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Publicado em: 15 de setembro de 2025
A calvície, também conhecida como alopecia androgenética, é uma condição que afeta majoritariamente homens, mas também atinge as mulheres. ¹
A queda dos cabelos está associada à ação dos hormônios sexuais masculinos² e, por isso, muitos homens têm dúvidas se o tratamento contra calvície pode interferir na performance sexual.
Mas afinal, essa preocupação tem fundamento? Entenda como funcionam os principais tratamentos, quais são seus possíveis efeitos colaterais e o que a ciência já sabe sobre a relação com a disfunção sexual.
A alopecia androgenética ou calvície é uma doença que leva à rarefação progressiva de fios de cabelos (quando os fios ficam finos e menos numerosos), podendo gerar ausência completa de fios em algumas regiões do couro cabeludo.²
A causa da doença é sobretudo genética, ligada a uma resposta exagerada do organismo aos andrógenos, hormônios sexuais presentes em homens e mulheres. Essa condição afeta até 50% da população, podendo se manifestar em qualquer momento após a puberdade e se caracteriza pela perda progressiva dos fios.¹
O risco de alopecia varia conforme a etnia. Dados reunidos a partir da população norte-americana apontam que homens caucasianos estão entre os mais afetados, seguidos por asiáticos, afro-americanos, nativos americanos e inuítes. ¹
Entre caucasianos, a incidência cresce com a idade: cerca de 50% dos homens são afetados aos 50 anos e até 80% aos 70 anos. Nas mulheres, a calvície também é comum, com aumento significativo após a menopausa.¹
Atualmente, os medicamentos mais indicados para tratamento da alopecia androgenética são minoxidil e finasterida. Para que haja melhora perceptível, é preciso usar o produto de forma consistente por pelo menos 4 a 6 meses Na maioria dos casos, é recomendado manter o tratamento de forma contínua, para preservar os resultados.¹
O minoxidil costuma ser prescrito de forma tópica (aplicado diretamente na pele), na concentração de 5%. A formulação oral do medicamento também está disponível e vem sendo amplamente indicada.¹
Já a finasterida age inibindo a enzima 5 alfa-redutase tipo 2, responsável por converter a testosterona em dihidrotestosterona (DHT), substância que contribui para a miniaturização dos fios. A dose mais comum para calvície é de 1 mg ao dia, com maior eficácia na região do vértice do couro cabeludo.¹
A associação entre calvície, tratamento e disfunção erétil surgiu principalmente por causa dos efeitos adversos observados com a finasterida.¹
Em 2011, um estudo da Universidade George Washington (EUA) avaliou 71 homens de 21 a 46 anos que usaram o medicamento. Os resultados chamaram atenção: 94% relataram baixo desejo sexual, 92% disfunção erétil, 92% diminuição da excitação e 69% problemas com o orgasmo. Os participantes usaram finasterida por cerca de 28 meses e relataram que os efeitos colaterais persistiram, em média, por 40 meses após a interrupção.³
Além disso, a finasterida pode aumentar o risco de câncer de próstata de alto grau por mascarar alterações nos níveis de PSA (exame usado para rastreamento) e atrasar o diagnóstico. Também há relatos de diminuição persistente da libido com ou sem disfunção erétil.¹
Por outro lado, estudos mais recentes apontam que muitos trabalhos que associam a finasterida à disfunção sexual apresentam viés. Por isso, ainda são necessários ensaios clínicos maiores para confirmar ou descartar os riscos a longo prazo.⁴
Apesar de ser considerada segura e bem tolerada, a finasterida pode causar efeitos colaterais raros e reversíveis, como diminuição da libido e do volume ejaculado, especialmente em doses mais altas (5 mg ao dia), comumente usadas para tratar hiperplasia prostática benigna (HPB). Para a alopecia, no entanto, a dose indiada é de 1mg, o que torna esses efeitos colaterais menos frequentes.⁵
Há mais de uma década começaram a surgir relatos de efeitos adversos persistentes por pelo menos três meses após a suspensão da droga. Esse conjunto de sintomas passou a ser chamado de síndrome pós-finasterida (SPF), que envolve alterações sexuais, neuropsiquiátricas e físicas.⁵
Essa correlação fez com que agência regulatórias passassem a alertar sobre o medicamento. Em 2012, a FDA, órgão dos Estados Unidos que funciona como a Anvisa no Brasil, exigiu que a bula da finasterida no país norte-americano incluísse a possibilidade de efeitos persistentes. Três anos depois, a síndrome foi incluída na lista de doenças raras dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos.⁵
Entretanto, a Dra. Luciana Samorano reforça que, apesar de todas as dúvidas e medos, a finasterida é considerada um medicamento seguro. “Nos estudos, a SPF parece ocorrer em pessoas suscetíveis, ou seja, com condições pré-existentes que propiciam os sintomas. Além disso, não foi possível estabelecer uma relação causal com o medicamento em muitos casos”, explica.É importante ressaltar que não há índices de prevalência e incidência de reações adversas persistentes à finasterida. Isso porque, além de rara, a SPF não é totalmente reconhecida pela comunidade científica7. “Como qualquer medicamento, a indicação da finasterida deve sempre partir de uma avaliação individual e cuidadosa. O médico precisa analisar o histórico de saúde de cada paciente, explicar os possíveis riscos e alternativas, além de orientar sobre como proceder caso ocorram efeitos colaterais”, reforça a especialista.
Para Luciana Samorano, se o paciente apresenta condições que possam favorecer efeitos adversos na saúde sexual, outros tratamentos podem ser indicados. Um exemplo são as soluções com Minoxidil. ⁶
O medicamento atua como bloqueador dos canais de potássio, dilatando os vasos sanguíneos e aumentando o aporte de oxigênio e nutrientes aos folículos capilares. No entanto, ele não é livre de efeitos adversos, com os mais comuns sendo coceira e irritação local, geralmente devido ao propilenoglicol ou álcool presentes na fórmula.¹–⁶
Além disso, a versão oral não é recomendada para pessoas com risco cardiovascular elevado, devido ao potencial de complicações cardíacas.⁶
Ainda assim, a especialista ressalta que a finasterida é um tratamento seguro e eficaz para a alopecia androgenética, inclusive quando usada em combinação com outros meios. “O uso da finasterida tem efeito mais potente para o tratamento da calvície quando associada ao minoxidil tópico ou oral, por exemplo. Em qualquer tratamento, o acompanhamento médico regular é importante para monitorar os resultados e potenciais efeitos colaterais.”
De acordo com a Dra. Luciana Samorano, “o tratamento para qualquer tipo de calvície deve ser indicado e acompanhado pelo médico dermatologista. Não use produtos ‘milagrosos’ nem medicamentos por conta própria, pois pode haver efeitos adversos ”.
A especialista reforça que é importante procurar atendimento médico se notar sinais de afinamento dos fios, com rarefação dos cabelos
Seja para preservar os cabelos ou para cuidar da saúde sexual, a decisão sobre o tratamento deve sempre considerar a orientação médica e uma avaliação cuidadosa dos riscos e benefícios.
Texto elaborado em 11/09/2025
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