/hiv-aids/diagnostico. Acesso em: 22 set. 2024.

8. Ministério da Saúde. Departamento de doenças de condições crônicas e infecções sexualmente transmissíveis. O que fazer se meu teste deu reagente (positivo)? [Internet]. Disponível em: https://antigo.aids.gov.br/pt-br/faq/o-que-fazer-se-meu-teste-deu-reagente-positivo. Acesso em: 22 set. 2024.