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Criança coçando o braço, sintoma da dermatite atópica.

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Você sabia que pele seca, sensível e toda empipocada pode ser sinal de dermatite atópica? Trata-se de uma doença crônica que surge, geralmente, na infância e evolui com crises, com períodos de melhora e piora.1,2

Por isso, é muito importante que os familiares e cuidadores estejam atentos aos primeiros sinais, principalmente quando notarem coceira, vermelhidão e ressecamento no corpo.1,2 

Você que cuida desta criança e observou algum desses sintomas, saiba que é possível amenizar a doença e controlar as crises. Para esclarecer as dúvidas, Érica Monteiro, médica dermatologista da UNIFESP (Universidade do Estado de São Paulo) e a Dra. Luciana Samorano, médica dermatologista do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP), trazem dicas importantes.
Confira algumas dicas das especialistas! 

  1. A coceira é um dos principais sintomas, portanto, é fundamental hidratar a pele diariamente.3,4 
  2. É comum também aparecerem lesões avermelhadas e as áreas mais acometidas são na frente dos cotovelos e dos joelhos, sobretudo na infância.1,2
  3. Ao verificar algum desses sinais, é fundamental levar a criança para um especialista e realizar o diagnóstico, pois a dermatite atópica deve ser tratada de acordo com a gravidade do caso.1-4
  4. Como a doença causa desconfortos, além dos medicamentos, cremes hidratantes podem ajudar a combater o ressecamento e restaurar a barreira natural da pele.3,4 
Dermatite atópica

Sobre a Dermatite Atópica 

Doença de pele crônica e não contagiosa, a dermatite atópica pode cursar em paralelo outras doenças alérgicas, como a asma e a rinite alérgica. Ela decorre, em parte, de fatores hereditários, pois se observa que crianças com pelo menos um dos pais portadores de condição atópica, como dermatite atópica, rinite ou asma, apresentam maior chance de desenvolver a dermatite.1,2 

A inflamação da pele na dermatite atópica aparece de forma repetitiva e a longo prazo, sendo a evolução da doença por crises que podem ser espontâneas ou desencadeadas, por exemplo, pelo contato com diferentes alérgenos.1,2 

O início da doença é comumente observado entre os dois primeiros anos de vida, estimando-se que 80% dos doentes desenvolvam a dermatite até os seis anos de vida.1,6

Embora se acreditasse que a maioria das pessoas com dermatite atópica apresentasse resolução espontânea da doença ao longo da infância, evidências têm demonstrado maior persistência da dermatite na idade adulta, com novas crises após longos períodos de remissão.5

As lesões de dermatite podem ter vários aspectos: podem ser avermelhadas, pode haver crostas, vesículas, inchaço e engrossamento da pele. A localização das lesões costuma variar com a idade do paciente. Nos bebês, costuma afetar o rosto e pode afetar o corpo, sobretudo nas regiões externas dos braços e pernas. Nas crianças maiores é característica a localização nas dobras. Já nos adultos, as lesões podem voltar a afetar as regiões externas dos membros e serem mais extensas.1,2,6 

O ressecamento da pele é um fator observado nos atópicos, pois esses possuem menor proteção cutânea natural.7

Desta maneira, os cuidados com o banho (evitar água muito quente, uso de sabonetes em excesso e buchas) e o uso de hidratantes diários são essenciais para o controle desta condição de pele tão incômoda.3,4 

Além disso, cuidados para manter o ambiente limpo e arejado também colaboram para o tratamento. Deve-se evitar alguns fatores reconhecidamente desencadeantes ou agravantes como comportamentos que acentuam o ressecamento da pele (ex. banho quente e demorado); alimentos e substâncias irritantes; calor ou frio intensos; baixa umidade relativa do ar; transpiração excessiva; estresse emocional e infecções em geral.3,4 

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Referências: 

  1. Weidinger S, Beck LA, Bieber T, Kabashima K, Irvine AD. Atopic dermatitis. Nat Rev Dis Primers. 2018;4(1):1. 
  1. Langan SM, Irvine AD, Weidinger S. Atopic dermatitis. Lancet. 2020;396(10247):345-60. 
  1. Wollenberg A, Kinberger M,?Arents B,?N Aszodi N,?G Avila Valle G,?S Barbarot S,?et al. European guideline (EuroGuiDerm) on atopic eczema – part II: non-systemic treatments and treatment recommendations for special AE patient populations. J Eur Acad Dermatol Venereol.?2022 Nov;36(11):1904-1926. 
  1. Aoki V, Lorenzini D, Orfali RL, Zaniboni MC, Oliveira ZNP, Rivitti-Machado MC, et al. Consensus on the therapeutic management of atopic dermatitis – Brazilian Society of Dermatology. An Bras Dermatol. 2019;94(2 Suppl 1):67-75. 
  1. Abuabara K, Yu AM, Okhovat JP, Allen IE, Langan SM. The prevalence of atopic dermatitis beyond childhood: A systematic review and meta-analysis of longitudinal studies. Allergy. 2018;73(3):696-704. 
  1. Yew YW, Thyssen JP, Silverberg JI. A systematic review and meta-analysis of the regional and age-related differences in atopic dermatitis clinical characteristics. J Am Acad Dermatol. 2019;80(2):390-401 
  1. Elias PM, Steinhoff M. “Outside-to-inside” (and now back to “outside”) pathogenic mechanisms in atopic dermatitis. J Invest Dermatol. 2008 May;128(5):1067-70. 
     
    Fevereiro/2023 – Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.