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Publicado em: 20 de junho de 2023
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Dermatite, bronquite, asma, rinite alérgica, alergia alimentar: você sabia que todas essas manifestações atópicas podem estar interligadas? A atopia acontece por causa de uma predisposição genética e também por conta de fatores ambientais. A chamada marcha atópica é caracterizada pela recorrência e progressão dessas doenças atópicas ao longo da vida de um indivíduo que possui atopia.1,2
Neste post, você conhecerá um pouco mais sobre a atopia, sobre a marcha atópica e poderá entender, por meio de pesquisas e estudos apresentados pelas médicas dermatologistas Dra. Paula Ferreira e Dra. Luciana Samorano, como e por que acontecem as manifestações da dermatite atópica e alguns dos cuidados para evitar os incômodos na pele, nariz, pulmão e trato gastrointestinal. Confira!
Atopia vem do grego e significa estranho, fora do lugar ou deslocado. Em medicina, o termo atopia engloba um conjunto de manifestações alérgicas de diversos órgãos e aparelhos, como a pele, via aérea respiratória superior, pulmões e trato gastrointestinal.1-4
A marcha atópica é a terminologia usada para descrever a possível progressão das doenças atópicas ao longo da vida do indivíduo com atopia. Nos primeiros meses de vida, a criança que apresenta defeitos na barreira cutânea pode manifestar lesões de pele, como o ressecamento (ou xerose cutânea) e a dermatite atópica. Mais tarde, a criança pode desenvolver as manifestações respiratórias da atopia: a rinite alérgica e a bronquite / asma. Uma parte das crianças com atopia também irá desenvolver a alergia alimentar, com quadro de refluxo ou diarreia após ingestão de certos alimentos. Com o passar dos anos, algumas manifestações tornam-se mais fortes, enquanto outras podem diminuir ou cessar. Importante ressaltar que nem todo paciente com uma das doenças atópicas necessariamente apresentará, ao longo da vida, outra condição atópica.1,2
Na maioria dos pacientes, sim. Existe uma hipótese para explicar as manifestações da atopia que é conhecida como hipótese de “fora para dentro”, na qual a disfunção da barreira cutânea levaria à sensibilização do sistema imunológico e a um estado hiper-reativo do organismo e, consequentemente, às manifestações atópicas.1,2,5
Sabe-se que a pele do indivíduo com atopia apresenta diversas alterações congênitas que culminam em uma disfunção da barreira cutânea. Essa disfunção da barreira cutânea facilita a entrada de agentes irritantes e de microrganismos, desencadeando processo inflamatório e a dermatite. Posteriormente, essa inflamação pode se estender para as vias aéreas e para o trato gastrointestinal.1,2,5
Estudos demonstram que, em cerca de 50% dos pacientes com atopia, as manifestações da doença acontecem em mais de um local (pele, nariz, pulmão e trato gastrointestinal) e ocorrem de forma sequencial, dando origem ao conceito de marcha atópica.1,2 Em um estudo internacional que acompanhou 94 crianças com dermatite atópica por sete anos, 43% dessas crianças desenvolveram bronquite / asma e 45% desenvolveram rinite alérgica. Também foi observado que quanto mais grave a dermatite atópica, maior o risco de a criança desenvolver asma.6
Outro grande estudo que avaliou as evidências clínicas da marcha atópica foi um estudo observacional realizado na Alemanha que acompanhou 1.314 crianças do nascimento até os sete anos de idade. Seus resultados permitiram concluir que a dermatite atópica é uma condição comum na infância, afetando 21,5% das crianças até os dois anos de vida. Dermatite atópica no início da infância é associada com asma na idade escolar, mas, em muitas destas crianças asmáticas, a doença respiratória pode se manifestar antes ou concomitantemente com o aparecimento da dermatite.7
A manifestação da atopia depende de fatores genéticos e ambientais. Tanto a dermatite atópica como as demais doenças atópicas são doenças geneticamente heterogêneas com diferentes graus de gravidade de manifestação clínica e são resultado de uma herança de múltiplos genes e de interações complexas entre esses genes e fatores ambientais.1,2
Se a atopia e a marcha atópica geralmente se iniciam pela pele e pela dermatite atópica, há teorias de que tratamentos que consigam barrar a dermatite atópica ou diminuir sua gravidade possam atenuar também o surgimento das outras manifestações de atopia, como a bronquite/asma e a rinite alérgica.2
Há evidência de que o uso de probióticos na gestação e pelo bebê reduz o risco de o bebê desenvolver dermatite atópica.8,9
Demonstrou-se que pacientes com dermatite atópica que utilizaram anti-inflamatórios tópicos, como pomada de tacrolimo, em um tratamento por período prolongado apresentaram diminuição dos sintomas respiratórios da atopia. Os autores advertem que mais estudos ainda são necessários para confirmar esses dados e mostrar a redução das demais manifestações de atopia nesse grupo, entretanto esses resultados são promissores e surgem numa época em que a incidência das doenças atópicas vem apresentando aumento nos países desenvolvidos e em desenvolvimento.10
Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.
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