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Publicado em: 9 de novembro de 2023
Assuntos abordados
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A dor crônica é mais do que um sintoma e alerta de que algo está errado em nosso organismo, caracterizando-se como uma doença que persiste mesmo depois da cura de uma lesão ou que está associada a um processo patológico.1 Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), esse problema afeta 30% da população mundial, interferindo significativamente na qualidade de vida dos pacientes.1 Nesse sentido, as terapias psicológicas surgem como importantes aliadas para combater a dor crônica.1
Cientificamente, a dor é definida como uma experiência sensorial, composta por aspectos emocionais, cognitivos e interpessoais.1 Na presença de dor crônica, o indivíduo pode apresentar alterações de sono, libido e apetite, diminuição da capacidade de concentração e da realização de atividades profissionais, sociais e familiares, além de irritabilidade.1
Existe uma integração profunda entre os processos corpóreos e psicológicos na produção da dor crônica.2 A abordagem psicológica visa entender e tratar esse entrelaçamento.2 Neste post, vamos abordar o que são os benefícios das terapias psicológicas para dor crônica. Confira!
O termo ‘’psicoterapia’’ vem da junção das palavras gregas ‘’psique’’ (espírito, alma ou alento) e ‘’therapeia’’ (tratamento ou cura’’.3
Cientificamente, a psicoterapia consiste em um método de tratamento de problemas de natureza emocional.3 O psicoterapeuta procura eliminar ou alterar os sinais problemáticos, atrasar o surgimento deles, eliminar formas prejudiciais de se relacionar com os outros e estimular o amadurecimento e progresso da pessoa como um todo.3
As psicoterapias se diferenciam de acordo com as teorias e técnicas aplicadas, conforme o quadro do paciente e a sua relação com psicoterapeuta. Esse processo se dá em um contexto interpessoal, em um ambiente profissional, caracterizando-se como uma atividade colaborativa.3
Além disso, a psicoterapia é organizada dentro de um cenário e formato específicos, onde cada terapeuta se coloca na relação com as pessoas que ajuda.3 Esse cenário é moldado pelo modelo teórico e estilo pessoal de cada terapeuta, o que orienta como as sessões de terapia acontecem.3
Diferentemente da dor aguda, que tem a função de alertar o corpo quando há lesões nos tecidos ou órgãos, a dor crônica não é apenas um sintoma, mas uma condição persistente.1 Ela não desaparece após a cura da lesão e pode estar relacionada a processos patológicos duradouros.1
A dor crônica é constante e dura por um longo período, podendo trazer impactos significativos para várias áreas da vida da pessoa, envolvendo desde aspectos físicos até os emocionais.1
As crenças disfuncionais e os pensamentos catastróficos podem influenciar na intensidade da cor crônica, assim como acreditar no sucesso terapêutico ajuda o paciente a tolerar melhor a dor.4
Nesse sentido, entende-se que os elementos ligados ao pensamento e ao comportamento podem intensificar a experiência de dor e angústia de uma pessoa, contribuindo para flutuações no estado emocional e redução da capacidade funcional.4
A adoção de técnicas de abordagem cognitiva-comportamental, um tipo de psicoterapia, está alicerçada no fato de que as crenças, valores, atitudes e comportamentos que você pode ter em relação à dor crônica são culturalmente adquiridos, o que quer dizer que podem ser modificados.4
Há diferentes tipos de abordagens psicoterapêuticas, cujas particularidades estão em seus precursores, conceitos e técnicas.5 Todas elas têm a finalidade de tratar dos sofrimentos mentais e emocionais, a partir de suas perspectivas.5 Entender os tipos de terapias psicológicas é fundamental para escolher a melhor opção para o tratamento do seu perfil. Veja quais são eles.
A psicanálise e as terapias psicodinâmicas visam transformar comportamentos, sentimentos e pensamentos problemáticos, analisandos seus significados e motivações presentes no inconsciente.6
As terapias de psicanálise apresentam como principal característica o estabelecimento de uma parceria entre o terapeuta e o paciente, o que permite à pessoa em tratamento conhecer melhor a si mesma ao explorar as suas interações no ambiente terapêutico.6
Apesar de a psicanálise estar fortemente associada a Sigmund Freud, essa abordagem foi ampliada e adaptada desde seus primeiros conceitos.6
A terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) se baseia na ideia de que as nossas emoções e comportamentos não são influenciados apenas pelos eventos e acontecimentos aos quais estamos submetidos, mas pela forma que os percebos e atribuimos significados a eles.4
Durante a prática dessa abordagem, a pessoa pode conscientizar-se dos estímulos que afetam seu corpo, ganhando uma compreensão melhor de quando e onde ocorrem, e assim, adquirindo habilidades para interpretar essas experiências de maneira significativa.4
Nesse método, o paciente é ensinado a avaliar de modo cuidados os pensamentos que surgem automaticamente, a fim de criar pensamentos diferentes que sejam úteis para ele.4
A partir daí, são encontradas e questionadas as crenças que estão por trás dos pensamentos automáticos, assim como também são abordados pensamentos distorcidos.4
A TCC tem demonstrado ser eficaz na diminuição da dor e no aprimoramento da capacidade de interação social e desempenho no trabalho, com redução das limitações.4
Há indícios de que a TCC também pode ajudar a pessoa a voltar às atividades profissionais e a reduzir o uso de medicamentos opioides.4 Partindo dessa princípio, ela pode ser aplicada no tratamento da dor crônica.4 Um exemplo de patologia que pode ser tratada é a fibromialgia.
A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) explora como nossas palavras e pensamentos afetam nosso comportamento e emoções.7
Para tanto, o método considera como lidamos com nossos pensamentos e sentimentos em relação a eventos importantes.7 Ela se baseia em uma filosofia que busca entender e influenciar nosso comportamento através de conceitos e relações precisas.7
A ACT reconhece que nossos pensamentos e memórias não podem ser eliminados, mas a maneira como eles nos afetam pode ser alterada.7 Diante disso, o objetivo dessa terapia é desenvolver flexibilidade psicológica, que envolve estar consciente do momento presente e agir de acordo com nossos valores, apesar dos desafios.7
Entre as suas propostas está a aceitação de pensamentos dolorosos e o foco em valores pessoais, para promover uma abordagem mais eficaz para lidar com a vida.7
Os sintomas da dor crônica podem restringir a habilidade de trabalhar, interagir socialmente e até mesmo resultar na quebra de vínculos familiares.8 Ao causar fadiga e noites mal dormidas, a síndrome leva à perda de energia, afetando negativamente as tarefas em casa, o desempenho profissional, a relação entre parceiros, o convívio familiar e as atividades sociais.8
Entende-se que a dor não acontece por acaso, sendo afetada pelo ambiente em que uma pessoa vive e pode afetar o ambiente a sua volta.1 É necessário entender quais são as coisas que impactam e contribuem para a manutenção da dor, o que nos permite alterar comportamentos inadequados para lidar melhor com esse problema.1
Também é essencial compreender como a dor afeta nossa vida diária, quais estratégias usamos para enfrentá-la e quais comportamentos podem intensificar a dor.1
A psicologia e a teoria do comportamento, que é um modo de pensar sobre como agimos, pode nos ajudar a controlar a dor.1 Para isso, utiliza técnicas para o paciente aprenda a se relacionar com outras pessoas, praticar técnicas para relaxar e desenvolver habilidades que melhorem a sua qualidade de vida.1
Você sofre com dor crônica, como fibromialgia ou enxaqueca? O tratamento da dor crônica deve ser feito de forma multidisciplinar, com a finalidade de reduzir o seu desconforto e aumentar o seu bem-estar.3
Primeiramente, é iniciado o tratamento medicamentoso, cuja seleção do remédio considera o tipo de dor apresentada e, muitas vezes, será preciso combinar diferentes tipos de medicamentos, para o controle da patologia de forma integrada.3
No que se refere ao tratamento não medicamentoso, há um conjunto de medidas educacionais, comportamentais e emocionais que podem melhorar a condição do paciente.3
A prática de exercícios terapêuticos e de atividade físicas ajudam diminuir a dor crônica. Os exercícios aeróbicos, por exemplo, melhoram a funcionalidade e resistência dos pacientes de neuropatia, que gera dor crônica.3
A adesão à TCC também é uma importante iniciativa para reduzir a dor e melhorar a funcionalidade quanto aos domínios social e ocupacional.3 A frequência e duração dessa terapia dependem das suas necessidades, conforme avaliação profissional.3
A dor crônica impacta a vida do paciente nos aspectos físicos, emocionais e sociais.8 As terapias psicológicas o ajudam a lidar com a experiência dolorosa de maneira mais eficiente, o que colabora para reduzir o seu sofrimento, aumentar sua capacidade de adaptação e melhora a sua qualidade de vida.1
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Data: 15 de maio de 2023.
Referências
1. RODRIGUES LOPES, Cristiane; CARVALHO JORGE, Cynthia; FERRARI, Vanessa. Dor crônica sob a ótica comportamental: compreensão e possibilidades de intervenção. [Cascavel, PR], 2019. Acesso em 15 de mai. de 2023. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/rpsaude/v11n3/v11n3a05.pdf.
2. SOARES SILVA, Daiane; PORTO ROCHA, Eliana; VANDERBERGHE, Luc. Tratamento psicológico em grupo para dor crônica. [Goiânia, GO], 2010. Acesso em 15 de mai. de 2023. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/tp/v18n2/v18n2a08.pdf.
3. Conselho Federal de Psicologia. Reflexões e orientações sobre a prática de psicoterapia. [Brasília, DF], 2022. Acesso em 15 de mai. de 2023. Disponível em: https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2023/06/caderno_reflexoes_e_orientacoes_sobre_a_pratica_de_psicoterapia.pdf.
4. Ministério da Saúde. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas da dor crônica. [Brasília, DF], 2022. Acesso em 15 de mai. de 2023. Disponível em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/consultas/relatorios/2022/20221101_pcdt_dor_cronica_cp74.pdf.
5. Associação Brasileira de Psicoterapia. Psicoterapia. [São Paulo, SP], 2023. Acesso em 15 de mai. de 2023. Disponível em: https://abrap.org/psicoterapia/.
6. American Psychological Association. Different approaches to psychotherapy. [Washington, EUA]. Acesso em 15 de mai. de 2023. Disponível em: https://www.apa.org/topics/psychotherapy/approaches.
7. DAVID DA SILVA SAKAI, Jennifer; RODRIGUES DA CUNHA, Olívia. Terapia Focal de Aceitação e Compromisso (FACT). [Goiânia, GO], 2022. Acesso em 15 de mai. de 2023. Disponível em:http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-08582022000100010.
8. GOLDENBERG, E. O coração sente, o corpo dói: como reconhecer e tratar a
fibromialgia. São Paulo: Atheneu, 2008, página 94.
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